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O ciclo do tempo

O ciclo do tempo

Fazemos umha parada nas ervas ventureiras-ainda me faltam algumas que tenho perto de mim, a carão da porta da casa-, para lembrar outra vez às duas rifenhas que seguem a viver na sua casinha de Vimianço e que se preparam já para o Ramadam deste ano.

Este ano, o mes muçulmano de Ramadam, começa, aquí em Vimianço-depende da lua, já sabedes- o dia 2 de Setembro, e dura até o 1 de Outubro.

A hora de romper o jejum o primeiro dia vem sendo às 9 e 9 minutos da tardinha e, cada dia, com o minguar das horas de sol, vai mudando uns minutos.

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Nos messes de verão, as horas de jejum e de não beber são mais e fai-se um pouco mais dificil de levar.

Mas as tradições são importantes para as duas rifenhas-mãe e filha- mália serem novas e mui implicadas com os costumes europeus. Assim que, como aqui em Vimianço não há mesquita nem almuecim , eu disse-lhe a rapaza que, se queria, pedia um alto-falante e berrava-lhe desde a minha janela do sobrado: Allah uakbar! quando chegasse a hora, mas acredito em que não fai falta. Elas levam o tema com muito agarimo e saudade pola sua terra e não precisam de avissos.

Na entrada do Ramadam do ano passado, já vos expliquei como o celebram.

Às vezes parece-nos que os costumes ou as tradições são umha parvoíce. Eu penso que são, mas quando são forçadas. Porém, se se fam com agarimo e coração, sem supôr um distanciamento dos demais, mas umha satisfação para o espírito, são umha benção. E umha fonte de variedade cultural tão apaixoante para o que gosta de conhecer.

Ramadam Mubarak a todos os muçulmanos e muçulmanas se é que algum ou algumha entra no blogue.

رهذان  هبارگ

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O verão e a festa

O verão e a festa

ADntes de seguir com mais flores ventureiras-tenho umha moreia aguardando no iphoto- vou-vos contar como celebramos na minha vila as festas do verão.

Já vos contei, aos que não sodes galegos, que o verão na Galiza fica inçado de festas, porque o inverno é muito longo e crú.

Não vos posso explicar nada das verbenas, tómbolas e demais porque, como tenho fóbia aos ruidos, este ano não sai de noite. Mas porei-vos umhas imagens do jantar em família, do café à tardinha, na horta, a minha casinha engalanada com as bandeiras da Galiza e essas cousas.

Minha irmá, é muito familiar. Gosta de ter a família ao seu redor e, este ano, juntou 22 pessoas na sua casa. Cada um dos dous dias que durou a festa.

Para esso, tivo que valeirar o garagem, como fai cada ano, e assim todos coubemos bem.

Olhade a minha casinha-antes foi de minha avoa- que linda com suas bandeiras da Galiza nos balcões:

A luz é gris porque, o dia foi de orvalho. Nada que ver com o dia antes, de sol radiante. A Galiza é assim.

A mesa dos convidados, após ter jantado, mentras aguardam o café:


Complicidade entre mulheres:

Homens:

Mulheres e homens:

Parelhas:

Entre gerações:

Consigo mesmo:

Ao sol da tardinha. Com os amigos do segundo café:

Mais complicidades. Esta vez, entre amigos que nos visitam na sobremesa:

Algum achegado:


Tudo é mais formoso baixo a luz do sol:

Bom. Espero que gostasses das festas da minha vila, com família, amigos, vizinhos e sol-um dia. Outro de chuva-.

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Solstício de verão

Solstício de verão

al12col5.gifstá aí o solstíco de verão, a noite do lume, das sardinhas assadas e da juntanza dos vizinhos de cada bairro, lugar ou aldeia, para celebrar a noite mais curta do ano.
Eu, este ano, fico esgotada de viver. Os últimos dias nem sequer tive gana de escrever no escunchador, mas, hoje, após de varios meses sem sair, pediu-me o corpo sair da casa e ir dar um paseinho polo meu val.
Tudo ficava tão diferente, desde a última vez que sai, aló polo mes de março, que tirei fotos de todo o que vi, porque tudo era unha explosão de verde, de vida, de flores nos valados, de agromar de milheiras, de abeneiros com traxe novo, de luz…
Para que o vejades tudo, aviei um video que espero que vos transmita a luz, as cores e os recendos do meu val.

