Monthly Archives: Maio 2006

“Tuyo siempre”

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Umha das minhas canções preferidas de Calamaro.

” No importa si no venís conmigo.

Este viaje es mejor hacerlo sólo…”

Há viagens nas que ninguém nos pode acompanhar…

Temos que as fazer sós, tudo mais, cum cajato de vimbio, ou umha póla florescida de espinheiro alvar…

Cada quem cultiva, toda a vida, as pólas que lhe hão de fazer de cajato quando precise iniciar o caminho em soedade…

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Mais um dia

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Mais um dia.

Hoje abriu o céu. Há mais claridade e um chisco de brisa, que trae o arrecendo do mar:

“Matino di solle sulla barca

perdutti nel mare io e lei…”

Gosto moito de Adriano Celentano.

Também de Andrés Calamaro. Seica vem de apresentar um novo cd de tangos: “tinta roja”. Também gosto dos tangos.

Algúm dia hei de ir a B.A.

E, depois, alugar um carro e percorrer a Argentina assim, de vagar, de sur a norte. De Ussuahia a Iguaçú. E de Oeste a Leste: Desde Mar del Plata até Bariloche…

Inchallah…

Mais outro dia de nuvens

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Este ano é diferente a tudos eiquí, no Rif. Levamos toda a primavera coas nuvens cubrindo-nos e as andorinhas a voarem alouladas, describindo círculos cruzados, coma as ideias que vem à nossa mente ao despertar, depois dumha noite de sonhos esquecidos.
As gaivotas não chiam, coma as de Camarinhas, que semelham velhas harpias tolas a berrar polos curutos dos telhados.

Eiquí não há moitas gaivotas. Há gatinhos: moitos gatinhos e gatinhas silenciosos e discretos, que circulam polas ruas à espreita de que alguém lhe tire um peixe, ou lhe ponha comida na porta, para que eles se acheguem a comer. O peirão está cheio de eles.E os restaurantes onde servem peixe e alcool-cerveja, vinho ou Jack Daniels- tem os seus gatos que andam a ve-las vir, por entre as mesas, reciclando, in situ, os resíduos orgánicos com gosto a mar e oliveiras…

Pola contra, não hà ratos. Nem ratas grandes dessas que che olham em fite, quando as atopas, de noite,algures dumha rua ou da tu propria casa, quando volves de ruar.
Contam que na Europa medieval, os gatos erão associados aos hebreus ou muçulmanos, assim coma às mulheres que tinham assuntos co demo. Com tal motivo, desatou-se umha campanha de persecução dos animais até quase os extinguir nos bairros das cidades onde moravão os cristianos.

Co tempo, as ratas invadiram as cidades portuárias e propagaram a peste que reduziu a povoação europeia dum jeito pavoroso…

Agora chamam de Vimianço. Seica ja tem a tortilha aviada para ir jantar à praia…

Vaia, ho. E eu eiquí, no Rif, coas nuvens e a brétema…

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As estrelas

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animeer_10As ideias são estrelas fugaces a cair na superfîcie do mar.

O mar da conciência, escuro e quedo,ilumina-se com cada estrela que cai, desde o céu interior, viajando por caminhos cósmicos de serotonina.

Há datas sinaladas para as estrelas. Chûvias de estrelas fugaces , que caem, a eito, acendendo a superfîcie escura coa luz do seu arder. Pontos de luz que se consomem e se apagam, sem mais, ao contacto coa água.

De onde é que vem essas estrelas que chovem sobre o mar da nossa mente? De que galaxia lonjana de Leónidas e Perseidas procedem ?

Há, no mais fundo de nós, um ponto. Um espaço vazio que lateja. Um centro no que pende o péndulo do tempo do nosso coração, que se vai debulhando em cada oscilação.

Em esse ponto geram-se as estrelas e as galaxias do nosso pensamento. Aí fica o motor que move o nosso universo. De aí foge a vibração que depois tomará forma mais arriba, na superfîcie do océano, desenvolvendo seu patrão para aparecer co seu aspecto vissível diferente.

Mas, na realidae, tudo é um sonho. Umha chuva de estrelas momentánea. O único real é esse ponto. O ponto central equidistante que somos,desde o nosso nacemeto até a dissolução…

Al Gharb e Al Magreb

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Al Gharb e Al Magreb são o espaço e o tempo. Ambos os dous respondem a um mesmo conceito, mas em diferente dimensão.

Al Gharb é o espaço. O oeste, o último lugar do mundo conhecido, por onde o sol se oculta cada tarde.

Al Magreb é o tempo. A hora do solpor. A hora da última oraçom antes da escuridade, orfa de sol.

Os europeus chamam Al Magreb a todo o norte africano . Para os paises de lingua árabe, Al Magreb é Marrocos nada mais.

O sol vai e vem, cada dia,polo céu. Al Gharb e Al Magreb ficam atados -ao espaço Atlántico, coas suas estações e mudanças-, e ao tempo do vagar e das pregárias…

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Lua

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wirth-oswald-tarot-18-la-lune-the-moon-1241771.jpgA lua, desde o alto, reflicte a sua luz branca sobre o poço profundo da lagoa. A superfîcie da água, espelha e cintila coma azougue silente e encorado.
Dous cães negros ouveam em silêncio em cada em sua beira, as suas faces ergueitas cara o ceu.

Um caranguejo vermelho xorde, ateitinhando,na procura da terra firme.

Num recanto,aló ao longe, hà umha fogueira. Dirigimos os passos para alá, encantados, ao alviscar o lume. Quando ja estamos perto,e imos nos achegar, ficamos aterrados: A pele eriçada e a gorja anoada, ampeando pola angústia.

Meia dúzia de pessoas-homens, mulheres e meninhos-, comem carne humana -pernas, miolos, e mesmo olhos tirados das suas cuncas- arredor do lume em silêncio,sem apenas se mirar…

« La nuit, le chien observe la face de la Lune comme si c’était un miroir, et le contemplant, il croit qu’il y a un autre chien et il se met à aboyer sans répit ; mais sa voix vainement se perd dans le vent tandis que Diane poursuit son voyage nocturne – impassible ».