Saindo do poço

By rifenha

al12col1.gifpós mais de dous anos sem saír, sem reagir, sem ter folgos para fazer vida normal, agora, de vagarinho, vou reguperando a minha capacidade de acção, a minha vontade, o meu gosto por me comunicar com o mundo.

Mas não é um processo fácil, que siga umha linha estabelecida.

O que tem a bi-polaridade é que umha fica sempre drogada polas suas próprias drogas interiores, que tomam o control e, então, pode ter umha sobredose de adrenalina, serotoninas, endorfinas, com as consequências de ansiedade, descontrol ou felicidade ou, pola contra, ficar com a síndroma de abstinência por dous anos, como esta última vez. Um vive, básicamente, vivido polas suas neuronas, que são quem marcam os seus estados anímicos, a sua capacidade de disfrutar, a sua possibilidade de comunicação com os demais. Mantem, se segue o tratamento e trabalhou com um bom terapeuta, a capacidade de auto-observação, mas não pode fazer nada por mudar a situação. Só esperar. Esperar com esperança de volver a sentir a calor do verão na pele da alma.

Logo, tem que se afazer a ver-se a sim mesmo ilusionando-se como umha criança com quaisquer cousinha, expressando a sua ledícia de viver em quaisquer lugar e hora, falando e actuando de jeito natural, sem barreiras nem filtros racionais, só com o sentimento, ou emocionando-se até as lágrimas com umha flor, umha pessoa que sofre, um bosque de àrvores frondosas, um cachorrinho.

Também há que se afazer a sentir vagas de adrenalina que nos afogam ante quaisquer pequeno problema concreto-fóbias-, a sensação de que, por momentos, a cabeça é umha massa de pão sem levedecer, sem forma nem estrutura, que não responde aos nossos requerimentos.

A bipolaridade é, a fim de contas, umha neurose maníaco-depressiva, que vai da depressão à manía e da manía à depressão sem que o nosso raciocínio possa exercer control nemhum sobre o processo.

Agora que estou de volta, que estou no caminho de saída do poço da mina dos tesouros, a ver se passo mais por eiquí, para compartir convosco mais cousas.

Quero agradecer de coração os agarimosos e positivos comentários que deixastes nos meus posts. Falam de vós e da vossa capacidade de valorar as cousas dos demais. Esso só o podem fazer as pessoas valiosas. Um só pode ver nos demais o que ele tem.

Vou-vos deixar umha canção que tem alguns anos, na que me vejo reflectida a miúdo.

Umha aperta-abraço- para todos e encantada de volver.


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5 Respostas para “Saindo do poço”

  1. anonimo Diz:

    Muito animo!! Eu non son bipolar pero teño moita tendencia á depresión e identifícome con algúns dos sentimentos que contas. É unha loita constante por vivir que non podemos abandonar. A canción é realmente emotiva. Saúdos!

  2. Ivete Diz:

    Olá.
    é uma imensa alegria ler as tuas palavras. Conheço a dor de algo parecido com isto e fico feliz quando alguém conta que está prestes a sair do poço. Força! Que possas reencontrar alegria e equilíbrio.
    Um abraço

  3. O Afiador do Outeiro Diz:

    Muita força e ánimo para ti Lola, porque certamente a mereces, ti que és das boas e generosas desta Terra.

    Umha aperta irmandinha do Antom

  4. gemina Diz:

    Lola..precioso todo o texto…alégrome q estes ben…escribe,escribe para que podamos lerte..é unha ledicia…sobre todo para os que a palabra depresión….coñecemola ben..un bico agarimoso..vemonos no facebook

  5. Deolinda Diz:

    Me espanta e emociona ver como você fala dos seus sentimentos sem ter vergonha, como a maiorias das pessoas!Tenho uma estória de vida e já passei por muitos problemas também, estou recém saída de uma sídrome do pânico que não foi nada fácil…Desejo-te ânimo e mando-te um forte abraço…

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