Monthly Archives: Fevereiro 2007

Mulheres

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Hoje vou abrir umha nova categoria no meu escunchador.

Hoje vou-me pór com a meda das mulheres.

A sua história a través do tempo, no território europeu que nos tocou como cenário da nossa vida, quando um dia saimos do ventre dumha mulher para encetar nossa andaina no mundo.

Quero fazer um percorrido pola história das mulheres, do feminino, mas sem o rigor dumha estudossa. Apenas dumha contadora de histórias. No fundo, para esso, para contar histórias, é que abrí este espaço.

Há que saber logo, antes de começar, a diferença entre a História dos especialistas, e as minhas histórias, de mulher de aldeia.

 

Antes de nada, para poder se enfrontar à história, hà que ter em conta o relativismo baixo dous aspectos:

*O do tempo

*O da vivéncia da realidade.

Só assim poderemos comprender como, por exemplo, na espiral do tempo, o que a nós nos parece tão longiquo, é apenas un instante , e as mudanças que se operarom nos derradeiros quarenta anos,superam, com muito, às dos quinhentos anos anteriores.

Também poderemos comprender como, num mesmo espaço-tempo, podem convivir realidades totalmente diferentes e mesmo opostas, e que não podemos julgar desde dentro do nosso sistema de percepção, quais são melhores ou piores.

Estas cousas já as sabiam nossos devanceiros, quando nas pedras gravavam suas espirais a modo de labirintos, mas após, fumos esquecendo, com a vertigem da velocidade, muitas cousas que não deberiamos e que nos volverom absolutistas, centriumbigais-desculpas polo palàvro inventado- e mesmo prepotentes com as outras formas de viver a existéncia , as outras culturas.

 

Eis o exemplo.

Cada grupo procura o substento dumha maneira diferente. Uns tem mais comodidades, mais tecnologia; outros, mais conhecemento da terra e mais harmonia com ela.

Existem no mesmo espaço planetário e ao mesmo tempo.

Até há pouco tempo, eu também pensava que os da esquerda erão mais “atrasados”.

Hoje tenho séria dúvidas do contrário. Tudo é relativo. Mas ainda arrastramos os prejuizos do século da razão, e não é doado desprenderse deles e entrar na era da relatividade.

 

Sabias, por exemplo, que ao avõ do jogador de futebol Karembeu, natural de Nova Caledónia, umha colónia francesa, o tiveram em expossição em Paris, numha gaiola do zoo, como um especimem curiosso? O mesmo faziam com nativos de outras colónias, porque,segundo deu pensamento, erão apenas animais para estudar e observar. Não tinham a prezada “alma” do Homen branco europeio…
Não faz tanto tempo…

Bom. Hoje tocou-lhe à introdução.

Amanhã começaremos a falar da história das mulheres, ou das mulheres na história, algo no que também a relativiçação é imprescindível.

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O azivinho

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O azivinho, ou azevinho, acivro, acibreiro, acevo, acibeira, acivreiro, acibra, acibreira, cebro, escornacabras, rascacú, velhebrão, xando, xardeira, xardo e xardom, que todos esses nomes tem na fala, é a última árvore que plantei, até o momento, no terreo da beira do rio.

O Ilex aquifolium em realidade, não é umha árvore, mas um arbusto que pode chegar, silvestre, aos dous e até os cinco metros de altura e se é cultivado, coma o meu, disque pode acadar até os vinte metros.

Espero que não chegue a tanto. Todas as cousas tem de ter o seu jeitinho e um arbusto de vinte metros será algo muito, digo eu…

Pode viver muitíssimo tempo. Conhescem-se casos de ter acadado os trescentos anos.

É o bom que tem plantar árvores.

Eu ainda como castanhas e tomo a sombra dos castinheiros plantados na horta por meus tataravós. Eles são, em certa medida, a sombra dos nossos, que nos protege além do tempo…

Espero que os meus netos- se os tenho, porque os moços de agora não estão pola labor- me lembrem quando sentem baixo das minhas árvores, como eu lembro ao meu avó, e até aos velhinhos da casa, ainda sem os ter visto nunca.

