Monthly Archives: Janeiro 2009

O pedraço

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granizada EclearglitterTwistedly.gifsta amanhã, às oito, despertei cum tremendo ruido que se escutava fóra e mesmo nos vidros da janela. Ergui-me sem me decatar bem do que fazia, numha dessas reacções que temos quando algo nos surprende dormindo. O ruido escutava-se fóra e mesmo contra a parede e contra as vidreiras da galeria.
Subi a persiana e umha imagem cheia de mágia e lembranças encheu os meus olhos.
Ao mesmo tempo, umha palavra esquecida, chegou assim, de súpeto, à memória. Umha palávra que primeiro aprendi em espanhol de Castela, mais tarde em galego estandar e já não a utilizava desde que tinha seis ou sete anos.
De súpeto, ao ver aquelas bolinhas brancas cubrindo a estrada, onde ficavam marcadas as rodeiras dos poucos automoveis que rodavam a essa hora, e no peitoril da janela, onde formavam pequenos montões de pérolas geadas.
Etão, de súpeto, a minha memória agasalhou-me e eu senti a minha própria voz, ao lhe dizer ao Suso:
“Mira, ouve como cai o pedraço..!”
Não sei em que lugar da minha memória ficava dormida a palavra da infáncia. A primeira, a que marca a pauta das que deveriam vir mais tarde.
Por desgraça, no caso dos meninhos galegos da minha geração, não foi assim.
Mas é umha ledícia e umha sorte despertar, após tanto tempo, as palavras que dormem, como a princesa da história da Bela Adormecida, no faiado da memória.


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Umha erva nossa

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herbadenamorar v3xbou seguir a falar de ervas, das ervas ventureiras que deixei sem rematar.

Há umha erva que é especialmente significativa para mim. Umha erva que me traz lembranças de areia e sal, de vento atlântico e tardes de sol de verão, à beira do mar.

Ela é umha erva endémica do Noroeste da península, até o límite do rio Douro, justo dentro do território da antiga Gallaecia romana, ou Suevia germânica, antes de que esse território se partisse em dous para sempre politicamente, que não cultural nem morfologicamente, porque essas cousas não as decidem os homens nem os seus vai e vem.

Esta erva medra na beiramar, na areia ou mesmo nas rochas, em qualquer pequena fenda onde possa estender suas raíces.

Estas, as raízes, são muito mais grandes do que a parte visível da planta, que se aperta num mulido para se proteger fronte ao vento litoral. As flores, pequenas e delicadas, vão da cor rosa à branca e sobranceiam ao resto da planta, sostidas por duras mas flexíveis caules que se movem quando venta, cum tremor de forte fragilidade.

O seu nome científico é Armeria Pubigera e popularmente conhece-se na Galiza como erva emprenhadeira, ou erva de namorar.

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É umha erva com muito contido simbólico e mágico. Dim que, se pôs um raminho no peto do ser amado, sem que se decate,e melhor na noite de São João, ha de ficar para sempre rendido de amor por ti.

Também se di que, se se pom umha flor branca desta erva a carom dumha pessoa durmida, esta há-se namorar da primeira  pessoa que veja ao despertar.

Ainda que medra em todo o litoral até o Douro, o lugar onde mais abunda e onde tem mais significado mágico associado é o Satuário do Santo André de Teixido, aló pola Serra da Capelada, onde os rochedos mais altos da Europa continental, caem a prumo sobre a escuma do mar e onde as almas dos mortos viajam baixo a forma de animalinhos: rás, sapos, pesoias, escâncers… porque a Santo  André de Teixido vai de morto o que não fui de vivo.

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E o que não vai de vivo umha vez, de morto vai três. Quem sabe se esse sapinho que cruça o caminho dando saltinhos, não será a alma do avó, ou da avoa, que baixam polo caminho cara o santuário…

Da minha vila saía, há alguns anos, um  autobus cara o Santo André cada mês.

Havia quem reservava e pagava o asento do autobus do seu defuntinho , ou da finada de sua mãe…

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Física e química

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1193929116_f al12col8.gifá tempo que eu fui   conformando as minhas  próprias ideias sobre o funcionamento do macro e o micro-cosmos que somos cada um de nós, mas, quando umha escuta falar sobre o tema a um professor de Universidade, sente como se as suas teorias tomassem peso dentro do que é o pensamento da sociedade, e nom ficassem simplesmente em ideias pessoais, sem transcendência para os demais.

Este dia, por azar, topei na rede com um video dum professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Santiago de Compostela e, como vinha a dizer o que eu penso dum jeito muito interessante e clarificador, pensei que seria bom comentar convosco estas ideias.

Polo que se deixava ver, o professor, que terá mais ou menos a minha idade -arredor do meio cento de primaveras, verãos, outonos ou invernos-, estivo na China estudando a medicina tão diferente e interessante do pais oriental e de certo que aproveitou bem o tempo, polo claras, convincentes e ilustrativas que eram as suas explicações.

Do que falava em primeiro lugar, era do conceito de “corpo energético” e de como, a moderna física quántica, vem lhe dar a razão às velhas teorias dos sábios chineses da antiguidade, ao descobrir que todo quanto existe é, em realidade, umha vibração energética de maior ou menor longitude de onda e intensidade.

