Monthly Archives: Agosto 2009

O carvalho

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“O carvalho da portela

tem a folha revirada

que lha revirou o vento

numha manhã de geada”


“Carvalheira de São Justo

carvalheira derramada.

Naquela carvalheirinha

perdim a minha navalha”

São cantigas populares galegas de há muito tempo.

A senhora Deolinda, que naceu em Portugal e emigrou ao Brasil com seis anos, é profesora de botánica e, ainda que no Brasil há àrvores fermosas e de muito interesse, ela tem sua saudade ligada às àrvores da sua infáncia.

Ela pediu-me que trrouxesse por aquí um carvalho e vou tentar ser seus olhos polas carvalheiras deste velho país da sua infáncia.

A Galiza é terra de carvalhos e carvalheiras. São àrvores sagradas, vencelhadas aos rituais e à religião pagã, prévia ao cristianismo.

Como as religiões se superpõem umhas às outras, como as capas dumha cebola, não é estranho, na Galiza, ver um carvalho centenário diante dumha igreja, ou dumha ermida de culto popular.

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Carvalho de Cereixo, no meu concelho. Calcula-se que pode ter arredor dos 500 anos e está ao pé da igreja e o camposanto da parróquia

O carvalho, no noroeste da peninsula Ibérica, é a àrvore autótone por exceléncia. As carvalheiras forom os primeiros lugares de culto aos deuses pagãos, o mesmo que as fontes, erão das deusas femininas. Fontes milagreiras que aínda quedam, espalhadas pola nossa geografía física e cultural, onde a gente, o día da romaría da santa, lava a cara e as mãos e deixa os paninhos da mão estendidos na silveira, para curar as verrugas ou o mal de olho.

Dum tempo para cá, as carvalheiras foram substituindo-se por outras plantações de àrvores importados de fóra: pinheiros primeiro e logo, eucaliptos, umha verdadeira praga para a terra, que se enche de mato que mais tarde, com a calor do verão, arde arrassando todo ao seu passo.

Embaixo dos carvalhos, medra a erva viçosa, a sombra húmida baixo as suas copas, assim as landras, ao cairem, vão germolando e criando novos carvalhinhos para o futuro.

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E olhade se a terra é teimuda que, na sua saudade polos seus filhos vegetais, não se rende e, a pouco que a deixem, polo meio dos eucaliptos australianos, agromam os carbalhinhos pequenos, retortos, pulando por sobreviver aos invasores. A terra tem memória da saudade, como dona Deolinda.

O carvalho do país, autotone da Galiza e norte de Portugal é o Quercus Robur, umha das quatro variedades de carvalhos européus.

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È uma árvore de grande porte, que atinge 30 a 40 metros de altura e que tem um tempo de vida entre 500 a 1000 anos. Esta espécie possui copa redonda e extensa em árvores adultas, e contorno oval piramidal em indivíduos jovens. O tronco do carvalho-vermelho é forte, direito e alto, a partir do qual partem ramos vigorosos ao acaso. O tronco possui também uma casca (ritidoma) lisa e acinzentada, quando nova, ou grossa, castanha e escamosa em árvores adultas.

Folhas e landras do carvalho-vermelho

As suas folhas são caducas, membranáceas e pequenas, com 5 a 18 cm de comprimento, sendo geralmente mais largas na parte superior. Com 3 a 7 pares de lóbulos redondos, possuem um pecíolo (pé da folha) com 2 – 12 mm de comprimento. Elas permanecem com um verde forte ao longo do Outono antes de se tornarem castanhas persistindo na árvore até ao Inverno.

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As flores do carvalho-vermelho florescem em Maio a partir dos 80 anos de idade.

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Flores masculinas-foto superior-

Flores femininas-foto inferior-

O carvalho-vermelho possui landras de maturação anual com 1,5 a 4 cm de comprimento. As landras a princípio têm um tom claro ficando castanhas à medida que amadurecem, e na sua fase verde são pardas e com riscas longitudinais escuras.”

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Características ecológicas

O carvalho roble é uma espécie bem adaptada aos climas temperados húmidos, que apresenta grande resistência ao frio. Esta espécie prefere os terrenos siliciosos, argilosos frescos e húmidos, ricos em nutrientes.

Distribução do carvalho em EUROPA

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No centro de Santiago de Compostela, a capital da Galiza, pervivem duas carvalheiras; Santa Susana e São Lourenço, por onde podes dar passeios polo bosque sem saires da cidade e mesmo fazer aquelarres, juntanças de bruxas e meigas que se reúnem no centro dum círculo de carvalhos, nas noites de lúa.

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