Pois indo ao tema.

De seguro que tudos conhescedes de sobra o azivinho, tão presente na iconografia do Natal, com suas bolinhas vermelhas e suas folhas dum verde brilhante com bicos de espinhas que nunca desaparecem. De tudas as árvores que plantei, é a única perennifólia.

No nosso pais, há azivinhos silvestres na serra de San Mamede (concellos de Maceda, Montederramo, Vilar de Barrio e Laza); na serra dos Ancares; no Incio; no val do Lóuzara, río que abrolla no concello da Pedrafita do Cebreiro e vai dar ao río Lor na parroquia de Folgoso do Courel,en Cabeça de Manzaneda e Chandrexa de Queixa.Concretamente na zona de Chandrexa, xunto o río Navea hai moitos. Tamén na zona do Invernadeiro, Verín, no monte Oribio do concello de Samos; no Courel, sobre todo na Devesa da Rogueira

“a máis belida e rica reserva botánica de Galicia e non precisamente pola súa extensión. a Rogueira abundan tanto as faias como os carballos corporentos (rebolos). Tamén os teixos, acivros (xardós ou xardóios), avelaneiras,..”

São palàvras do grande poeta do Caurel, Uxio Novoneira.

Também atopamos azivinhos perto da costa como na fermosa fraga de Caaveiro ou mesmo os corpulentos especímens da parroquia de Morgadáns , no concello de Gondomar.

Os frutos do azivinho, mália ser tão lindos, são tóxicos. Produzem diarreias, vómitos, convulsões, e em crianças, mesmo a morte.

As folhas, tem propriedades febrífugas, sudoríficas, diuréticas e laxantes. Segundo a medicina popular a cortiza do azivinho, macerada en água, ajuda a curar a epilépsia.

A madeira do azivinho é clara e muito dura. Utilizava-se para tornear e também, tinguida, fazia-se passar por ébano. Também para mangos de caçolas e ferradas, por aguantar muito a calor, e também para varas com aguilhão para aguilhoar às vacas e aos bois.

Com a casca do acivro, fazia-se umha goma peganhenta que, untada numha varinha, servia para atrapar aos passaros perto dos seus bebedeiros, pondo-lhe um engado de mingalhinhas de pão. Esse produto cahma-se visgo ou liga, mas suposso que agora jà não haverá raparigos que sigam a a utiliçar para colher xilgaros ou reisenhores.

 

Sobre o azivinho no calendário celta e no alfabeto óghmico, ja vos falei, mas hà muitas lendas vencelhadas ao azivinho.

Umha delas, é a póla do azivinho para acadar o amor dumha moça: Cortámo-la a nuite de San João as 12 mesmo e a pasamos 13 veces por baixo das ondas do mar, rezando un credo de cada vez, e depois com ela tocamos a moça escolhida.

O facto de ter follas e froitos durante o inverno foi considerado como un símbolo da vida que aguanta o esmorecemento do resto da vegetação durante esa estação do ano. O costume de usar pólas de azivinho no tempo do Natal ven do moi antigo; as tribos xermánicas, na entrada do inverno, punham nos seu cuartos pólas de azivinho.

Para os romanos estava associado às festas saturnais celebradas no fim de dezembro na honra do deus da sementeira e da agricultura: Saturno. Tal costume foi estendéndose polo mundo chegando no século XVI ao continente americano coa invasión europeia dese continente.

Precissamente no continente americano, há umha árvore da família do acivro o Ilex Paraguarensis, mais conhescido como herba mate,ou chà brasileiro, que os argentinos, paraguaios , uruguaios e brasileiros do sul, levam sempre com eles para dar uma sucada de vez em quando da sua “bombilla”.

Para rematar, dizer que o azivinho é umha árvore unisex, quer dizer que, para que deia fruto, tem de haver duas árvores: Umha masculina, e outra feminina, que é a que da os frutos tão lindos em bagas vermelhas.

