Category Archives: Costa da Morte

O XIV Asalto Irmandinho de Vimianzo, já está aquí.

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2654904463_8fca58d99f_oComo cada ano, a “Asociación Axvalso” de Vimianzo, na Terra de Soneira, na Costa da Morte, prepara a festa conmemorativa do asalto à fortaleça dos Mososo, como há mais de quinhentos anos, figeram Os Irmandinhos, aquela gente do comum organizada para lutar polos seus direitos fronte aos abusos dos senhores feudais.

Se queredes mais informação do tema, no blogue http://asaltovimianzo.wordpress.com, toparedes toda a quepodades necessitar.

Os que moredes perto, animádevos. É umha verdadeira festa para não perder.

Esperamos-vos em Vimianço a tarde-noite do 4 de Julho.

Saudos irmandinhos.

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A morte na Costa da Morte

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aclearglitterTwistedly.gif Costa da Morte é umha faixa de terra e mar que vai desde as Ilhas Sisargas, aló em Malpica de Bergantinhos, até o cabo Fisterra, ainda que se pode considerar que até o concelho de Muros, aló por Caldebarcos, a costa segue sendo mortal.

Chama-se A Costa da Morte, pola quantidade de embarcações de maior ou menor envergadura que foram a pique em suas águas, bravas, traidoras e cheias de correntes. O último caso conhescido foi o Prestige, mas antes, jà houve muitos mais. Mesmo os corpos duns vizinhos da outra banda do Minho que emborcaram ao rio num auto-carro,numha riada, vieram transportados polas correntes ,parar à Costa da Morte e aparecião, os corpos e as suas pertenzas nas praias. Coitados! Que tristeça !

Bem. Mas, agora, imos falar de cousas mais curiosas das gentes da Costa da Morte. E, por pÔr um caso, do jeito que tem alguns de ver a própria morte, muito peculiar.

Hà dous casos que conheço, que são verdadeiramente dignos dum estudo antrpológico desses tão sisudos que fão, sobretudo, os alemãos.

O primeiro caso, é o dum casal de Malpica, idosos os dous e sem filhos nem parentes achegados.

Postos a pensar os dous velhos, chegaram à conclusão de que, quando morrer, nemhum lhe ia fazer funeral como deus manda e, depois de lhe dar muitas voltas, foram cara a cás do cura para lhe encarregar um bom funeral com cera, oito curas cantando, e todo o demais que se leva pola comarca.

O cura estivo de acordo, e velaí que se vão os dous velhos à igreja para asistir ao seu funeral em vida.

A igreja ficava cheia de gente que não cabia umha agulha, contando com os homens que sempre quedão na porta, parolando. A ver quem é o guapo que não vai ao funeral dum vizinho sabendo que o vai saber.

O outro caso, é o de duas irmãs da minha aldeia, solteiras e sem parentes que vivião juntas, mas umha delas, morreu.

Tinham mercado um nicho no cemitério da vila, con duas furnas; para cada em sua.

Mas, quando morre a primeira, a que queda pensa que, quando morra ela, quemm lhe vai levar flores, quen lhe vai pôr a lápida com seu nome e a data da morte, e ocorre-se-lhe que, para mais seguridade, o melhor e fazer ela o que não pode delegar em ninguem.

Então encarrega umha lápida bem chusquinha, faz gravar seu nome e a data do passamento. Esso sim, com o espaço do dia e do mês sem escrever e o ano com o 20… para que, quando por fim vaia embora aos campos de Josafat, o marmolista, só tenha que pôr os números que faltão. Cada dia dos defuntos, leva flores à sua lápida. Naturais, para ela; de plástico, para a irmã que, ao fim, se fica morta, tampouco se vai anojar.

Assim, cada ano.

O povo, que na Costa da Morte é muito retranqueiro, jà anda a dizer que o da lápida está muito bem, mas que, se passa do 2.100 não lhe vai servir o rótulo.

Em fim. Que assim somos os deste recuncho da Galiza. ilhados durante muito tempo, afeitos a viver sós e a fazer o que nos pete.

Umha aperta. Para os desta banda do rio , para os da outra, e para tudos os que leiam.

Bom dia.




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Que viva o Rexoubeo-poético- da Costa da Morte.

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Enche-me de fachenda ler esta nova na Voz de Galicia, ediçao de “Carballo”

 



O segundo Rexoubeo poético reúne a un centenar de espectadores en Vimianzo




 

(Lugar: a voz | carballo)

O segundo recital poético, bautizado como Rexoubeo, organizado polas asociacións Axvalso e Cherinkas, reuniu a preto dun centenar de persoas no Salón Caribe de Vimianzo, onde o sábado tivo lugar a actividade.

