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Umha face ao passado. Outra ao futuro

31/12/2007

Assim é como se representa Jano, o deus das duas caras que da nome ao mes de Janeiro, o primeiro do ano para as culturas que tem suas raizes na tradição do Império Romano.

O ano novo celta, começava em Outono, com o mes do Shamain.

O primitivo ano dos romanos, começava em Martius, em honor a Marte, o atual mes de Março, e tinha 340 dias repartidos em dez meses.

Mais tarde engadirom-lhe dous mais- Janeiro e Fevereiro- e fui Julio Cesar, no 47 a.C. quem decide que o ano debe começar em janeiro-calendário Juliano- e não fui até o 1.582 que o papa Gregorio XIII reformou para o adaptar aos anos bisiestos-calendário Gregoriano- que é o que rege hoje.

Durante um tempo,ainda se seguiu a celebrar em diferentes datas,sobre tudo em Italia:Em Florência, o ano novo fui o 25 de Março até o 1.749. Em Venézia o 1 de Março e em Milã o 25 de ezembro até o 1.797.

Nas colónias británicas americanas, celebrába-se o 1 de Março, como na Inglaterra protestante, até 1.752. Nas possessões portuguesas, espanholas ou francesas, desde o 1.582, passou a ser o 1 de Janeiro, seguindo o calendário gregoriano.

Durante a Revolução francesa, fui reformado o calendário, tirando-lhe todas as connotações religiosas -prometo falar outro dia do tema com tempo-.

Quais erão as práticas dos romanos para receber o novo ano?

O poeta Ovidio, nos Fastos, explica-nos:

Janeiro é presidido polo deus Jano, o das duas faces. Tem umha nova, que mira ao futuro -ano novo- e outra velha, que mira ao passado-ano que rematou-. O deus Jano era um deus de iniciações e ritos iniciáticos, por esso ficava como porta iniciática do ano que estava por vir.

O dia do ano novo, os romanos convidavam a comer aos amigos, e agasalhavam-os com pólas de loureiro ou de oliveira do bosque sagrado de Strenia, a deusa da saude, como agoiro de boa fortuna e felicidade.-

Com o tempo, estes agasalhos são substituidos polos strenae-os nosos estreos, vaia- mais “modernos”: Jarras de mel de cerámica branca, com dátiles e figos, que se entregavam com esta frase: ” Para que passe o sabor amargo das cousas e o ano que começa, seja dóce”.

O próprio das calendas-primeiro dia de cada mes. Primeira lua nova- do ano, era trabalhar, porque, segundo palàvras de Jano, citadas por Ovidio:

“Consagrarei a todos aqueles que comecem o ano trabalhando, para que não tenham um ano de preguiça”.

Assim que, já sabedes, nem uvas nem farrapos de gaita. Trabalhar, lampantins, que só pensades em festas…!

Feliz nuite de fim de ano e feliz ano para tudos.

Contos Franceses. Jacques Perrault

20/12/2007

Jacques Perrault fui o primeiro em publicar contos de fadas para meninhos.

Nado en Paris no 1628, numha família da alta burguesia, publica seu primeiro trabalho sobre histórias de tradição oral no 1697.

No decorrer da sua vida, chegou a ser secretário da Académia Francesa e escribiu um feixe de obras.

Mas só perduran na memória popular os seus contos recolhidos e postos no papel “Histórias e Contos do passado” que se publicam por primeira vez com o sobre-nome de “Os contos da mãe Ganso” Polo desenho que aparecia na portada.

A tradição dos contos na França, vem, desde os Fabliaux medievais, marcada pola mitologia do inconsciente emocional, como em todos os contos populares do mundo. Esa mitologia abrangue animais, bosques escuros, estâncias proibidas, dóces raparigas inocentes, crianças abandonadas…

O ilustrador que vem hoje, não é contemporáneo de Perrault, mas um pouco posterior. Nasce em Estrasburgo no 1832 e, aos catorze anos, publica jà o primeiro album de litografías.

