Category Archives: Mitos, tradições, contos: O reino de Psique

De luzes e sombras. Monoteísmo vs. Politeísmo.

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aclearglitterTwistedly.gifo longo da vida, umha vai topando com pessoas, situações, fatos e vivências, próprias ou alheias que, quando se chega a umha certa idade e se está tranquila, sem trabalhar, só arrincando as ervas que estorbam no horto ou estendendo a roupa a enxugar, dão para muitos pensamentos e descobertas que fazem que umha não queira volver atrás no tempo, ainda que isso for possível.

Há pessoas, que a miúdo dizem: Quem me dera agora de vinte anos! Quem tivesse quinze ou dez e oito!!!

Se a mim me oferecessem essa possibilidade, consideraria-a umha condena, um castigo, um tormento como o de Sísifo e a sua roda, volver ao pé do monte, para subir de novo a pesada pedra da sua ignorância.

Por que digo isto? Pois porque a minha vida até os vinte anos, transcorreu num colégio católico, baixo umha ditadura e só após muito tempo fui quem de recuperar a minha inocência infantil. A viagem de volta foi um periplo arredor de mim mesma, do océano desconhecido e tenebroso que era o meu interior. Umha viagem ao fundo de mim mesma, que resultou fascinante, mas tamém terrível, dura e cheia de dor.

O outro día, falando com umha amiga minha, umha rapariga muçulmana que conheci nos meus anos de docência no Rif, ela contava-me o processo no que estava inmersa e lembrei tanto a minha própria vivência e a amargura, que me dou para esta reflexão:

Muita da angústia existencial dos seres humanos e, sobre tudo, se são do género feminino, vem pola via da religião. A religião que não é tal, porque não cumpre o seu objectivo de ajudar a se re-ligar com tudo quanto existe e sentir-se umha parte deste universo do que somos parte consciente e viva.

A religião, tal e como está concebida hoje em dia, é apenas um sistema de normas morais, que não éticas, de corte patriarcal,alienante e até sórdido e vergonhento. Faz-nos sentir mal, em contradição com nós mesmos, temerosos e eivados, privados da nossa capacidade para seguir aos nossos instintos, emoções, raciocínio e sentimentos,  os quatro eixos nos que se fundamenta o nosso ser. Em troques, exige-nos delegar nos papas e popes que ditam as normas, deixando que pensem, sintam e decidam por nós.

Há gente que fica contenta com essa maneira de fazer as cousas: Eles não pensam , limitam-se a assistir aos templos, presenciar a litûrgia e seguir as normas de portas para fóra, diante dos demais: Ficam tranquilos, sem problemas aparentes e são bem vistos pola maioria dos seus vizinhos.

Mas, negar-se a si mesmo, com o tempo, passa a factura , ao indivíduo e à sociedade na que ele vive.

E excuso falar de escándalos, abusos,intoleráncia, machismo, violéncia, extermínio de seres humanos,por parte dos papas e popes de religiões várias.

E agora chego ao ponto central da minha reflexão: Há dous jeitos de conceber a religião: O monoteismo : Cristianismo, que junto com o islão, procedem do monoteísmo hebreu, nado nas áridas terras do Meio Oriente, nas tribos dos pastores de ovelhas. Religião que afinca as suas raízes na crença dum único deus que, como tal, tem de ser excludente, monolítico e unilateral.

Nas religiões monoteísticas há espaço unicamente para a luz, umha luz cegadora que emana de deus e que não deixa lugar a sombras, pontos escuros, penumbra ou escuridade. O olho de deus, dentro do triângulo, está sempre à espreita,vigiando cada passo, cada ato, cada pensamento. Na cultura islámica, esse olho está representado na comunidade, na umma, a sociedade na que vives, que te protege, mas que vigia implacável o teu comportamento. Para que falar da religião hebrea, que sostem que os seus praticantes são o povo elegido entre todos os demais da humanidade.

Está claro que as religiões monoteísticas, assim concebidas, são inhumanas, porque privam ao ser humano de algo fundamental na sua essência e que tem de se manifestar a travês da sua existência.  Privam ao ser humano, como micro-cosmos que é, da sua sombra, escuridade,penumbra. Os ritmos macro-cósmicos de dia e noite, verão e inverno,solpôr e amencer. Assim trata de lhe arrincar da mente a ligação com o útero, essa parte feminina escura e húmida de onde procede, para mimimiçar o papel da mãe, porque deus não pode ser umha mulher. Faltaria mais! As sociedades de pastores são patriarcais ao cento por cem.

