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A seleção espanhola de futebol

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stes dias andamos na casa pendentes dos partidos de futebol do mundial.

Já no mundial anterior vos comentei que gostava muito de ver jogar as selecções dos diferentes países e comparar estilos, jeitos de estar no campo, de desenvolver o jogo… Mas há uma diferença deste mundial ao outro. No anterior eu vivia no Rif, litoral mediterráneo de Marrocos, longe da casa e das minhas coordenadas de origem. Viver distante e fora da área de influência das tuas origens, às vezes é mui triste mas, outras vezes, da uma sensação de liberdade e leveza que te permite voar a onde queiras, sem ter roteiro nem destino marcado. És, simplesmente, uma exploradora. Uma viageira que vai à ventura. Podes tomar o que mais gostes da tua cultura e outras cousas da cultura na que vives, mudar, combinar,jogar com as mesturas…Um prazer.

Lembro aquele mundial como algo mui divertido. O meu homem levava um cartão de canal+ a piratear quando mudavam o código e eu via os partidos pola “parabólica” que tinhamos no terraço desde as tv suíça, francesa,italiana…A que quadrasse. Linda e intensa vida, a que vives sabendo que estás de passo!

Este ano, estou cá, na casa. Na Galiza. A visão do mundo que tenho desde aquí é diferente. É meu país. Suas contradições e seus paradoxos condicionam a minha vida. O sentido de pertença faz que, ante as cousas, a atitude não seja de jogar a viver, com a inocência de quem não é responsável da evolução dessa sociedade, mais que no tempo no que lá está. Cá, na casa, sinto-me responsável além do tempo que estive fora. A responsabilidade vai desde o nascer até a morte. Os laços com a terra de um, implicam peso, gravidade,a outra face da moeda.

Bom. Todos estes pensamentos e reflexões vem-me assim, cavilando no tema do que vos queria falar.

Se vós, os que vindes por esta casa virtual, sondes brasileiros ou portugueses, para vós há de ser algo estranho o que eu diga. Se sondes galegos, havedes de saber do que falo.

Desde que começou o mundial de Sudáfrica, com seleções, partidos e vuvuzelas, tive uma contradição, um paradoxo constante.

Quando uma selecção dum pais joga, todo o pais que gosta do futebol, desfruta e goza sem reparos do jogo da sua equipa.

Ou sofre, que para que uns ganhem outros hão de perder. Assim são os jogos de competição.

Mas, quando joga a seleção espanhola, é uma sensação de não poder desfrutar totalmente, como todos os demais.

Espanha é diferente.

É diferente, porque milhões de catalães, bascos e galegos, não nos sentimos identificados com essa realidade que chamam Espanha, e quisermos ter nossa própria selecção ou ir com a espanhola se nos permitirem decidir e assim o decidira a maioría. Esses milhões de pessoas, não acreditamos em que exista uma nação chamada Espanha da que formamos parte. Existe um Estado chamado Espanha, mas o nosso sentir não se identifica com ele em absoluto.

Os que se sentem espanhois, na sua maior parte, não compreendem nossa atitude e, desde as instituções estatais participa-se na guerra contra Serbia para liberar Kosovo, mas não se deixa que o lehendakari basco faça um referendo para saber a opinião dos cidadãos sobre a sua conformidade com a pertença ou não pertença ao Estado Espanhol. Defendem com todos os médios ao seu alcance- imprensa, tv, radio,manipulação- essa ideia de Espanha que é a de eles, a que mais lhe convem aos seus interesses. Eles tem o exército, o poder, a representatividade ante Europa e o resto do mundo.

Por esse motivo, em muitas casas “espanholas” os partidos da selecção não suscitam comentários sobre o jogo, que tamém, mas, sobre todo, sobre se é mais importante desfrutar do jogo ou boicotear a uma equipa que representa algo hostil

Eu tenho-o claro.

É o mundial do futebol e vou desfrutar do futebol. Logo virá a celebração de Santiago Apóstolo, para uns patrão de Espanha e matador de mouros e para outros, día da reivindicação da Nação galega. Uns numa fachada da catedral de Compostela e outros na outra. E no meio, os peregrinos  que vem de todo o mundo a fazer o caminho por razões religiosas, esotéricas, místicas, desportivas…

Em fim. Que é difícil, complicado e peculiar ser galego ou galega e viver na Galiza.

Ainda que tamém apaixonante e sempre surpreendente.

Noitinha

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aclearglitterTwistedly.gifpós a hora do solpôr, vai vindo a escuridade, de vagar, mentras no ar queda ainda essa claridade que encheu todo o espaço diurno.

