Arquivo da Categoria: Bipolaridade

A cara, espelho da alma

A cara, espelho da alma

Os que seguem o blogue sabem que padeço un transtorno bi-polar de tipo II e que, desde o mes de Janeiro do 2007 fico em estado depresivo.

Ainda assim, agora vou saindo avante e já me sinto melhor. Como umha imagem às vezes, diz mais que um milheiro de palàvras, deixo.vos duas imagens: Umha de dezembro, e outra actual, ainda que não totalmente bem, já mais “animada”.

Vós mesmos veredes o que é umha depressão e como mata por dentro.

Se tendes perto a alguem com umha funda depressão, pensade que, ainda que os que ficam arredor o passem malamente, o que mais sofre, é a pessoa deprimida e tende paciéncia e tratade-a com agarimo.

Diferência? A que há entre o dia e a noite, a vida e a morte, o ser e o estar.

Bom dia a tudos.

É NECESSÁRIO

É NECESSÁRIO

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É nenessário sair….É necessário estar fraco…É necessário…

Há que…Há que… Há que…

A vida é um cúmulo de “E necessário” e “há que”, ou, como dizem os franceses “Il faut”, que dizem uns aos outros, crendo-se na possessão da verdade absoluta, sem ser quem de compreender a realidade interior dos demais.

É esso o que mais desestabiliza a umha pessoa que fica a padecer umha neurose ou transtorno bipolar, como é meu caso.

Como falar é de graça, todo o mundo fala, e diz o que é necessário, o que eu deberia fazer, o remédio seguro para os meus males:

È nessário saír, é necessário se animar, é necessário caminhar, é necessário…. E assim até o cansaço, até o esgotamento mental que acaba coma as poucas forças que umha tem para tomar a decissão de dizer: Sim. Hoje vou-me habilhar e sair dar um passeio.

Façam favor. Se algumha vez topam com umha pessoa que, coma mim, fique tratando de agardar a que passe o temporal, não lhe digam: É necessário.

Porem, podem dizer: Tés gana de sair dar umha voltinha? Gostarias de irmos juntos caminhar umha miga?

Esto é muito importante. As obrigas são, precisamente, o que acaba de esmagar às pobres e castigadas neuronas dum maniaco-depressivo. Nunca se pode saber o que pode fazer quando a pressão é grande demais para poder aturar.

Apertas. Tenham bom dia. Se querem. Vocês são donos de fazer e viver o seu dia como quixer.

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Deixem voar libre à borboleta.

Viagem

Viagem

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flower80_1.gifDclearglitterTwistedly.gifigo viagem porque, para mim, nestes momentos, ir à Corunha supõe umha viagem trans-oceánica.

Tinha de ir por força, para ver ao meu doutor, que me receitou o depakine para estabiliçar o ánimo, mas como tenho um problema cardiaco, o sódio do medicamento fazia-me encharcar de água e inchar até não poder colher alento.

O meu doutor é muito bom psiquiatra. O único, dos que tive, com o que posso falar sem me sentir unmha doente numha consulta.

Ademais, disse que, a minha cabecinha, fóra do que é o trastorno bipolar, funciona muito bem e esso sempre se agradece quando se é umha pessoa que, coma mim, sempre tive o anceio de aprender, pescudar, saber, compreender o que passava em mim mesma e ao meu redor.

Bom. Pois o caso é que foi minha única irmã quem me levou e, quando chegamos, ela foi embora fazer uns recados e eu quedei na consulta.

Na salinha de espera havia um calor abafante, das calefacções e, à minha beira um moço que roia nos pelexos das pontas dos dedos, porque já não tinha unlhas para rilar.

Quando rematei, chamei a minha irmã para que fosse vindo e, mentras, caminhei um chisco polo passeio da beira da rua.

Estava fermosa A Corunha com aquela luz tão branca- luz do Atlãntico, como a de Lisboa, ou Rabat- Essa luz que faz que todo brilhe coma se tivessem espalhado pó de prata no ar.

Também olhei para as vitrinas das tendas : Quantas cousas lindas para servirem de engado ao consumo…!

O certo é que, tudo esto, fazia-o cumha sensação de desorientação, assim como se não souber muito bem cara on de ia.

Quando pensei que podia chegar minha irmã, arrimei-me ao borde do passeio olhando cara onde ela tinha de vir.

