Primeiro de maio

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Hoje é a festa do Primeiro de Maio. A festa na qual lembramos a todos os trabalhadores e trabalhadoras que lutaram pelo reconhecimento de seus direitos e sua dignidade. Às vezes, a conta da sua própria vida.
Graças a eles, hoje temos jornadas trabalhistas, férias, salário base e todas essas coisas que custou sangue arrancar ao capital.
Hoje fica já pouca consciência que ser trabalhador ou trabalhadora é algo importante. Hoje só importa ser consumidor e ter mais poder aquisitivo para consumir mais, e não importa a maneira digna, ou indigna, de conseguí-lo.
As grandes multinacionais voltaram a implantar a escravidão, mas parece não importarnos, sempre que possamos seguir comprando e consumindo coisas que, na maioria dos casos, não necessitamos.
Em função disso, esquecemos a solidariedade, a consciência de classe, o internacionalismo, e preferimos a globalização do consumo, mesmo que para isso, tenham que morrer irmãos nossos, trabalhadores tamem, nas duas terceiras partes do mundo.
Seria suficiente informar-se um pouquinho melhor de onde procedem os produtos que compramos, induzidos pela propaganda midiática, e chegar até sua origem.
Talvez assim abríssemos os olhos à realidade que não se vê,mas que afeta milhões de seres humanos com os mesmos sentimentos e sonhos que nós mas com muitas mais carências e falta de proteção.
Em memória daqueles primeiros trabalhadores, pioneiros que o deram tudo por seu sonho, deixo-lhes a letra da INTERNACIONAL, o hino de todos os trabalhadores do mundo. Ensinou-me minha avó quando eu era criança. A meu avô o tinham fuzilado por sindicalista, acusado de promover uma greve junto com oito de seus companheiros.  Levaram-os em um caminhão às seis da manhã do 9 de dezembro de 1.936 e às seis e meia, o mesmo camião descarregou seus corpos no cemitério da Corunha onde minha avó e o resto de mulheres os esperavam.
Vai por eles:

A INTERNACIONAL

Em cima, párias da Terra.
De pé, faminta legião. 
Atordoa a razão em marcha,
é o fim da opressão.

Do passado é preciso fazer pedaços,
legião escrava de pé a vencer,
o mundo vai mudar de base,
os nada de hoje tudo hão de ser.

Agrupémonos todos,
na luta final.
O gênero humano
é a internacional.
Nem em deuses, reis nem tribunos,
está o supremo salvador.
Nós mesmos realizemos
o esforço redentor.

Para fazer com que o tirano caia
e o mundo servo libertar,
sopremos a potente forja
que o homem livre há de forjar.

Agrupémonos todos,
na luta final.
O gênero humano
é a internacional.

A lei burla-nos e o Estado
oprime e sangra ao produtor.
Dá-nos direitos irrisórios,
não há deveres do senhor.

Basta já de tutela odiosa,
que a igualdade lei há de ser,
somente deveres sem direitos,
nenhum direito sem dever.

 

Agrupémonos todos,
na luta final.
O gênero humano
é a internacional.

A tradução ao galego-português, é minha, porque minha avó cantava-a em espanhol, que era  o que havia na Galiza espanholiçada. É umha versão da Internacional muito antiga, que nunca volvi a ouvir.

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