A Galiza, pola sua situação geográfica, fica mais perto do círculo polar ártico que do ecuador, e essa circunstáncia posicional no globo planetário, faz que certas cousas sejam dumha determinada maneira.

No ecuador, não há crepúsculo. O sol desaparece polo horizonte, e já é noite fecha.  Em vez disso, nos polos, norte e sul, os dias duram seis messes e as noites outro tanto. Tampouco no ecuador há diferença entre as horas de luz do verão e do inverno. Os dias e as noites sempre são iguais: doce horas.

Quanto mais perto dos círculos polares, os dias de verão tem mais horas de luz do que as noites porém, no inverno, sucede o contrário.

Longe da minha intenção dar lições de geografia desde esta janela aberta a todos vós, mas é certo que a nossa vida tem muito a ver com a terra, seus climas, suas rotações e traslações polo espaço. Ao fim, que somos? Filhos da mãe terra que nos alimenta, do pai sol que nos abastece de energia e namorados da lua que gravita sobre nós e nos atrai ou nos aparta, como umha rainha caprichosa. Que gravita sobre os fluidos do planeta e de nós mesmos, que com sua luz polarizada, marca as colheitas e as favorece, ou estraga a carne salgada ou as patacas de comer.

Pois agora, no mês de maio, perto já do solstício de verão, após o solpôr, o crepúsculo vólve-se noitinha. Umha escuridade que se vai espalhando, de vagarinho, ralentizada, na que o silêncio se faz mais profundo e o campo arrecende a erva, a névodas, a hortelã. Aló, na beira do rio, os pássaros seguem com seu trafego e, por acima da cabeça, passam os morcegos, voando umha e outra vez, num ir e vir silandeiro e apenas vissível.

Polo leste, vai saíndo a lúa cheia, a deusa que caminha majestuosa, espalhando sua luz  sobre o meu vale circular,  que se enche dum pó de prata que resplandece na erva, nas àrvores do rio, na aba do monte, como um fluido etéreo que muda completamente a aparência das cousas e tamém o nosso ánimo, que se volve mais instintivo, esquece-se da rutina do trabalho diário e percebe as sensações com mais intensidade: A noitinha é hora propícia para estar fóra, para a conversa, para o descanso e tamém para o amor.

Há tempo, esta hora mágica era a do lezer, das reuniões dos vizinhos para falarem do dia, dos jogos dos rapazes, dos moços que iam ver às moças para falarem com elas na porta, e dos passeios à fonte, onde alguns se perdiam  entre os carvalhos, ou os abeneiros, pra lhe render culto à deusa que fazia prender o lume nos corações e nas virilhas.

Umha cantiga popular da minha terra:

Ainda me acordo, neninha,

de aquela noite de verão.

Ti, olhavas as estrelas.

Eu, as ervinhas do chão.

Aproveitade as noitinhas, que não duram todo o ano.


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O carvalho

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“O carvalho da portela

tem a folha revirada

que lha revirou o vento

numha manhã de geada”


“Carvalheira de São Justo

carvalheira derramada.

Naquela carvalheirinha

perdim a minha navalha”

São cantigas populares galegas de há muito tempo.

A senhora Deolinda, que naceu em Portugal e emigrou ao Brasil com seis anos, é profesora de botánica e, ainda que no Brasil há àrvores fermosas e de muito interesse, ela tem sua saudade ligada às àrvores da sua infáncia.

Ela pediu-me que trrouxesse por aquí um carvalho e vou tentar ser seus olhos polas carvalheiras deste velho país da sua infáncia.

A Galiza é terra de carvalhos e carvalheiras. São àrvores sagradas, vencelhadas aos rituais e à religião pagã, prévia ao cristianismo.

Como as religiões se superpõem umhas às outras, como as capas dumha cebola, não é estranho, na Galiza, ver um carvalho centenário diante dumha igreja, ou dumha ermida de culto popular.

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Carvalho de Cereixo, no meu concelho. Calcula-se que pode ter arredor dos 500 anos e está ao pé da igreja e o camposanto da parróquia

O carvalho, no noroeste da peninsula Ibérica, é a àrvore autótone por exceléncia. As carvalheiras forom os primeiros lugares de culto aos deuses pagãos, o mesmo que as fontes, erão das deusas femininas. Fontes milagreiras que aínda quedam, espalhadas pola nossa geografía física e cultural, onde a gente, o día da romaría da santa, lava a cara e as mãos e deixa os paninhos da mão estendidos na silveira, para curar as verrugas ou o mal de olho.

Dum tempo para cá, as carvalheiras foram substituindo-se por outras plantações de àrvores importados de fóra: pinheiros primeiro e logo, eucaliptos, umha verdadeira praga para a terra, que se enche de mato que mais tarde, com a calor do verão, arde arrassando todo ao seu passo.

