Monthly Archives: Dezembro 2007

Umha face ao passado. Outra ao futuro

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Assim é como se representa Jano, o deus das duas caras que da nome ao mes de Janeiro, o primeiro do ano para as culturas que tem suas raizes na tradição do Império Romano.

O ano novo celta, começava em Outono, com o mes do Shamain.

O primitivo ano dos romanos, começava em Martius, em honor a Marte, o atual mes de Março, e tinha 340 dias repartidos em dez meses.

Mais tarde engadirom-lhe dous mais- Janeiro e Fevereiro- e fui Julio Cesar, no 47 a.C. quem decide que o ano debe começar em janeiro-calendário Juliano- e não fui até o 1.582 que o papa Gregorio XIII reformou para o adaptar aos anos bisiestos-calendário Gregoriano- que é o que rege hoje.

Durante um tempo,ainda se seguiu a celebrar em diferentes datas,sobre tudo em Italia:Em Florência, o ano novo fui o 25 de Março até o 1.749. Em Venézia o 1 de Março e em Milã o 25 de ezembro até o 1.797.

Nas colónias británicas americanas, celebrába-se o 1 de Março, como na Inglaterra protestante, até 1.752. Nas possessões portuguesas, espanholas ou francesas, desde o 1.582, passou a ser o 1 de Janeiro, seguindo o calendário gregoriano.

Durante a Revolução francesa, fui reformado o calendário, tirando-lhe todas as connotações religiosas -prometo falar outro dia do tema com tempo-.

Quais erão as práticas dos romanos para receber o novo ano?

O poeta Ovidio, nos Fastos, explica-nos:

Janeiro é presidido polo deus Jano, o das duas faces. Tem umha nova, que mira ao futuro -ano novo- e outra velha, que mira ao passado-ano que rematou-. O deus Jano era um deus de iniciações e ritos iniciáticos, por esso ficava como porta iniciática do ano que estava por vir.

O dia do ano novo, os romanos convidavam a comer aos amigos, e agasalhavam-os com pólas de loureiro ou de oliveira do bosque sagrado de Strenia, a deusa da saude, como agoiro de boa fortuna e felicidade.-

Com o tempo, estes agasalhos são substituidos polos strenae-os nosos estreos, vaia- mais “modernos”: Jarras de mel de cerámica branca, com dátiles e figos, que se entregavam com esta frase: ” Para que passe o sabor amargo das cousas e o ano que começa, seja dóce”.

O próprio das calendas-primeiro dia de cada mes. Primeira lua nova- do ano, era trabalhar, porque, segundo palàvras de Jano, citadas por Ovidio:

“Consagrarei a todos aqueles que comecem o ano trabalhando, para que não tenham um ano de preguiça”.

Assim que, já sabedes, nem uvas nem farrapos de gaita. Trabalhar, lampantins, que só pensades em festas…!

Feliz nuite de fim de ano e feliz ano para tudos.

O abeto iluminado

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O abeto iluminado é outro dos ícones do Natal que vem de longe…

A origem mítica, fica na Alemanha, onde o carvalho de Odim era a árvore dos sacrificios: Ao seu pé, sacrificavam-se os escravos capturados nas batalhas.

Também se adornava umha árvore umha vez ao ano, para lhe render tributo aos deuses e às árvores mesmas, muito importantes na filosofia de vida pantheista dos povos celtas e nórdicos.

E rendia-se tributo a Thor, portando os cadolos de doce folhas de palma, umha por cada mes do ano. Prendia-se lume na ponta do cadolo, e apilavam-se ardendo.

No século IV, um freire chamado Bonifácio, o evangeliçador da Alemanha, ficou horroriçado quando viu o que faziam aqueles adoradores de Odim, e do paganismo no que viviam, e ordenou talar o carvalho.

Ao cair, barreu tudo ao seu passo, agás um pequeno abeto que permanecia em pé.

Assim, tomou o abeto como símbolo da trindade de Deus-por ter forma de triángulo- e como oposição ao carvalho pagão.