Mas… Umha pessoa não pode viver sem a sua própria escuridade. A escuridade das cousas que não gostam aos popes, dos instintos, emoções, sentimentos e ideias que temos de reprimir, represar no nosso interior sem sequer atrever-nos a reconhecé-las, olhá-las de frente, queré-las como nossas, porque 0 são, rir-nos com elas, perdoar-nos e compreender-nos, para poder compreender e perdoar aos demais. Ou sacá-las à luz, para enfrentar-nos à catarse colectiva, porque, no fundo, todos somos iguais e a todos nos passam as mesmas cousas.

As religiões politeistas, comprem melhor esta função: Há deuses para os aspectos luminosos, mas tamém para os escuros: Sempre há algum deus ou deusa que encarne o desejo sexual, a ira, a impaciência, e mesmo a morte e a devastação. Assim, sempre podes ir acender umha candeia a um deus diferente, segundo o que reine nesse momento no teu coração.

As religiões pagãs, as animistas, são ainda mais humanas, porque ensinam a venerar a través da natureza, das ârvores, das plantas, dos ríos e os astros, cada recuncho do nosso ser, despertando a conciência de que formamos parte dum todo que nos cuida e nos protege, o mesmo que faz florescer as plantas, ou nos agasalha com os frutos da terra, a energia do sol ou a água que acalma a nossa sede.

A mais antiga das religiões conhecidas, diz-nos que não há nada além de TAO, o rio que flue e no que nos devemos  deixar levar se queremos ser felizes.


Cada quem tem o direito de praticar sua religião, se assim o decide. Mas, ainda para os crentes monoteístas: Que sentido teria que o deus que nos criou nos fosse premiar por rejeitar umha parte de nós mesmos e lutar contra ela? Se não gostamos de nós mesmos, pouco contento pode ficar o nosso criador. E nós, ainda menos. Assim faremos da nossa vida umha hipócrita amargura e da dos demais, um inferno.

Ao fim. Quem criou a quem? Os deuses a nós ou nós a eles para tratar de compreender o universo das nossas vivências e o acontecer da existência do cosmos no que estamos inmersos? Para tentar compreender o latejo do nosso próprio coração…Bum-bum. Bum-bum. Bum-bum. Sístole e diástole. Contracção e expansão. A música do universo está no nosso interior. Só há que ficar em vacío silêncio para escutar…E sentir…


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Páscoa Florida

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e6xqra assim como lhe chamavam à festa da Páscoa primaveral quando eu era meninha. Hà duas páscoas no ano. A do Natal, ou solstício de inverno, e a Páscoa Florida ou de Resurreção, a do equinócio de primavera.

Se a Páscoa do Natal era umha festa do sol, esta é umha festa claramente feminina. Festa da terra-florida e resuscitada- e da lua-sempre tem de ser celebrada em lua cheia, de aí, a variação no dia da sua celebração dum ano para o outro

Na minha infância, a missa ritual de Páscoa, com a benção da água e do lume, celebrava-se à meia noite, mas hoje, desde o quarto onde escrevo, já senti tocar o sino repenicando aí polas dez.

Amanhã é o dia em que os padrinhos agasalham aos afilhados com os ovos, que se comem no almorço. Contou-me minha mãe que um tio meu, chegou a almorçar, ao vir da cama, umha omeleta, que não tortilha, por não levar patacas, com umha dúzia de ovos. Erão tempos de post-guerra e fame

Hà lugares onde cozem os ovos ou vazia-nos e depois decoram-os , fazendo preciosidades:

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Mas agora, no momento de consumismo esagerado q1ue vivemos, esso já não se leva muito e os ovos, são de chocolate, re-cobertos de papeis de lindas cores e com umha laçada bem posta no picoroto do ovo.

Dento levam um brinquedo, para surpreender a umhas crianças cada vez mais difíciles de serem surpreendidas.
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Nas cidades, as pastelarias, confeiçoam tartas com figuras de chocolate que são verdadeiras obras de artesanato e criatividade. Em Catalunya, chamam-lhe “monas” e fazem verdadeiras maravilhas.
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Na minha vila, as pastelarias confeiçoam os ovos e as roscas adornadas com frutas confitadas e a famílias juntamos-nos a almorçar . Esso, em quanto à minha, porque como levo tempo fóra da vila, não sei bem o que se faz agora.
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Ademais dos ovos, símbolo de fertilidade, também apareceram hà algum tempo, uns coelhos de chocolate envoltos em papel colorido. Nos paises germánicos e anglo-sajões, estes coelhinhos agachan os ovos de Páscoa pola casa e polo jardim, e são os meninhos os que hão de os buscar até dar com eles.

