Posts Tagged ‘Festas’

São Vicenzo

23/01/2008

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Onte e mais hoje, são os dias da festa do santo, patrão da parróquia de Vimianço.

Segundo minha tia Estrelinha, são Vicenzo era umha caste de cura -diácono, que é menos graduação-que, por não arrenegar da sua fe cristiã, botarom-o a asar numha grelha coma um churrasco.

Eu lembro-o de quando ia à igreja alto, vestido cumha túnica vermelha de orla dourada sobreposta a umha vestidura branca, umha palma na mão dereita, um libro na esquerda e um corvo no hombreiro.

Sei que a palma simboliça o martírio, o libro, a sua adicação à leitura dos textos sagrados, e o corvo, segundo a lenda, é quem defende seus restos dos avoitres quando Daciano manda espedaçar seu corpo e o botar fóra dos muros da cidade de Valencia, para pasto das feras.

Antes havia outro são Vicenzinho mais pequeno e mais barroco, mas, quando tirarom abaixo a igreja primitiva para fazer outra há uns corenta e cinco anos, desapareceu o retábulo dourado, as capelinhas dos santos e o santinho quedava algo pequeno para semelhante igreja grande que havia agora. Assim que, as “senhoritas” do Paço de Trasariz

Trasariz.jpgencarregarom um novo num obradoiro de Compostela, para agasalhar com ele ao novo templo. Foi sendo eu umha meninha de quatro anos, e lembro a viagem que fixemos para trazer o novo São Vicenzo para a vila. Um São Vicenzo alto, de olhada grande e séria, subido a umha peana de pedra no alto, perto da bóveda, presidindo-o tudo desde aquel posto solitário. Só o negro corvo o acompanha, a carom do seu ouvido.

Onte tivemos festa das casas, repenique de sinos, e misa. O tema de conversa nas tabernas, era o por que de não haver foguetes. Não sei em que quedou a cousa das razões da ausencia de foguetes. Mas esta festa, coma muitas, celebra-se em dous tempos:

Primeiro: A festa das casas: Jantar, reunirse a família e fechar o comércio e os centros de trabalho.

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Segundo: Verbena de tirolirolá que, como vem sendo habitual, celebra-se o sábado, para que a gente possa ir bailar, beber e troular. E durmir para o outro dia.

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É a primeira vez que se faz assim polo São Vicenzo . São cousas dos tempos que correm.

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O abeto iluminado

27/12/2007

O abeto iluminado é outro dos ícones do Natal que vem de longe…

A origem mítica, fica na Alemanha, onde o carvalho de Odim era a árvore dos sacrificios: Ao seu pé, sacrificavam-se os escravos capturados nas batalhas.

Também se adornava umha árvore umha vez ao ano, para lhe render tributo aos deuses e às árvores mesmas, muito importantes na filosofia de vida pantheista dos povos celtas e nórdicos.

E rendia-se tributo a Thor, portando os cadolos de doce folhas de palma, umha por cada mes do ano. Prendia-se lume na ponta do cadolo, e apilavam-se ardendo.

No século IV, um freire chamado Bonifácio, o evangeliçador da Alemanha, ficou horroriçado quando viu o que faziam aqueles adoradores de Odim, e do paganismo no que viviam, e ordenou talar o carvalho.

Ao cair, barreu tudo ao seu passo, agás um pequeno abeto que permanecia em pé.

Assim, tomou o abeto como símbolo da trindade de Deus-por ter forma de triángulo- e como oposição ao carvalho pagão.

Adornou o abeto com maçãs -as bólas de hoje-e velas acesas, e aí remata a lenda da árvore até que, Luther, o reformista alemão, contemplou umha nuite on brilho das estrelas nos abetos geados, e levou um à sua casa e adornou as suas pólas com nóces, maçãs e candeias, para simboliçar oos dons que nos aporta o nascimento de Jesucristo.


Com o tempo, a árvore iluminada vai-se estendendo por Alemanha e, com ela, os mercados de adornos, dóces e agasalhos.

Era habitual, o dia 24, levar ás ciranças de passeio ao campo, mentras nas casas se colocavam as árvores adornadas e os agasalhos ao pé. Quando vinham de volta, abriam os agasalhos e começava a festa do Natal.

De aí passou a Inglaterra, onde é populariçado polo príncipe Albert, consorte da rainha Victoria, que era de origem alemão.