Adornou o abeto com maçãs -as bólas de hoje-e velas acesas, e aí remata a lenda da árvore até que, Luther, o reformista alemão, contemplou umha nuite on brilho das estrelas nos abetos geados, e levou um à sua casa e adornou as suas pólas com nóces, maçãs e candeias, para simboliçar oos dons que nos aporta o nascimento de Jesucristo.


Com o tempo, a árvore iluminada vai-se estendendo por Alemanha e, com ela, os mercados de adornos, dóces e agasalhos.

Era habitual, o dia 24, levar ás ciranças de passeio ao campo, mentras nas casas se colocavam as árvores adornadas e os agasalhos ao pé. Quando vinham de volta, abriam os agasalhos e começava a festa do Natal.

De aí passou a Inglaterra, onde é populariçado polo príncipe Albert, consorte da rainha Victoria, que era de origem alemão.

No ano 1841, mandou colocar umha grande árvore como as que havia no seu pais no castelo de Windsor e a ideia tivo tanto sucesso, que aginha se estendeu às casas de toda Inglaterra.

Os ingleses levaqrom a árvore aos USA onde, no 1847, se instala a primeira iluminação de Natal, em Ohio.

Não compre explicar como rematou o carvalho de Odim

O Pai Natal. Um mutante que vem de longe

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A figura do pai Natal é nova na Galiza. Na minha geração, ainda não tinhamos o prazer de conhecer a este velho rideiro do Ho Ho Ho!

O velho paternalista, existiu em Grécia como Cronos, em Roma como Saturno, e nos caminhos nevados de Centroeuropa, como o Senhor Inverno.


Tem seu referente histórico em São Nicolás, bispo de Myra, umha cidade da antiga Licia, que hoje corresponde a Turquia.

Viviu no século IV, e no século XI, o seu sartego de mármore, fui transladado por uns marinheiros à cidade italiana de Bari, onde se venera como São Nicolás de Bari.

Já nos primeiros anos, a sua lenda fala de que era defensor das crianças e que sempre tinha para eles agasalhos .

Numha ocasião, um pai queria casar suas filhas, mas não tinha dote, porque ficava na ruina. São Nicolás, sem que soubessem, entrou na casa e deixou três saquetas de ouro ao pé da cheminé. Umha para cada filha.
Contam, mesmamente, que havia um pousadeiro no seu lugar, que matou a três clientes -moços- bébedos para lhe roubar os cartos e depois agachounos na pipa do vinho.. Quando São Nicolás soube, resucitou aos moços e reprendeu ao taberneiro.

Vedes como jà encetamos o que é o mito: Factos mágicos em linguagem simbólica. Seguramente haverá que se escandalice porque faz a leitura racional. As crianças, sabem encaixar as peças no quebra-cabeças do pensamento simbólico -se não sodes como meninhos não podés entrar no reino-.

Quando vem a Reforma de Luther, o alemão, tenta mudar ao portador dos agasalhos, para que for o meninho Xesús o dia 25, e marcar diferencias com os católicos, mas a sua ideia não tem éxito, porque Sáo Nicolás, que fazia os agasalhos na noite do 5 ao 6 de janeiro, muda o dia para o 25 de Dezembro, para desbancar ao meninho. Como vedes, quem move aos mitos também tem sua parte pragmática.


Onde colhe mais força o mito de São Nicolás, é em Holanda, onde se conhece como Sinterklaas -Sint Nicolaas-.

Sinterklaas, segundo a tradição holandesa, vem de Espanha -Como sabedes, Bari, onde repousam os restos de São Nicolás, pertencia a Coroa de Aragom e mais tarde a Espanha- num barco de vapor e montado num cavalo branco. Tem um ajudante preto, chamado Zwarte Piet -Pedrinho o Preto- A respeito deste detalhe, há várias interpretações: Há que diz que São Nicolás libertou a um meninho escravo etíope no mercado de escravos da sua cidade, e agora, agradecido, acompanha-o, e há quem explica a color dizindo que é um italiano que se adica a limpar o felugem das cheminés. Como queira que seja, na tradição holandesa, é o Zwarte Piet quem baixa polo tubo da cheminé para deixar os agasalhos. Os Canadianos que ajudarom a Holanda na II guerra mundial, engadem-lhe mais Zwarte Piets enredantes e brincadores que, desde aquela, acompanham ao distinguido e sério Sinterklaas.

