O Imbolc, as candeias, o crego e a alcatifa

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Pode que este título semelhe longo demais, mas é como umha daquelas histórias cómicas de tempos atrás, ainda que, bem mirado, tampouco é tão cómica.

Vou ir ponto por ponto para não nos perder no trafego da história.

Imbolc, sabedes que era o festival da luz, na antiga mitologia celta, como já vos contei em fevereiro do ano passado. Bem, pois no Imbolc, celebrava-se o renascer da luz e prendiam-se candeias , para simboliçar o facto -como povos indoeuropeios, os celtas tinham o lume como algo sagrado-

Bem. Segunda parte: Quando o cristianismo chegou, não inventou nada, simplemente adaptou as festas pagãs e inventou-lhe umha história paralela, que é na que a gente de fé, acredita ainda hoje.

Concretamente a das candeias, que se celebra o dia 2 de fevereiro, seguida do São Brais o dia 3, era o dia de ir à misa, abençoar a cera que se tinha na casa para todo o ano:

Quando algumha pessoa jazia agonizante, punha-se-lhe na mão umha vela abençoada o dia de candeias. Quando tronava muito forte, acendia-se umha vela das desse dia, e assim era com as ocasões extraordinárias nas que havia que se proteger com o lume sagrado.

Também nos contavam a história de que, os meninhos que morreram sem baptiçar ficavam os pobrinhos no limbo, que era un sitio onde ficavam às escuras, agâs o dia de candeias, quando se acendião as velas abençoadas . Lembro as mães que perderam seus meninhos antes de os poder baptiçar levar suas candeias com toda a fé do mundo em que seus filhinhos ião ver umha luzinha acesa por umha vez.

Bem. Pois esso que digo, era quarenta ou quarenta e cinco anos atrás.
Mas há muita gente que ainda segue indo à igreja abençoar a cera. E agora vou-vos contar a parte do crego e a alcatifa.

Há uns meses que a Igreja disse que já não há limbo, que o Papa chegou à conclussão de que esse lugar não existe -manda caralho tanto tempo enganando às mães-

Pois, ainda assim, o dia de candeias, a gente dumha parróquia perto da minha, que comparte cura, foi à misa com suas velas e sua cera para que o cura lha abençoar. Quando rematou a misa, umha mulher, ao ver que ele ia embora, diz:

Senhor cura. E logo não vai abençoar a cera?

E seica o cura lhe diz que esso era umha trapalhada e que ele não abençoava nada.

Como queira que a mulher se anojou, o cura dizlhe:

Ponha-se-me fóra, que a igreja é minha.

Sua não é, porque você leva aquí quatro meses e nós levamos toda a vida. Eu venho abençoar as velas desde que era umha criança e, quando houve que amanhar a igreja, todos puxemos dinheiro. E, ademais- e agora vem o da alcatifa- Para que você saiba, essa alcatifa que está a pisar, merqueina eu para lha agasalhar à igreja.

Pois escuite, senhora, colha a alcatifa e punha-se-me fóra com ela.

Agarrou a alcatifa, turrou por ela, e mandou à mulher fóra com ela no mando.

Mentras tanto, o resto dos vizinhos, caladinhos com as suas velas na mão não dissem ren.

Na Galiza da minha infáncia, havia umha crença quase universal há tempo: Nunca te leves mal com o médico ou com o crego.

O médico, porque che pode dar um medicamento “contrário” e o cura, porque quando vaias morrer, não te enterra em sagrado.

Para alguns, semelha que ainda pervive

Já vedes que a história é e não é cómica.

Mas bem tragi-cómica.

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