A desaparição das árvores femininas, supusso também a desaparição de muitos animais que se alimentavam das suas bagas, como o urogalo, ou pita do monte.

O tordo, que também come dos frutos,e o corzo que se alimenta das folhas, por sorte ainda existem.

O azivinho é, comtudo, umha espécie protegida


Ademais, a mesta folhagem da lugar a que a temperatura no interior dun azivinho chegue a ser uns 4ºC superior á temperatura no exterior polo que serve de acubilho de moitos passarinhos que escapan asim das ventiscas e nevaradas e mesmo se ocultam dos seus predadores naturais como o minhato e o açor . Estudos feitos nos Ancares demonstran que no cru inverno un 67% dos passaros foram atopados vivindo nos azivinhos.

Jà vedes como umha árvore também pode ser umha casa. Mesmo um refúgio em tempos difíciles.

Bem. Espero que disfrutasses do azivinho. A mim só me resta mercar um companheiro masculino para plantar à beira da sua parelha e que os dous se namorem e vivam felizes para sempre…
  

A Nogueira

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Vegetação de infância
«Onde está a antiga nogueira cujas raízes
entravam pela água? Sei que os seus ramos se partiam
de cada vez que o ribeiro enchia; que as folhas
se espalhavam pelo tanque, antes de se afundarem,
formando um lodo em que os pés escorregavam;
que o barulho das rãs ecoava na sua copa, enquanto
a noite se agitava com o vento frio que trazia
o outono. Mas de nada me serve este conhecimento,
agora que nada me diz se a nogueira existe, ainda,
nessa margem onde me sentei, ouvindo as rãs
e o vento, sem que me apercebesse do trabalho do tempo
no fundo das raízes. Ou antes: o que ele me dá é
uma inquietação áspera como o sabor das nozes
que se colhiam dessa árvore. Atiro-as para o armazém
da memória onde as sombras se acumulam; e
entro nessa árvore, como se fosse uma casa,
ou como se as suas ramagens se abrissem
num bater de asas impotentes para o voo.»

Nuno Júdice, Teoria Geral do Sentimento .

As nogueiras ficam também muito unidas à minha infáncia.

Ainda lembro a grande nogueira de copa enorme e redonda, plantada por fóra do muro da eira, de onde colhiamos as noces com a casca ainda verde, para as comer assim, com pão de molete, quando mais nos sabiam e melhor se lhe desapegava a pele fininha que tinham por dentro.

As mãos ficavam-nos escuras, quase pretas, com aquela color das cascas verdes que não dava saido dos dedos em semanas.

Quando conseguiamos abrir umha sem romper a casca, logo faziamos barquinhos com elas e punhamo-los a navigar no pilão da horta.

Se reparades na parte interior das noces, no centro da semente, que é o que se come, tem a mesma forma do nosso cerebro. Seguramente será muito bom comer noces para manter o cerebro em forma.

Outra cousa curiosa das nogueiras, é que são muito individualistas. Não existem bosques de nogueiras, que eu saiba. Elas medram junto com outras árvores, ou soas, mas não são nada gregárias.

O nome científico da árvore é , Juglans regia, ademais da sua presência regia, como seu nome diz, e das noces tão sabrosas e nutritivas, é umha árvore rica em substáncias amargas e taninos-os que tinguiam de preto nossos dedos- e as suas folhas, tem um arrecendo suave e perfumado, ademais de ser muito boas para curar feridas, cortaduras, doenças da pele, carafunchos e chagas. Para esso há que as ferver e com a água da cozedura, enchoupar um algodão ou um trapinho limpo e aplicar diretamente na ferida, após de a deixar arrefriar até ficar morna.

A madeira de nogueira, é das mais fermosas, pola sua freva fina, seu colorido, a durez e o fermoso frisado das sua veias…

O castinheiro

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A castanea sativa, é umha árvore longeva, de folha caduca, que pode atingir mais de um milhar de anos de idade. Como reza a tradição popular acerca dos castanheiros:

“300 anos a crescer, 300 a viver e 300 a morrer”.

