Category Archives: Islão

O ciclo do tempo

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Fazemos umha parada nas ervas ventureiras-ainda me faltam algumas que tenho perto de mim, a carão da porta da casa-, para lembrar outra vez às duas rifenhas que seguem a viver na sua casinha de Vimianço e que se preparam já para o Ramadam deste ano.

Este ano, o mes muçulmano de Ramadam, começa, aquí em Vimianço-depende da lua, já sabedes- o dia 2 de Setembro, e dura até o 1 de Outubro.

A hora de romper o jejum o primeiro dia vem sendo às 9 e 9 minutos da tardinha e, cada dia, com o minguar das horas de sol, vai mudando uns minutos.

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Nos messes de verão, as horas de jejum e de não beber são mais e fai-se um pouco mais dificil de levar.

Mas as tradições são importantes para as duas rifenhas-mãe e filha- mália serem novas e mui implicadas com os costumes europeus. Assim que, como aqui em Vimianço não há mesquita nem almuecim , eu disse-lhe a rapaza que, se queria, pedia um alto-falante e berrava-lhe desde a minha janela do sobrado: Allah uakbar! quando chegasse a hora, mas acredito em que não fai falta. Elas levam o tema com muito agarimo e saudade pola sua terra e não precisam de avissos.

Na entrada do Ramadam do ano passado, já vos expliquei como o celebram.

Às vezes parece-nos que os costumes ou as tradições são umha parvoíce. Eu penso que são, mas quando são forçadas. Porém, se se fam com agarimo e coração, sem supôr um distanciamento dos demais, mas umha satisfação para o espírito, são umha benção. E umha fonte de variedade cultural tão apaixoante para o que gosta de conhecer.

Ramadam Mubarak a todos os muçulmanos e muçulmanas se é que algum ou algumha entra no blogue.

رهذان  هبارگ

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Imos lá

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Após der seis anos em Marrocos, são muitas as imagens, as sensações, os aromas e colores que traz a lembrança.

Hoje vou-vos levar comigo de viagem, desde Marrakech ao deserto de dunas -erg- e também de pedras negras que cobrem a fina areia -hammada-. São as duas castes de deserto que podemos ver em Marrocos.

Não sei se as minhas imagens o podem transmitir, mas Marrocos é um pais que te eleva o espírito, faz-te sentir jeito tão especial que é muito difícil de explicar: É a sensação de ficar só, na soedade total, e ao mesmo tempo arroupado polo agarimo e esse jeito que tem a gente de se fazer querer e de fazer que te sintas querido.

A primeira vez, asusta. Mas , se não te botas atrás, engancha.

Engancha como umha droga psicotrópica.

Por eso tardei tanto em pôr as imagens da minha última viagem.

Porque tinha um mono que não podia aguantar.

Bem. Vou-vos pôr as imagens em duas tandas:

Na primeira, veredes as medinas de Fés e Marrakech,com suas ruas estreitas ateigadas de gente, burros, bicicletas e toda caste de mercadorias, e até umha escola de meninhos, na medina de Fés. Nos montes de cedros do Meio-Atlas, os macaquinhos que vem espilidos quando tem fame e há movemento perto. As ruinas romanas de Volubilis merecem, elas soas, umha viagem…
E a Praça de Yemaa El Fna, o umbigo do mundo da fantasia que ainda sobrevive…

As próximas imagens, são do caminho desde Marrakech até o erg-deserto de dunas de Merzouga.
Todo o caminho transcorre por um deserto de areia cuberta por pedras negras-hammada-, por montanhas e vales de rios que formam oasis viçosos no meio da nada.
Também passa ao pé das montanhas do Atlas, com os curutos cubertos de neve, como um decorado de fondo ao deserto e aos vales de palmeiras e cultivos.
O povoado de Aid Ben Haddou, um Ksar, ou cidade fortificada, que agora fica quase abandonada, só com os velhinhos que se resistem a deixar suas casa para irem às novas que se construem à outra banda do rio seco, na beira da estrada.
Logo o deserto, levantar-se de madrugada para ver o espectáculo do amencer sobe as dunas, a tarde de treboada, pola banda algeriana, que fica a uns quilómetros de areia, o sol-pôr, a lua que sae…Não hà palàvras.
A aldeia Gnawa de Khamilia, no centro da nada…Os gnawas que conservam suas tradições curativas a travês da música:
Soudani, soudani…lembrando o tempo em que vieram de Sudam para trabalharem de escravos nas minas de ferro…

Aïd El Fitr

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Aïd El Fitr é a festa do fim do mes de Ramadam.

