O pedraço

By rifenha

granizada EclearglitterTwistedly.gifsta amanhã, às oito, despertei cum tremendo ruido que se escutava fóra e mesmo nos vidros da janela. Ergui-me sem me decatar bem do que fazia, numha dessas reacções que temos quando algo nos surprende dormindo. O ruido escutava-se fóra e mesmo contra a parede e contra as vidreiras da galeria.
Subi a persiana e umha imagem cheia de mágia e lembranças encheu os meus olhos.
Ao mesmo tempo, umha palavra esquecida, chegou assim, de súpeto, à memória. Umha palávra que primeiro aprendi em espanhol de Castela, mais tarde em galego estandar e já não a utilizava desde que tinha seis ou sete anos.
De súpeto, ao ver aquelas bolinhas brancas cubrindo a estrada, onde ficavam marcadas as rodeiras dos poucos automoveis que rodavam a essa hora, e no peitoril da janela, onde formavam pequenos montões de pérolas geadas.
Etão, de súpeto, a minha memória agasalhou-me e eu senti a minha própria voz, ao lhe dizer ao Suso:
“Mira, ouve como cai o pedraço..!”
Não sei em que lugar da minha memória ficava dormida a palavra da infáncia. A primeira, a que marca a pauta das que deveriam vir mais tarde.
Por desgraça, no caso dos meninhos galegos da minha geração, não foi assim.
Mas é umha ledícia e umha sorte despertar, após tanto tempo, as palavras que dormem, como a princesa da história da Bela Adormecida, no faiado da memória.


11pk4

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