As suas folhas têm entre 10 a 20 centímetros, são dentadas, mais claras na página inferior e translúcidas quando as transpassa a luz solar.

Os seus frutos são as conhecidas e apreciadas castanhas.

Aos 8, 10 anos de idade, o castanheiro já dá fruto, no entanto só depois dos 20 a frutificação passa a ser um fenómeno regular.

A sua produção mantém-se elevada mesmo quando já está em idade avançada (o que significa 600 anos de idade ou mais). Até aos 50 a 60 anos de idade, o seu crescimento é bastante rápido, retardando depois até ao fim da vida.

Pode atingir os 45 metros de altura e a sua copa pode chegar aos 30 a 40 metros de diâmetro.

A espécie que existe na Galiza é também a que predomina na Europa – a Castanea sativa-. Há conhecimentos e sinais de existir no território galaico há já muitos séculos, polo que é considerada como uma espécie indígena.

Contudo, há quem pensa que fui introduzida na península ibérica, provavelmente, durante a época dos romanos.

Desde o Paleolítico, o castinheiro acompanha aos homens e tem para nós umha importância crucial. As tribos pré-romanas chamavam-lhe a árvore do pão, já que o seu fruto, a castanha, era um alimento rico e um importante meio de subsistência para os exércitos em campanha. Pode-se mesmo afirmar que foi um dos mais importantes farináceos em muitas regiões, antes da chegada da pataca e do milho à Europa.

Era utilizada na alimentação dos Homens e dos animais, era um complemento importante na agricultura e, em muitos casos, o pão dos mais desfavorecidos.

O seu fruto, a castanha, formou juntamente com o trigo, orso e centeio, a base da alimentação na Galiza até ao século XVII. na Idade Média : «Os frutos, sobretudo as castanhas, encontravam-se num dia ou noutro na mesa do lavrador».

As castanhas menores e tocadas pelos bichos serviam de ração para porcos.

A partir da Idade Média, a introdução do pinheiro bravo (Pinus pinaster) foi um dos grandes responsáveis do recuo desta espécie, assim como do carvalho. Mais tarde, a introdução do milho e da pataca fizeram a castanha perder a importância que tinha na alimentação da população.

Apesar da a planta se encontrar em declínio, devido à concorrência de outras espécies florestais, à doença da tinta e ao abandono dos campos, ainda quedam soutos e castanhas pola Galiza interior.

Na Costa da Morte, apenas os que há plantados perto das casas. Os soutos desapareceram há muito tempo.

Porém, eu lembro chamar-lhe castanhas às patacas, e em Vimianço, ainda há gente que o faz : “Imos fritir umhas castanhinhas” ou “Imos pranar as castanhas”.

Mas cada vez perde-se e fica mais longe na memória o tempo em que as castanhas eram o elemento principal na alimentação diária.

Na minha casa, quando eu era pequena, abriamos os ouriços e guardava-mos as castanhas que sobravam do inverno no cabaço. Iam ficando secas e ruchadas, e chamavamos-lhe “castanhas maias”.

Logo estonavam-se cociam-se com fiuncho e comiam-se com leite .

Agora há essas modas francessas dos marron glacé e demais, e cada outono, os escaparates das pastelarias das cidades enchem-se de dózes de castanhas.

Mas eu, do que realmente gostria ver, é dum bom cozido de cacheira de porco e castanhas farinhentas e gorentosas arredor. Não sei se ainda se faz, mas na Costa da Morte, não, desde logo, desde que eu posso acordar .

As patacas também estão muito bem. E são das cousas mais ricas que a terra da.

Mais umhas castanhinhas farinhentas, tenras e blandinhas, tirando um chisco ao dóze, mas sem chegar a ser dózes totalmente, tem de ser um muito bom complemento para a carne de porco salgada e os chouriços.

Fica claro que o castinheiro é umha árvore nutrícia, porque apenas falei da sua fermosura, da sua exhuberante beleça aló polo mes de agosto, com sua copa redonda inçada de pavões que semelham raios dumha explosão de vida.