Embaixo dos carvalhos, medra a erva viçosa, a sombra húmida baixo as suas copas, assim as landras, ao cairem, vão germolando e criando novos carvalhinhos para o futuro.

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E olhade se a terra é teimuda que, na sua saudade polos seus filhos vegetais, não se rende e, a pouco que a deixem, polo meio dos eucaliptos australianos, agromam os carbalhinhos pequenos, retortos, pulando por sobreviver aos invasores. A terra tem memória da saudade, como dona Deolinda.

O carvalho do país, autotone da Galiza e norte de Portugal é o Quercus Robur, umha das quatro variedades de carvalhos européus.

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È uma árvore de grande porte, que atinge 30 a 40 metros de altura e que tem um tempo de vida entre 500 a 1000 anos. Esta espécie possui copa redonda e extensa em árvores adultas, e contorno oval piramidal em indivíduos jovens. O tronco do carvalho-vermelho é forte, direito e alto, a partir do qual partem ramos vigorosos ao acaso. O tronco possui também uma casca (ritidoma) lisa e acinzentada, quando nova, ou grossa, castanha e escamosa em árvores adultas.

Folhas e landras do carvalho-vermelho

As suas folhas são caducas, membranáceas e pequenas, com 5 a 18 cm de comprimento, sendo geralmente mais largas na parte superior. Com 3 a 7 pares de lóbulos redondos, possuem um pecíolo (pé da folha) com 2 – 12 mm de comprimento. Elas permanecem com um verde forte ao longo do Outono antes de se tornarem castanhas persistindo na árvore até ao Inverno.

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As flores do carvalho-vermelho florescem em Maio a partir dos 80 anos de idade.

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Flores masculinas-foto superior-

Flores femininas-foto inferior-

O carvalho-vermelho possui landras de maturação anual com 1,5 a 4 cm de comprimento. As landras a princípio têm um tom claro ficando castanhas à medida que amadurecem, e na sua fase verde são pardas e com riscas longitudinais escuras.”

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Características ecológicas

O carvalho roble é uma espécie bem adaptada aos climas temperados húmidos, que apresenta grande resistência ao frio. Esta espécie prefere os terrenos siliciosos, argilosos frescos e húmidos, ricos em nutrientes.

Distribução do carvalho em EUROPA

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No centro de Santiago de Compostela, a capital da Galiza, pervivem duas carvalheiras; Santa Susana e São Lourenço, por onde podes dar passeios polo bosque sem saires da cidade e mesmo fazer aquelarres, juntanças de bruxas e meigas que se reúnem no centro dum círculo de carvalhos, nas noites de lúa.

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O XIV Asalto Irmandinho de Vimianzo, já está aquí.

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2654904463_8fca58d99f_oComo cada ano, a “Asociación Axvalso” de Vimianzo, na Terra de Soneira, na Costa da Morte, prepara a festa conmemorativa do asalto à fortaleça dos Mososo, como há mais de quinhentos anos, figeram Os Irmandinhos, aquela gente do comum organizada para lutar polos seus direitos fronte aos abusos dos senhores feudais.

Se queredes mais informação do tema, no blogue http://asaltovimianzo.wordpress.com, toparedes toda a quepodades necessitar.

Os que moredes perto, animádevos. É umha verdadeira festa para não perder.

Esperamos-vos em Vimianço a tarde-noite do 4 de Julho.

Saudos irmandinhos.

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Umha erva nossa

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herbadenamorar v3xbou seguir a falar de ervas, das ervas ventureiras que deixei sem rematar.

Há umha erva que é especialmente significativa para mim. Umha erva que me traz lembranças de areia e sal, de vento atlântico e tardes de sol de verão, à beira do mar.

Ela é umha erva endémica do Noroeste da península, até o límite do rio Douro, justo dentro do território da antiga Gallaecia romana, ou Suevia germânica, antes de que esse território se partisse em dous para sempre politicamente, que não cultural nem morfologicamente, porque essas cousas não as decidem os homens nem os seus vai e vem.

Esta erva medra na beiramar, na areia ou mesmo nas rochas, em qualquer pequena fenda onde possa estender suas raíces.

Estas, as raízes, são muito mais grandes do que a parte visível da planta, que se aperta num mulido para se proteger fronte ao vento litoral. As flores, pequenas e delicadas, vão da cor rosa à branca e sobranceiam ao resto da planta, sostidas por duras mas flexíveis caules que se movem quando venta, cum tremor de forte fragilidade.

O seu nome científico é Armeria Pubigera e popularmente conhece-se na Galiza como erva emprenhadeira, ou erva de namorar.