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A morte na Costa da Morte

A morte na Costa da Morte

aclearglitterTwistedly.gif Costa da Morte é umha faixa de terra e mar que vai desde as Ilhas Sisargas, aló em Malpica de Bergantinhos, até o cabo Fisterra, ainda que se pode considerar que até o concelho de Muros, aló por Caldebarcos, a costa segue sendo mortal.

Chama-se A Costa da Morte, pola quantidade de embarcações de maior ou menor envergadura que foram a pique em suas águas, bravas, traidoras e cheias de correntes. O último caso conhescido foi o Prestige, mas antes, jà houve muitos mais. Mesmo os corpos duns vizinhos da outra banda do Minho que emborcaram ao rio num auto-carro,numha riada, vieram transportados polas correntes ,parar à Costa da Morte e aparecião, os corpos e as suas pertenzas nas praias. Coitados! Que tristeça !

Bem. Mas, agora, imos falar de cousas mais curiosas das gentes da Costa da Morte. E, por pÔr um caso, do jeito que tem alguns de ver a própria morte, muito peculiar.

Hà dous casos que conheço, que são verdadeiramente dignos dum estudo antrpológico desses tão sisudos que fão, sobretudo, os alemãos.

O primeiro caso, é o dum casal de Malpica, idosos os dous e sem filhos nem parentes achegados.

Postos a pensar os dous velhos, chegaram à conclusão de que, quando morrer, nemhum lhe ia fazer funeral como deus manda e, depois de lhe dar muitas voltas, foram cara a cás do cura para lhe encarregar um bom funeral com cera, oito curas cantando, e todo o demais que se leva pola comarca.

O cura estivo de acordo, e velaí que se vão os dous velhos à igreja para asistir ao seu funeral em vida.

A igreja ficava cheia de gente que não cabia umha agulha, contando com os homens que sempre quedão na porta, parolando. A ver quem é o guapo que não vai ao funeral dum vizinho sabendo que o vai saber.

O outro caso, é o de duas irmãs da minha aldeia, solteiras e sem parentes que vivião juntas, mas umha delas, morreu.

Tinham mercado um nicho no cemitério da vila, con duas furnas; para cada em sua.

Mas, quando morre a primeira, a que queda pensa que, quando morra ela, quemm lhe vai levar flores, quen lhe vai pôr a lápida com seu nome e a data da morte, e ocorre-se-lhe que, para mais seguridade, o melhor e fazer ela o que não pode delegar em ninguem.

Então encarrega umha lápida bem chusquinha, faz gravar seu nome e a data do passamento. Esso sim, com o espaço do dia e do mês sem escrever e o ano com o 20… para que, quando por fim vaia embora aos campos de Josafat, o marmolista, só tenha que pôr os números que faltão. Cada dia dos defuntos, leva flores à sua lápida. Naturais, para ela; de plástico, para a irmã que, ao fim, se fica morta, tampouco se vai anojar.

Assim, cada ano.

O povo, que na Costa da Morte é muito retranqueiro, jà anda a dizer que o da lápida está muito bem, mas que, se passa do 2.100 não lhe vai servir o rótulo.

Em fim. Que assim somos os deste recuncho da Galiza. ilhados durante muito tempo, afeitos a viver sós e a fazer o que nos pete.

Umha aperta. Para os desta banda do rio , para os da outra, e para tudos os que leiam.

Bom dia.




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XIII Asalto Irmandinho

XIII Asalto Irmandinho

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Esto passoulhe ao bispo, o ano passado

prognes.gifComo cada ano, como fazem as andorinhas, nom meu povo, Vimianço-Vimianzo para os galegos oficialistas e oficiais- estão preparando a festa que recorda o asalto polas tropas irmandinhas, da fortaleça dos Moscoso, senhores feudais que asobalhavam a boa da gente do comum que vivia arredor , como em outros lugares da Galiza faziam outros senhores.