Quando os holandeses coloniçam as costas de América do Norte, fundam umha cidade chamada Nova Amsterdam e importam a figura do Sinterklaas. Construen umha estátua e celebram sua festa.

Mais tarde, os ingleses arrebatam-lhe a cidade, e o Sinterklaas pasou a ser o Santa Claus dos anglo-falantes.

Mais tarde passa a Inglaterra e, de alí, a França, onde lhe chamarom Papa Noël. Pai Natal.

Pouco a pouco, vai desbancando a outros seres paganos que fazem agasalhos: O Apalpador, na Galiza, A fada Befana, em Itália, o Olentzero, em Euskadi, o Tió, em Catalunya, e aos diferentes duendes, velhos e fadas de toda Europa.

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A imagem do Pai Natal fui mudando com o tempo.

De ser um bispo alto e fraco, como o representam em Rúsia e paises ortodoxos, passa a ser um velho com barba branca, roupa e capa vermelha e caxato de bispo.

No Norte, veste pantalões, botas altas de neve e pucho.

Mas, a transformação definitiva produz-se no ano 1930, quando os dirigentes da Coca-Cola, o vestem com traxe vermelho com orelos brancos, as cores da marca, um cinto negro e barriga prominente e cara feliz.

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Colheram ao mito, e volveram-o marketing

 

Fui o sinal de saída para a carreira da comercialização masiva de mitos, símbolos, ícones e demais elementos sagrados da fantasía humana no decorrer da história.

Todo se vende e todo se compra. è o que há.

 

Felices Festas.

Iconografia do Natal

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São as onze menos quarto da manhã deste dia do Natal de 2007.

Fico sozinha aquí, no meu quarto de estar, ouvindo o vento que zoa do vendaval e o silenzo da casa, onde tudos dormem.

Pola fiestra, vejo as árvores da beira do rio, as campias da Gandra e os montes de Cambeda.

É um dia especial.

Um dia no que se celebra um nascimento.

O nascimento dum meninho de luz.

Umha metáfora do que passa fóra, onde o sol se move e os planetas vão virando arredor, na procura da luz e o calor, mas também dentro: Um meninho tem de nascer dentro de nós cada ciclo da nossa vida. Um meninho divino, que nos traz umha mensagem de luz e calor ao nosso coração, o sol que nos quenta por dentro.

Estas duas metáforas, ficam bem representadas na iconografía do Natal:

A primeira, serían as velas . Luz e calor presentes em todo Natal que se tenha por tal.

E a segunda, o Nascimento, ou Belem, um ícone com muita força do meninho que nasce como um germolo de luz dentro da caverna do nosso interior. Todos temos um pontinho de luz que nos acompanha agachadinho dentro e que às vezes, deixamos saír: Quando esso passa, chamamos-lhe tenrura, compaixão, solidariedade, agarimo,alegría,amor…Felicidade, ao fim.

Também hà um ícone. Um senhor gordinho que fabrica brinquedos para os meninhos na sua casa de Lapónia. Ele é o ícone da ilusão infantil:

 

Mágoa que, no 1931, o fichasse a Coca-Cola…

Também há três personagens de diferentes étnias e culturas, que cabalgam juntos a través do deserto e convocam a ilusão das crianças e a sábia convivência entre diferentes. Guia-os a estrela da sabedoria, a que faz que cada um busque e ofereza o melhor de si mesmo em harmonia com os demais, diferentes de nós e com outras prioridades: Un leva o ouro do amor que nos faz reis, outro o incenso que se eleva e aromatiça, e outro a mirra perfumada para o cuidado do corpo.

A felicidade interior, a união com o que sentimos e não compreendemos, e o cuidado do mundo físico :micro e macro-cosmos.

As três cousas que precisamos para ser a encarnação de deus. O neno divino do Belem.

