Monthly Archives: Março 2007

Vimianço V. Rainhas e camaradas

Padrão

Ainda entre as espécies vegetais, há clases.

Há rainhas, que locem, em seu esplendor solitário e alto, empoleiradas nas pólas da sua árvore.

PICT0032

E há gente do comum, que se agrupam em bairros a ras do chao, e compartem espaço e beleça sem necesidade de sinatura individual.

PICT0059

PICT0042

Ao fim, os humanos reproduzimos os mesmos patroes da Natureça.

Só que nós somos mais perversos. Estabelecemos as categorias.

75.gif

Vimianço IV. De herois e tumbas

Padrão

Quando passeio polo meu val, gosto muito de fazer um alto no Outeiro- Assim chamam-lhe as velhas e velhos da parróquia ao camposanto-.
Alí semprte hà um silenço e umha tranquilidade que permite ir, de vagarinho, percorrendo os apousentos das diferentes famílias e as histórias dos que forom e já nao sao.
Mas ainda no outeiro, hà diferências.
Há senhores e senhoritos, com capela própria e duas fiadas de furnas cheias de blasoes e lendas sobre mármore …

PICT0065

E ramilhetes de amarelhes que medram sobre a terra dos mortos que nao tem nada a dizer. Porque tudo o que tinham era a vida e esta rematou.

PICT0064

Mas…Olhade com que elegáncia se inclina Narciso olhando a terra que guarda o heroi anónimo.

Nao há mármore comparável:

PICT0063

84.gif

Vimianço III. Valados

Padrão

PICT0057

Umha das cousas mais lindas que produz o nosso clima húmido são os valados .

Os de antes. Os de pedra.

PICT0069

Valados de Vimianço:

PICT0068

De seguro as fotos não são boas. Não tenho experiência em fotos. São as primeiras que fago. Mas os valados ejercem sobre mim umha fascinação desde que tenho memória. São micromundos mágicos . Bosques de musgo e fieitinhos povoados de fadas e velhinhas de fazer o caldo. Espaços de vida vegetal entre pedras húmidas e velhas, que vão acumulando terra em suas fendas para criar universos de beleça que só pode descobrir umha mirada atenta e amorosa.

Valados de Vimianço. Tesouros de vida pequena em tamanho, mas enorme em fermosura.

anil0058.gif

II : Primavera e inverno. A relatividade .

Padrão

PICT0038

Num dos meus passeios polo val de Vimianço, atopei duas parelhas de amigos que me fixerom pensar na relatividade da vida.

Dous salgueiros moços, em plena primavera, com suas folhas verdes abrochando e suas flores masculinas e femininas preparadas para poliniçar e deitar regueiros amarelos de esperma vegetal arredor das poças de água da chuva.

PICT0039

E dous abeneiros velhos, um deles jà meio rompido polos embates de tantos ventos do vendaval, do norte, do nordés, da travesía…

Mas aguardando também a chegada das folhas novas.

O tempo nao é igual para eles que para seus vizinhos.

Algumha vez vos sentistes coma os salgueiros?

E coma os abeneiros?

voando

descansando neuronas por Vimianço I. Sanfins. Soidade verde-gris

Padrão

PICT0002
Esta tempada fico algo achacadiça , por esso não vos seguir a contar as histórias das mulheres.
Para eso, as neuronas tem de ficar em bom estado e com aços para contar histórias da história.
Quando me ponha bem, continuaremos a conhescer cousas femininas e até feministas, mas, no entanto, como não quero perder o contato com vós, já atopei umha solução.
O Suso, polo nosso 31 cabodano do casamento, agasalhou-me umha cámara de fotografar e agora, mentras me reponho, dou longos passeios polas pistas da parcelária de Vimianço- correduiras e carreiros jà dou o demo um queda- e vou tirando fotos a todo o que chama minha atenção.
É umha atividade preciosa, porque, a través das fotos, e dos modelos a fotografar, vou volvendo a tomar contato com este val que abandonei hà vintetrês anos para voar a outros climas, outras liverdades, outras músicas, que arriquecerom a minha vida e a fixerom mais jovem, aventureira e boémia, como eu anceiava quando era umha meninha nas freiras de Rubine.
Ainda que casada, com meninhos e tudo, cumpli meu sonho de ver e vivir outros mundos.
Agora disfruto destas pequenas cousas da minha primeira infáncia, meu paraiso perdido e volto a encontrar.
PICT0001

Estas primeiras fotos são de Sanfins, um lugar do Concelho de Vimianço, e da parróquia de Cambeda.

Quando as fisse, era umha manhá gris, de invernia galega. Tem esse regusto de humidade verde e gris, metade de cada, e a soidade do campo no inverno. Do vento que agita os loureiros novos, os cruzeiros das encrucilhadas e os caminhos.

PICT0003
O carro do pais cheio de balume, havia polo menos vinte anos que não o via.

Mas ali ficava, sozinho, entre a pedra e o cemento, quase um fóssil .

Espero que gostedes. Porque vou pôr mais.

PICT0004

943265.gif

Maus tempos para as muheres. Integrismo religioso de dupla moral

Padrão

Aló polo século XV, pula com força umha clase social que já nascera no medievo, e que fora livre e mesmo revolucionária: A Burguesia.

Os artesãos e comerciantes dos burgos medievais, que pouco a pouco, se vão afiançando como clase social.

Mas nestes tempos, ocorrem muitas cousas em Europa:

A Igreja e o Estado identificam-se, a Inquisição chega a seu apogeu.

Celébra-se o Concílio de Trento , que ia ditar doutrina moral repressiva com a sexualidade, as mulheres, o matrimónio, como nunca antes se vira.