No ano 1841, mandou colocar umha grande árvore como as que havia no seu pais no castelo de Windsor e a ideia tivo tanto sucesso, que aginha se estendeu às casas de toda Inglaterra.

Os ingleses levaqrom a árvore aos USA onde, no 1847, se instala a primeira iluminação de Natal, em Ohio.

Não compre explicar como rematou o carvalho de Odim

O Pai Natal. Um mutante que vem de longe

26/12/2007

A figura do pai Natal é nova na Galiza. Na minha geração, ainda não tinhamos o prazer de conhecer a este velho rideiro do Ho Ho Ho!

O velho paternalista, existiu em Grécia como Cronos, em Roma como Saturno, e nos caminhos nevados de Centroeuropa, como o Senhor Inverno.


Tem seu referente histórico em São Nicolás, bispo de Myra, umha cidade da antiga Licia, que hoje corresponde a Turquia.

Viviu no século IV, e no século XI, o seu sartego de mármore, fui transladado por uns marinheiros à cidade italiana de Bari, onde se venera como São Nicolás de Bari.

Já nos primeiros anos, a sua lenda fala de que era defensor das crianças e que sempre tinha para eles agasalhos .

Numha ocasião, um pai queria casar suas filhas, mas não tinha dote, porque ficava na ruina. São Nicolás, sem que soubessem, entrou na casa e deixou três saquetas de ouro ao pé da cheminé. Umha para cada filha.
Contam, mesmamente, que havia um pousadeiro no seu lugar, que matou a três clientes -moços- bébedos para lhe roubar os cartos e depois agachounos na pipa do vinho.. Quando São Nicolás soube, resucitou aos moços e reprendeu ao taberneiro.

Vedes como jà encetamos o que é o mito: Factos mágicos em linguagem simbólica. Seguramente haverá que se escandalice porque faz a leitura racional. As crianças, sabem encaixar as peças no quebra-cabeças do pensamento simbólico -se não sodes como meninhos não podés entrar no reino-.

Quando vem a Reforma de Luther, o alemão, tenta mudar ao portador dos agasalhos, para que for o meninho Xesús o dia 25, e marcar diferencias com os católicos, mas a sua ideia não tem éxito, porque Sáo Nicolás, que fazia os agasalhos na nuite do 5 ao 6 de janeiro, muda o dia para o 25 de Decembro, para desbancar ao meninho. Como vedes, quem move aos mitos também tem sua parte pragmática.


Onde colhe mais força o mito de São Nicolás, é em Holanda, onde se conhece como Sinterklaas -Sint Nicolaas-.

Sinterklaas, segundo a tradição holandesa, vem de Espanha -Como sabedes, Bari, onde repousam os restos de São Nicolás, pertencia a Coroa de Aragom e mais tarde a Espanha- num barco de vapor e montado num cavalo branco. Tem um ajudante preto, chamado Zwarte Piet -Pedrinho o Preto- A respeito deste detalhe, há várias interpretações: Há que diz que São Nicolás libertou a um meninho escravo etíope no mercado de escravos da sua cidade, e agora, agradecido, acompanha-o, e há quem explica a color dizindo que é um italiano que se adica a limpar o felugem das cheminés. Como queira que seja, na tradição holandesa, é o Zwarte Piet quem baixa polo tubo da cheminé para deixar os agasalhos. Os Canadianos que ajudarom a Holanda na II guerra mundial, engadem-lhe mais Zwarte Piets enredantes e brincadores que, desde aquela, acompanham ao distinguido e sério Sinterklaas.

Quando os holandeses coloniçam as costas de América do Norte, fundam umha cidade chamada Nova Amsterdam e importam a figura do Sinterklaas. Construen umha estátua e celebram sua festa.

Mais tarde, os ingleses arrebatam-lhe a cidade, e o Sinterklaas pasou a ser o Santa Claus dos anglo-falantes.

Mais tarde passa a Inglaterra e, de alí, a França, onde lhe chamarom Papa Noël. Pai Natal.

Pouco a pouco, vai desbancando a outros seres paganos que fazem agasalhos: A fada Befana, em Itália, o Olentzero, em Euskadi, o Tió, em Catalunya, e aos diferentes duendes, velhos e fadas de toda Europa.

A imagem do Pai Natal fui mudando com o tempo.

De ser um bispo alto e fraco, como o representam em Rúsia e paises ortodoxos, passa a ser um velho com barba branca, roupa e capa vermelha e cajato de bispo.

No Norte, veste pantalões, botas altas de neve e pucho.

