Monthly Archives: Fevereiro 2008

Abrochos

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XacintoEstes dias não fui passeiar com minha cámara. porque orvalhava, pero são tantas as mudanças que percebo ao meu redor, só com olhar pola janela, que não me resisto a vos amosar como no meu redondo val tudo está preparado para a grande explossão da primavera.

Primeiro vou-vos falar das flores que eu plantei, como bulbos, ou cebolas, aló polo més de Novembro. Eses bulbos ou cebolinhas durmiram na terra, até agromar passado o Natal e agora começam a botar flores.

Tive que lhe pôr umha sebe de madeira, por mor dos gatos, e, ainda assim, rompem algumha, porque saltam e elas são tão delicadas que tronçam pola base.

As primeiras en florescer, foram os jacintos, tão perfumados que sentes seu aroma ao passar perto :

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Também me saiu um amarelhe, a flor na que se re-encarnou Narciso e que inclina sua cabeça ao chão, para ver seu próprio reflexo. A este pobre, estragarom-o umha mingalha os caracois:
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Também se lhe ve a color às anémonas púrpura, ainda que não abrissem suas flores:

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Os tulipães ainda não abrirom, mas já se pode adivinhar sua color:

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Bem. Tenho mais bulbos plantados-freesias, lirios…- mas esses são mais tardeiros em vir.

Na horta, o pessegueiro anda já abrochando as flores, que rebentam dentro das folhas que as compremem.

Outras, as mais valentes, já romperam as paredes e lócem, libres, coma pequenas estrelas color de rosa :

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Ao lonje, ve-se a copa dum salgueiro macho, no meio das outras àrvores, resplendente de polem amarelo presto para voar a um salgueiro com flores femininas menos vistosas:

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Mais perto. na horta de minha irmã, já florescem as primeiras àrvores:

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Que sim. Que vem aí a primavera.

Dentro da casa, também chegou, com as flores que me faltava por amostrar:

Velaí estão:

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As calas de água, ou cornetas, como dizem em Vimianço.

Ainda que seja algo cedo, boa primavera para todos.

Hoje escutei umha canção muito fermosa, da B .S. do filme “El amor en los tiempos del cólera”, feita sobre o romance de G.G.Márquez. Fala dos amores para os que sempre dura a primavera.

Canta Shakira. Espero que gostem:

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Edu e os colifatos fazendo publicidade

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Pois a verdade é que, onte, passava por diante do televisor, e ouvi umha voz e um sotaque conhecidos,

Parei-me a mirar, e erão nada mais nem nada menos, que Edu, o meu amigo colifato do H. Psiquatrico Borda, de Bs.As.,de quem vos falei aquí, e os demais amigos colifatos :Hugo, Ever, Alejandro...Todos os que vos fui apresentando aquí, polo mes de julho.

Quase me da um pasmo, quando os vi. Emocionei-me muito. A minha hipersensibilidade disparou-se até me inchar o peito por dentro, como se for umha vexiga a pontinho de estalar.

Agora anunciam a marca de bebida Aquarius, junto com seu mentor, o psicólogo que começou em primeiro ano de carreira com o projecto e agora segue, após de varios anos e varios projectos colifateiros abertos em Barcelona, Uruguay e outras cidades de Argentina com a sua ideia.

São contrária à publicidade, por repetitiva e , a maior parte das vezes, estúpida.

Sempre hà umha excepção, porem, e, ainda não bebendo Aquarius, encantar-a-me ver um anúncio publicitário, por umha vez.

O 19 de janeiro, deixei aquí, no escunchador, umha entrada cum mini-video das cousas que Edu comparte comigo no nosso espaço multiply que temos em comum.

Sorte, Edu. Umha aperta.

Anímate, que, estes últimos dias lutava sem descanso contra os seus monstros interiores. De soidade, tristeça e quem sabe mais…Só ele os conhece.

asaasaasaasa

A luz de Fevereiro

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Levava muito tempo sem viver o més de fevereiro em Vimianço e este ano, cada tarde, dou uns passeios polas quatro pistas da parcelária nas que trocaram, no seu tempo, as corredoiras, congostras, carreirinhos com arrós e caborcos cheios de pichos de água.

Ainda assim, é fermosíssima a luz que envolve o val, os tons diferentes de verdes, roxos, dourados, as primeiras flores que começam a sair , o Paço de Trasariz, com sua palmeira e as casas dos antigos caseteiros, as Torres de Martelo, os montes que nos arrodeião, como um círculo mágico…

Vou-vos deixar aquí algumhas imagens e um mp3 para que podás escutar quando as miredes.

Tarde de fevereiro

Semelha umha pintura inglesa. A cor das nuvens e os diferentes verdes da terra.

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Os vimbios de VIMIANÇO-terra de vimbios, o seu significado etimológico-acesos coma laradas

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A capela do Paço de Trasariz e as casas abandonadas dos antigos caseteiros.

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A palmeira, a varanda e umha das enormes cheminés de pedra.