 

A saber:

*Estabelece-se o matrimónio público diante dum cura.

*Valoriça a virgindade das futuras esposas, mesmo autoriçando a pedir certificado escrito prévio ao matrimónio, se assim o marido o estimasse oportuno.

*Regulamentam-se as relações sexuais dentro do matrimónio: havia de se abster 4o dias antes do Natal, 8 dias após da festa de Pentecostés, todos os venres, domingos e festas religiosas, os dias de jejum, 5 dias antes da comunhão e um dia após de comungar.

Em total, e botando contas, mas de meio ano ficava proivido manter relações sexuais entre os esposos.E esso só para procrear. Se a mulher sentir prazer, era muito mal visto.

« El amor carnal, alimentado por la lujuria y caracterizado por el exceso, es asimilable al adulterio y produce los mismos efectos que este: lascivia, celos, locura “

Esto dizia o senhor Gilbert de Tournai a respeito das relações sexuais entre esposos.

Como a moral, a respeito dos homens, era mais hipocritamente permissiva, nas cidades florescerom os prostíbulos e mancebias coma os cogumelos após da chuva outoniça.

Quaisquer mulher de mais de doze anos, que não pertencesse à classe social alta, podia pedir autoriçação para ejercer a prostitução nos lugares arredados do centro das cidades habilitados para o asunto.

A mancebia de Sevilla, com o tráfego de barcos que vinham das Indias Occidentais, fui umha das mais florescentes de Europa.

 

Também aos homens lhe permitiam ter concubinas, barraganas, e outras categorias de acompanhantes várias. Mesmo aos clérigos, coma este da ilustração.

Mas..Havia algo com o que não contavam.

Os marinheiros que vinham das Américas, eram portadores dumha nova doença: A Sífilis, que, dado a concorréncia das mancebias e prostíbulos, extendiu-se por toda Europa como a pólvora e causou estragos na povoação.


Amais de todas estas lindeças tridentinas, as mulheres eram a miudo acusadas de brujaria, de satanismo e demais. Só por serem herboristas, ou mencinheiras.

Ou por praticar rituais na natureça:

 

Umha idade na que começou um odeio e umha repressão feroz da feminidade que continuaria até muito mais adiante.

Palavras de Blas Álvarez de Mendizãbal, Século XVI:
“el útero de hembra apetece grandemente la simiente, y es grande el deseo que de tal simiente tiene, y mientras la atrae a si y la embebe y al tiempo mismo conceto es maravilloso el deleyte que recibe”.

Por esso havia de ter às mulheres bem sujeitas e controladas . Porque “el deleyte que recibe” era algo que, segundo eles, não debia de receber

Hoje deixo este espaço por um tempo, com já vos disse.

Quando volva, seguiremos contando histórias de mulheres, que ainda faltam muitas.

Até mais ver.

Sudações.

flower018

A Baixa Idade Meia. Amor e iconografia.

Padrão

Na Baixa Idade Meia, a mulher tem um protagonismo fundamental na literatura e na imagineria, assim como na vida, mesmo na defesa e combate,-lembremos as revoltas irmandinhas com suas protagonistas femininas- ou, no outro bando, a rainha Urraca.

Também na vida familiar e cotiã:


Emquanto à Literatura, xordem os cancioneiros, com canções de amor


Por umha banda, ficam os cançoeiros dos trobadores galego-portugueses-occitanos,

de amor cortés e pagão, onde as mulheres eram idealiçadas e cantadas coma se de deusas se tratar.

Também as de escárnio e maldizer, que falavam abertamente de sexo:


E por outra banda, as cantigas de amor mundano, aló polas Castelas, coma as do Acipreste de Hita, dum erotismo muito carnal.
Ou romances, os filmes, as séries e os reality do medievo:


Na imagineria,dado que as Imagens religiosas tinham umha função didática e pedagógica as catedrais e os templos, enchem-sede imagens que tentam explicar ao povo analfabeto as verdades da religião.

 


Mas esta época, é justamente a época das catedrais góticas, que se enchem de virgens mães, com seu meninho no colo, a modo de deusas da maternidade. Algumhas mesmo negras, como as deusas pagãs:

Na Galiza hà algumha preciosas-A do Mosteiro de Oseira é umha fermosura- Mas também toda Europa se enche de catedrais adicadas à Mãe: Nôtre Dame, Chartres, e muitas mais tem à mãe com o meninho presidindo o parteluz de entrada.

Semelha que os povos germánicos-Gótico vem de godo, não pertencente ao império romano- sentiam pola mulher algo especial.

Mesmo semelha que anhoram às deusas mães e suas iconografias pagãs, como se demonstra neste labirinto e neste relogio zodiacal da Catedral de Chartres:

 

Ao mesmo tempo que de virgens mães, as catedrais e as gárgolas dos edifícios, enchem-se de motivos sexuais , sobre tudo a canteria e a escultura em pedra:

È umha pequena revolução desde dentro da igreja, que faz que as catedrais, por vezes, semelhem templos hindús, com Shiva e Parvati copulando.

Claro que não sempre esto era bem entendido polas autoridades eclesiásticas que, às vezes, censuravam os trabalhos dos canteiros-escultores e faziam os reformar.

Contam que no pórtico da Glória, o arzebispo fisse pulir os seios da rainha Esther , porque os santos de enfrente, olhavam cara ela libidinosos, rexoubando.

Velaí como olha Davide para ela, que fica enfrente…

Amanhã mais e logo um descanso. Vou embora e não se quando vou volver.

68.gif