Daily Archives: 25/12/2007

Iconografia do Natal

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São as onze menos quarto da manhã deste dia do Natal de 2007.

Fico sozinha aquí, no meu quarto de estar, ouvindo o vento que zoa do vendaval e o silenzo da casa, onde tudos dormem.

Pola fiestra, vejo as árvores da beira do rio, as campias da Gandra e os montes de Cambeda.

É um dia especial.

Um dia no que se celebra um nascimento.

O nascimento dum meninho de luz.

Umha metáfora do que passa fóra, onde o sol se move e os planetas vão virando arredor, na procura da luz e o calor, mas também dentro: Um meninho tem de nascer dentro de nós cada ciclo da nossa vida. Um meninho divino, que nos traz umha mensagem de luz e calor ao nosso coração, o sol que nos quenta por dentro.

Estas duas metáforas, ficam bem representadas na iconografía do Natal:

A primeira, serían as velas . Luz e calor presentes em todo Natal que se tenha por tal.

E a segunda, o Nascimento, ou Belem, um ícone com muita força do meninho que nasce como um germolo de luz dentro da caverna do nosso interior. Todos temos um pontinho de luz que nos acompanha agachadinho dentro e que às vezes, deixamos saír: Quando esso passa, chamamos-lhe tenrura, compaixão, solidariedade, agarimo,alegría,amor…Felicidade, ao fim.

Também hà um ícone. Um senhor gordinho que fabrica brinquedos para os meninhos na sua casa de Lapónia. Ele é o ícone da ilusão infantil:

 

Mágoa que, no 1931, o fichasse a Coca-Cola…

Também há três personagens de diferentes étnias e culturas, que cabalgam juntos a través do deserto e convocam a ilusão das crianças e a sábia convivência entre diferentes. Guia-os a estrela da sabedoria, a que faz que cada um busque e ofereza o melhor de si mesmo em harmonia com os demais, diferentes de nós e com outras prioridades: Un leva o ouro do amor que nos faz reis, outro o incenso que se eleva e aromatiça, e outro a mirra perfumada para o cuidado do corpo.

A felicidade interior, a união com o que sentimos e não compreendemos, e o cuidado do mundo físico :micro e macro-cosmos.

As três cousas que precisamos para ser a encarnação de deus. O neno divino do Belem.

Não sei por qué os curas nas igrejas não explicam estas cousas. Falam e falam dum tal Jesús que nasceu há 2000 anos sem explicar que esse Jesús é cada um de nós e que cada personagem do relato é um símbolo das potências, atitudes, e avatares das nossas vidas. A religião das igrejas sempre tenta interpretar os mitos de jeito literal, para os alonjar de nós e pôr os nossos pontos de referência fóra do nosso círculo próprio. Gosta das pessoas ex-céntricas, para que, assim, virem arredor do seu rabo.

Já vedes que o Natal, é umha festa simbólica e muito ilustrada na iconografía.

A próxima festa cargada de símbolos, será a do equinoccio que marca a chegada de primavera.

Será a segunda Páscua. A Páscua Florida. A da simbologia da morte e a resurrecção.

Amanhã, conto a história do Pai Natal. Inchallah.

Por certo, os muçulmanos, também celebram estes días a sua Páscua Grande, de Aíd El Kebir, que este ano, cadra com o Natal.

Aíd Mubarak

Feliz Pascua para tod@s.