Ou quando aparecem os ouriços, entre as folhas, enchendo sua copa de estrelas.

Também sua madeira é fermosa, resistente e companheira.

Em camas de castinheiro nacemos a maioria da minha geração, nas mesinhas de nuite pousamos o livro, a candeia, os lentes…antes de nos acubilhar para dormir.

Em armários e uchas de castinheiro, guardavamos a roupa de campar, a dos domingos, e a melhorinha, a das festas sinaladas.

As mantas, os cobertores, para nos proteger do frio gélido, quando ainda não havia calefação e o alento saia coma umha nuvem da nossa boca, e o narís quedava gelado mentras o corpo ficava quente embaixo das mantas de là.

Os chineros, onde se guardava a louça dos dias de festa e os jogos de café de porcelana fina, que locia a travês dos cristais adornados das portas gemelgas do aparador.

Tanta memória e tanta vida vencelhada ao castinheiro…

Eu , antes de plantar este de agora, plantei um hà uns dez anos. Quando o plantei, cavando eu mesma o covo, pensei que aquela árvore ia ser o símbolo da minha vida futura.

Claro que não lhe disse a nemhúm, pois ssabia que tal vez não entenderiam minha ideia.

De alí a pouco, meu pai transladou-no de lugar . Mais tarde, cortoulhe umha das três pólas que arrincavam desde a base, disque para que medrassem melhor as outras duas.

Mais tarde, minha mãe disse que havia que o mudar de sítio, que lhe tapava a vista.

A árvore já ia grandinha, e tinha seu sistema radicular bem desenvolvido.

Mas o meu Nesinho e mais eu, fomos cavando arredor dele, tentando não lhe danar as raizes que fora formando .

Logo veu um homen cumha pá excavadora dessas pequeninhas e, com muito tino, arrincou-no de seu lugar e depositou-no de novo, num lugar excavado fóra da linha de visão da janela do vertedeiro.

O Nés e mais eu, colocamos no fundo da terra, um anel de ouro dentro dumha caixinha, para demonstrar meu amor pola árvore, e dar-lhe pulo.

Durante as próximas primaveras, o castinheiro andava frouxinho, num vou-não -vou que me fazia atristurar.

Mas agora lóce forte e vigoroso-esso sim, sem a terzeira guia- e atalhora, já lhe tenho perdoado a minha mãe a ao meu pai, que já não ta com nós, os avatares e as penúrias que lhe fisseram passar ao meu totem arvoreo.

Agora que o penso: O ouro escondido aló no fundo, as mudanças de lugar, a póla amputada, e o re-vivir mália as dificuldades …Serão umha metáfora da minha vida?

Tal vez sem esso, o castinheiro não reflectisse em verdade quem sou. Nem como existo.

A ajuda do Nés também é tudo um símbolo da gente que me quere e me acompanha, ainda que, às vezes, me sinta sozinha…

Tal vez o castinheiro queria me monstrar minha verdade.

A faia

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A Fagus sylvatica, minha terzeira árvore é, amigos , umha rainha dourada.

Para mim, não há bosque mais fermoso que o faiedo, com suas cúpulas verdes, como as naves dumha catedral vegetal, sua alfombra de folhas e a color amarela tão delicada que colhem no outono.


Se entrades a Portugal por Portela do Homen, perto de Bande, entraredes de súpeto, num mundo mágico de faias até chegar a Peneda Gerês, onde há um parque cheio também destas árvores cum estanque onde se reflictem as damas douradas coma num espelho. Se ides nos primeiros de novembro, quando no povo não há forasteiros, podedes passeiar tranquilamente baixo das copas douradas e sentir essa sensação de beleça grandiosa e, ao mesmo tempo delicada, que a faia tem.

Porque a faia é umha das árvores que alcança , junto com a tília, a maior envergadura mas, pola contra, tem umhas folhas tão delicadas e umha presença, que por si soa nos transporta a mundos de contos de infáncia, de sonhos e de lembranças inconsciéntes que dormem agachadas no faiado da nossa mente, e que espertam quando entramos no bosque, como aparesce o lobo do instinto quando a Carapuchinha se adentra polo carreiro de folhas húmidas e moles, no siléncio da bóveda verde.

