á se percebe que os dias medraram, e que agora às oito da tarde ainda não é noite fecha.
Ainda seguem no céu os resplandores das últimas luzes do dia.
É o que tem viver ao Norte. Quanto mais longe do Ecuador o paso entre o dia e a noite, o lusco e fusco, é cada vez mais grande, como a largura dos dias, segundo nos achegamos ao solstício do verão. Logo, irão indo a menos, como a correia no lar, até chegar ao solstício de inverno.
Eu fico aquí. Sozinha na minha casa azul, com a companha do meu gatinho vendo, pola janela, como os derradeiros azuis do dia se vão esvaezendo de vagar.
O silenzo é tão intenso, que chia nos ouvidos coma umha vibração. A tristeça é profunda também, e chia na alma como umha vibração de soedade e desalento.
Ao longe vejo luzes que se movem, pola estrada, de carros que vem e vão, levando gente de aquí para acolá.
A gente move-se, viaja, corre dum lado para outro sem saber que é o que há no fundo do seu proprio movemento.
Mas…Que mais tem! Hà vezes que é melhor não saber. Assim move-se um mais ligeiro.
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