Seguramente o conherceredes polas ilustrações que faz para “El Quijote”, mas as dos contos de Perrault, não tem preço:

O ritual mágico de ler contos. Gustave Doré

A fonte das fadas

Lembrades o conto? A irmã boa vai por água à fonte e umha velha pede-lhe de beber…

Este maravilhoso “Chat Botté” que faz do seu amo um príncipe.

Pobre meninha soa cum lobo tão grande!

Ainda que, visto assim, não parece tão máu…

Claro que…Não fiedes…

Qué medo da o monte, de nuite! Só se mantem tranquilo o mais pequeno…

Mas…Por fim, chegam a umha casa amiga…

Amiga?…Ainda bem que alguém faz o troco…

Puxa, meninho!

Qué bem lhe asenta o sapatinho de cristal! Ela será nossa princessa!

Esta, não, meu amor. Não abras com esta chave…

Bom. Espero que o par Perrault-Doré for do vosso interese.

Aperta.

Os irmãos Grimm

17/12/2007

LMJ.gifakób e Wilhelm Grimm erão dous irmãos nados na vila de Hanau, no estado alemão de Hesse.

A época na que eles vivem, -de meados do século XVIII a meados do XIX-,é umha época convulsa para Alemanha e para Europa, em geral..

Tempos de revoluções, invasões napoleónicas e religiosidade puritanista.

Os dous irmãos, que começam sua andaina trabalhando numha biblioteca, tem umha vida agitada. Chegam a ser profesores na Universidade e investigam no eido da lingûística.

Mas, o trabalho polo que são reconhecidos em todo o mundo, é o de recolheita de narrações de tradição oral alemanas, que mais tarde se populariçam escritos para crianças e adultos de todo o mundo.

A principal fonte de relatos dos irmãos Grimm, fui umha mulher do seu entorno, de Hasel. Umha mulher da clase burguesa de procedéncia hugonote, que lhe referiu as histórias que logo foram recolhidas no libro ” Contos para a Infáncia e o Fogar”. Mais tarde fui ampliado e conhecido popularmente como “Contos de Fadas dos Irmãos Grimm”.

O ilustrador inglês Walter Crane: 1895-1915. Utiliza gravados, xilografias , desenhos…Era admirador de Durero, e chegou a dirigir varias institucións artísticas en Inglaterra. Socialista militante desde A Comuna de París chega a ser acuarelista, desenhador, pintor e escritor.

Ele faz estas ilustrações para as histórias com grande referente da fantasia medieval e burguesa recolhidas polos irmãos Grimm :

As histórias mais conhecidas: Branca de Neve, a Cinsenta, Hänsel e Gretel, João sem medo…

Quando saem à luz, suas histórias não são aceitadas . Não se ve em elas sua linguagem simbólica, mas seu significado literal e as autoridades estimam que são muito crueis. Não compreendem que a Madrasta de Branca de Neve seja castigada ao suplício medieval de dançar cuns sapatos de ferro candente, ou que a mãe de Hansel e Gretel deixe seus filhos no monte, abandonados.

Assim, tem de modificar as histórias originais e as adaptar aos critérios da época. Sobre tudo, emquanto ao contido sexual, que era importante.

Tampouco não podem incluir histórias francesas como “O gato com Botas”, polas más relações políticas com a França.

Com o tempo, as histórias recolhidas por Jakób e Wilheml, passam a ser património cultural de toda a humanidade.

Os mitos que guardam, seguem fazendo estremecer a meninhos e grandes.

Hoje vou trazer também um ilustrador nado em Suécia e emigrado aUS, onde trabalhou para a Disney, nos primeiros anos.

Chama-se Gustaf Tenggren e estes são seus desenhos:

Quem não conhece a esta senhora da maçá?

Ou a esta doncela que dorme numha caixa de cristal?

Assim, sonhando baixo a atenta mirada dos corvos, deixo-vos até a próxima.

