Posts Tagged ‘Cousas minhas’

Viagem

05/03/2008

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flower80_1.gifDclearglitterTwistedly.gifigo viagem porque, para mim, nestes momentos, ir à Corunha supõe umha viagem trans-oceánica.

Tinha de ir por força, para ver ao meu doutor, que me receitou o depakine para estabiliçar o ánimo, mas como tenho um problema cardiaco, o sódio do medicamento fazia-me encharcar de água e inchar até não poder colher alento.

O meu doutor é muito bom psiquiatra. O único, dos que tive, com o que posso falar sem me sentir unmha doente numha consulta.

Ademais, disse que, a minha cabecinha, fóra do que é o trastorno bipolar, funciona muito bem e esso sempre se agradece quando se é umha pessoa que, coma mim, sempre tive o anceio de aprender, pescudar, saber, compreender o que passava em mim mesma e ao meu redor.

Bom. Pois o caso é que foi minha única irmã quem me levou e, quando chegamos, ela foi embora fazer uns recados e eu quedei na consulta.

Na salinha de espera havia um calor abafante, das calefacções e, à minha beira um moço que roia nos pelexos das pontas dos dedos, porque já não tinha unlhas para rilar.

Quando rematei, chamei a minha irmã para que fosse vindo e, mentras, caminhei um chisco polo passeio da beira da rua.

Estava fermosa A Corunha com aquela luz tão branca- luz do Atlãntico, como a de Lisboa, ou Rabat- Essa luz que faz que todo brilhe coma se tivessem espalhado pó de prata no ar.

Também olhei para as vitrinas das tendas : Quantas cousas lindas para servirem de engado ao consumo…!

O certo é que, tudo esto, fazia-o cumha sensação de desorientação, assim como se não souber muito bem cara on de ia.

Quando pensei que podia chegar minha irmã, arrimei-me ao borde do passeio olhando cara onde ela tinha de vir.

De súpeto, passa umha senhora cum cancinho branco e, sem mais nem mais, berra-me no ouvido:

“-Hay que mirar hacia delante!”

Foder! Entrou-me umha ansiedade e pensei: Já savia eu que não podia ficar cá. Não deberia. A ver se vem dumha vez minha irmã.

Nestas andava, quando, de súpeto, um carro para à minha altura a começa a tocar na buzina .

Ui! Pensei eu! Seguro que fico a pisar algumha parte do passeio que não é a debida. E movim-me, e dei a volta…

E o carro seguia a dar buzinazos.

Por um intre, vi umha imagem familiar.

Ai! Mi madrinha! que alegria!

Erão meus vizinhos de Vimianço que, por açar, passavam por alí.

Foi como ver dous humanos num planeta extra-galáctico.

Quando veu minha irmã. já apurei a lhe contar tudo, dou-nos riso, e volvemos para a casa, falando e rindo.

Pensaredes…

Por que nos conta estas parvoíces?

Pois para que compreendades melhor o que é umha neurose depressiva bi-polar.

Eu andei sozinha polas medinas de Fés de Marrakech, Trabalhei no bairro da Mina, em Barcelona, viajei com menihos de todas as escolas nas que trabalhei, mesmo semanas enteiras, sem ter nunca um problema, mas que o cansaço, e penso volver ter algum dia a mesma dispossição de ánimo.

Mas…já vedes. Agora não sou quem de caminhar segura de mim por um passeio de cinquenta metros nas ruas das Corunha, onde morei quatorze anos da minha vida.

Tudo são ameaças. Perigos desconhecidos.


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Noitinha

01/03/2008

JclearglitterTwistedly.gifá se percebe que os dias medraram, e que agora às oito da tarde ainda não é noite fecha.

Ainda seguem no céu os resplandores das últimas luzes do dia.

É o que tem viver ao Norte. Quanto mais longe do Ecuador o paso entre o dia e a noite, o lusco e fusco, é cada vez mais grande, como a largura dos dias, segundo nos achegamos ao solstício do verão. Logo, irão indo a menos, como a correia no lar, até chegar ao solstício de inverno.

Eu fico aquí. Sozinha na minha casa azul, com a companha do meu gatinho vendo, pola janela, como os derradeiros azuis do dia se vão esvaezendo de vagar.

O silenzo é tão intenso, que chia nos ouvidos coma umha vibração. A tristeça é profunda também, e chia na alma como umha vibração de soedade e desalento.

Ao longe vejo luzes que se movem, pola estrada, de carros que vem e vão, levando gente de aquí para acolá.

A gente move-se, viaja, corre dum lado para outro sem saber que é o que há no fundo do seu proprio movemento.

Mas…Que mais tem! Hà vezes que é melhor não saber. Assim move-se um mais ligeiro.