As rifenhas celebrarom hoje o fim do jejún com pastelinhos e a rapaza veu pola manhã com sua cadeia de ouro, onde penduravam todos os seus amuletos: Umha mão de Fátima de ouro cum olho azul no meio, umha reproducção do Alcorão de ouro, o nome de Allah, umha chapa com seu nome,um coração…As mulheres do Rif sempre recibem agasalhos de ouro, desde crianças. Vão guardando para quando hà um mal momento e se precisam cartos. É um depósito de capital que se luz e se disfruta. A dote da voda, faz-se em ouro e é o noivo quem paga o que a sua prometida elige na ourivesaria.

Trazia também umha pulseira de ouro calado, do estilo das que levam as bereberes, um anel de ouro…Todas as jóias de festa, mas faltava o cafetã de seda e bordados , as babuchas, tudo o que, em dias de festa, faz que as mulheres marroquinas semelhem princesas das mil me umha nuites.

É a primeira festa que passam lonje da casa, sozinhas,sem a família, nem os vizinhos, nem todo o ritual que acompanha as festas muçulmanas.

O mundo sempre fui um caminho cheio de gente que vai e vem.

Uns para cá. Outros para lá…Assim se fui tecendo a História e assim se tecem as histórias de cada quem..

Aïd Mubarak. Salam.

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A nuite vinte e seis

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Hoje é a nuite 26 do mes de Ramadam.

Segundo a tradição muçulmana, esta nuite as portas do paraiso ficam abertas e também as do inferno. É a nuite en que os anjos e os dianhos andão ceivos e nos visitam, na terra, e é também umha nuite de festa para os meninhos.

No Rif, na cidade na que eu vivia, esta nuite os meninhos e meninhas saiam à rua habilhados do melhorinho, com roupas de festa, jóias e alfaias, e eles com djilabas brancas e puchos de Fés, esses que são redondos, de color grana, e tem umha borlinha negra pendurada que se vai movendo ao caminhar. Também, essa nuite, pintam as mãos e os pés com henna, fazendo lindos dessenhos
Os fotógrafos colocavam suas cadeiras forradas de seda e abalórios na praça, coma se for tronos do rei e da rainha, tão kitch como só os marroquinos ou os marinheiros sabem fazer e os pais levam aos filhos para facerem o retrato que inmortaliçará esse dia.

Muitos meninhos vão à mesquita para pregar por vez primeira e caminham pola rua todos cheios de fachenda.

Tenho tanta saudade de Marrocos, que ainda penso que, se saio à rua, vou topar com as ruas ateigadas de gente, os amigos do bazar tomando chà na sua porta, a tenda de louça com o teito cheio de cipós, que o Suso dizia que era a selva de Tarzan, a terraça da Belle Vue, onde vou ir tomar um suco de laranjas doces de Berkane, mentras miro o mar e a lua, que se levanta.

Esses cafés de Marrocos, cheios de homens sempre e agora, nas nuites de Ramadam, mais.

Homens silenciosos, que jogam ou olham o mar sem se mover nem falar durante horas. Outros conversam, mas tão baixinho, que não se percebe nem o balbordo.

Os meninhos que vendem cigarros, que passam a miudo polas mesas, o vendedor das amendoas fritidas, os que seguem o futebol espanhol na tv, ou sintoniçam Al Jazeera.

Deus, como os estranho…!

Ainda fico là e penso que, quaisquer dia, abrirei os olhos, e volverei a Alhoceima, a caminhar as ruas costa arriba, subir os três andares, e entrar na minha casa, cheia de ruidos da rua, cantos do muecim da mesquita e recendo a hortelã do chà e a canela e amendoas dos pastelinhos de Ramadam

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Tardes de Ramadam

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Cada dia, as rifenhas vem consultar a hora da pregária de Al Magrib, que é a pregária que marca o fim do jejum.

Cada dia a hora é diferente, e varia duns lugares a outros. Consultamos na página dos muçulmanos espanhois, Webislam, e cada dia varia um ou dous minutos, mais ou menos. O relógio da lua, que goberna a vida no islão, não é o mesmo que fabricam nas relojarias suiças. Tem outros ritmos que variam dia a dia, mes a mes, ano a ano.

Aí polas cinco da tarde, Hayat empeça jà com a “Harira”, a sopa que, junto com as chebbakiyas, serve para romper o jejum, alomenos no Rif, que em cada lugar o alimento primeiro pode ser outro. Noutras partes de Marrocos, antes da harira comem dátiles e bebem leite batido, coma aquele que se fazia antiguamente nas casas de labradores da Galiza, batendo cum pau que levava numha ponta umha rodela de madeira, o leite que havia dentro dumha ola de barro.