Alice in Wonderland

13/12/2007

A história de Alice, preciosa rapariga que caeu numha tarde de verão por um burato e viajou por um mundo paralelo, guiada por um coelho branco enfeitado cumha grande cartola é, quando menos, inquietante.

Os diferentes ilustradores que trabalham nas primeiras edições, marcam cada um umha visão diferente.

Alice, segundo diferentes ilustradores:

A Alice de Arthur Rackham

Alice segundo Mabel Lucie Attwell

Segundo Sir John Tenniel

Os diferentes momentos da sua aventura vistos polos três desenhadores:

Sir John Tenniel, Mabel Lucie Atwell e Arthur Racham.

Três génios da ilustração para umha mesma história.

Amanhã, mais.

Peter Pã

12/12/2007

Peter Pã nos jardins de Kesington, é outro relato nascido baixo a luz do norte.

J.M. Barry, era um escocês que vivía en Londres. Um homem miudo, tímido e amigo de passeiar polos grandes jardins londrinos. Se lestes sua biografia ou vistes o filme protagonizado por J. Deep de seguro conhecedes a história.

Eu não quixera cansarvos con algo que já sabedes, ainda que, se alguém mo pide, encantada da vida de a contar.

Por que Peter Pã?

Peter, en honor ao meninho que conhece no jardim, e acava sendo amigo, e Pã, em honor ao deus dos bosques tocador da siringa, com a que faz dançar às ninfas e ondinas nas nuites de lúa:

Arthur Rackham fui seu primeiro ilustrador, e também aquí se deixa sentir a luz atlántica e essa fantasia de bosques, jardins, e pequenos seres que vivem nas flores, na beira do rio, ou nas raizes das árvores mais velhas.

convivindo com esoutro mundo paralelo de gente grande, único vissível aos olhos da gente normal.

Hoje, os desenhos que triunfam, são os de Disney, porque são o mais claro exemplo da economía ilustratória:Dizem o máximo com o mínimo de traços. Para umha sociedade que tem pouco vagar, são o melhor. Mas eu sou dum tempo no que as tardes de inverno erão longas e frias, e gosto da contemplação de toda a beleça que a luz do norte guarda para o que saiba e queira ver.

Ademais de Rackham, o libro com a história do meninho que não quer medrar, é ilustrada por outros artistas.

Mabel Lucy Atwell , nada em Londres no 1879, é umha ilustradora de linhas mais simples, figuras mais limpas, mais planas, mas também ilustrou um Peter Pã bem fermoso:

De seguro se percebe a diferência

Este Natal, se ides agasalhar aos meninhos cum libro, reparade nas ilustrações. Hà verdadeiras obras de arte.

Amanhã, mais.

   

Andersen

11/12/2007

H.C. Andersen nasce em Dinamarca, iluminado polas luces do Atlántico, que pintam tudo dumha pátina de saudade e poesía tanto no gris e escuro inverno, como no luminoso verão, cheio de flores e andorinhas.

Suas histórias tem um aquele de tenrura e tristeça, de fantasía que repara nas cousas mais pequenas para lhe dar vida própria e trata por um igual a umha princessa que a umha pobre e triste vendedora de mixtos cheia de frio.

As ilustrações que Arthur Rackam faz para seus contos são tão tenras e delicadas como seus relatos. Cheias de ilusão, fantasia e terura, polos seres que tem de desenvolver a sua vida num entorno cheio de neve, escarcha e vento.

Pobrinho do que não tenha um abrigo para se arrimar!

Também aparecem animais, esses tótems que simboliçam nosso mundo instintivo e podem devorar-nos ou, pola contra, ajudar-nos a encontrar o caminho:

Espero que gostedes do par Andersen- Rackham.

Amanhã, mais.

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A luz do Norte

10/12/2007

Todos os que vivimos na costa Atlántica de Europa, ao norte de Lisboa, sabemos qual é a luz que nos acompanha e nos envolve a maior parte do ano.