Num intre, vai aparescer polo carreirinho da esquerda.

O lobo ja hà tempo que aguarda, entre as árvores da encosta.

Só espero que a minha faia medre. Para disfrutar de sua beleça em cada estação. Mesmo no inverno, quando caim as folhas e fica espida, o corpo da faia, é belo, como o de umha fermosa rainha ou umha princesa . Ou como umha avoa, velhinha e retorta, mas cheia de sabedoria.
   
Por último, só me queda por dizer que a madeira de faia tem a mesma delicadeza de seu exterior. È clara e suavem, com apenas nós. Só ligeiros pontinhos e raias que marcam os caminhos de suas delicadas veias vegetais.

Um pouco dura para trabalhar em talha, mas tão fermosa, que, quando o trabalho rematado, paga a pena o tempo e os golpes de goiva.

Hoje não vos contei nemhumha lenda das faias.

Segundo Antonio Machado :” Las hayas son la leyenda”

Concordo com ele totalmente.

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Desenhos da minha Adelinha

O Freixo

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Filosofia da janela fechada

NclearglitterTwistedly.gifão basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro (1925)

O Fraxinus Excelsior é a segunga árvore que plantei. É uma árvore da família das oleaceas, alta e de copa recolhida, com folhas compostas por treze folhas mais pequenas com as beiras em serra

Medra bem em sitios húmidos, como a beira do rio, e a sua madeira é empregada em eixes de carros e em embarcações.

Jà vos falei do freixo na tradição da mitologia do calendário celta, mas há outras mitologias que tem o freixo como elemento fundamental.

Na mitologia nórdica escandinava, o freixo Yggdrasil, ou Yggdrasill, era o eixo do mundo.


Nas suas raízes, que se espalhavam polos nove mundos, cujas mais profundas estão situadas em Niflheim, ficavam os mundos subterrâneos.

O tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens.

A parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikingos eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.

Velaí as origens do mundo, segundo mitologia escandinava:

No início do mundo, segundo as Eddas, escritos que falam dos mitos fundacionais da cultura escandinava , não havia nem céu nem terra, mas um abismo sem fundo onde flutuava uma fonte dentro de um mundo de vapor. Dessa fonte saíam doze rios, que após terem corrido longas distâncias, congelaram-se muito longe das suas origens, preenchendo o grande abismo com gelo.

Ao sul do mundo de vapor ficava um mundo de luz, que emanava calor para derreter o gelo. Dos vapores formados do gelo surgiram dois seres: Ymir, o Gelo Gigante e a sua geração, e a vaca Audumla, cujo leite amamentou o gigante. A vaca por sua vez, alimentava-se lambendo o gelo de onde retirava água e sal. No gelo escondia-se um deus, e lambendo, a vaca acabou por descongelá-lo, revelando-o. Esse deus, unido com sua esposa da raça dos gigantes deu origem aos deuses Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir, formando com as partes de seu corpo o mundo como o conhecemos, e com sua testa formaram midgard (a morada do homem).

Depois de terem esquartejado o gigante Ymir para formar o mundo, os deuses passearam junto ao mar e perceberam que a criação não estava completa, pois faltava o homem para habitá-la. Foi então que os deuses formaram o homem e a mulher, das raízes de algumas plantas. Cada deus presenteou o ser formado com umha virtude: Odin deu-lhes uma alma, Vili a razão e Ve os sentidos.

O universo era então dividido entre Asgard (a morada dos deuses), Midgard (morada dos homens), Jothunhein (morada dos gigantes) e Nifflehein (Região das trevas e do frio), e entre esses mundos existia Ygdrasil, uma árvore que nascia do corpo de Ymir e sustentava essa realidade.