Unha vintena de poetas de toda a comarca tomaron parte na iniciativa, que contou tamén con acompañamento musical a cargo de Madamme Cell e actuacións de teatro dirixidas por Toño Casais.

O recital durou ao redor de hora e media e, segundo os organizadores, o público reunido gozou co espectáculo.

Os versos dos participantes tamén se recollen nun libro colectivo, o segundo que se edita.

Nel están representados Modesto Fraga -que non recitou o sábado-, Alexandre Nerium, Marilar Aleixandre, Cándido Domínguez, Daniel Salgado, Antía Otero , Serxio Iglesias , Paco Souto, Xabier Fidalgo, Alberto Lema, Rafa e Miro Villar, María Lado, Suso Bahamonde, Abel Méndez, Vicente e Paula de Souza e Janet Barcia.

As asociacións editaron un total de 200 exemplares, que se venderán a un prezo de catro euros. Avisan, ademais, de que quen queira fotocopiarlo poderá facelo libremente.

O Rexoubeo naceu para tratar de recuperar o espírito do desaparecido Batallón Literario e para impulsar a cultura propia da zona. Moitos dos poetas que participaron nesta edición fixérono tamén na organizada o ano pasado.

Dous días de actividades

O Rexoubeo poético foi o punto e final a dous días de actividades en Vimianzo. Anteriormente as dúas asociacións celebraron un concerto de música alternativas que, baixo o nome Wateke Pop, reuniu a un bo número de amigos e curiosos na discoteca vella de Vimianzo. Ese día actuou Madamme Cell, o mesmo intérprete que acompañou ao piano, ao día seguinte a algún dos poetas.

Ademais, tamén actuaron na localidade Son do Galpón, Neo e DJ Charramangueiro.

«Nesta edición as asociacións culturais de Vimianzo pretenden ir máis alá dá poesía e organizan dúas xornadas con distintas actividades», explican desde a organización.

No recital poético destacou a aparición do teatro e dos acompañamentos musicais. As dúas asociacións intentaron involucrar ao maior número posible de mozos da comarca, logrando que os institutos de secundaria da zona colaborasen dalgún modo. De feito, algún dos poetas que aparecen este ano no libro colectivo non chega aos 14 anos de idade. Os organizadores pretenden que o Rexoubeo poético sígase celebrando ano tras ano na localidade.

Sei que por alí esiverom os meus moços, Suso Lista, percebeiro do Roncudo, ao que só conheço da aranheira, e outros amigos e amigas aos que quero por vizinhos -vale mais vizinho da porta que irmão detrás da costa-, por amigos e por boa gente.

Parabéns e umha aperta muito forte.

Mágoa não poder estar.

Para o ano que vem, inchallah.

P.S. Também me enche de fachenda que os de Axvalso e os Cherinkas se puxerão de acordo para fazer algo bom.

Seica quando eu volva para Vimianço, esso vai ser um vinde-o ver.

E com a mega-super-faraónica Casa da Cultura que andão a construir, jà poderemos programar rexoubeos, concertos, ópera, teatro, conferéncias,e até fazer-lhe a competéncia ao tanatório de Costa, que fica enfrente.

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De vez em quando, hà que ir pola Costa da Morte

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Deixo aquí umha nova para que saibades que em Vimianço também se fazem cousas. Os meus moços e os seus amigos andavão estes dias com os preparativos.

Ainda não chamei para saber como fui, porque ainda é cedo para os menores de quarenta e cinco. Mas aquí deixo esta testemunha.

La Voz de Galicia de hoje. Edição de Bergantinhos

As asociacións xuvenís de Vimianzo Cherinkas e Axvalso coorganizan, xunto co Concello, un certame literario denominado Rexoubeo poético , que se celebrará o vindeiro sábado no edificio de A Torre.

Esta xuntanza, tal e como explican os responsables de ambas entidades, baséase nas ideas e na semente deixada polo desaparecido Batallón Literario da Costa da Morte: «Co pulo de devolverlle a voz ao pobo, recollerán, a través da literatura, diferentes pezas para que se dignifique, magnifique e expanda toda unha cultura: a nosa», din na nota de presentación.