Mas, a tranformação definitiva produz-se no ano 1930, quando os dirigentes da Coca-Cola, o vesten com traxe vermelho com orelos brancos, as cores da marca, um cinto negro e barriga prominente e cara feliz.

Colherom ao mito, e volverom-o marketing.

Fui o sinal de saída para a carreira da comercialiçação masiva de mitos, símbolos, ícones e demais elementos sagrados da fantasía humana no decorrer da história.

Todo se vende e todo se compra. è o que há.

Felices Festas.

Iconografia do Natal

25/12/2007

São as onze menos quarto da manhã deste dia do Natal de 2007.

Fico sozinha aquí, no meu quarto de estar, ouvindo o vento que zoa do vendaval e o silenzo da casa, onde tudos dormem.

Pola fiestra, vejo as árvores da beira do rio, as campias da Gandra e os montes de Cambeda.

É um dia especial.

Um dia no que se celebra um nascimento.

O nascimento dum meninho de luz.

Umha metáfora do que passa fóra, onde o sol se move e os planetas vão virando arredor, na procura da luz e o calor, mas também dentro: Um meninho tem de nascer dentro de nós cada ciclo da nossa vida. Um meninho divino, que nos traz umha mensagem de luz e calor ao nosso coração, o sol que nos quenta por dentro.

Estas duas metáforas, ficam bem representadas na iconografía do Natal:

A primeira, serían as velas . Luz e calor presentes em todo Natal que se tenha por tal.

E a segunda, o Nascimento, ou Belem, um ícone com muita força do meninho que nasce como um germolo de luz dentro da caverna do nosso interior. Todos temos um pontinho de luz que nos acompanha agachadinho dentro e que às vezes, deixamos saír: Quando esso passa, chamamos-lhe tenrura, compaixão, solidariedade, agarimo,alegría,amor…Felicidade, ao fim.

Também hà um ícone. Um senhor gordinho que fabrica brinquedos para os meninhos na sua casa de Lapónia. Ele é o ícone da ilusão infantil:

 

Mágoa que, no 1931, o fichasse a Coca-Cola…

Também há três personagens de diferentes étnias e culturas, que cabalgam juntos a través do deserto e convocam a ilusão das crianças e a sábia convivência entre diferentes. Guia-os a estrela da sabedoria, a que faz que cada um busque e ofereza o melhor de si mesmo em harmonia com os demais, diferentes de nós e com outras prioridades: Un leva o ouro do amor que nos faz reis, outro o incenso que se eleva e aromatiça, e outro a mirra perfumada para o cuidado do corpo.

A felicidade interior, a união com o que sentimos e não compreendemos, e o cuidado do mundo físico :micro e macro-cosmos.

As três cousas que precisamos para ser a encarnação de deus. O neno divino do Belem.

Não sei por qué os curas nas igrejas não explicam estas cousas. Falam e falam dum tal Jesús que nasceu há 2000 anos sem explicar que esse Jesús é cada um de nós e que cada personagem do relato é um símbolo das potências, atitudes, e avatares das nossas vidas. A religião das igrejas sempre tenta interpretar os mitos de jeito literal, para os alonjar de nós e pôr os nossos pontos de referência fóra do nosso círculo próprio. Gosta das pessoas ex-céntricas, para que, assim, virem arredor do seu rabo.

Já vedes que o Natal, é umha festa simbólica e muito ilustrada na iconografía.

A próxima festa cargada de símbolos, será a do equinoccio que marca a chegada de primavera.

Será a segunda Páscua. A Páscua Florida. A da simbologia da morte e a resurrecção.

Amanhã, conto a história do Pai Natal. Inchallah.

Por certo, os muçulmanos, também celebram estes días a sua Páscua Grande, de Aíd El Kebir, que este ano, cadra com o Natal.

Aíd Mubarak

Feliz Pascua para tod@s.

Boas Festas a todos

23/12/2007

Esta tempada não fisse muita vida social virtual, nem da outra.

Estive, coma umha anacoreta, comtemplando o mundo desde a minha janela. Desde alí, vejo cousas formosas e disfruto fazendo as cousas que fazia quando era umha meninha que escuitava contos com paixão.

Quero deixar-vos a minha visão infantil do mundo que vejo pola janela e desejar-vos a todos os amigos, Felices Festas:

As árvores da beira do rio

Umha pólinha do azivinho que plantei o ano passado, por este tempo

O rio. Desde pequeninha sinto fascinação por ele.