Não sei por qué os curas nas igrejas não explicam estas cousas. Falam e falam dum tal Jesús que nasceu há 2000 anos sem explicar que esse Jesús é cada um de nós e que cada personagem do relato é um símbolo das potências, atitudes, e avatares das nossas vidas. A religião das igrejas sempre tenta interpretar os mitos de jeito literal, para os alonjar de nós e pôr os nossos pontos de referência fóra do nosso círculo próprio. Gosta das pessoas ex-céntricas, para que, assim, virem arredor do seu rabo.

Já vedes que o Natal, é umha festa simbólica e muito ilustrada na iconografía.

A próxima festa cargada de símbolos, será a do equinoccio que marca a chegada de primavera.

Será a segunda Páscua. A Páscua Florida. A da simbologia da morte e a resurrecção.

Amanhã, conto a história do Pai Natal. Inchallah.

Por certo, os muçulmanos, também celebram estes días a sua Páscua Grande, de Aíd El Kebir, que este ano, cadra com o Natal.

Aíd Mubarak

Feliz Pascua para tod@s.

Boas Festas a todos

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Esta tempada não fisse muita vida social virtual, nem da outra.

Estive, coma umha anacoreta, comtemplando o mundo desde a minha janela. Desde alí, vejo cousas formosas e disfruto fazendo as cousas que fazia quando era umha meninha que escuitava contos com paixão.

Quero deixar-vos a minha visão infantil do mundo que vejo pola janela e desejar-vos a todos os amigos, Felices Festas:

As árvores da beira do rio

Umha pólinha do azivinho que plantei o ano passado, por este tempo

O rio. Desde pequeninha sinto fascinação por ele.

É tempo de Natal, de crianças, de sonhos…O que não seja como umha criança não poderá entrar no reino de Deus. Ese reino de Deus que fica em nosso coração quando somos felizes…Prendamos a vela, e as luzes de colores, para celebrar que nasce o meninho solar que ha de quentar a terra para que floresça.

Contos Franceses. Jacques Perrault

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Jacques Perrault fui o primeiro em publicar contos de fadas para meninhos.

Nado en Paris no 1628, numha família da alta burguesia, publica seu primeiro trabalho sobre histórias de tradição oral no 1697.

No decorrer da sua vida, chegou a ser secretário da Académia Francesa e escribiu um feixe de obras.

Mas só perduran na memória popular os seus contos recolhidos e postos no papel “Histórias e Contos do passado” que se publicam por primeira vez com o sobre-nome de “Os contos da mãe Ganso” Polo desenho que aparecia na portada.

A tradição dos contos na França, vem, desde os Fabliaux medievais, marcada pola mitologia do inconsciente emocional, como em todos os contos populares do mundo. Esa mitologia abrangue animais, bosques escuros, estâncias proibidas, dóces raparigas inocentes, crianças abandonadas…

O ilustrador que vem hoje, não é contemporáneo de Perrault, mas um pouco posterior. Nasce em Estrasburgo no 1832 e, aos catorze anos, publica jà o primeiro album de litografías.

Seguramente o conherceredes polas ilustrações que faz para “El Quijote”, mas as dos contos de Perrault, não tem preço:

O ritual mágico de ler contos. Gustave Doré

A fonte das fadas

Lembrades o conto? A irmã boa vai por água à fonte e umha velha pede-lhe de beber…

Este maravilhoso “Chat Botté” que faz do seu amo um príncipe.

Pobre meninha soa cum lobo tão grande!

Ainda que, visto assim, não parece tão máu…

Claro que…Não fiedes…

Qué medo da o monte, de nuite! Só se mantem tranquilo o mais pequeno…

Mas…Por fim, chegam a umha casa amiga…

Amiga?…Ainda bem que alguém faz o troco…

Puxa, meninho!

Qué bem lhe asenta o sapatinho de cristal! Ela será nossa princessa!

Esta, não, meu amor. Não abras com esta chave…

Bom. Espero que o par Perrault-Doré for do vosso interese.

Aperta.