A este acto están convidados Davide Creus, Alberto Mira, Modesto Fraga, Suso Bahamonde, María Lado, Alexandre Nerium, Abel Méndez, Manuel Oliveira, Xosé Manuel Lema, Cándido Domínguez, Rafa Villar, Miro Villar, Xandra Tedín, Marilar Aleixandre, Paco Souto e Xavier Fidalgo. Todos eles lerán as súas composicions por tandas.

Que tal de Reis?

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Suposso que, a estas horas, na Galiza, todo o mundo terá aberto os seus agasalhos e andará almorçando a rosca com o café com leite.

De seguro que minha mãe fica na casa de minha irmã, escandaliçada pola sobre-abundáncia de agasalhos do meu sobrinho e demais, e dando-lher à rosca.

O que são as cousas. Aquí é um sábado mais. Ainda recende a carne grelhada dos anhos mortos polas açoteias , lóce um sol espléndido e os meninhos do colégio marroquino de enfrente, tão nas áulas, trabalhando.

Boto em falta aos reis magos?

Pois não. Certamente tanto despelote de agasalhos com papel de El Corte Inglés ou de Toys Ras, não me da suidades. O da rosca arredor da mesa, todos juntos, já é outra cousa.

Mas de seguro que os meus moços ainda dormem, depois de ter saido omtem, assim que tampouco seriamos todos .

Esso sim. Meu sobrinho Jaquim, andará coma tolo com os jogos cibernéticos, os dvds, os libros, a roupa, e todo o demais que ainda lhe falta por recolher, no percorrido polas casas da família.

Bom. Pois eu, aquí, aguardando por Hayat que venha para pôr a henna no cabelo, logo subir à terraça para que seque com o sol e colha color, e disfrutar do dia livre que, hoje por hoje, é o melhor agasalho que me podem fazer:

Tempo para não fazer nada.

Entrenamento para a jubilação jubilosa.

Noite de Reis

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Venho de ler no blogue de Suso Lista, umha história de reis magos, reis vaghos, e guitarras.

De certo que me fisse lembrar muitas cousas da minha infáncia.

Quando minha irmã e mais eu éramos meninhas, aguardava-mos com verdadeira ilussão a manhã dos reis.

Em tal nuite coma hoje, deixava-mos um prato cada umha ao pé da janela do corredor , mais outro para minha tia Estrelinha, que lhe dera meningite de criança, amais de nascer de sete meses, e ficava sempre coma umha meninha.

Pola manhã, corriamos coma tolas cara o corredor e ficava-mos extasiadas olhando os pratos cheios de agasalhos e tiritando de frio com nossos pés descalços e as enáguas sem mangas, mentras polo vidro da janela, olhavamos a geada branca cubrindo os telhados e os coleiros da horta da Marina, com as verças tesas coma cartões vidrados.

Eu fum umha meninha muito afortunada. Ainda que da aldeia, meu pai tinha um serradoiro de madeira e defendiamo-nos bem, dentro do que cabia em aquela sociedade minimalista à força.

Tambêm sabião que gostava muito de ler e sempre me trazião algûm livro que era, para mim, coma um tesouro.

De todos os agasalhos de reis, lembro quatro, de quatro anos diferentes:

“Veinte mil leguas de viaje submarino” De J. Verne.

Um relógio Duward com esfera pequeninha e rodeada de adornos dentro do proprio vidro.

Umha boneca que abria e fechaba os olhos cumha carapuchinha branca rodeada de pelo açul

E, por último, um abrigo de pano de duas caras: Por umha era verde, e, pola outra, de quadrinhos verdes e amarelos.

Todo esto antes de ir parar ao Colégio maldito das freiras de Rubine 22-24.

Depois desso, já não guardo lembranças mais que do puto colégio e as freiras sádicas.

Minha mãe, contou-me umha história de quando ela mais os seus irmãos erão meninhos:

Meu avó, que era muito sério e cerebral, não queria que os filhos acreditassem nas parvadas dos reises magos nem farrapo de gaitas. Preferia mercar-lhe algo quando o precissavão sem nada mais. Minha avoa, não podia se mover por mor dumha ambólia que sofrira quando tive a minha mãe. Assim que os meninhos não tinhão reis.

Um ano, tanto chorarom e insistirom na teima dos reis, que o meu avó mandou-lhe que puxerão um soco na janela.

Eles puxeram na janela, mas por fóra, para lhe facilitar a faena aos reis magos.

Este, ao ver os soquinhos postos na janela, sentirom mágoa dos meninhos e deixarom um chouriço encarnado e recendente para cada um.

Até aquí, tudo bem.