É tempo de Natal, de crianças, de sonhos…O que não seja como umha criança não poderá entrar no reino de Deus. Ese reino de Deus que fica em nosso coração quando somos felizes…Prendamos a vela, e as luzes de colores, para celebrar que nasce o meninho solar que ha de quentar a terra para que floresça.

Velas acesas

01/11/2007

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Hoje passei polo campo-santo em Vimianço. Umha visita que lembro desde que são capaz de me lembrar, mas que hà tempo, por vivir fóra, não fazia.

Estava todo o recinto cheio de flores e velinhas vermelhas, num Shamainn fermoso de flores, mortos, lume das velas e trafego de gente silandeira.
Minha mãe contou-me que, quando ela era meninha, tal nuite coma hoje, em cada janela punham sua vela, para alumear o caminho das almas dos defuntos.

É muito curioso que Na India, quando alguém morre, acendem candeias e oferecem flores para assim, lhe ajudar a alma a encontrar o seu caminho.

Eu também acabo de pôr velinhas vermelhas nos meus balcões. Penso que, as cousas lindas, não se deben de perder e hà algumhas, especialmente mágicas como para as reviver.

Na horta, madurecem as cabaças de flores amarelas . Minha mãe, cada manhã, traz-me noces e castanhas da sua cortinha.

Estamos começando o ano celta. Com mantença, lume sagrado, e a olhada ao além.

As três cousas que preocupam a umha tribo.

Para este novo ano pedirei essas três cousas: Alimento para o corpo, para o espírito e não esquecer aos que me trouxeram para acô desde esse lugar que não recordo…

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Aïd El Fitr

13/10/2007

Aïd El Fitr é a festa do fim do mes de Ramadam.

As rifenhas celebrarom hoje o fim do jejún com pastelinhos e a rapaza veu pola manhã com sua cadeia de ouro, onde penduravam todos os seus amuletos: Umha mão de Fátima de ouro cum olho azul no meio, umha reproducção do Alcorão de ouro, o nome de Allah, umha chapa com seu nome,um coração…As mulheres do Rif sempre recibem agasalhos de ouro, desde crianças. Vão guardando para quando hà um mal momento e se precisam cartos. É um depósito de capital que se luz e se disfruta. A dote da voda, faz-se em ouro e é o noivo quem paga o que a sua prometida elige na ourivesaria.

Trazia também umha pulseira de ouro calado, do estilo das que levam as bereberes, um anel de ouro…Todas as jóias de festa, mas faltava o cafetã de seda e bordados , as babuchas, tudo o que, em dias de festa, faz que as mulheres marroquinas semelhem princesas das mil me umha nuites.

É a primeira festa que passam lonje da casa, sozinhas,sem a família, nem os vizinhos, nem todo o ritual que acompanha as festas muçulmanas.

O mundo sempre fui um caminho cheio de gente que vai e vem.

Uns para cá. Outros para lá…Assim se fui tecendo a História e assim se tecem as histórias de cada quem..

Aïd Mubarak. Salam.

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A nuite vinte e seis

09/10/2007


Hoje é a nuite 26 do mes de Ramadam.

Segundo a tradição muçulmana, esta nuite as portas do paraiso ficam abertas e também as do inferno. É a nuite en que os anjos e os dianhos andão ceivos e nos visitam, na terra, e é também umha nuite de festa para os meninhos.

No Rif, na cidade na que eu vivia, esta nuite os meninhos e meninhas saiam à rua habilhados do melhorinho, com roupas de festa, jóias e alfaias, e eles com djilabas brancas e puchos de Fés, esses que são redondos, de color grana, e tem umha borlinha negra pendurada que se vai movendo ao caminhar. Também, essa nuite, pintam as mãos e os pés com henna, fazendo lindos dessenhos
Os fotógrafos colocavam suas cadeiras forradas de seda e abalórios na praça, coma se for tronos do rei e da rainha, tão kitch como só os marroquinos ou os marinheiros sabem fazer e os pais levam aos filhos para facerem o retrato que inmortaliçará esse dia.

Muitos meninhos vão à mesquita para pregar por vez primeira e caminham pola rua todos cheios de fachenda.

Tenho tanta saudade de Marrocos, que ainda penso que, se saio à rua, vou topar com as ruas ateigadas de gente, os amigos do bazar tomando chà na sua porta, a tenda de louça com o teito cheio de cipós, que o Suso dizia que era a selva de Tarzan, a terraça da Belle Vue, onde vou ir tomar um suco de laranjas doces de Berkane, mentras miro o mar e a lua, que se levanta.