De súpeto, passa umha senhora cum cancinho branco e, sem mais nem mais, berra-me no ouvido:

“-Hay que mirar hacia delante!”

Foder! Entrou-me umha ansiedade e pensei: Já savia eu que não podia ficar cá. Não deberia. A ver se vem dumha vez minha irmã.

Nestas andava, quando, de súpeto, um carro para à minha altura a começa a tocar na buzina .

Ui! Pensei eu! Seguro que fico a pisar algumha parte do passeio que não é a debida. E movim-me, e dei a volta…

E o carro seguia a dar buzinazos.

Por um intre, vi umha imagem familiar.

Ai! Mi madrinha! que alegria!

Erão meus vizinhos de Vimianço que, por açar, passavam por alí.

Foi como ver dous humanos num planeta extra-galáctico.

Quando veu minha irmã. já apurei a lhe contar tudo, dou-nos riso, e volvemos para a casa, falando e rindo.

Pensaredes…

Por que nos conta estas parvoíces?

Pois para que compreendades melhor o que é umha neurose depressiva bi-polar.

Eu andei sozinha polas medinas de Fés de Marrakech, Trabalhei no bairro da Mina, em Barcelona, viajei com menihos de todas as escolas nas que trabalhei, mesmo semanas enteiras, sem ter nunca um problema, mas que o cansaço, e penso volver ter algum dia a mesma dispossição de ánimo.

Mas…já vedes. Agora não sou quem de caminhar segura de mim por um passeio de cinquenta metros nas ruas das Corunha, onde morei quatorze anos da minha vida.

Tudo são ameaças. Perigos desconhecidos.


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Pensar e sentir

Pensar e sentir


Qué doado é, para mim, pensar…

Ideias, palàvras, juiços…

Mas, quando todas esas cousas se vão empapando com a tinta púrpura que abrolha no peito e vai escorregando desde os pés até os miolos, o corpo, por dentro, encolhe até fechar os pulmões e anoar o estómago e as vísceras num nó cego, impossível de desanoar.

O motivo pode ser calquera: A morrinha, a saudade, a tristeça do que não fui, a inquedança do que é, o temor do que pode ser… O passado fermoso, o presente anodino, o futuro incerto… O amor de mãe, ou o amor de filha, a soidade, o rebúmbio, o filme que dão na tv, umha canção…

A dor de existir.

Dor existencial que oprime como chumbo, que doe como umha faca penetrando na carne.

Coma sete punhais espetados num coração ardente.

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A janela

A janela

Tanto tempo sem sair faz que as minhas referências da realidade sejam duas janelas: Esta virtual, por onde me ponho a mirar aquelas cousas que me prestam, e a janela do meu quartinho, por onde vejo um quadro que é, hoje, o único mundo que tenho.

Até penso en lhe dizer a Suso que me merque umha luneta ou uns binóculos, coma aqueles de James Stewart no filme de Hitchcock, mas não para ver a nemhúm assassino humano, só para ver a parelha de garças que voam cada tarde sobre as árvores da beira do rio, ou o minhato que pousa em riba do poste de cemento da leira de minha irmã, cada tarde também.

Sempre tento olhar de mais perto e tirar-lhe umha foto, mas, quando me assomo à porta, bota a voar e escapule-se para outro poste mais distante. Quaisquer movemento que eu faça, por pequeno que for, ele sempre o detecta. Debem ser seus olhos, que não precisam de trebelhos para verem o que tem de ver.

Quando chega a nuite, vejo ao longe o letreiro de color fúchsia que pestaneja lá , em riba da Parrilhada Santos, coma se for a luz dum faro no meio dum mar escuro.

E mais nada. Esse é todo o universo material que tenho desde hà meses. No horizonte, sempre os montes. Vimianço é um val circular, redondo e fechado como um embigo.

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Guns & Roses? Não. Nirvana

Guns & Roses? Não. Nirvana


Vede até onde chega o meu desinterese pola música ruidosa e em inglês.

Ainda bem que tenho filhos que me ilustram.

Se, entre os leitores hà algum devoto de Nirvana e não porque seja budista, que disculpe minha ignorância.

Certamente, de Nirvana não merquei nem umha soa camisola.