Estes coelhos são símbolos de fertilidade, devido à sua facilidade para se reproduzir e procriar.

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Bom. Pois ainda que eu não vou à igreja há tempo, gosto muito dos rituais e, se a máfia vaticana não for umha realidade, seguramente ficaria agora na igreja com a minha vela acesa e a minha garrafa de água abençoada.

Mas, ainda que não vaia pola igreja, tenho meu templo aquí, no meu quartinho, onde falo com vós e recordo todas estas cousas.

Feliz Páscoa a todo o mundo e que tenhades muita próspera fertilidade nas vossas vidas.

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O Imbolc, as candeias, o crego e a alcatifa

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Pode que este título semelhe longo demais, mas é como umha daquelas histórias cómicas de tempos atrás, ainda que, bem mirado, tampouco é tão cómica.

Vou ir ponto por ponto para não nos perder no trafego da história.

Imbolc, sabedes que era o festival da luz, na antiga mitologia celta, como já vos contei em fevereiro do ano passado. Bem, pois no Imbolc, celebrava-se o renascer da luz e prendiam-se candeias , para simboliçar o facto -como povos indoeuropeios, os celtas tinham o lume como algo sagrado-

Bem. Segunda parte: Quando o cristianismo chegou, não inventou nada, simplemente adaptou as festas pagãs e inventou-lhe umha história paralela, que é na que a gente de fé, acredita ainda hoje.

Concretamente a das candeias, que se celebra o dia 2 de fevereiro, seguida do São Brais o dia 3, era o dia de ir à misa, abençoar a cera que se tinha na casa para todo o ano:

Quando algumha pessoa jazia agonizante, punha-se-lhe na mão umha vela abençoada o dia de candeias. Quando tronava muito forte, acendia-se umha vela das desse dia, e assim era com as ocasões extraordinárias nas que havia que se proteger com o lume sagrado.

Também nos contavam a história de que, os meninhos que morreram sem baptiçar ficavam os pobrinhos no limbo, que era un sitio onde ficavam às escuras, agâs o dia de candeias, quando se acendião as velas abençoadas . Lembro as mães que perderam seus meninhos antes de os poder baptiçar levar suas candeias com toda a fé do mundo em que seus filhinhos ião ver umha luzinha acesa por umha vez.

Bem. Pois esso que digo, era quarenta ou quarenta e cinco anos atrás.
Mas há muita gente que ainda segue indo à igreja abençoar a cera. E agora vou-vos contar a parte do crego e a alcatifa.

Há uns meses que a Igreja disse que já não há limbo, que o Papa chegou à conclussão de que esse lugar não existe -manda caralho tanto tempo enganando às mães-

Pois, ainda assim, o dia de candeias, a gente dumha parróquia perto da minha, que comparte cura, foi à misa com suas velas e sua cera para que o cura lha abençoar. Quando rematou a misa, umha mulher, ao ver que ele ia embora, diz:

Senhor cura. E logo não vai abençoar a cera?

E seica o cura lhe diz que esso era umha trapalhada e que ele não abençoava nada.

Como queira que a mulher se anojou, o cura dizlhe:

Ponha-se-me fóra, que a igreja é minha.

Sua não é, porque você leva aquí quatro meses e nós levamos toda a vida. Eu venho abençoar as velas desde que era umha criança e, quando houve que amanhar a igreja, todos puxemos dinheiro. E, ademais- e agora vem o da alcatifa- Para que você saiba, essa alcatifa que está a pisar, merqueina eu para lha agasalhar à igreja.

Pois escuite, senhora, colha a alcatifa e punha-se-me fóra com ela.

Agarrou a alcatifa, turrou por ela, e mandou à mulher fóra com ela no mando.

Mentras tanto, o resto dos vizinhos, caladinhos com as suas velas na mão não dissem ren.

Na Galiza da minha infáncia, havia umha crença quase universal há tempo: Nunca te leves mal com o médico ou com o crego.

O médico, porque che pode dar um medicamento “contrário” e o cura, porque quando vaias morrer, não te enterra em sagrado.

Para alguns, semelha que ainda pervive

Já vedes que a história é e não é cómica.