Ou como as nossas árvores mudam com cada tempo:

Nossos animalinhos adurminhados nas tardes de chuva:

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Por eso não é de estranhar que, se criamos ou contemplamos imagens fabuladas a partir da nossa realidade, nos sintamos fascinados e acabemos vendo nosso mundo como um lugar mágico onde comvivem seres e situações extraordinárias.

Era o que me passava a mim de pequena-e ainda hoje, pero esto é um segredo- e o contributo dos ilustradores de contos, era fundamental. Abriam as portas ao nosso mundo interior, para que puidessem aparecer as maravilhas , como no burato no que caeu Alice. Assim, quando passavamos à beira do rio, com as vacas, a mágia fazia brilhar a água e, de entre os fieitos, saía o sapo que tinha a Pulgarcita captiva aló, no fundo escuro das raizes dos abeneiros…

Um ilustrador do que gosto muitíssimo, é o británico Arthur Rackham, que, no decorrer dos últimos anos do século XIX e começos do XX, ilustrou as obras dos mais conhecidos autores de literatura “infantil”.

Ele ilustrou a primeira edição de Alice in Wonderwold, do Peter Pan in Kesington Garden de J.M. Barry, ou dos contos de Andersen e Grimm.

Quando conhecí, jà era adulta, mas jà vos digo que eu sigo a crer em todos os seres que vivem ocultos entre a erva da beira do rio, nas branhas da Gandra ou entre o musgo dos valados. Mesmo penso que as pinguinhas do resio são abalórios de diamante do manto da rainha Mab…

Mas…não falemos mais de mim, que hoje vou ao psiquiatra e ao psicólogo, e centremo-nos em Arthur Rackham.

Amanhã, contarei-vos algo dos seus trabalhos mais significativos. Hoje deixo-vos estas imagens, para pensar…



Luz do Atlántico norte


Amanhã, mais.

Fabricantes de sonhos

09/12/2007

Como vimos muitas veces, a humanidade não pode viver sem mitos, sem imagens e histórias que lhe lembrem ese trasfondo de ilusão que tem os sonhos que, ainda que na nossa época digam que não é real, logo vemos aflorar manipulado desde fóra polos vendedores de doutrinas, religiões, objectos, comidas, bebidas e até roupa.

Eles, os vendedores, sim que sabem bem da realidade dos mitos.

E bem que nos fazem comprar à sua conta.

Eu prefiro guindar-me de cabeça no mar da fantasía, e hoje pensei em algo que vos pode interesar.

Como jà falamos abondo do mito do Natal, podemos dar um passeio de varios dias por outros territórios que nos levam dereito a nossa infáncia, que é a onde nos levam quase todos os mitos.

Quando um ou umha é criança, tem muita importáncia os contos e as histórias, com já falamos aquí outras vezes.

Mas, agora, vou-vos trazer umha parte dessas histórias muito importante e que não é a que se escuita, mas a que se ve.

Desde tempos inmemoriais, tem muita importáncia a interpretação visual das histórias , e se não, que lhe perguntem aos artistas do románico, contadores de histórias em pedra de grão, ou aos ilustradores monacais de Beatos e Libros de Horas ou ainda antes, aos pintores de frescos e escultores de estelas, aos artistas rupestres que plasmavam seus sonhos com sangue e carbão.


Quando era pequena, ia à escola da Toxa, que ficava aló, num alto, ao pé dos montes que rodeiam o meu val.

Ficava pasmada cada vez que abría um livro e olhava os desenhos. Fui esse amor polos livros e polas histórias que contavam, o que me faz aguantar sete anos dum particular Auswitchz com as freiras de Rubine.
Na Biblioteca, esquecia as penas quando a árvore dos sonhos volvia a me iluminar com sua luz.

Mas, como em tudo, os amores primeiros são os que nunca se olvidam, e o meu primeiro grande amor-livro, fui um exemplar de “Cuentos de Hadas de Andersen” que me agasalhou a minha mestra, de umha das suas sobrinhas.

