Monthly Archives: Julho 2008

Umha flor ventureira que veu de longe.

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n0myem mais nem menos que das pradeiras da provincia do Cabo, aló na África do Sul.

Não sei em que tempo chegou esta planta a Galiza, mas eu lembro-a de toda a vida com suas flores de viva color pola beira dos rios e com suas folhas, cubria-se o chão nas procissões do dia de Corpus, quando se ía de cruzeiro em cruzeiro cheios de flores, por toda a vila, entre cânticos e bafaradas de incenso.

Agora, se digo a verdade, já não sei se se segue a fazer aquilo ou não, porque, para mim, há tempo que, por mor do clero, os rituais perderam sua mágia, polo vácuo significado que me transmitem as igrejas, em geral, querendo valeirar de contido os ritos pagãos da Terra, a vida e a morte nos que se asentam.

Bem. Pois,esta planta, que eu sempre chamei espadana, e, coma mim, os meus vizinhos, tem um nome difícil de atopar. Tive que pesquisar bastante para o conseguir.

Seu nome é Crocósmia, por mor do recendo a açafrão-crocus sativus- que tem suas flores estruchadas.

Não sei que tenha poderes curativos, mas é utilizada em jardins e recreia minha vista quando passeio à beira do rio.

Deixo-vos umhas imagens do “meu” rio. Digo meu, porque passa embaixo da minha casa.

Espero que gostedes:



E, para rematar, vou-vos mostrar como loce a crocósmia num jardim:

Um jardim de tipo inglês onde medra a carom de outras plantas sillvestres ou semi-silvestres que harmonizam com ela.

Contemplar a beleza tamém tem um grande poder de cura. Não é?

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Flores ventureiras V. A Malva

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al12col1.gif malva, ou malva silvestris, é umha planta que medra em todos os valados, beiras dos caminhos e campos baldios da Galiza. Sua imagem é inconfundível e todos os meninhos e meninhas do rural galego de arredor de cinquenta anos, temos comido algumha vez os “queijinhos”,os frutos da malva redondos, com as sementes bem postinhas arredor, como queijos diminutos. Era por aquel tempo no que tamém comíamos “pisotes” de amoras maduras com umha culher de folha de milho e logo lambíamos a pedra- a de base, e a de pisar-para não perder o suco das amoras que ficava metido entre os interstícios da pedra de grão, que já se sabe que a amalgama de seixo, feldspato e mica, não sempre era uniforme e o suco morado escorria por entre os desníveis.
Quando íamos com as vacas, sempre sabíamos quais eram as pedras dos “pisotes”, polas manchas avinhadas que mostravam. Tamém calculávamos com bastante bom critério a data em que o “pissote” fora feito e degustado.
Bom, pois tudo isto, foi porque as malvas evocaram as minhas lembranças infantís e para garantir que não têm toxicidade. Os frutos, garantido pola minha pessoa.

Segundo as informações da minha avoa, os banhos de assento com água de malvas -a água de ferver as flores da malva- eram muito bons para o pruído das partes assentadas.
Tamém para lavativas de limpeza e desinfecção do intestino.
A malva é umha planta que contêm muita mucilagem, essa substância gomosa que se encontra nos vegetais, e na malva dumha maneira especial muito abondosa.
Agora vou com o que dim os entendidos. Isto não posso o garantir, mas é informação que, em tudo caso, se deve de contrastar e consultar com que saiba por ter estudado o tema:

PROPRIEDADES MEDICINAIS DA MALVA
Emolientes: sempre que tenhamos grãos ou furúnculos, chagas, ulcera ou qualquer tipo de lesão na pele, as propriedades o mucílago contido nesta planta servirá para os ablandar. ( Cataplasma da planta mole machucada sobre a parte da pele afetada) (Também nos eczemas é muito conveniente aplicar uma compressa fria com a decocción de umha mancheia de folhas secas e flores por litro de água)

Cuidado dos olhos: Com o chá da planta seca pode-se realizar um colírio natural que sera muito útil em caso de ressecamento ocular.

Anticatarral,béquica, pectoral, garganta : . Rica em mucílagos, resulta ideal, pelas suas propriedades emolientes, para suavizar as mucosas do aparelho respiratório. Utiliza-se nas afecções dos processos respiratórios como tosse, especialmente de natureza seca, catarros, dor no peito, afonia, rouquidão, sibilancia, etc. . ( Chá durante 5 minutos de uma colherada de flores com duas folhas de eucalipto. Um par de xícaras a dia ) ( Em uso externo realizar gargarismos com esta preparação) ( gargarismos com a decocción das flores e folhas secas para a dor de garganta)

. (Chá durante 10 minutos de duas colheradas de folhas secas por xícara de água – dor no peito. Para aumentar seu valor protetor pode-se tomar com mel.)