Mas bem tragi-cómica.

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Umha face ao passado. Outra ao futuro

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Assim é como se representa Jano, o deus das duas caras que da nome ao mes de Janeiro, o primeiro do ano para as culturas que tem suas raizes na tradição do Império Romano.

O ano novo celta, começava em Outono, com o mes do Shamain.

O primitivo ano dos romanos, começava em Martius, em honor a Marte, o atual mes de Março, e tinha 340 dias repartidos em dez meses.

Mais tarde engadirom-lhe dous mais- Janeiro e Fevereiro- e fui Julio Cesar, no 47 a.C. quem decide que o ano debe começar em janeiro-calendário Juliano- e não fui até o 1.582 que o papa Gregorio XIII reformou para o adaptar aos anos bisiestos-calendário Gregoriano- que é o que rege hoje.

Durante um tempo,ainda se seguiu a celebrar em diferentes datas,sobre tudo em Italia:Em Florência, o ano novo fui o 25 de Março até o 1.749. Em Venézia o 1 de Março e em Milã o 25 de ezembro até o 1.797.

Nas colónias británicas americanas, celebrába-se o 1 de Março, como na Inglaterra protestante, até 1.752. Nas possessões portuguesas, espanholas ou francesas, desde o 1.582, passou a ser o 1 de Janeiro, seguindo o calendário gregoriano.

Durante a Revolução francesa, fui reformado o calendário, tirando-lhe todas as connotações religiosas -prometo falar outro dia do tema com tempo-.

Quais erão as práticas dos romanos para receber o novo ano?

O poeta Ovidio, nos Fastos, explica-nos:

Janeiro é presidido polo deus Jano, o das duas faces. Tem umha nova, que mira ao futuro -ano novo- e outra velha, que mira ao passado-ano que rematou-. O deus Jano era um deus de iniciações e ritos iniciáticos, por esso ficava como porta iniciática do ano que estava por vir.

O dia do ano novo, os romanos convidavam a comer aos amigos, e agasalhavam-os com pólas de loureiro ou de oliveira do bosque sagrado de Strenia, a deusa da saude, como agoiro de boa fortuna e felicidade.-

Com o tempo, estes agasalhos são substituidos polos strenae-os nosos estreos, vaia- mais “modernos”: Jarras de mel de cerámica branca, com dátiles e figos, que se entregavam com esta frase: ” Para que passe o sabor amargo das cousas e o ano que começa, seja dóce”.

O próprio das calendas-primeiro dia de cada mes. Primeira lua nova- do ano, era trabalhar, porque, segundo palàvras de Jano, citadas por Ovidio:

“Consagrarei a todos aqueles que comecem o ano trabalhando, para que não tenham um ano de preguiça”.

Assim que, já sabedes, nem uvas nem farrapos de gaita. Trabalhar, lampantins, que só pensades em festas…!

Feliz nuite de fim de ano e feliz ano para tudos.

O abeto iluminado

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O abeto iluminado é outro dos ícones do Natal que vem de longe…

A origem mítica, fica na Alemanha, onde o carvalho de Odim era a árvore dos sacrificios: Ao seu pé, sacrificavam-se os escravos capturados nas batalhas.

Também se adornava umha árvore umha vez ao ano, para lhe render tributo aos deuses e às árvores mesmas, muito importantes na filosofia de vida pantheista dos povos celtas e nórdicos.

E rendia-se tributo a Thor, portando os cadolos de doce folhas de palma, umha por cada mes do ano. Prendia-se lume na ponta do cadolo, e apilavam-se ardendo.

No século IV, um freire chamado Bonifácio, o evangeliçador da Alemanha, ficou horroriçado quando viu o que faziam aqueles adoradores de Odim, e do paganismo no que viviam, e ordenou talar o carvalho.

Ao cair, barreu tudo ao seu passo, agás um pequeno abeto que permanecia em pé.

Assim, tomou o abeto como símbolo da trindade de Deus-por ter forma de triángulo- e como oposição ao carvalho pagão.

Adornou o abeto com maçãs -as bólas de hoje-e velas acesas, e aí remata a lenda da árvore até que, Luther, o reformista alemão, contemplou umha nuite on brilho das estrelas nos abetos geados, e levou um à sua casa e adornou as suas pólas com nóces, maçãs e candeias, para simboliçar oos dons que nos aporta o nascimento de Jesucristo.