Fui o agasalho melhor de tudos quantos me tem feito. Era grande, com tapas ilustradas e lombo de género. Mais tarde, meu avó, para que não romper, reforçou o género cum cartão duro e uns diminutos cravinhos que ele guardava na caixa dos parches, e quedou tão bem, que podía ler em calisquer postura, ainda que o livro for de tamanho grande.

A minha mestra já morreu. Era umha mulher muito boa e eu gardarei-lhe sempre fe polas muitas cousas que faz por mim. Pero, sobre tudo, polo libro que desencadeou a minha primeira paixão polas histórias sobre papel.

O libro, tinha varios contos de Andersen em espanhol :

La Sirenita,

El Baúl Volador,

El Cuello de la Botella,

La Hija del rey del Marjal,

Pulgarcilla, 

Los Chanclos de La fortuna,

Los Cisnes Salvajes,

La Reina de las Nieves,

Los zapatitos Rojos,

El Patito Feo.

 
Todos eles histórias fermosas e muito bem traduzidas ao espanhol.

Mas, tinha algo mais que fazia que a minha atenção de meninha ficase engaiolada sem poder apartar os olhos: As magníficas ilustrações que contabam a história sem palàvras, dando lugar a que a fantasia ficase extasiada contemplando à Rainha das Neves que voava com o pequeno Kay por acima da terra, envolta em folerpas, no seu trineu tirado por cavalos brancos, cara o seu palácio da ilha de Spitzberg.

Ou aos doce cisnes que voavam com sua irmã, durmida, sobre o mar, passando a ilha da Fada Morgana, que te podia fazer durmir para sempre se baixavas .

Ou a pequena Gerda, descobrindo as roseiras no chapéu da velha maga , e lembrando a seu amigo Kay e às roseiras dosseus balcões.

Ou a Pulgarcilla durmindo na sua caminha de casca de noz com cobertores de pétalos de rosa… Até que vem o sapo e a leva para casar co seu filho.

Pois eso. Que ainda sigo mantendo um amor incondicional polas histórias, os contos e seus ilustradores.

De hoje em diante, iremos vendo a obra de alguns deles, a ver se vos emociona tanto como a mim.

Mitos

01/03/2007

Quando os primeiros homens e mulheres começarom a ter conciência de si mesmos e do que os arrodeia, começam também e se enfrontar com a conciência das suas emoções e a perceber tudo aquelo que os arrodeia como algo diferente de si mesmos e também a se fazer perguntas sobre aqueles factos que sacodem sua existência emocional.

Estes temas que suscitam inquedanças e perguntas, são os chamados Mitologemas, e são o germolo do que mais tarde serão todas as mitologias . Incluidas as ainda vigentes.
Eis os quatro principais mitologemas a partir dos quais se dessenvolvem os mitos:

* Vida

* Amor

* Sofremento

* Morte.

A partir deles, a psique elabora e sistematiça mitos e mitologias.

Porque os mitos são fruto da psique, e a psique não posue umha linha de pensamento lógico, mas analógico. Quer dizer a travês de símbolos.
Por esso os mitos, nunca debem de ser lidos a partir do pensamento lógico, porque então ficariamos fronte a superstições e crenzas ao pé da letra; em “parvoices”, em troques de nos nutrir das parábolas e histórias que conformam nosso mundo inconsciente, de sonhos, contos, filmes, histórias, bandas desenhadas, músicas, e tudo o que tem a ver com o mundo da imaginação e a criatividade.

Alguém pode pretender ver a história da Carapuchinha Vermelha baixo a luz da lógica?

Mas para a psique, é um relato cheio de símbolos, mágia, poder de convocar às emoções mais intensas.

Quando a um meninho, que tem a psique ainda menos afogada pola lógica que lhe inculcamos desde que empeça a poder ser manipulado, lhe contam o conto, arredor do lume, ou debulhando chícharos, numha tarde de invernia, ou deitado na cama, como ocorre nos filmes ianquees, ou melhor ainda, com pouca luz, que é como a psique pode acordar melhor do seu sono.


