Monthly Archives: Agosto 2008

O ciclo do tempo

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Fazemos umha parada nas ervas ventureiras-ainda me faltam algumas que tenho perto de mim, a carão da porta da casa-, para lembrar outra vez às duas rifenhas que seguem a viver na sua casinha de Vimianço e que se preparam já para o Ramadam deste ano.

Este ano, o mes muçulmano de Ramadam, começa, aquí em Vimianço-depende da lua, já sabedes- o dia 2 de Setembro, e dura até o 1 de Outubro.

A hora de romper o jejum o primeiro dia vem sendo às 9 e 9 minutos da tardinha e, cada dia, com o minguar das horas de sol, vai mudando uns minutos.

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Nos messes de verão, as horas de jejum e de não beber são mais e fai-se um pouco mais dificil de levar.

Mas as tradições são importantes para as duas rifenhas-mãe e filha- mália serem novas e mui implicadas com os costumes europeus. Assim que, como aqui em Vimianço não há mesquita nem almuecim , eu disse-lhe a rapaza que, se queria, pedia um alto-falante e berrava-lhe desde a minha janela do sobrado: Allah uakbar! quando chegasse a hora, mas acredito em que não fai falta. Elas levam o tema com muito agarimo e saudade pola sua terra e não precisam de avissos.

Na entrada do Ramadam do ano passado, já vos expliquei como o celebram.

Às vezes parece-nos que os costumes ou as tradições são umha parvoíce. Eu penso que são, mas quando são forçadas. Porém, se se fam com agarimo e coração, sem supôr um distanciamento dos demais, mas umha satisfação para o espírito, são umha benção. E umha fonte de variedade cultural tão apaixoante para o que gosta de conhecer.

Ramadam Mubarak a todos os muçulmanos e muçulmanas se é que algum ou algumha entra no blogue.

رهذان  هبارگ

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O fiuncho. A VII flor ventureira

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O Fiuncho

Foeniculum Vulgare

O fiuncho é uma planta que possui um cheiro anisado. Utilizava-se como planta medicinal na antiguidade.

Seu azeite essencial ajuda a lutar contra os parasitas do corpo. O fruto, rico em azeites essenciais, é utilizado em medicina.


Tem duas principais ações :

-Em nível intestinal : é antiespasmódico, é dizer ajuda nas dores de tipo cólicos do intestino e o estomago. Também ajuda ao controle da aerofagia e estimula a digestão.

– Em nível de vias respiratórias : é expectorante, ou seja que ajuda a evacuar as mucosidades dos brônquios graças às sua ação contra a inflamação.

-Ajuda à produção de leite nas mulheres que têm problemas de dar seio a seus filhos.

-Graças às sua ação contra a inflamação, permite de melhorar as conjuntivites, os tiriçois e inflamações das pálpebras. Para isso, prepara-se em chá e com um algodão (uma vez que o liquido esta morno) aplica-se sobre os olhos em compressas úmidas.

Até aquí os dados mais ou menos oficiais sobre o fiuncho.

Os que eu tenho experimentado, são aqueles que aprendí dos velhos de antes:

Era utilizado para os gases, sobre todo das crianças, mas também dos maiores. Também para as dores menstruais:”Toma anís, que é bom para a matriz” dizia minha avoa. Ela chamava-lhe anís ao fiuncho.

Também era utilizado para cozer as castanhas de ouriço: Umhas polinhas na água, dão-lhe um ponto de sabor.

E, sobre todo, é a planta aromática que serve de base a todas as plantas e aromas que juntava-mos -e ainda juntamos- polos campos para lavar a cara a manhã do solstício de verão. A manhã de São João, no hemisfério norte. O fiuncho, mesturado com outras flores: rosas silvestres, alecrim,malvas,rosas centifólias é a erva que enche o fondo da banheira que vai ficar ao sereno fora da casa, toda a noite, para depois se lavar pola manhã cedo.

São tradições de milénios, de quando o sol, a terra e a lua, eram símbolos da nossa pertença ao Cosmos, ao Universo. E a espécie humana tinha conciência de ser um micro-cosmos, reflexo e paradigma de algo mais grande, e, porém, mui nosso.

Tradições que a igreja e, mais teimudamente na Galiza, São Martinho Dumiense, tratou de erradicar, mas que faz falta muito mais do que umha vida, ainda que seja dum santo ou dum bispo, para borrar.

O verão e a festa

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ADntes de seguir com mais flores ventureiras-tenho umha moreia aguardando no iphoto- vou-vos contar como celebramos na minha vila as festas do verão.

Já vos contei, aos que não sodes galegos, que o verão na Galiza fica inçado de festas, porque o inverno é muito longo e crú.

Não vos posso explicar nada das verbenas, tómbolas e demais porque, como tenho fóbia aos ruidos, este ano não sai de noite. Mas porei-vos umhas imagens do jantar em família, do café à tardinha, na horta, a minha casinha engalanada com as bandeiras da Galiza e essas cousas.

Minha irmá, é muito familiar. Gosta de ter a família ao seu redor e, este ano, juntou 22 pessoas na sua casa. Cada um dos dous dias que durou a festa.

Para esso, tivo que valeirar o garagem, como fai cada ano, e assim todos coubemos bem.

Olhade a minha casinha-antes foi de minha avoa- que linda com suas bandeiras da Galiza nos balcões:

A luz é gris porque, o dia foi de orvalho. Nada que ver com o dia antes, de sol radiante. A Galiza é assim.

A mesa dos convidados, após ter jantado, mentras aguardam o café:


Complicidade entre mulheres:

Homens:

Mulheres e homens:

Parelhas:

Entre gerações:

Consigo mesmo:

Ao sol da tardinha. Com os amigos do segundo café:

Mais complicidades. Esta vez, entre amigos que nos visitam na sobremesa:

Algum achegado:


Tudo é mais formoso baixo a luz do sol:

Bom. Espero que gostasses das festas da minha vila, com família, amigos, vizinhos e sol-um dia. Outro de chuva-.

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