Os camponeses, artesãos burgueses das cidades, fidalgos e pequena nobreça, juntam-se em Irmandade e protagonizam umha das primeiras revoltas populares europeias .

Para falar de tudo esto, tenho aberto um blog: http://asaltovimianzo.wordpress.com/ .

Aí podedes ir seguindo todo o que tem a ver com a festa: História, imagens de outros anos, programa deste ano…De aquí ao primeiro fim de semana de Julho, que é quando a festa se celebra.

Bem. Pois só me queda dizer que disfruto muito fazendo o blog, para os amigos da associção AXVALSO, que mo pediram.

Só há um pequeno problema: Tem de ser em galego “oficial”, o que significa que tenho de mudar o teclado do meu mac do galego- português, que era a lingua que falavam os irmandinhos , para o espanhol, para adaptar a minha lingua a umha maneira de se escrever totalmente subsidiária do devandito idioma das Castelas.

E, aclarado esto, convido-vos a passar polo blog.

E, por suposto, pola festa.

Mas, para esso, ainda queda algum tempo.

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Abrochos

Abrochos

XacintoEstes dias não fui passeiar com minha cámara. porque orvalhava, pero são tantas as mudanças que percebo ao meu redor, só com olhar pola janela, que não me resisto a vos amosar como no meu redondo val tudo está preparado para a grande explossão da primavera.

Primeiro vou-vos falar das flores que eu plantei, como bulbos, ou cebolas, aló polo més de Novembro. Eses bulbos ou cebolinhas durmiram na terra, até agromar passado o Natal e agora começam a botar flores.

Tive que lhe pôr umha sebe de madeira, por mor dos gatos, e, ainda assim, rompem algumha, porque saltam e elas são tão delicadas que tronçam pola base.

As primeiras en florescer, foram os jacintos, tão perfumados que sentes seu aroma ao passar perto :

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Também me saiu um amarelhe, a flor na que se re-encarnou Narciso e que inclina sua cabeça ao chão, para ver seu próprio reflexo. A este pobre, estragarom-o umha mingalha os caracois:
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Também se lhe ve a color às anémonas púrpura, ainda que não abrissem suas flores:

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Os tulipães ainda não abrirom, mas já se pode adivinhar sua color:

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Bem. Tenho mais bulbos plantados-freesias, lirios…- mas esses são mais tardeiros em vir.

Na horta, o pessegueiro anda já abrochando as flores, que rebentam dentro das folhas que as compremem.

Outras, as mais valentes, já romperam as paredes e lócem, libres, coma pequenas estrelas color de rosa :

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Ao lonje, ve-se a copa dum salgueiro macho, no meio das outras àrvores, resplendente de polem amarelo presto para voar a um salgueiro com flores femininas menos vistosas:

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Mais perto. na horta de minha irmã, já florescem as primeiras àrvores:

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Que sim. Que vem aí a primavera.

Dentro da casa, também chegou, com as flores que me faltava por amostrar:

Velaí estão:

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As calas de água, ou cornetas, como dizem em Vimianço.

Ainda que seja algo cedo, boa primavera para todos.

Hoje escutei umha canção muito fermosa, da B .S. do filme “El amor en los tiempos del cólera”, feita sobre o romance de G.G.Márquez. Fala dos amores para os que sempre dura a primavera.

Canta Shakira. Espero que gostem:

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A luz de Fevereiro

A luz de Fevereiro

Levava muito tempo sem viver o més de fevereiro em Vimianço e este ano, cada tarde, dou uns passeios polas quatro pistas da parcelária nas que trocaram, no seu tempo, as corredoiras, congostras, carreirinhos com arrós e caborcos cheios de pichos de água.

Ainda assim, é fermosíssima a luz que envolve o val, os tons diferentes de verdes, roxos, dourados, as primeiras flores que começam a sair , o Paço de Trasariz, com sua palmeira e as casas dos antigos caseteiros, as Torres de Martelo, os montes que nos arrodeião, como um círculo mágico…

Vou-vos deixar aquí algumhas imagens e um mp3 para que podás escutar quando as miredes.