Só fum um dia encargar umha para o Susinho com a cara de Jim Morrison estampada, porque o ídolo dele era esse.

E vi um filme no que umha serpe saía de embaixo das areias do deserto mentars soava “The End” polo menos vinte veces, que não é nada comparado com as veces que vim “O Muro” de Pink Floid, que deberom de ser umhas duascentas.

Ainda que, em honor à verdade The Doors e Pink Floyd são muito bons. E “O Muro”é umha obra de arte.
Sem desprezar a ninguém .

Por certo. Jim Morrison tinha umha inteligéncia singular e era um grande poeta.
O nome de The Doors, vem dumha frase de William Blake:

“Se as portas da percepção ficar abertas, tudo ia aparecer ante o homem tal qual é, infinito».

Por eso ele gostava de as abrir com LSD, cocaina e peiote.

Endejamais com heroina, porque lhe tinha fóbia as agulhas.

Mas não vou seguir por aí, que o meu não são as músicas anglófonas.

Hoje em Vimianço chove e venta de vendaval .

Boa tarde a todo o mundo.


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De Calamaro A Kurt Cobain

De Calamaro A Kurt Cobain

Bom. Pois passado 8meses de clonazepam sem muito resultado, o meu psiquiatra decidiu que o melhor para mim é o litio, que seica estabiliça o ánimo e vai evitar que treme de pánico ante a mínima interferéncia do mundo exterior.

Assim que, do “Clonazepam y circo” do Andrés vou passar ao “Lithium” de Kurt.

Certamente nunca gostei muito de guns&roses.

Lembro dumha viagem a Altafulla para ver a umha amiga catalana, numha desas tendas de múltiples e variados artículos de souvenirs para guiris das vilas turísticas da costa catalana. Entrei para lhe mercar um agasalho aos meus filhos e saim cum barquinho de madeira pequerrechinho metido numha garrafa de cristal-para mim- e umha camisola de Guns&Roses para o meu Nés que me parecía horrível, mas que a ele, lhe encantou.

Certamente, nunca gostei de Guns&Roses, como de case nemhúm grupo anglo-sajão, agravado o seu caso polos decibélios que me transpassam os miolos coma se fossem balas das suas guns, mas o meu Nés adoitava gostar das cousas das que eu não gostava e quando queria ficar só e eu andava perto, punha a música de Sepultura ou Brujeria a toda voz para me espiantar. Umha vez fui para Vimianço e deixou posto o espertador do aparelho de música, e, quando às sete da manhã começou a soar aquelo, com o volume que tinha, eu, por um intre, acreditei ficar às portas do outro mundo, na escaleira que baixa.

Menos mal que o Suso fui apagar o trebelho, porque eu não era quem de me achegar.

Mais linda fui aquela tarde com Margarida em Altafulla. Vimos a lua de color de rosa, subindo por detrás do monte e logo, ía subindo e tornando da color da prata pulida, mentras nós bebíamos umha sangría de cava na terraça dum bar.

Tempos felices, os que vivim em Catalunya.

Alí nunca tivem crises, em três anos. Sentia-me nova, livre, coma se a vida volvesse a começar e a estiver estreando por segunda vez.

Vem-me a memória tantas cousas…

Outro dia, se tenho lazer, contarei algumhas.

Agora que o penso…O litio não é também o componhente das baterias que mais duram?

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A través do cristal

A través do cristal


Assim é como miro o mundo exterior desde há semanas.

Desde o cristal da janela do meu quarto onde escrevo no terceiro andar da rua Salah Eddine El Ayoubbi.

Desde aquí tenho vista às açoteias, inçadas de parabólicas, a um outeiro que fica por detrás dos edifícios, onde ainda quedam pinheiros, e a um cacho de céu azul.

Tudo a través dumha folha da janela. A outra, fica cuberta pola cortina semi-transparente branca, com flores rubias e lilas.

Às vezes, a vissão do exterior e inquietante demais e ceivo a outra metade da cortina para que o mundo me chegue filtrado a través do veu que não a oculta, mas que a dilue…

O Islão é umha cultura de veus, de gelosias, de jardins e intimidades ocultas.

Aquí, no Rif, não seguem esse patrão. Emchem as janelas abertas e as terraças de mantas e alfombras cheias de color, para se assoalharem.

