Escunchando lembranças

Escunchando lembranças

omo vos dizia onte,cada dia irei debulhando uma das espigas da minha meda de milho. A anada deste ano, foi diferente a todas as anteriores da minha vida: Cá, na minha casinha, alhea a quase todo, com meu coraçom posto na minha horta e nos meus animalinhos. É certo que nom posso sair da casa, nem vestir a roupa-ando todo o dia com túnicas. Nom aturo a roupa que me corta pola cintura-, sem me afivelar, como uma anacoreta. Quando isto começou, estava intranquila, inqueda, triste ao ver as fotos de tantos lugares polos que caminhei e que talvez nom volva a visitar. Agora, passado um tempo, sinto-me feliz, tranquila, contenta com minhas pequenas cousas. Todos esses lugares, recendos, cores, eram reflexo do meu interior. Precissava de os ver, para despertar esses lugares íntimos, sonhados, fascinantes, na minha vivência. Agora que os vi, já tenho todo o que tenho que ter adentro de mim. Só me quedava recuperar os da infancia para que o círculo estiver completo: Ando nisso agora.

Pois é. Agora mesmo tenho na horta um grande e viçoso nabal. Quando era pequena, ia com minha mãe aos nabos e às aveas para as vacas. As aveas sementavam-se por entre os nabos, esparegendo a nebinha e os grãos e passando depois, o soumadoiro, para que levantasse a terra do rego e, depois de a estender cum trulho por acima com cuidado, ficassem tapados por uma fina capa de terra: “A semente do nabal, tem de ver ao seu dono marchar para a casa” segundo diziam os velhos. Agora, como nom há vacas, já nom se sementam as aveas por entre os nabos. Agora, seméntam-se os nabos sós, para comer as nabiças e os grelos no caldo. Eu tenho postos de duas castes de sementes: Uns, da parte de Santiago, de sabor mais suave e condiçom mais delicada. Outros, autoctones do val de Vimianço, mais amargos e um pontinho bravos, como corresponde a esta terra que abeira o Atlántico, mas que fica fechada num círculo de montanhas.

    Agora, ir aos nabos, nom é ir aos nabos. Quando eu era uma meninha e ia com minha mãe, lá polo mês de fevereiro, quando na terra nom quedava erva para lhe dar aos animais, tinhamos de apanhar entre as duas: Ela apanhava com o fouzinho as aveas verdes e eu arrincava os nabos redondos, chatos, de cor morada, e cum coitelo pequeninho, pelava-lhe o cû, a carom da raíz, para deixá-los limpinhos e sem terra. Havía tanto frio, que tinhamos de os apanhar por entre a geada, ou o pedraço, e as mãos ficavam sem siras, adormecidas e insensíveis polo frio…

Todas estas cousas estou a re-viver neste tempo que levo na casa. Ainda tenho muito mais que contar das minhas vivências.

Amanhã, se se põe a cousa bem para isso.

Até amanhã logo

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