Category Archives: Natureza

Volvendo sobre os passos

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esde que cheguei de Marrocos, a minha vida foi mudando. Passei 35 anos fóra, e só 20 anos na minha casa: Os dez da minha infáncia e outros dez de maior. Agora levo desde a primavera do 2007 sem me mover e, pouco a pouco, de vagar, vão vindo a mim todas essas vivências do passado infantil, quando todo era vivido e experimentado por primeira vez. Essas vivências que marcam as nossas vidas para sempre e nos deixam um pouso que, como o dos vinhos, vai dar aroma e sabor a todo o que vivamos depois.

Agora fico cá. E deixo que todo esse pouso vaia subindo desde o fundo e aboie na superfície, entanto disfruto das cousas que me foram arrebatadas antes de tempo, por mor da vida, que às vezes, segue caminhos e mesmo carreiros com reviravoltas e desvios.

Estou a recuperar muitas cousas da minha infancia: Palàvras, ditos, sensações,e, sobre todo, maneiras de viver.

Na minha infancia, nas vilas pequenas da Galiza, a gente apenas mercava cousas. Comprávamos o óleo de oliveira, o azucre, o vinho-a terra da Costa da Morte nom é de vinhas- e pouco mais. Todo o demais, fazia-se na casa e produzia-se no campo.

Há muitas cousas que se faziam na casa, e vou falar de todas elas nos dias que vem, mas hoje quero vos falar da horta:

A minha horta é um terreno que vai desde a casa até a beira do rio. A parte que fica mais perto do rio, nom se pode cultiivar, por mor das enchentes e do encharcamento. A metade  mais próxima à casa, é boa terra de cultivo, e nela planto de todo, sempre seguindo o decorrer do tempo, as estações, as luas…A terra forma parte do Universo e inter-actua com todo o que tem arrredor. Para cultivar, há que ter em conta este principio básico. Para cultivar há que manter e guardar a harmonia entre todos os elementos que vão influir nos nossos cultivos. Uma boa regra é plantar com a lua em quarto crecente. Nunca se deve de trabalhar na terra na “ponta da lúa”, quando a lua é nova e apenas se vê e tampouco é recomendável fazé-lo com lua cheia. A razom, é a força da gravidade que a lua exerce sobre a terra e que afeta sobre todo aos líquidos, por terem menos coesom molecular. A seiva das plantas é líquida, e portanto vê-se afetada por esta gravidade. Assim que já sabedes: Melhor crecente. Há excepções, que vos contarei quando chegue a elas.


                                                                                                  

 

                                                                                                    Os alhos                  

  alhos no mês de avril           

Se imos vendo os diferentes cultivos ao longo do ano, começamos com os mais madrugadores: Os alhos. Há um dito galego que diz: “Por Santa Lucia, o alho vê o dia” Quer dizer que lá polo 13 de dezembro-dia de Santa Luzia-, já se podem plantar alhos. Eu ainda nom posso plantar na minha horta, porque é terra molhada, que nom draina mui bem a água, e que se mantem compacta até que começa a escorregar, assim que, na minha leira, aos alhos chega-lhe bem irem em janeiro-A qualidade da terra tamém é um ponto importante para ter em conta- Pois, como digo, para Santa Lucia, na terra seca e para Janeiro na molhada, é tempo de plantar os alhos.

Para plantar os alhos, colhe-se uma cabeça das que se tenham na casa, e desfaz-se em dentes. Prepara-se a terra, cavando sem ir muito ao fundo, levantam-se uns reguinhos e põe-se-lhe o esterco no fundo, e depois, cum anzinho, aplana-se a terra, desfazendo-lhe os pequenos torrões que lhe puderam quedar.

Assim que a terra esteja aplanadinha, vão-se espetando os dentes de alho em fiadas separados un do outro um pé ou mesmo uma quarta. Espetam-se a pouca profundidade, e tem de medrar até o mês de agosto, quando há que os recolher. Entanto medram, há que lhe arrincar as ervas que lhe nascem polo meio, sachá-los cum sachinho pequeno para lhe tirar as ervas e lhe acolar a terra, tendo tino de nom os dessarraigar, com muito coidadinho. Se vemos que ficaram em vão, há que pisar arredor para que fiquem bem apousentados na terra e as raizes possam medrar, mas nom há que pisar muitas vezes, porque a terra endurece e forma uma códia que nom lhe deixa oxigenar-se nem medrar como é devido.

Em agosto, há que os recolher, depois de que seque bem seca a vara na que puseram a flor. Se está seca por acima mas por embaixo está verde, os alhos ainda nom estam bem maduros e nom servem para guardar para todo o ano.

Quando todo seque, vão-se arrincando da terra-se nom se vêm as caules, há que se ajudar do sachinho, ou das mãos, para ir seguindo cada rego e que nom quede nemum entre a terra. Depois atam-se em monlhos pequenos e deixam-se pendurados para podermos gastar todo o ano.

Hei de ir contando-vos como cultivo cada cousa da minha horta, e tamém como levo o meu galinheiro, mas essas cousas, outro dia.