Tarde de fevereiro

Semelha umha pintura inglesa. A cor das nuvens e os diferentes verdes da terra.

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Os vimbios de VIMIANÇO-terra de vimbios, o seu significado etimológico-acesos coma laradas

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A capela do Paço de Trasariz e as casas abandonadas dos antigos caseteiros.

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A palmeira, a varanda e umha das enormes cheminés de pedra.

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Aquí vem-se as duas cheminés

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Umha das árvores mais antigas e mais lindas: umha magnólia em plena floração

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Que dizer das suas delicadas e preciosas flores…
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Narciso,o amarelhe, contemplando-se a si mesmo

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O Imbolc, as candeias, o crego e a alcatifa

O Imbolc, as candeias, o crego e a alcatifa

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Pode que este título semelhe longo demais, mas é como umha daquelas histórias cómicas de tempos atrás, ainda que, bem mirado, tampouco é tão cómica.

Vou ir ponto por ponto para não nos perder no trafego da história.

Imbolc, sabedes que era o festival da luz, na antiga mitologia celta, como já vos contei em fevereiro do ano passado. Bem, pois no Imbolc, celebrava-se o renascer da luz e prendiam-se candeias , para simboliçar o facto -como povos indoeuropeios, os celtas tinham o lume como algo sagrado-

Bem. Segunda parte: Quando o cristianismo chegou, não inventou nada, simplemente adaptou as festas pagãs e inventou-lhe umha história paralela, que é na que a gente de fé, acredita ainda hoje.

Concretamente a das candeias, que se celebra o dia 2 de fevereiro, seguida do São Brais o dia 3, era o dia de ir à misa, abençoar a cera que se tinha na casa para todo o ano:

Quando algumha pessoa jazia agonizante, punha-se-lhe na mão umha vela abençoada o dia de candeias. Quando tronava muito forte, acendia-se umha vela das desse dia, e assim era com as ocasões extraordinárias nas que havia que se proteger com o lume sagrado.

Também nos contavam a história de que, os meninhos que morreram sem baptiçar ficavam os pobrinhos no limbo, que era un sitio onde ficavam às escuras, agâs o dia de candeias, quando se acendião as velas abençoadas . Lembro as mães que perderam seus meninhos antes de os poder baptiçar levar suas candeias com toda a fé do mundo em que seus filhinhos ião ver umha luzinha acesa por umha vez.

Bem. Pois esso que digo, era quarenta ou quarenta e cinco anos atrás.
Mas há muita gente que ainda segue indo à igreja abençoar a cera. E agora vou-vos contar a parte do crego e a alcatifa.

Há uns meses que a Igreja disse que já não há limbo, que o Papa chegou à conclussão de que esse lugar não existe -manda caralho tanto tempo enganando às mães-

Pois, ainda assim, o dia de candeias, a gente dumha parróquia perto da minha, que comparte cura, foi à misa com suas velas e sua cera para que o cura lha abençoar. Quando rematou a misa, umha mulher, ao ver que ele ia embora, diz:

-Senhor cura. E logo não vai abençoar a cera?

E seica o cura lhe diz que esso era umha trapalhada e que ele não abençoava nada.

Como queira que a mulher se anojou, o cura dizlhe:

-Ponha-se-me fóra, que a igreja é minha.

-Sua não é, porque você leva aquí quatro meses e nós levamos toda a vida. Eu venho abençoar as velas desde que era umha criança e, quando houve que amanhar a igreja, todos puxemos dinheiro. E, ademais- e agora vem o da alcatifa- Para que você saiba, essa alcatifa que está a pisar, merqueina eu para lha agasalhar à igreja.

-Pois escuite, senhora, colha a alcatifa e punha-se-me fóra com ela.

Agarrou a alcatifa, turrou por ela, e mandou à mulher fóra com ela no mando.

Mentras tanto, o resto dos vizinhos, caladinhos com as suas velas na mão não dissem ren.

Na Galiza da minha infáncia, havia umha crença quase universal há tempo: Nunca te leves mal com o médico ou com o crego.