Prisão de ventre: ( Decocción durante 20 minutos de 30 gr. de flores e folhas secas por litro de água. Tomar 3 xícaras por dia)

Inflamações da boca: ( Enxágües com a decocción durante 10 minutos de uma colherzinha de flores por xícara de água.)

PROPRIEDADES ALIMENTÍCIAS DA MALVA

A malva também pode consumirse como alimento. Conhece-se desde tempos históricos, pois já foi muito utilizada pelos Gregos e os Romanos, que a consumiam abundantemente misturada com outras verduras. A parte dos valores medicinais vistos anteriormente, é uma planta muito rica em vitaminas A, B, C, e E.

PROPRIEDADES COSMÉTICAS DA MALVA
Pelas suas propriedades emolientes, é muito utilizada em cosmética.

Tônicos faciais: Podem-se elaborar compressas para colocá-las sobre o rosto com a decocción de um punhado de folhas secas por litro de água. O líquido que resulta de ferver umha mancheia de flores também constitui um bom tônico facial.

Colheita e conservação: A primavera é a melhor estação para colher as flores antes que se tenham aberto. As folhas devem apanhar-se quando a planta se encontre bem florescida na primavera ou verão. Guardá-las em um recipiente seco e hermético.

Bem. Pois espero que gostasses da malva. Umha flor humilde, mas muito beneficiosa, polo que se ve.
Outro dia, mais.

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Flores ventureiras IV. O milefólio

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LMO.gif milefólio, mil-folhas ou erva dos carpinteiros, -milenrama em espanhol- tem o nome científico de achillea millefollium, que fai referência ao heroi Aquiles.

É umha planta que se da bem na beira dos caminhos e nos campos baldios e já Dioscórides, na Antiga Grécia, disse de ela:”E muito útil aquesta erva contra as efusões de sangue, contra as chagas recentes, antigas e efistoladas».

Já na Grécia antiga esta planta era utilizada na farmacopeia.

Hoje, na botica popular usam-se as cabeças florais ou corimbos em chá para lavar as feridas externamente.

Além disso, tem tamém a sua utilidade poética:

“Acha-se que o milefólio é uma planta poderosa para a magia alquímica do amor. Por isso na antiguidade fora das ervas mais prezadas pelas bruxas e feiticeiras.

Empregando-a junto com duas mentas diferentes: hortelá e poejo forma -se o melhor remédio para cicatrizar as feridas espirituais duma alma ou um coração destroçados por uma ruptura amorosa, um desengano, ou uma perda ou derrota importante mas muito especialmente a dilaceradora perda dum ser querido. Tomar um chá destas plantas três vezes por dia ajuda a agüentar estes com serenidade e equilíbrio, evitando assim as depressões e os desajustes nervosos que costumam ocasionar.

Ao não produzir sono nem diminuir as faculdades, resulta muito aconselhável para todas as situações que impliquem tensão, mas que requerem uma mente espaçosa e em plena forma, como ante um exame, uma prova ou uma entrevista de trabalho ou em qualquer ocasião em que nos encontremos ante alguém que alcance colocar-nos nervosos.”

É originária do hemisfério norte, Europa e Ásia,ainda que há quem opina que a sua origem é França e Bélgica, mas foi levada às Américas polos colonos, seguramente accidentalmente, e agora tamém é comum em América.

Suas propriedades são antiespasmódicas (camazuleno e flavonas), antiinflamatórias (camazuleno e aquilicina), antihemorroidal, adstringente, cicatrizante, antihemorrágico (azeite essencial e aquilicina). Além disso também lhe atribuíram ações emenagogas, estimulante digestiva, carminativa, colerética, antirreumáticas, antipiréticas, antineurálgicas e parasimpaticolítica.
Usou-se para múltiplos afecções: Febre, diarréias, regulador da menstruação, dismenorréias, menopausa, espasmos digestivos e uterinos, estimulante da secreção gástrica, hemorrágias, falta de apetite, vermífugo, neurose, convulsões, gota, reumatismo, litíase biliar, transtornos da circulação (varizes, hemorróidas, flebites), enuresis, etc.

Doses elevadas podem produzir dores de cabeça e vertigens. Existem pessoas alérgicas a dita planta.

Ainda que as plantas tenham muitas propriedades beneficiosas, nunca se deben de tomar sem serem dosificadas e preparadas por alguem com conhecementos específicos. Porque são como umha moeda de face dupla. Podem sanar, mas tamém provocar danos irreparaveis nos nossos órgãos vitais. Para manipular, primeiro hà que conhecer e na química, esse conhecemento pode significar mesmo a diferência entre a vida e a morte.