Eu também fazia o mesmo há dias. Até que entrei neste ponto do espaço-tempo tão “especial” do que não posso fazer nada para sair.

Só esperar.

Espero.


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Que dificil…!

Que dificil…!

Que difícil é às vezes manter o tipo…!

E seguir adiante, vivindo, quando o cansaço e a impoténcia se apoderam de um…!

Quando a incerteza, o não saber que passará manhã, quando rematará este stand by de neuronas e serotoninas…!

Quando não se sabo que aparência tomará amanhã:
Cansaço, ansiedade, medo, adormecemento…Paranoia…

De certo que é difícil.

Também é difícil de explicar. Só se pode percever em pessoa. É umha sensação pessoal e intransferível.
Ùnica.

Umha baixada a um reino estranho, diferente, raro, alienígena…
Um mundo onde falta o ar para respirar, onde não hà trajes de cosmonauta, onde tudo é estranho, desconhecido e inquietante.

Um mundo onde se perde o contato com as amendoeiras em flor, os meninhos, a cidade, os vizinhos, o mar,a família,a capacidade de sentir nemhum estímulo.

De momento, conservo este único fio com o mundo exterior.
Desde a minha nave nodriça, desde meu ôvo , desde a minha cova entre as pedras do fundo do mar, sigo conetada ao mundo a travês do ecrã do meu computador.

Espero que não se quebre também esse fio.
Pocuro manter seu fluxo de vivências para não ficar totalmente deserta, como umha ilha sem Robinson.

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O meu mundo

O meu mundo

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O meu mundo é um mundo inmaterial, sem entidade física mais aló das minhas moléculas ou das partículas-ondas que se concentram na realidade virtual da minha mente.
E por mente entendo tudo: As neuroninhas que faz suas conexões de serotonina, chispando lentas, ou velozes coma lóstregos. As enrugas da minha cara,que ainda não se percevem apenas.
O meu corpo, com seus processos de respiração, combustão, de eliminação de resíduos.
Meus olhos, globos de água que percevem a luz…

O meu mundo são os carreiros, arrós e correduiras da minha infáncia num val de Vimianço que jà não existe.

As histórias que me contava minha tia Estrelinha, mentras debulhavamos no milho e nos chícharos secos ao pé da janela do corredor dos animais, mentras viamos esvarar a chuva polos vidros e escuitavamos repinicar as pingueiras no chão.

Os sete anos de escura friagem do internado das freiras, com seus corredores recubertos de “vitraico” amarelo e seus dormitórios caarcelários.

Os tres anos em Barcelona, onde perceví, por primeira vez, depois dos dez anos da minha infáncia, a vivència da liverdade .

As viagens a este pais onde moro e os quase seis anos vividos entre souks, bazares, turbantes, babuchas e cantos de muecim, na filosofia do inchallah.

A gente que amo, com quaisquer das fazetas ou expressões do amor.

Estes momentos de diálogo e contato fóra do espaço que comparto com vós, a través da aranheira mágica, onde vou abrindo janelas ao meu mundo, escunchando as espigas da minha meda.

Tudo esso conforma a minha existéncia, e outras cousas mais, em maior ou menor medida.

São os meus sinais de identidade, nos que tento reflectir todos os momentos de liverdade, os lugares mágicos, o amor desplegado ao longo do caminho que me traz até aquí. A minha bóla de ouro com a que caminho polo bosque da vida.

Mas hà outras cousas das que não gosto, e porém, ficam aí também, ainda que eu não queira as ver.

A tristura, a frustração, a desilusão, a soidade, o medo…

Essas cousas não debem de ficar sozinhas, agochadas no faiado dos trastes velhos.

Hà que as trazer à nossa presência , para as reconhecer, agarimar e deixar que se quentem ao calor do nosso colo.

Porque elas também formam parte do nosso mundo e, se as tentamos ignorar, ficaram à espreita e, quando a porta, por um açar, fique mal fechada, sairam anojadas, cheias de ódio e de genreira, coma um dragom, que nos abrasará com seu alento de lume e laparadas.

E abrasaram nosso eido, as nossas colheitas de felicidade e, quando acabem, sairam, cegas, na procura de alguém para continuar. Alguém que nem sequer tem nada a ver com nosso mundo, nem com os monstros que fomos alimentando na escuridade.