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Abrochos

27/02/2008

XacintoEstes dias não fui passeiar com minha cámara. porque orvalhava, pero são tantas as mudanças que percebo ao meu redor, só com olhar pola janela, que não me resisto a vos amosar como no meu redondo val tudo está preparado para a grande explossão da primavera.

Primeiro vou-vos falar das flores que eu plantei, como bulbos, ou cebolas, aló polo més de Novembro. Eses bulbos ou cebolinhas durmiram na terra, até agromar passado o Natal e agora começam a botar flores.

Tive que lhe pôr umha sebe de madeira, por mor dos gatos, e, ainda assim, rompem algumha, porque saltam e elas são tão delicadas que tronçam pola base.

As primeiras en florescer, foram os jacintos, tão perfumados que sentes seu aroma ao passar perto :

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Também me saiu um amarelhe, a flor na que se re-encarnou Narciso e que inclina sua cabeça ao chão, para ver seu próprio reflexo. A este pobre, estragarom-o umha mingalha os caracois:
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Também se lhe ve a color às anémonas púrpura, ainda que não abrissem suas flores:

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Os tulipães ainda não abrirom, mas já se pode adivinhar sua color:

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Bem. Tenho mais bulbos plantados-freesias, lirios…- mas esses são mais tardeiros em vir.

Na horta, o pessegueiro anda já abrochando as flores, que rebentam dentro das folhas que as compremem.

Outras, as mais valentes, já romperam as paredes e lócem, libres, coma pequenas estrelas color de rosa :

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Ao lonje, ve-se a copa dum salgueiro macho, no meio das outras àrvores, resplendente de polem amarelo presto para voar a um salgueiro com flores femininas menos vistosas:

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Mais perto. na horta de minha irmã, já florescem as primeiras àrvores:

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Que sim. Que vem aí a primavera.

Dentro da casa, também chegou, com as flores que me faltava por amostrar:

Velaí estão:

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As calas de água, ou cornetas, como dizem em Vimianço.

Ainda que seja algo cedo, boa primavera para todos.

Hoje escutei umha canção muito fermosa, da B .S. do filme “El amor en los tiempos del cólera”, feita sobre o romance de G.G.Márquez. Fala dos amores para os que sempre dura a primavera.

Canta Shakira. Espero que gostem:

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Edu e os colifatos fazendo publicidade

25/02/2008

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Pois a verdade é que, onte, passava por diante do televisor, e ouvi umha voz e um sotaque conhecidos,

Parei-me a mirar, e erão nada mais nem nada menos, que Edu, o meu amigo colifato do H. Psiquatrico Borda, de Bs.As.,de quem vos falei aquí, e os demais amigos colifatos :Hugo, Ever, Alejandro...Todos os que vos fui apresentando aquí, polo mes de julho.

Quase me da um pasmo, quando os vi. Emocionei-me muito. A minha hipersensibilidade disparou-se até me inchar o peito por dentro, como se for umha vexiga a pontinho de estalar.

Agora anunciam a marca de bebida Aquarius, junto com seu mentor, o psicólogo que começou em primeiro ano de carreira com o projecto e agora segue, após de varios anos e varios projectos colifateiros abertos em Barcelona, Uruguay e outras cidades de Argentina com a sua ideia.

São contrária à publicidade, por repetitiva e , a maior parte das vezes, estúpida.

Sempre hà umha excepção, porem, e, ainda não bebendo Aquarius, encantar-a-me ver um anúncio publicitário, por umha vez.

O 19 de janeiro, deixei aquí, no escunchador, umha entrada cum mini-video das cousas que Edu comparte comigo no nosso espaço multiply que temos em comum.

Sorte, Edu. Umha aperta.

Anímate, que, estes últimos dias lutava sem descanso contra os seus monstros interiores. De soidade, tristeça e quem sabe mais…Só ele os conhece.

asaasaasaasa

O pote da bogada

22/02/2008

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Já vos disse que, desde que voltei a Vimianço, cada día vou rercuperando palàvras, expressões, cousas que formavam parte da minha lingua de a cotio e que agora já não escuito nunca.

Umha delas, era esta que dizia minha mãe, ou quaisquer das mulheres que vem pola casa:

-Ferve o caldo?

-Ferve como o pote da bogada.

Era umha expressão para dizer que fervia ao máximo.

Também se utilizava outra expressão:

-Ferve a arroiões .

Os arroios quando baixa a água da chuva polo monte abaixo, borbolham e até podem formar cachão, na força da sua baixada. Assim se formam os arroiões.

Esta palàvra vinha no dicionário português e no Estraviz. E custou-me um pouquinho dar com ela, porque eu não sabia a etimologia nem a escrita exacta.