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É umha erva com muito contido simbólico e mágico. Dim que, se pôs um raminho no peto do ser amado, sem que se decate,e melhor na noite de São João, ha de ficar para sempre rendido de amor por ti.

Também se di que, se se pom umha flor branca desta erva a carom dumha pessoa durmida, esta há-se namorar da primeira  pessoa que veja ao despertar.

Ainda que medra em todo o litoral até o Douro, o lugar onde mais abunda e onde tem mais significado mágico associado é o Satuário do Santo André de Teixido, aló pola Serra da Capelada, onde os rochedos mais altos da Europa continental, caem a prumo sobre a escuma do mar e onde as almas dos mortos viajam baixo a forma de animalinhos: rás, sapos, pesoias, escâncers… porque a Santo  André de Teixido vai de morto o que não fui de vivo.

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E o que não vai de vivo umha vez, de morto vai três. Quem sabe se esse sapinho que cruça o caminho dando saltinhos, não será a alma do avó, ou da avoa, que baixam polo caminho cara o santuário…

Da minha vila saía, há alguns anos, um  autobus cara o Santo André cada mês.

Havia quem reservava e pagava o asento do autobus do seu defuntinho , ou da finada de sua mãe…

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O verão e a festa

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ADntes de seguir com mais flores ventureiras-tenho umha moreia aguardando no iphoto- vou-vos contar como celebramos na minha vila as festas do verão.

Já vos contei, aos que não sodes galegos, que o verão na Galiza fica inçado de festas, porque o inverno é muito longo e crú.

Não vos posso explicar nada das verbenas, tómbolas e demais porque, como tenho fóbia aos ruidos, este ano não sai de noite. Mas porei-vos umhas imagens do jantar em família, do café à tardinha, na horta, a minha casinha engalanada com as bandeiras da Galiza e essas cousas.

Minha irmá, é muito familiar. Gosta de ter a família ao seu redor e, este ano, juntou 22 pessoas na sua casa. Cada um dos dous dias que durou a festa.

Para esso, tivo que valeirar o garagem, como fai cada ano, e assim todos coubemos bem.

Olhade a minha casinha-antes foi de minha avoa- que linda com suas bandeiras da Galiza nos balcões:

A luz é gris porque, o dia foi de orvalho. Nada que ver com o dia antes, de sol radiante. A Galiza é assim.

A mesa dos convidados, após ter jantado, mentras aguardam o café:


Complicidade entre mulheres:

Homens:

Mulheres e homens:

Parelhas:

Entre gerações:

Consigo mesmo:

Ao sol da tardinha. Com os amigos do segundo café:

Mais complicidades. Esta vez, entre amigos que nos visitam na sobremesa:

Algum achegado:


Tudo é mais formoso baixo a luz do sol:

Bom. Espero que gostasses das festas da minha vila, com família, amigos, vizinhos e sol-um dia. Outro de chuva-.

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Atlántico

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OclearglitterTwistedly.gif Atlántico é um ente orgánico, vivo, que rege a vida dos que moramos e vivimos na Costa da Morte.

Como uma proa ao mar, desde Fisterra até o Cabo Vilão, desde as Ilhas Sisargas à Ria de Muros, a Costa da Morte é o lugar de entrada das borrascas que vem com o vendaval, húmido e quente, arrastrando nuvens desde os mares do trópico de câncer, e tamém do anticiclone das Açores, que nos da estabilidade no verão, quando consegue ganhar a partida por uns dias aos ventos subtropicais. No inverno, o vento do norte, frio, traz as geadas de aló, do Polo Norte, ou as treboadas borrascosas e frias das Ilhas Británicas.
Assim é o Atlántico na Costa da Morte e assim somos seus moradores.
Vivemos ao capricho do Océano e o balanço de cousas que nos traz.
Quando vivi no Mediterraneo, esso não passava: A luz, as colores, o recendo do ar, tinham permanéncia no tempo. Tamém os estados de ánimo.
O Atlántico norte é diferente: Mudável, inconstante, volúvel. Umhas veces radiante e outras escuro. Uns momentos azul e outros gris.
Assim é tamém o nosso ánimo.
Muda como muda a luz do dia: Alegre e expansivo no verão, quando temos 16 ou 17 horas de luz, e escuro no inverno, resistindo nas tabernas e nos bares as longas noites do norte, con vinho, música, e conversa.
3 messes de verão desaforado e 9 de água e vendaval.
Estamos certamente um pouco tolos. Quem não o estaria nas nossas circunstáncias de monicreques oceánicos isolados e abandonados a si mesmos, só com o mar?
Mas, se algum dia vindes cá, asseguro-vos que a Costa da Morte não vos deixará indiferentes.

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