Com o tempo, a árvore iluminada vai-se estendendo por Alemanha e, com ela, os mercados de adornos, dóces e agasalhos.

Era habitual, o dia 24, levar ás ciranças de passeio ao campo, mentras nas casas se colocavam as árvores adornadas e os agasalhos ao pé. Quando vinham de volta, abriam os agasalhos e começava a festa do Natal.

De aí passou a Inglaterra, onde é populariçado polo príncipe Albert, consorte da rainha Victoria, que era de origem alemão.

No ano 1841, mandou colocar umha grande árvore como as que havia no seu pais no castelo de Windsor e a ideia tivo tanto sucesso, que aginha se estendeu às casas de toda Inglaterra.

Os ingleses levaqrom a árvore aos USA onde, no 1847, se instala a primeira iluminação de Natal, em Ohio.

Não compre explicar como rematou o carvalho de Odim

O Pai Natal. Um mutante que vem de longe

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A figura do pai Natal é nova na Galiza. Na minha geração, ainda não tinhamos o prazer de conhecer a este velho rideiro do Ho Ho Ho!

O velho paternalista, existiu em Grécia como Cronos, em Roma como Saturno, e nos caminhos nevados de Centroeuropa, como o Senhor Inverno.


Tem seu referente histórico em São Nicolás, bispo de Myra, umha cidade da antiga Licia, que hoje corresponde a Turquia.

Viviu no século IV, e no século XI, o seu sartego de mármore, fui transladado por uns marinheiros à cidade italiana de Bari, onde se venera como São Nicolás de Bari.

Já nos primeiros anos, a sua lenda fala de que era defensor das crianças e que sempre tinha para eles agasalhos .

Numha ocasião, um pai queria casar suas filhas, mas não tinha dote, porque ficava na ruina. São Nicolás, sem que soubessem, entrou na casa e deixou três saquetas de ouro ao pé da cheminé. Umha para cada filha.
Contam, mesmamente, que havia um pousadeiro no seu lugar, que matou a três clientes -moços- bébedos para lhe roubar os cartos e depois agachounos na pipa do vinho.. Quando São Nicolás soube, resucitou aos moços e reprendeu ao taberneiro.

Vedes como jà encetamos o que é o mito: Factos mágicos em linguagem simbólica. Seguramente haverá que se escandalice porque faz a leitura racional. As crianças, sabem encaixar as peças no quebra-cabeças do pensamento simbólico -se não sodes como meninhos não podés entrar no reino-.

Quando vem a Reforma de Luther, o alemão, tenta mudar ao portador dos agasalhos, para que for o meninho Xesús o dia 25, e marcar diferencias com os católicos, mas a sua ideia não tem éxito, porque Sáo Nicolás, que fazia os agasalhos na noite do 5 ao 6 de janeiro, muda o dia para o 25 de Dezembro, para desbancar ao meninho. Como vedes, quem move aos mitos também tem sua parte pragmática.


Onde colhe mais força o mito de São Nicolás, é em Holanda, onde se conhece como Sinterklaas -Sint Nicolaas-.

Sinterklaas, segundo a tradição holandesa, vem de Espanha -Como sabedes, Bari, onde repousam os restos de São Nicolás, pertencia a Coroa de Aragom e mais tarde a Espanha- num barco de vapor e montado num cavalo branco. Tem um ajudante preto, chamado Zwarte Piet -Pedrinho o Preto- A respeito deste detalhe, há várias interpretações: Há que diz que São Nicolás libertou a um meninho escravo etíope no mercado de escravos da sua cidade, e agora, agradecido, acompanha-o, e há quem explica a color dizindo que é um italiano que se adica a limpar o felugem das cheminés. Como queira que seja, na tradição holandesa, é o Zwarte Piet quem baixa polo tubo da cheminé para deixar os agasalhos. Os Canadianos que ajudarom a Holanda na II guerra mundial, engadem-lhe mais Zwarte Piets enredantes e brincadores que, desde aquela, acompanham ao distinguido e sério Sinterklaas.

Quando os holandeses coloniçam as costas de América do Norte, fundam umha cidade chamada Nova Amsterdam e importam a figura do Sinterklaas. Construen umha estátua e celebram sua festa.

Mais tarde, os ingleses arrebatam-lhe a cidade, e o Sinterklaas pasou a ser o Santa Claus dos anglo-falantes.

Mais tarde passa a Inglaterra e, de alí, a França, onde lhe chamarom Papa Noël. Pai Natal.