Se não queremos consultar a um entendido, de seguro que há muitos bons livros para conhecer e ir experimentando com as plantas de vagar, sem se expôr a nemhum perigo.

A mais comun é a de cor branca, mas tamém as há rosa e púrpura. Porém, as de color branca, são utilizadas nas coroas nupciais tradicionais desde há não se sabe quanto tempo.

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Flores ventureiras III. A digital

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al12col1.gif digital, Digitalis Purpurea, que na Galiza tem nomes populares como estalote,dedaleira, bilitroque e outros, é umha planta que medra nos nossos arrós, nas beiras dos caminhos ou a carom dos valados.

Tem umhas flores parecidas aos dedos, de aí seu nome. Em Vimianço chamamos-lhe estalotes, porque, as podes fazer estalar como se for umha saqueta de papel. Quando eu era umha criança, era um passatempo muito comum no verão, entre os rapazes. Juntar estalotes e jogar a ver quem era capaz de estalar mais flores da sua vara. As miudinhas da ponta, ainda sem abrir, eram as mais custosas. Tamém gostava eu de mirar como as abelhas entravam dentro da flor para zugar o néctar e só se lhe via o cû movendo-se arriba e abaixo.

Mais adiante, já de grande, a digitália ajudou-me a paliar a minha insuficiência cardiaca durante muito tempo, em forma de comprimidos de digoxina, ja que a sua substância é a base de muitos remédios para as doenças do coração -arritmias,insuficiências-. Consumida em doses elevadas, é mortal.

Aqui vos deixo umhas imagens da digitália, que seguro que é umha velha conhecida de todos vós. Ainda que é umha planta europeia, que gosta dos climas temperados, da sombra, e dos chãos húmidos e ácidos. Adapta-se com facilidade, mas não é invasiva. Agora cultiva-se como flor de jardim e já se conseguiram mais colores.

Agora que o penso:..” gosta dos climas temperados, da sombra, e dos chãos húmidos e ácidos. Adapta-se com facilidade, mas não é invasiva.”

Semelha umha metáfora da própria Galiza. Ademais, fai funcionar o coração. Podia ser a planta emblemática do nosso pais.

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Flores Ventureiras II. A Capuchinha

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a9qfpós tentar trazer pra cá a minha pequena montagem artesanal, cousa impossível no wordpress, vou vos falar das flores ventureiras que no verão enchem os campos e os muros da minha vila.
Algumha nascem soas, outras são semeadas por algum amante das flores que quer as compartir com os vizinhos. Algumhas são fascinantes polo aroma, outras polas cores, outras pola sua beleza e mesmo polas suas propriedades curativas.
Aqui vão as que atopei arredor da minha casa, num passeio com minha máquina de fotografar no bolso.
A primeira, a capuchinha, é umha planta muito vistosa polas suas flores, que vão desde a cor laranja avermelhada à marela, dumha intensidade que chama a atenção. As folhas têm forma de coração arredondado e as flores forma de carapucho. É umha planta que se reproduz com facilidade e trepa polo chão ou por quaisquer superfície que lhe dea suporte. É originária do Perû . Seu nome científico é: TropaeolumMajus L. e posúe as seguintes substáncias activas: Heterósidos sulfurados: glucotropaeolina. Acido oxálico. Espilantol.
Deixo-vos informação sobre a planta e as minhas fotos.
Amanhã, outra planta ventureira diferente:

Partes ativas: Toda a planta, menos as raízes e especialmente as plantas jovens ou os brotos moles, sendo as sementes as que apresentam uma maior toxicidade.

Usos :

Medicinais: Utilizou-se em medicina caseira como estimulante do cabelo, para prevenir sua queda e favorecer sua conservação. As preparações realizam-se fundamentalmente por fricções capilares com o líquido resultante de realizar um chá com a erva a 2% , ou por a aplicação com os dedos de extrato fluído. Pode-se conseguir um xampu diluindo extrato fluído a 5% . Outra possibilidade é amassar a planta e formar uma massa que se aplica externamente sobre o coiro cabeludo. Igualmente, em uso externo, atribuem-se-lhe propriedades demulcentes e vulnerarias , considerandose um bom remédio para curar as feridas ou diminuir as inflamações. . Pelas suas propriedades antimicrobianas, atribuem-se-lhe valores desinfetantes, especialmente em todas aquelas infecções produzidas por fungos.