Logo mantinha-se assim, fresquinho, para beber nas tardes de verão quando vinhamos cansos e acalorados de apanhar o trigo, ou as patacas.

Tudo esso, para nós, jà não existe. Agora mercamos na tenda o iogur e todas essas variantes que tem tantas cousas boas para a saúde ???, mas, em Marrocos, ainda se bebe, para dar as bemvindas a umha casa, ou para se refrescar no verão. Nas portas dos Mercados, hà sempre algumha mulher ou algúm homem vendendo cuncas de “leben”, qu é como lhe dim a esta bebida , que se consumem alí mesmo. Mesmo na porta das mesquitas e, desde logo, em todas as leiteriaso hà para beber ou para levar.
Bom, pois aquí não hà leben, mas a harira de Hayat, não falta cada tarde. Após de romper o jejum traz umha potinha para o Suso e para mim.

È umha sopa rica em ingredientes, e muito reconfortante:

Leva ólio, carne, gravanços, ápio,tomate, salsa, cominhos, pementa preta, fideus finos, cebolas , e, a última hora, engadese-lhe um óvo e farinha previamente diluida em água. É dumha elaboração lenta e artesanal.

Tem um sabor muito especial e quenta bem o corpo.

Hoje , segundo o webislam, a hora de Al Magrib, é às 8 e 20 da tarde , hora de Madrid.

Até essa hora, elas não comem nada , nem bebem nada. Pola nuite, depois da harira, comem várias veces tortilha, peixe, chà com pastelinhos, biscoito, e até de madrugada se levantam para tomar café com leite e bolachas, para poder resistir todo o dia.

Muita gente diz: Que parvada!

Mas eu penso que é bom manter as tradições, as crenzas, a memória, sempe que, como neste caso, seja por própria vontade . Umha ilha de Ramadam em Vimianço. Quem o ia dizer…?

 

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Ramadam

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Onte chegou Hayat do Rif. Ilusionada com a nova vida que vai começar aquí, entre nós, neste outro fim do mundo.

Veu cargada de chebakiyas, os dóces típicos do Ramadam .

Os muçulmanos, com jà disse outras vezes, contam os meses pola lua, Quando começa a se albiscar o quarto crecente, apenas umha raia curva de prata no céu, após a lua nova do noveno mes, então começa o mes do Ramadam. Começa também o jejum desde o amencer ao solpor.

Para os muçulmanos de Marrocos, começa hoje, para os espanhois, manhà, para os Palestina e Meio Oriente jà começou hà dous dias.

Hoje anda arranjando a sua casinha de aluguer, para ter todo preparado para se mudar esta nuite e começar o Ramadam na sua casa.

Para ela, e para todo muçulmano que aporte por aquí, que nunca se sabe, Ramadam Mubarak

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Muharram e ashura

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Hoje tocou-me vigiar no pátio na hora do recreio, e fui um pouco bulideira a cousa, porque aginha se celebrará o dia da Ashura, que para os muçulmanos chiís é um dia de dó e peniténcia e, pola contra, para os sunnitas, coma os meus vizinhos, é dia de lhe fazer agasalhos aos meninhos e de molhar à gente com vexigas cheias de água- esto não tem a ver nada com a religião- .Também é umha tradição que, em este dia, as mulheres cortem um cachinho da sua cabeleira e a ponhão na terra, regada com água, para que o cabelo colha força.

No meu turno de vigiáncia, coincidi com Ahmed, e falamos sobre temas da religião muçulmana, e do paganismo anterior, de onde bebem todas as religiões actuais.

Ele explicou-me que o nome de Muharram, significa: Haram: Proibido e outra palávra que não lembro que significa: Violéncia.

O mes de Muharram, era um dos tres meses do calendário pre-islámico nos que ficava proibida a guerra e as liortas.

Muharram, Safar, Rajab e Sa`ban, erão os messes nos que a gente ia à Meca para pregar aos deuses pagãos de toda a península arábiga.

A fim de que ficasem tranquilos e vinhesem, as duas famílias de comerciantes mais poderosas da cidade, instaurarom a lei que proibia a violéncia em essas datas . Assim podião pregar e, de passo, mercar e dar-lhe circulação às mercadorias.

Onte convidou-nos Hayat a jantar cus-cûs na sua casa. Celebramos a entrada do ano com ela, suas irmãs, a filha, e meia dúcia de amigas mais.

Um auténtico gineceo, onde o Suso se atopava algo estranho e rosmom.

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