Mais doado foi dar com o pote da bogada, que ouvi tantas vezes sem saber de onde vinha, fui rastrejando cara atrás, como aquele jornalista do Cidadão Kane , até atopar o meu Rosebud, e velaí o que topei:

Bogada: Água fervida com cinza, que se bota à roupa ao lavá-la, para branqueá-la. (2) A mesma roupa branqueada.

O pote ao lume com a água para lhe pôr na banheira às sabas brancas de lenço ensaboadas, lavadas antes no rio, fervendo para lhe tirar o “moreno” da terra e do suor. O pote da bogada branqueava com o calor da água fervendo e a cinza. Mesmo o caruncho encarnado das camisolas suadas saia com a bogada. O caruncho negro, não saia. A bogada ficava toda a noite e, amanhã, a roupa ia ao clareio, após de a pasar pola água do rio para lhe tirar a cinza e volver a a ensaboar. Por último, recolhia-se do clareio e passava-se pola água para lhe tirar o sabão e estender no aramio, limpa como as calandras, ou as chirumas, recendendo a sabão e a ar.

Fascina-me toda a artesania do lavado da roupa. Quando eu era umha meninha, era travalho das mulheres e minha mãe e mais eu, passávamos muitas tardes no rio, lavando no lavadoiro de pedra, ajeonlhadas na “banqueta” de madeira. As tardes de rio, no verão, erão as mais fermosas, para mim.

No inverno, tínhamos que parar aos poucos, para quentar as mãos debaixo dos braços, porque, com o frio da água ficávamos sem “siras”, que é como se di em Vimianço quando os dedos, polo frio, não respondem e não podem agarrar.

No Priberam português não vinha reconhecida a palàvra bogada, mas sim no do senhor Estraviz, que recolheu com mimo tantas palàvras para nos devolver a realidade perdida.

Se não atopar as palàvras da minha infáncia, não poderia acreditar em a ter vivido.

Pensaria que a tinha sonhado, como tantas outras cousas…

As palàvras enchem de realidade minhas lembranças.

E aleda-me re-encontrar velhas amigas esquecidas.

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A gente

18/02/2008

Xa vos disse umha vez que o melhor do Rif, e de Marrocos, em geral, é a gente.

E há umha razão poderosa para que eu me emocione com a gente, ainda que só seja vendo à medida que o carro avanza e movendo-me no espaço-tempo, numha viagem a travês das paisagens da terra e da minha própria alma, num retorno ao paraiso perdido.

As pessoas que se criaram no rural dalego da minha geração, hão saber do que falo ao ver as imagens:

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As imagens são familiares para alguns de vós, como para mim?

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Lembranças de Alhoceima

01/02/2008

Desde que volví do Rif, ainda não era quem de remexer nas imagens que trouxem de aló, na minha memória de CDrom.

Mas, hoje, fisse ideia de trazer as imagens que convocam as lembranças e, com esforço e muita tristura, fum reunindo imagens de aquelo que mais gosto:

Flores dos caminhos, ervas, pedras, àrvores…

Deixo-vos aquí a colheita, ou melhor dito, o rebusco.

Espero que saibades perceber o meu jeito de sentir, chorando por cousas tão pequeninhas.

Amanhã mais cousas do Rif.

Aperta 

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El juguete perdido

30/01/2008

Esta entrada vai em espanhol, porque é um trabalho para um obradoiro que habia num foro de argentinos ao que, sem saber como, me convidarom.

Trataba-se de escreber um texto de 300 palàvras com esse título.

Eis o meu trabalho:

“El juguete Perdido”

EclearglitterTwistedly.gifra de noche y la lluvia y el viento danzaban entre los árboles del jardín.
Dormía en su camita, confortablemente abrigado bajo el edredón de plumas de oca, acunado por el sonido del invierno oceánico de su pequeño país del fin del mundo.
Una rama golpeó con fuerza la ventana y se despertó, sobresaltado. Sintió en el corazón una punzada de inquietud, de desasosiego, de ansiedad.
No sabía a qué atribuír aquella sensación de intranquilo malestar pero notaba que algo no iba bien, que en ese momento no estaba completo, algo le faltaba. Algo muy familiar que debería estar ahí y no estaba, pero no acertaba a recordar qué podía ser.
Tenía junto a él su osito de peluche, bien abrigado, tapado hasta la nariz. Su tren eléctrico, con su locomotora reluciente, descansaba sobre la mesa, junto a la pared.Su caleidoscopio de colores, su muñeca de ojos azules. Su barco pirata surcaba los mares iluminados por la luz de la luna, que se colaba por una rendija de la contraventana, mal cerrada.
Pensó en cómo sería estar fuera, bajo la lluvia y el viento, y se estremeció.
Alguien, un juguete, un animalito, una persona, un palito de madera muerta, estaban ahí fuera, en la oscuridad. Y sintió toda su soledad y su abandono.Y quiso bajar para recogerlos a todos y subirlos a su cama.
Pero no podía ser. Era imposible recoger a todos los juguetes perdidos en la lluvia.
Así todas las noches. Cuando todos dormían, él sufría el dolor de la empatía con todos los juguetes abandonados.
Después creció y fue él quien se perdió. Y vagaba, sólo, bajo el viento y la lluvia, buscando el calor de su primera infancia, acurrucado bajo el edredón de plumas.
Soñaba ser un palito, un juguete roto, que alguien recogía y llevaba a su casa, cerca de la estufa.
Más tarde , en una de estas noches invernales, alguien le dijo que era depresivo. Hipersensible.Que tenía un trastorno bipolar.
Entonces comprendió el por qué de la tristeza.
Siempre había sido un juguete perdido bajo el viento frío y la lluvia, en medio de la noche.”