Em uso interno, pela sua riqueza em vitamina C, as flores e folhas utilizaram-se em comidas frescas para combater o escorbuto. Também os botões de flor florais, curtidos em vinagre, utilizaram-se como substitutos das alcaparras. Amassando a planta obtém-se um suco que foi empregado para favorecer a circulação, sobretudo das pernas e dos dedos. O mesmo suco também se utilizou para aumentar a urina e favorecer a menstruação. Os chás da planta seca consideram-se adequadas para tratar problemas respiratórios relacionados com afecções bacterianas, em casos como bronquite, anginas, gripe, etc. Neste sentido seus componentes parecem exercer uma função tanto bacteriana como expectorante, ao eliminar as bactérias ou ajudar a expulsar as mucosidades pectorais.

Jardinagem: Como planta de jardinagem pelas suas bonitas flores. Dentro deste campo é preciso considerar suas propriedades repulsivos das pragas do jardim, especialmente contra os pulgões . Para isso se utiliza o líquido resultante de realizar um chá com todas suas partes aéreas, com o qual se pulverizam as plantas.

Dada a toxicidade de seus componentes, desaconselha-se sua utilização em preparados caseiros.

Toxicidade: Considerável. Afeta principalmente ao aparelho digestivo e aos rins, produzindo irritações consideráveis em pessoas que se manifestam sensíveis a seus componentes e sempre que se ultrapassem as doses estabelecidas. Se tem que levar em conta especialmente não administrar em pessoas que tenham úlcera gastrointestinal ou afecções do rim.

Sintomas: Dor de estômago, nauseas, vômitos, diarréias,

Em uso externo, o contato com a pele pode produzir dermatite.

Tratamento: Esvaziado de estomago, lavado gástrico, e administração de emolientes.

Já sabedes A capuchinha têm muitas propriedades curativas, mas melhor que os preparados os faça alguem que saiba o que fai. Com as plantas, não se debe de jogar. Podem ser perigosas e mesmo mortais.

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Flores ventureiras

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Seguindo o nosso passeio polas flores do verão, chegamos a aquelas flores que nascem sem as plantar ou, polo menos, sem ter conta com elas e locem em todo seu esplendor.

Como o wordpress não me permitia incluir um pequeno documento artesanal feito com fotos minhas, abri um novo escunchador, para poder ver todo o mundo as preciosas flores do meu val.

Deixo-vos a ligação. Amanhã explicarei-vos muitas cousas sobre as flores que alí veredes.

http://oescunchador.blogia.com/

Tango

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fetch-15Tango é, com o fado e o flamenco, umha das três músicas urbanas do século XX.
Hoje, ouvi um tango dumha mulher Uruguaia chamada Giovanna que me fiz emocionar:
Deixo-vos a letra em espanhol. Se entrades no seu espaço: http://www.myspace.com/giovannatango

há para ouvir tangos e milongas.

CIUDAD DE NADIE
Mi ciudad está por todos lados
en los tangos errantes del destierro
tirando más al pecho que al costado
ahí donde se angustian los recuerdos.

Mi ciudad está en la pesadilla
en el mapa siniestro de la sangre
limita con un rio y la costilla
del resto del pais que tiene hambre.

Ahí en la calle
que siempre duerme
los tigres amarillos de la hambruna
están llevándose el cadáver de la luna.
Y se vislumbra
por las veredas
la huella de la perra desventura
en la masacre de las bolsas de basura.
Ahí en la calle
de la penumbra
Cuando la noche se recuesta en los umbrales
el sueño se parece a la locura.

Mi ciudad está en ninguna parte
en la brújula rota del viajero
durmiéndose en el frasco de calmantes
al márgen de la vida y del deseo.

Mi ciudad está mirando al norte
amarrada al cabo del subsuelo
cambiando por monedas su horizonte
al sur de los que miran desde el suelo.

Tango actual. Letras de agora e de sempre. Realidades que trocam de ubicação geográfica, mas não de ubicação humana. Antes eramos uns, agora são outros. Quem sabe se voltaremos a ser outra volta nós..!

Tamém, além da realidade que se vive em muitos paises da América Latina e duas terceiras partes do mundo, essa “ciudad de de nadie” pode existir no nosso interior. No próprio coração:

“Mi ciudad está en ninguna parte
en la brújula rota del viajero
durmiéndose en el frasco de calmantes
al márgen de la vida y del deseo.”

“Mi ciudad está por todos lados
en los tangos errantes del destierro
tirando más al pecho que al costado
ahí donde se angustian los recuerdos.”

Um tango cheio de verdade e sentimentos que soa como bágoas de tristeça na voz de Giovanna e na música de Hugo Fattoruso.

Às vezes, a beleza é triste.

Ou a tristura é bela.

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