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Aquí vem-se as duas cheminés

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Umha das árvores mais antigas e mais lindas: umha magnólia em plena floração

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Que dizer das suas delicadas e preciosas flores…
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Narciso,o amarelhe, contemplando-se a si mesmo

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O pote da bogada

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Já vos disse que, desde que voltei a Vimianço, cada día vou rercuperando palàvras, expressões, cousas que formavam parte da minha lingua de a cotio e que agora já não escuito nunca.

Umha delas, era esta que dizia minha mãe, ou quaisquer das mulheres que vem pola casa:

-Ferve o caldo?

-Ferve como o pote da bogada.

Era umha expressão para dizer que fervia ao máximo.

Também se utilizava outra expressão:

-Ferve a arroiões .

Os arroios quando baixa a água da chuva polo monte abaixo, borbolham e até podem formar cachão, na força da sua baixada. Assim se formam os arroiões.

Esta palàvra vinha no dicionário português e no Estraviz. E custou-me um pouquinho dar com ela, porque eu não sabia a etimologia nem a escrita exacta.

Mais doado foi dar com o pote da bogada, que ouvi tantas vezes sem saber de onde vinha, fui rastrejando cara atrás, como aquele jornalista do Cidadão Kane , até atopar o meu Rosebud, e velaí o que topei:

Bogada: Água fervida com cinza, que se bota à roupa ao lavá-la, para branqueá-la. (2) A mesma roupa branqueada.

O pote ao lume com a água para lhe pôr na banheira às sabas brancas de lenço ensaboadas, lavadas antes no rio, fervendo para lhe tirar o “moreno” da terra e do suor. O pote da bogada branqueava com o calor da água fervendo e a cinza. Mesmo o caruncho encarnado das camisolas suadas saia com a bogada. O caruncho negro, não saia. A bogada ficava toda a noite e, amanhã, a roupa ia ao clareio, após de a pasar pola água do rio para lhe tirar a cinza e volver a a ensaboar. Por último, recolhia-se do clareio e passava-se pola água para lhe tirar o sabão e estender no aramio, limpa como as calandras, ou as chirumas, recendendo a sabão e a ar.

Fascina-me toda a artesania do lavado da roupa. Quando eu era umha meninha, era travalho das mulheres e minha mãe e mais eu, passávamos muitas tardes no rio, lavando no lavadoiro de pedra, ajeonlhadas na “banqueta” de madeira. As tardes de rio, no verão, erão as mais fermosas, para mim.

No inverno, tínhamos que parar aos poucos, para quentar as mãos debaixo dos braços, porque, com o frio da água ficávamos sem “siras”, que é como se di em Vimianço quando os dedos, polo frio, não respondem e não podem agarrar.

No Priberam português não vinha reconhecida a palàvra bogada, mas sim no do senhor Estraviz, que recolheu com mimo tantas palàvras para nos devolver a realidade perdida.

Se não atopar as palàvras da minha infáncia, não poderia acreditar em a ter vivido.

Pensaria que a tinha sonhado, como tantas outras cousas…

As palàvras enchem de realidade minhas lembranças.

E aleda-me re-encontrar velhas amigas esquecidas.

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O Imbolc, as candeias, o crego e a alcatifa

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Pode que este título semelhe longo demais, mas é como umha daquelas histórias cómicas de tempos atrás, ainda que, bem mirado, tampouco é tão cómica.

Vou ir ponto por ponto para não nos perder no trafego da história.

Imbolc, sabedes que era o festival da luz, na antiga mitologia celta, como já vos contei em fevereiro do ano passado. Bem, pois no Imbolc, celebrava-se o renascer da luz e prendiam-se candeias , para simboliçar o facto -como povos indoeuropeios, os celtas tinham o lume como algo sagrado-

Bem. Segunda parte: Quando o cristianismo chegou, não inventou nada, simplemente adaptou as festas pagãs e inventou-lhe umha história paralela, que é na que a gente de fé, acredita ainda hoje.

Concretamente a das candeias, que se celebra o dia 2 de fevereiro, seguida do São Brais o dia 3, era o dia de ir à misa, abençoar a cera que se tinha na casa para todo o ano:

Quando algumha pessoa jazia agonizante, punha-se-lhe na mão umha vela abençoada o dia de candeias. Quando tronava muito forte, acendia-se umha vela das desse dia, e assim era com as ocasões extraordinárias nas que havia que se proteger com o lume sagrado.

Também nos contavam a história de que, os meninhos que morreram sem baptiçar ficavam os pobrinhos no limbo, que era un sitio onde ficavam às escuras, agâs o dia de candeias, quando se acendião as velas abençoadas . Lembro as mães que perderam seus meninhos antes de os poder baptiçar levar suas candeias com toda a fé do mundo em que seus filhinhos ião ver umha luzinha acesa por umha vez.