O médico, porque che pode dar um medicamento “contrário” e o cura, porque quando vaias morrer, não te enterra em sagrado.

Para alguns, semelha que ainda pervive

Já vedes que a história é e não é cómica.

Mas bem tragi-cómica.

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A Terra

A Terra

A terra, para mim, é umha mãe que se veste e se hebilha com roupas e colores diferentes, seguindo a coordenadas do tempo e do espaço.

Por esso, quando vivia no Rif, adorava a terra com suas amendoeiras em flor, suas ervinhas, os montes de terra roxa cheios de palmitos, suas humildes flores, suas pedras, suas vaguadas viçosas cheias de hortas, suas canaveiras…

Agora, em Vimianço, é o mesmo. Olho as àrvores espidas, os amentos dos abeneiros pendurados já, das suas pólas nuas, como umha certeza da primavera que fica aí, à volta da esquina. As mimosas, as ondas do ar na erva , os regos cheios de água das últimas borrascas que trazem a água desde os mares quentes para nós.

Onte, vi algo que nunca vira. Nem de pequena: Um par de parrulos, macho e femia, nadando no rio.

Mãgoa que, quando cheguei, fugiram voando…

Todo o demais, deixovos aqui, neste video com música de Manu Chao, para que, o que queira, veja, a travês das pistas de asfalto, os galpões de armazens , os cables, as casas, e os sinais , a verdadeira e fermosa faciana da terra, a mãe que nos nutre, nos deleita e nos acolhe no fim do caminho.

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Mimosas

Mimosas

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Meu pai conhecia o nome de todos os pássaros, árvores e plantas do val de Vimianço.

Também conhecia os ovinhos e os ninhos de cada um, e, de pequena, desde a janela da cozinha, dicia-me:

-Mira, ali há um paifoco na póla da cerdeira.

-Vem, vem caladinha. Olha aquel pingaouro…

Eu ficava alucinada polo conhecemento que tinha meu pai dos pássaros. Um dia fum lhe levar o jantar ao monte na caldereta vermelha,porque andava a roçar no monte e, após de jantar, fomos beber à fonte do Congro e ali, agochado entre entre as silvas, havia um ninho de carriço.
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Amodinho, sem fazer ruido, achegueime e meu pai colleu-me para uparme.

Que lindo era…! Redondo como umha bolinha de musgo e ervinhas secas, cum buratinho para entrar aberto por um lado, como umha portinha…

A aquel monte chamavam-lhe A Pedra do Raposo, e agora ali andam a pôr petardos que fazem tremer o val enteiro para achandar o terreio para o polígono industrial. Os coelhos fogiram e andam polas hortas. Na de minha mãe hà umha parelha que lhe comerom todas as cenouras este verão. E os pãssaros andam em bandadas como nunca se viram.

Bem, pois meu pai, que jà não fica com nós, polo menos à nossa vista, que nunca se sabe, era o primeiro da casa en ver as mimosas.

Cada ano, por este tempo, aló na Esquipa, ou no monte das Pasantes, alviscam-se as laradas acesas das mimosas, primeiro abrochando, apenas, e, nuns dia, a explosão do amarelo, como umha larada.

Meu pai, olhava pola janela da cozinha-antes não havia salas de estar, nem salinhas. A vida da familia, polo dia, era na cozinha-e dicia:

-Jà falta pouco para a primavera, que jà abrolharom as mimosas aló na Esquipa.

A Esquipa, A Toxa, As Pasantes, a Valinha e Brives e A Gandra, são os primeiros lugares que ilumina o sol quando sai, e os primeiros em escurecer ao solpôr. Os lugares onde da o sol ao sair, sempre são os primeiros onde as flores abrem, onde os frutos são melhores, onde medram mais rápido as plantas…Eso também o aprendi de meu pai.

Bom, pois este dia, quando sai da casa para ir dar um borde, olhei aló na Esquipa as mimosas começando a abrolhar, amarelas coma muxicas de lume.

E lembrei a meu pai.

E pensei: Aginha chegará a primavera.

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