Há filhos de muitas mães

By rifenha

Era um dito da minha avoa para explicar que cada pessoa é umha realidade diferente e que nunca podemos conhescer totalmente aos demais partindo das próprias referências.

Vou vos pôr um exemplo:

O outro dia, dia de Santos, fum ao campo-santo, como já vos contei.

Iamos a minha irmã, as rifenhas, o Suso, Cuquinho, o nosso cancinho de raça “cruzada” segundo os apontamentos do veterinário e mais eu.

Quando chegamos, era noitinha e o campo-santo era como umha silveira en flor cheia de velhinhas de fazer o caldo vermelhas. Eu senti-me transportada ao passado da infáncia feliz.

Pois entramos para adentro, todos e o cancinho com nós, dando-lhe ao seu rabinho muito contento.

De súpeto, aparez um homem duns trinta anos-podia ser meu filho, pola idade- vestido de gris e umha tira branca no pescoço e, olhando ao cão diz:

-Este perro!

E logo:

-Es suyo este perro?

-Sim. É meu

-No sabe usted que los perros no pueden entrar aquí?

-Não, eu não sabia. Como são criaturinhas de deus…

-Criaturas de Dios! Le gustaría a usted estar en una perrera?

-Depende…Do que há fóra.

O Suso foi embora com o cão e o tipo marchou a toda présa, antes de que puidesse explicar-lhe o de São Francisco de Assisi .Ou o de São Roque, e o seu cancinho que lhe lambia as chagas colhidas por ajudar aos leprosos.

Também lhe podia falar do respeito que merecem as pessoas maiores, quando te diriges a elas. Se for meu filho, ia levar umha berradura antológica.

Seica é o novo cura de Vimianço.

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