Pouco a pouco, vai desbancando a outros seres paganos que fazem agasalhos: O Apalpador, na Galiza, A fada Befana, em Itália, o Olentzero, em Euskadi, o Tió, em Catalunya, e aos diferentes duendes, velhos e fadas de toda Europa.

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A imagem do Pai Natal fui mudando com o tempo.

De ser um bispo alto e fraco, como o representam em Rúsia e paises ortodoxos, passa a ser um velho com barba branca, roupa e capa vermelha e caxato de bispo.

No Norte, veste pantalões, botas altas de neve e pucho.

Mas, a transformação definitiva produz-se no ano 1930, quando os dirigentes da Coca-Cola, o vestem com traxe vermelho com orelos brancos, as cores da marca, um cinto negro e barriga prominente e cara feliz.

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Colheram ao mito, e volveram-o marketing

 

Fui o sinal de saída para a carreira da comercialização masiva de mitos, símbolos, ícones e demais elementos sagrados da fantasía humana no decorrer da história.

Todo se vende e todo se compra. è o que há.

 

Felices Festas.

Iconografia do Natal

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São as onze menos quarto da manhã deste dia do Natal de 2007.

Fico sozinha aquí, no meu quarto de estar, ouvindo o vento que zoa do vendaval e o silenzo da casa, onde tudos dormem.

Pola fiestra, vejo as árvores da beira do rio, as campias da Gandra e os montes de Cambeda.

É um dia especial.

Um dia no que se celebra um nascimento.

O nascimento dum meninho de luz.

Umha metáfora do que passa fóra, onde o sol se move e os planetas vão virando arredor, na procura da luz e o calor, mas também dentro: Um meninho tem de nascer dentro de nós cada ciclo da nossa vida. Um meninho divino, que nos traz umha mensagem de luz e calor ao nosso coração, o sol que nos quenta por dentro.

Estas duas metáforas, ficam bem representadas na iconografía do Natal:

A primeira, serían as velas . Luz e calor presentes em todo Natal que se tenha por tal.

E a segunda, o Nascimento, ou Belem, um ícone com muita força do meninho que nasce como um germolo de luz dentro da caverna do nosso interior. Todos temos um pontinho de luz que nos acompanha agachadinho dentro e que às vezes, deixamos saír: Quando esso passa, chamamos-lhe tenrura, compaixão, solidariedade, agarimo,alegría,amor…Felicidade, ao fim.

Também hà um ícone. Um senhor gordinho que fabrica brinquedos para os meninhos na sua casa de Lapónia. Ele é o ícone da ilusão infantil:

 

Mágoa que, no 1931, o fichasse a Coca-Cola…

Também há três personagens de diferentes étnias e culturas, que cabalgam juntos a través do deserto e convocam a ilusão das crianças e a sábia convivência entre diferentes. Guia-os a estrela da sabedoria, a que faz que cada um busque e ofereza o melhor de si mesmo em harmonia com os demais, diferentes de nós e com outras prioridades: Un leva o ouro do amor que nos faz reis, outro o incenso que se eleva e aromatiça, e outro a mirra perfumada para o cuidado do corpo.

A felicidade interior, a união com o que sentimos e não compreendemos, e o cuidado do mundo físico :micro e macro-cosmos.

As três cousas que precisamos para ser a encarnação de deus. O neno divino do Belem.

Não sei por qué os curas nas igrejas não explicam estas cousas. Falam e falam dum tal Jesús que nasceu há 2000 anos sem explicar que esse Jesús é cada um de nós e que cada personagem do relato é um símbolo das potências, atitudes, e avatares das nossas vidas. A religião das igrejas sempre tenta interpretar os mitos de jeito literal, para os alonjar de nós e pôr os nossos pontos de referência fóra do nosso círculo próprio. Gosta das pessoas ex-céntricas, para que, assim, virem arredor do seu rabo.

Já vedes que o Natal, é umha festa simbólica e muito ilustrada na iconografía.

A próxima festa cargada de símbolos, será a do equinoccio que marca a chegada de primavera.

Será a segunda Páscua. A Páscua Florida. A da simbologia da morte e a resurrecção.

Amanhã, conto a história do Pai Natal. Inchallah.

Por certo, os muçulmanos, também celebram estes días a sua Páscua Grande, de Aíd El Kebir, que este ano, cadra com o Natal.

Aíd Mubarak

Feliz Pascua para tod@s.