Bem. Pois esso que digo, era quarenta ou quarenta e cinco anos atrás.
Mas há muita gente que ainda segue indo à igreja abençoar a cera. E agora vou-vos contar a parte do crego e a alcatifa.

Há uns meses que a Igreja disse que já não há limbo, que o Papa chegou à conclussão de que esse lugar não existe -manda caralho tanto tempo enganando às mães-

Pois, ainda assim, o dia de candeias, a gente dumha parróquia perto da minha, que comparte cura, foi à misa com suas velas e sua cera para que o cura lha abençoar. Quando rematou a misa, umha mulher, ao ver que ele ia embora, diz:

Senhor cura. E logo não vai abençoar a cera?

E seica o cura lhe diz que esso era umha trapalhada e que ele não abençoava nada.

Como queira que a mulher se anojou, o cura dizlhe:

Ponha-se-me fóra, que a igreja é minha.

Sua não é, porque você leva aquí quatro meses e nós levamos toda a vida. Eu venho abençoar as velas desde que era umha criança e, quando houve que amanhar a igreja, todos puxemos dinheiro. E, ademais- e agora vem o da alcatifa- Para que você saiba, essa alcatifa que está a pisar, merqueina eu para lha agasalhar à igreja.

Pois escuite, senhora, colha a alcatifa e punha-se-me fóra com ela.

Agarrou a alcatifa, turrou por ela, e mandou à mulher fóra com ela no mando.

Mentras tanto, o resto dos vizinhos, caladinhos com as suas velas na mão não dissem ren.

Na Galiza da minha infáncia, havia umha crença quase universal há tempo: Nunca te leves mal com o médico ou com o crego.

O médico, porque che pode dar um medicamento “contrário” e o cura, porque quando vaias morrer, não te enterra em sagrado.

Para alguns, semelha que ainda pervive

Já vedes que a história é e não é cómica.

Mas bem tragi-cómica.

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A gente

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Xa vos disse umha vez que o melhor do Rif, e de Marrocos, em geral, é a gente.

E há umha razão poderosa para que eu me emocione com a gente, ainda que só seja vendo à medida que o carro avanza e movendo-me no espaço-tempo, numha viagem a travês das paisagens da terra e da minha própria alma, num retorno ao paraiso perdido.

As pessoas que se criaram no rural dalego da minha geração, hão saber do que falo ao ver as imagens:

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As imagens são familiares para alguns de vós, como para mim?

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Imos lá

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Após der seis anos em Marrocos, são muitas as imagens, as sensações, os aromas e colores que traz a lembrança.

Hoje vou-vos levar comigo de viagem, desde Marrakech ao deserto de dunas -erg- e também de pedras negras que cobrem a fina areia -hammada-. São as duas castes de deserto que podemos ver em Marrocos.

Não sei se as minhas imagens o podem transmitir, mas Marrocos é um pais que te eleva o espírito, faz-te sentir jeito tão especial que é muito difícil de explicar: É a sensação de ficar só, na soedade total, e ao mesmo tempo arroupado polo agarimo e esse jeito que tem a gente de se fazer querer e de fazer que te sintas querido.

A primeira vez, asusta. Mas , se não te botas atrás, engancha.

Engancha como umha droga psicotrópica.

Por eso tardei tanto em pôr as imagens da minha última viagem.

Porque tinha um mono que não podia aguantar.

Bem. Vou-vos pôr as imagens em duas tandas:

Na primeira, veredes as medinas de Fés e Marrakech,com suas ruas estreitas ateigadas de gente, burros, bicicletas e toda caste de mercadorias, e até umha escola de meninhos, na medina de Fés. Nos montes de cedros do Meio-Atlas, os macaquinhos que vem espilidos quando tem fame e há movemento perto. As ruinas romanas de Volubilis merecem, elas soas, umha viagem…
E a Praça de Yemaa El Fna, o umbigo do mundo da fantasia que ainda sobrevive…

As próximas imagens, são do caminho desde Marrakech até o erg-deserto de dunas de Merzouga.
Todo o caminho transcorre por um deserto de areia cuberta por pedras negras-hammada-, por montanhas e vales de rios que formam oasis viçosos no meio da nada.
Também passa ao pé das montanhas do Atlas, com os curutos cubertos de neve, como um decorado de fondo ao deserto e aos vales de palmeiras e cultivos.
O povoado de Aid Ben Haddou, um Ksar, ou cidade fortificada, que agora fica quase abandonada, só com os velhinhos que se resistem a deixar suas casa para irem às novas que se construem à outra banda do rio seco, na beira da estrada.
Logo o deserto, levantar-se de madrugada para ver o espectáculo do amencer sobe as dunas, a tarde de treboada, pola banda algeriana, que fica a uns quilómetros de areia, o sol-pôr, a lua que sae…Não hà palàvras.
A aldeia Gnawa de Khamilia, no centro da nada…Os gnawas que conservam suas tradições curativas a travês da música:
Soudani, soudani…lembrando o tempo em que vieram de Sudam para trabalharem de escravos nas minas de ferro…