Quando a um meninho, digo, lhe contam o conto, não se asusta, porque percebe perfectamente sua linguagem simbólica. Não a razona. Sente-a . Percebe seu tremor alá dentro de si, como umha candeia que se acende no limbo do aborrecimento da lógica cotiã, como um traslumbre dum mundo mágico que dorme, agochado, no faiado das uchas e das arcas cheias de cousas misteriosas mais fermossísimas.


E guarda esse conto como um tesouro que o acompanhará durante toda a vida.

Amanhã seguiremos aprofundando nos mitos.


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Tardes de invernia

24/01/2007

São as seis menos quarto aquí, em Al Hoceima. O muecim chama para a pregária de Al Magreb, a penúltima do dia.

Polo vidro da janela, vejo o céu da cor do chumbo, e as açoteias cheias de antenas parabólicas todas viradas cara o mesmo lado, com as costas cara mim.

Sinto ruido de carros, embaixo, na rua, mas hoje não se escuitão meninhos com o balão contra os portais dos garagens, nem jogos, nem nada.

A gente toda fica nas casas, mesmo sem sairem para dar o passeio diário da tardinha, pola praça e as ruas de arredor.

Eu fico aquí, fronte ao ecrã da minha janela mágica. Vém-me à memória as tardes de inverno, em Vimianço, quando era ainda umha meninha e sentava com mia tia Estrelinha para debulhar os chícharos secos, ou escunchar o milho que quedara da milheira, ou espenicar os ouriços e guardar as castanhas para asar de nuite, na cozinha económica.

Minha tia Estrelinha nasceu com sete meses, e pouco depois, dou-lhe a meningite, e ficou toda a vida coma umha meninha. Sabia contar os contos melhor que alma do mundo, e tão bem os repinicava que nunca me cansava de a ouvir.

Sabia os contos clásicos de Grimm e Perrault: Carapuchinha Vermelha, a Cinsenta, Branca de Neve…Mas, o que mais me encantava era o de Polegarinho.

A través das suas palávras, eu via a Polegarinho e aos seus irmãos deixar as mingalhinhas de pão polo carreiro do monte, ficar sozinhos quando chegava a nuite e subir a umha pedra que eu mesma vira algumha vez, na Pedra do Raposo, quando ia com minha mãe e mais meu avó com o carro das vacas ao balume. Umha pedra de grão, grande,redonda coma um monte, cheia de liques amarelos, desde onde os meninhos alviscavão umha luzinha alá ao longe…


Ficava fascinada cada tarde, quando, achegadas à janela do corredor dos animais, entre a herba molhada, a remolacha, e o recendo das vacas, eu acompanhava a Polegarinho na escuridade montesia, cara aquela luz longinqua, onde esperavão atopar amparo , porque era o único lugar a onde podião ir. Nem umha luz mais na redonda, nem sequera as estrelinhas agochadas nas silveiras, das velhinhas de fazer o caldo…


Hoje há tantas luzes em Vimianço, pola nuite, que, se te achegas vindo de Fisterra, o val semelha um Belem de Natal. Não volví ver umha velhinha de fazer o caldo, hà mais de vinte anos. A Pedra do Raposo vai ficar perto do Parque empresarial, as vacas, o milho, e a erva, desaparecerom da casa. Agora alí comemos quando nos juntamos minha irmã e mais eu, com os nossos seis filhos-entre as duas-.

Não acredito que o ogro siga tendo a casa por aí, com tantas eólicas e tanta trangalhada de metálicos, máquinas de lavar e colchões velhos.

Polegarinho debe de ficar aló, com minha tia Estrelinha, debulhando chícharos e abrindo ouriços em algûm lugar da minha memória.

Umha pequena homenagem para ela e para todos os contadores e ilustradores de contos: