O lume novo

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A festa do lume novo aquí, no Rif, não se celebra. Mas nós – os companheiros do colegio espanhol e outros que andão por aquí – fomos onte cear à praia.
Comemos sardinhas mediterráneas-mais pequeninhas e com menos graxa-, bebemos vinho,fixemos lume, banhamos no mar, dançamos…
Também havia muitos amigos rifenhos – mágoa que não amigas, agás as mulheres dos profesores de árabe – e as moças andavão algo escasas, para os homens novos que andavão por alí, dançando, a ve-las vir… Faltava o elemento feminino e até os moços, gostavão de falar com nós,assim, coma se for suas mães…A falta de pão…
È triste umha sociedade sem a presença das mulheres,não é? É do que menos gosto do Rif. Sou ainda muito antigos, mesmo que morem numha cidade….Mas ainda se conhecem por tribos e famílias e as mulheres sou as depositárias da honra familiar. -Lembrades?
” El cristal cuando se empana , se limpia y vuelve a brillar. La honra de una mocita se mancha y no brilla más. Cuando un hombre se la quita”
É da minha mocidade. Não faz tanto tempo…-
Se algumha moça rifenha, em geral,anda coas calças apertadas demais, ou se passeia com algum moço, ou se se veste com roupa que amostra as formas do seu corpo -as rifenhas tem corpos coma torres, altas e bem feitas, rotundas, muito fermosas- ou vai sem pano, ou algo assim, os homens, que ficam sentados no café, metem cisanha nos irmãos, ou no pai, ou gaban-se de conquistas que não existem mais que no seu magim…
Depois, na casa, há “quilombo” e a rapariga, tem que se tapar, levar a chilaba bem frouxa, não passeiar com homens, pôr o pano… Ja não falemos de sair de nuite celebrar o lume novo…
Em troques, as de fóra, podemos fazer de tudo: Outra cultura, dim.
Lembro aqueles filmes de Alfredo Landa e das “suecas”, de rancia e casposa represão. Ou de meu pai, quando dicia:
“As mulheres de agora sou escandalosas…Ensinão tudo, andão a beber e a fumarem coma homens, dão bicos aos moços pola rua…Facede o que queirás, mas que não ouça falar de vós quando estea na taberna, bebendo um vinho cos amigos…”
Ou de aqueles moços pantasmões -quase tudos, decerto- que se gabavão das suas conquistas …Eles tinham moitas moças, o mãu e que elas não sabiam…
Quanto tivemos que mudar as mulheres a sociedade galega, rural e familiar como a rifenha…! E tudo porque agora não precisamos casar para sobreviver…
No fundo, sempre há umha razão económica.

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