Odin representa o deus máximo na mitologia nórdica. Ele habita em Asgard, no palácio chamado de Valhala, junto com os seus irmãos. Quando sentado em seu trono, Odin tem aos seus ombros os corvos Hugin e Munin, que durante o dia voam pelo mundo, e quando voltam a nuite contam tudo o que viram a Odin. A seus pés encontram-se os lobos Geri e Freki, a quem Odin fornece toda a carne que é colocada diante dele, já que ele próprio não precisa alimentar-se.


Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela sempre é guardada por uma centúria de Valkírias, denominadas protetoras, e somente os deuses podem visitá-la.


Também nas Lendas Nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta a vida e apenas um de seus frutos, curaria qualquer doença.

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As minhas árvores

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Jà vos contei há dias que, neste Natal, plantei as minhas primeiras árvores na leira da beira do rio, detrás da casa onde vou viver-inchallah, quem ou o que queira que seja-.

Erão: Umha bidueira, um freixo, umha faia, umha castinheira, umha nogueira e um acivro.

Pois bem. Meu Nesinho ajudou-me a fazer os covos e a os plantar, mas, como a terra ficava tão encharcada, tinha medo que as raizes apodrecessem.
Onte chamou-me minha mãe e mais o Nés e dim-me que as árvores já agromam suas primeiras folhinhas.

Meu coração, afundido na mais absoluta escuridade, alviscou um rainho de luz ao saber das minhas árvores e da vida que pula desde seu inetrior. A meirande ledícia sentida desde há semanas.

Como agradecemento, vou falar aquí das minhas árvores, às que tudos conhecedes já polo calendário celta, mas há cousas que, se quadra, ainda não sabedes, e vou tentar de as trazer para vós.

A bidueira:

A bidueira é umha árbore da família das betulaceas. Da sua códia tiram-se várias substáncias utilizadas na farmacopeia e também na fabricação de lubricantes industriais.

Sua madeira, era utilizada polos soqueiros (que partían pola metade un toro e de cada metade facían un soco) .

Ainda lembro aqueles soquinhos de boscalf com solas de goma de rodas de bicicleta que meu avó me solava a carom da cozinha de ferro, em tempo de inverno…
Tinha as cousas guardadadas numha lata de azeite “La Giralda” sem umha das suas quatro caras verticais, que lhe tirara cumha tesouras, e alí tinha cravinhos e gomas preparadas. Também cachinhos de lata cortados em quadradinhos miudos para cobrir a parte dianteira da madeira, e que não se desgastasse.

Lembro também um filme italiano do ano 1978, que vi na Corunha, no cinema Goya, que agora já não existe e era daqueles que chamavamde arte y ensayo”.

O filme era ” L’albero degli zoccoli” e o director e guionista,Ermanno Olmi.
Ganhou a Plama de ouro esse ano em Cannes e falava dumhas bidueiras da beira do rio de onde o patrão duns caseteiros não lhe deixava tirar a madeira para fazer seus socos.

Também nalgúns lugares-coma são André de Teixido-, servia para facer eixes de carros que, junto com os de abeneiro, são os mais cantadores.

Para moitos povos europeos a bidueira é umha árvore sagrada que simboliza o sol pero tamén a lúa pola cor da súa cortiza.
É tamén a árbore da sabedoría e a iluminação.

Nos países escandinavos, o nacemento das follas da bidueira, indicava o momento de semear o trigo.
Para os chamãs, tanto da Siberia como dos pobos americanos, era o guarda da porta da sabedoría.
Para os celtas simboliçava o ano novo. Era a primeira letra do alfabeto druídico ogham-esso jà fica explicado nas árvores do calendário celta-

Em muitos lugares do norte de Europa, as pólas do bidueiro eran utilizadas para fazer saír os maus espíritos dos criminais. Tamén para afastar as mãs influências e desgraças era polo que tava presente nos berces das crianças.

Durante a Idade Media fui associado com a bruxeiría porque embaixo dele, medraba o fungo Amanita muscária, que era alucinógeno, e tambén com a ideia de que as vasoiras das bruxas ficavam feitas com a madeira desta árvore.

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