Esses cafés de Marrocos, cheios de homens sempre e agora, nas nuites de Ramadam, mais.

Homens silenciosos, que jogam ou olham o mar sem se mover nem falar durante horas. Outros conversam, mas tão baixinho, que não se percebe nem o balbordo.

Os meninhos que vendem cigarros, que passam a miudo polas mesas, o vendedor das amendoas fritidas, os que seguem o futebol espanhol na tv, ou sintoniçam Al Jazeera.

Deus, como os estranho…!

Ainda fico là e penso que, quaisquer dia, abrirei os olhos, e volverei a Alhoceima, a caminhar as ruas costa arriba, subir os três andares, e entrar na minha casa, cheia de ruidos da rua, cantos do muecim da mesquita e recendo a hortelã do chà e a canela e amendoas dos pastelinhos de Ramadam

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Nossa Senhora dos frutos

10/09/2007

Esta fim de semana fui a romaria da Virgem da Barca e as suas pedras mágicas:

“Nossa senhora da Barca,

tem a porta cara o mar.

Um pouquinho mais abaixo,

tá a pedra de abalar “

Também a Guadalupe, em Rianjo, que, ademais é negra, como as antigas deusas da terra e da fertilidade, talhadas em obsidiana negra. Símbolo da terra, escuridade onde tem de durmir a semente para germolar.

A Virgem de Guadalupe

quando vai pola ribeira.

Descalzinha pola areia,

parez umha rianjeira”.

Na beiramar e no interior.

Setembro é o que tem. È tempo de frutos maduros, cereais nas tulhas – o milho é moderno, veu das américas- e vendimas de ácios e de maçães.

A iconografia das virgens de setembro, quase sempre as apresenta coroadas de estrelas e com a lua aos seus pés.

Estrelas-constelações- e lua que marcam o tempo da agricultura e também da pesca:

Sementeiras, colheitas, tempo de sardinha, de ameixas e berberechos, de luras…

Estas romarias são, ao meu ver, preciosas.

Verdadeiras festas de catarse coleitiva nas que, mentras dura a noite, a gente entrega-se á orgia da desinhibição total e, logo, ao abrir o dia, vai subindo cara as pedras que arrodeiam o santuário, para receber o sol purificador.

Com o cansaço da nuite reflectido na cara.

Hà quem se identifica para os da sua tribo, com sombreiros de charro, de cow-boy ou com panos de pirata.

A lus do dia é terreio da festa mais organiçada: A misa, os exvotos de cera, as ofreças, as estampas do icono simbólico da virgem, a processão , a traca que ameaça com estoupar a vila enteira, as merendas, e, o menos divertido: O negócio do crego, que enche sacas de dinheiro negro.

Mas suposso que nos ritos de colheitas antigos, passaria o mesmo. Porque os humanos somos assim desde sempre, e sempre hà aproveitados e cobiçosos que se aproveitam da boa fé dos demais.

Mas essas são as contradicções da vida. E mesmo do mundo e, e se me apuram, do cosmos:

“O que quer lamber o mel tem de se picar com os agulhões”

Assim dizia minha avoa.

Mália tudo, a festa da Nossa Senhora das Colheitas, segue viva, e esso indica que ainda não nos desvinculamos totalmente da terra que nos alimenta. Coma umha mãe nutrícia. Os seus icones seguem vivos ainda por toda a geografia da nossa feminina e maternal terra.

“Una gran señal apareció en el cielo: una Mujer, vestida del sol, con la luna bajo sus pies, y una corona de doce estrellas sobre su cabeza; está encinta, y grita con dolores del parto y con el tormento de dar a luz…”

(Apocalipsis 12:1-2, Biblia de Jerusalén)

Doce estrelas. Doce meses do ano. O sol, a lua, o parto. Faz falta algo mais para saber ?

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A Banda

05/08/2007

Onte e mais hoje, tamos de festa em Vimianço.

Eu ainda ando co da agorafóbia, mas do que mais gosto, é de ver passara banda desde meu balcão.

Hoje não tenho folgos para escrever muito, mas deixo-vos esta preciosa canção de Chico Buarque e as fotos que lhe tirei à Banda mentras passava:

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor, de amor
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagens parou
A namorada que contava as estrelas
Parou para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor, de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela, pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida, surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor, de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela, pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
E a lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.

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