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Mimosas

26/01/2008

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Meu pai conhecia o nome de todos os pássaros, árvores e plantas do val de Vimianço.

Também conhecia os ovinhos e os ninhos de cada um, e, de pequena, desde a janela da cozinha, dicia-me:

-Mira, ali há um paifoco na póla da cerdeira.

-Vem, vem caladinha. Olha aquel pingaouro…

Eu ficava alucinada polo conhecemento que tinha meu pai dos pássaros. Um dia fum lhe levar o jantar ao monte na caldereta vermelha,porque andava a roçar no monte e, após de jantar, fomos beber à fonte do Congro e ali, agochado entre entre as silvas, havia um ninho de carriço.
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Amodinho, sem fazer ruido, achegueime e meu pai colleu-me para uparme.

Que lindo era…! Redondo como umha bolinha de musgo e ervinhas secas, cum buratinho para entrar aberto por um lado, como umha portinha…

A aquel monte chamavam-lhe A Pedra do Raposo, e agora ali andam a pôr petardos que fazem tremer o val enteiro para achandar o terreio para o polígono industrial. Os coelhos fogiram e andam polas hortas. Na de minha mãe hà umha parelha que lhe comerom todas as cenouras este verão. E os pãssaros andam em bandadas como nunca se viram.

Bem, pois meu pai, que jà não fica com nós, polo menos à nossa vista, que nunca se sabe, era o primeiro da casa en ver as mimosas.

Cada ano, por este tempo, aló na Esquipa, ou no monte das Pasantes, alviscam-se as laradas acesas das mimosas, primeiro abrochando, apenas, e, nuns dia, a explosão do amarelo, como umha larada.

Meu pai, olhava pola janela da cozinha-antes não havia salas de estar, nem salinhas. A vida da familia, polo dia, era na cozinha-e dicia:

-Jà falta pouco para a primavera, que jà abrolharom as mimosas aló na Esquipa.

A Esquipa, A Toxa, As Pasantes, a Valinha e Brives e A Gandra, são os primeiros lugares que ilumina o sol quando sai, e os primeiros em escurecer ao solpôr. Os lugares onde da o sol ao sair, sempre são os primeiros onde as flores abrem, onde os frutos são melhores, onde medram mais rápido as plantas…Eso também o aprendi de meu pai.

Bom, pois este dia, quando sai da casa para ir dar um borde, olhei aló na Esquipa as mimosas começando a abrolhar, amarelas coma muxicas de lume.

E lembrei a meu pai.

E pensei: Aginha chegará a primavera.

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Em bulina

24/01/2008

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Já vos disse que, desde que cheguei outra vez a Vimianço para quedar, sinto que volvo à infáncia e, umha das cousas que lembro com maior amor da minha infáncia, são as palàvras.

Palàvras aquelas cheias de vida, de matices, de sensações , de sentimentos, de presencias que vem de muito longe no tempo…

Desde que não vivo na minha vila, essas palàvras familiares foram exiladas no território comanche da minha memória, por não ter com quem as utilizar.

Mas, às vezes, vem vindo, sem serem convocadas, e xordem, aboiando no mar da mente, como estrelas que se iluminam no firmamento, cintilando com força.

Hoje amanhã, espertei e havia um ir e vir de luzes a travês do vidro da porta do meu cuarto. Acediam e apagavam como numha discoteca. Agora acesa, agora escuro. Assim varias vezes.

Medio durmida, xurdiu umha palàvra na minha mente adurminhada.

“Quem será o que anda de bulina a estas horas?”

Quanto tempo havia que não tinha essa palàvra presente nos meus pensamentos..!

Hoje ergui-me contenta. Recuperei A bulina para o meu vocabulário.

Pouco a pouco, espero ir arrejuntando todas as palàvras exiladas.

A travês delas, espero recuperar a minha infáncia, esse paraiso perdido no momento em que, por primeira vez e por exigências do guião, tive que mudar ao “castellano”.

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