Na medicina chinesa, o corpo energético, ou chi,  é o que realmente se trata quando um adoece de algumha doença, ou alteração na frequência de vibração das moléculas e células do seu corpo. Assim, a física, prima sobre a química, ao revês do que na nossa medicina, na que as substâncias químicas som o único que se contempla quando se estuda a saúde ou o bom funcionamento orgânico: Ácidos, gorduras, enzimas, hormonas, açúcares, minerais, vitaminas, e os correspondentes remédios :Antibióticos, hormonas, inibidores, estimuladores, complementos…Todo se reduz a substâncias que, por sí mesmas, devem de ser quem de forçar as reacções que façam ao nosso corpo recuperar o equilíbrio perdido.

No fundo, a intenção é a mesma. Só que a nossa medicina ignora a física, o corpo energético, as vibrações e ondas de todo o contorno no que nos vemos mergulhados e do que formamos parte.

Para esse corpo energético, todo quanto existe arredor, com suas ondas dumha frequência e longitude particulares, incide nas suas próprias ondas electromagnéticas a níveis atómicos, moleculares e pode ajudar a harmonizar a vida celular ou a a volver tola com sua caótica desorganização.

Essa é a teoria do Feng Shui, ou a procura da harmonia energética com o contorno no que vivemos e nos movemos.

O nosso corpo, forma parte do cosmos, é um ser vivo, orgânico, que se vem desenvolvendo no planeta terra desde o princípio dos tempos. Tem sintonía com as cousas naturais, que sempre estiveram aí, acompanhando-nos e familiarizando-nos com suas frequências vibratorias.

Mas, velaí que cada vez, no mundo, xordem mais e mais aparelhos, materiais, alimentos, e substâncias que incidem directamente no nosso organismo desde faz mui pouco tempo e que o nosso organismo não é quem de reconhecer nem de sintonizar a sua frequência com tanta moreia de frequências diferentes, e então, produz-se o mesmo efeito do que numha rádio quando há interferências: As células vão-se saturando de frequências lixo, vão acumulando caos e desorganização e vão dando respostas diferentes que levam à perda da harmonia -saúde- do corpo.

Ele dizia que, a maioria dos quartos de dormir, eram, na realidade, câmaras de contaminação: Os muros, feitos de materiais que antes foram queimados, como o cimento, ou o ladrilho, são a primeira fonte de lixo energético.

Os aparelhos que adoitam ter muitas pessoas no seu quarto: Televisores, computadoras, radio-despertadores e outros.

Os alimentos que tomamos: Carnes de animais alimentados com produtos processados, aditivos, leite de vacas que comem sabe deus que, verduras e frutas cultivadas em invernadoiros com abonos químicos a esgalha…

A roupa que levamos a diário em contacto com o nosso corpo: fibras que vem do petróleo, processadas com calor até queimar-se, calçados de materiais sintéticos polo estilo…

Se nos paramos a pensar, é tanta a contaminação energética que atura o nosso corpo, que não tem jeito.

Que remédio propunha o professor para esta tolémia celular?

Pois viver, dentro do possível, segundo os princípios do feng shui, ou energias limpas, tanto no habitáculo, como na comida, roupa, calçado…

Ter perto animais e plantas, que absorvem as energias negativas que, de não ser por eles, iriam para nós.

Carregar-se de energias positivas no contacto com a natureza sem contaminar.

Utilizar meios da medicina oriental para limpar e re-organizar a nossa energia: Acupuntura,  tai chi, e outras. Aproveitar novas descobertas terapéuticas como a fibra de photon platina…

Para os desequilíbrios químicos já temos farmacopeia abonda na nossa medicina de sempre, que tamém é importante e as duas se complementam que não se exclúem…Aínda que, em geral, muitas vezes abusamos dos medicamentos, como de todo, no nosso mundo europeu de consumo compulsivo de qualquer cousa que se ponha por diante.

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Olá de novo

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pict0006 aclearglitterTwistedly.gifpós uns messes sem parar por eiquí, ocupada em outros assuntos, hoje volvo a pasar e vejo, como umha andorinha perdida, que ainda ficam os bieiteiros e os fiunchos em flor, agora que veu o inverno e as àrvores e arbustos tiritam, espidos, baixo a geada, arrolados polo fino e frío ar do norte ou sacudidos polo furioso e húmido  vendaval.

Já passou o solstício de inverno, com as suas festas de Natal cheias de doces, copas de cava e agasalhos que deixam o corpo malhado e os petos baldeiros.

Já os dias medrarom um bocadinho e agora, às seis e meia da tarde-hora de Madrid-aínda há luz cara o pôr do sol e claridade fóra da janela.

Certamente tardei muito. Agora, o mundo que me rodea, nesta minha pequela vila do Atlántico fisterram, já nom é o mesmo.

Agora a minha melhor amiga, jé nom é a cámara de fotos, mas a minha salamandra de ferro.

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Ela é o meu lume sagrado, o que faz da minha casa um fogar quente e acolhedor. A que me alegra o corpo e a alma entanto fóra venta, chove ou cai a geada.

Ao seu pé, o gatinho e o cãozinho enrolam-se para sentir a ledícia do calor.

Umhas briquetas de serraduras prensadas e a lenha do monte dos meus avôs, mesturam-se para fazer o meu inverno um verdadeiro pracer.

E agora que volvi, prometo seguir contando cousas a cotío, como antes.

Feliz ano novo a todos e todas os que passedes por eiquí.

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