Mas dou-lhe por se pór a chover coma quem emborca toda a nuite e, pola manhã, quando foram na procura dos seus agasalhos, atoparom um chouriço nadando dentro dos socos enchoupados…

Ao Suso, que era filho de marinheiro de Camarinhas, acabo de lhe perguntar e di-me que ele, o agasalho melhor que lembra, é umha pistolinha de plástico verde.

Velaí um poema de Miguel Hernández que me parece tenro, verdadeiro e fermoso.

Adicado aos super-mega consumistas reis magos do 2007:

LAS DESIERTAS ABARCAS

Por el cinco de enero,
cada enero ponía
mi calzado cabrero
a la ventana fría.

Y encontraba los días
que derriban las puertas,
mis abarcas vacías,
mis abarcas desiertas.

Nunca tuve zapatos,
ni trajes, ni palabras:
siempre tuve regatos,
siempre penas y cabras.

Me vistió la pobreza,
me lamió el cuerpo el río
y del pie a la cabeza
pasto fui del rocío.

Por el cinco de enero,
para el seis, yo quería
que fuera el mundo entero
una juguetería.

Y al andar la alborada
removiendo las huertas,
mis abarcas sin nada,
mis abarcas desiertas.

Ningún rey coronado
tuvo pie, tuvo gana
para ver el calzado
de mi pobre ventana.

Toda gente de trono,
toda gente de botas
se rió con encono
de mis abarcas rotas.

Rabié de llanto, hasta
cubrir de sal mi piel,
por un mundo de pasta
y unos hombres de miel

Por el cinco de enero
de la majada mía
mi calzado cabrero
a la escarcha salía.

Y hacia el seis, mis miradas
hallaban en sus puertas
mis abarcas heladas,
mis abarcas desiertas.

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Feliz aninovo. Aïd Mubarak

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Hoje coincidem duas festas importantes para os meus vizinhos. Os de aquí, e os de alá.

O ano velho, com suas uvas, o cava, os vinhos por Vimianço antes de cear…

E a outra festa dos meus vizinhos rifenhos, que hoje celebram seu Aïd el Kbir, ou Pascua Grande, a festa mais importante do mundo muçulmano.

Hoje, cada família muçulmana sacrifica um anho.

Depois da oraçom da manhà, as terraças enchem-se de anhos, as famílias e os vizinhos visitam-se, comem juntos, bebem chà com pastelinhos de améndoas e pola tarde, saem ao passeio com sua roupa estreada de novo.

Os paralelismos entre as duas festas som muito significativos:

Nesta banda, hà quem vai cear angulas a seiscentos euros o quilo, cava de trinta euros a garrafa, camaroes, percebes e todo o demais.

Também os hà que imos ter umha ceia mais normalinha.

Antes de vir, falando com os meninhos da áula, havia quem ia sacrificar tres, quatro, e até oito anhos, um por cada parelha. Outros, iam se juntar com os avós e mercavam um anho para a família.

Em ambas duas bandas hà diferença entre a fartura e o derroche, entre a festa e o consumo desaforado. Normalmente vai asociado à capacidade económica de cada quem, salvo raras e honrosas excepçoes. Também hà quem é prudente e quem se empenha ainda que quede aforcado polas débedas.

Aforcado ficou Sadam Hussein, precisamente o dia da meirande festa muçulmana. E eu pergunto-me se pagou a pena o triste e hipócrita espectáculo. Que se queria conseguir com matar a um homem ao estilo do mais estúpido linchamento?

Nom entro a julgar a Sadam, porque nom tenho dados nem inmformaçom fiavel para o fazer. Mas nom me senti nada bem quando vi por tv ao homem com a corda ao pescoço e logo no chao, morto, envolveito na saba.

Hoje remata um ano e começa outro. Mas só som números num almanaque. Realmente, a humanidade semelha nom rematar nem começar nunca umha nova etapa: A de sermos de verdade humanos. Mentras tanto, tanto tem que corram os dias no calendário. A falta de empatia e humanidade seguem a se repetir até o infinito na nossa pequena e global aldeia. Seguimos a rifar, a luitar, a matar-nos uns aos outros coma estúpidos e anti-naturais depredadores.

A pesar de todo, também hà gente evoluida que prefire a vida antes do que a morte.

A todos eles, desejo-lhes um justo, pacífico e feliz tempo futuro. A ver se algúm dia somos mais e podemos inaugurar um tempo novo, sem explotaçom, medo dos demais, e linchamentos inútiles.

Apertas.

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