Minha avoa dizia: És agudo como um alho. Já sabedes o por que. Porque som os primeiros em serem plantados. E porque aos alhos, nom os ataca becho, nem peste, nem fungo. Na minha terra até dizem que espantam as meigas e os males de olho. Por um se acaso, ela sempre me pendurava uma cabeça de alhos no tirante da camiseta, quando ia embora para a escola. Eu nom gostava, polo cheiro, mas…tampouco nunca a tirei. Nom fora a ser…

Noitinha

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aclearglitterTwistedly.gifpós a hora do solpôr, vai vindo a escuridade, de vagar, mentras no ar queda ainda essa claridade que encheu todo o espaço diurno.

A Galiza, pola sua situação geográfica, fica mais perto do círculo polar ártico que do ecuador, e essa circunstáncia posicional no globo planetário, faz que certas cousas sejam dumha determinada maneira.

No ecuador, não há crepúsculo. O sol desaparece polo horizonte, e já é noite fecha.  Em vez disso, nos polos, norte e sul, os dias duram seis messes e as noites outro tanto. Tampouco no ecuador há diferença entre as horas de luz do verão e do inverno. Os dias e as noites sempre são iguais: doce horas.

Quanto mais perto dos círculos polares, os dias de verão tem mais horas de luz do que as noites porém, no inverno, sucede o contrário.

Longe da minha intenção dar lições de geografia desde esta janela aberta a todos vós, mas é certo que a nossa vida tem muito a ver com a terra, seus climas, suas rotações e traslações polo espaço. Ao fim, que somos? Filhos da mãe terra que nos alimenta, do pai sol que nos abastece de energia e namorados da lua que gravita sobre nós e nos atrai ou nos aparta, como umha rainha caprichosa. Que gravita sobre os fluidos do planeta e de nós mesmos, que com sua luz polarizada, marca as colheitas e as favorece, ou estraga a carne salgada ou as patacas de comer.

Pois agora, no mês de maio, perto já do solstício de verão, após o solpôr, o crepúsculo vólve-se noitinha. Umha escuridade que se vai espalhando, de vagarinho, ralentizada, na que o silêncio se faz mais profundo e o campo arrecende a erva, a névodas, a hortelã. Aló, na beira do rio, os pássaros seguem com seu trafego e, por acima da cabeça, passam os morcegos, voando umha e outra vez, num ir e vir silandeiro e apenas vissível.

Polo leste, vai saíndo a lúa cheia, a deusa que caminha majestuosa, espalhando sua luz  sobre o meu vale circular,  que se enche dum pó de prata que resplandece na erva, nas àrvores do rio, na aba do monte, como um fluido etéreo que muda completamente a aparência das cousas e tamém o nosso ánimo, que se volve mais instintivo, esquece-se da rutina do trabalho diário e percebe as sensações com mais intensidade: A noitinha é hora propícia para estar fóra, para a conversa, para o descanso e tamém para o amor.

Há tempo, esta hora mágica era a do lezer, das reuniões dos vizinhos para falarem do dia, dos jogos dos rapazes, dos moços que iam ver às moças para falarem com elas na porta, e dos passeios à fonte, onde alguns se perdiam  entre os carvalhos, ou os abeneiros, pra lhe render culto à deusa que fazia prender o lume nos corações e nas virilhas.

Umha cantiga popular da minha terra:

Ainda me acordo, neninha,

de aquela noite de verão.

Ti, olhavas as estrelas.

Eu, as ervinhas do chão.

Aproveitade as noitinhas, que não duram todo o ano.


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O carvalho

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“O carvalho da portela

tem a folha revirada

que lha revirou o vento

numha manhã de geada”


“Carvalheira de São Justo

carvalheira derramada.

Naquela carvalheirinha

perdim a minha navalha”

São cantigas populares galegas de há muito tempo.

A senhora Deolinda, que naceu em Portugal e emigrou ao Brasil com seis anos, é profesora de botánica e, ainda que no Brasil há àrvores fermosas e de muito interesse, ela tem sua saudade ligada às àrvores da sua infáncia.

Ela pediu-me que trrouxesse por aquí um carvalho e vou tentar ser seus olhos polas carvalheiras deste velho país da sua infáncia.

A Galiza é terra de carvalhos e carvalheiras. São àrvores sagradas, vencelhadas aos rituais e à religião pagã, prévia ao cristianismo.

Como as religiões se superpõem umhas às outras, como as capas dumha cebola, não é estranho, na Galiza, ver um carvalho centenário diante dumha igreja, ou dumha ermida de culto popular.

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Carvalho de Cereixo, no meu concelho. Calcula-se que pode ter arredor dos 500 anos e está ao pé da igreja e o camposanto da parróquia

O carvalho, no noroeste da peninsula Ibérica, é a àrvore autótone por exceléncia. As carvalheiras forom os primeiros lugares de culto aos deuses pagãos, o mesmo que as fontes, erão das deusas femininas. Fontes milagreiras que aínda quedam, espalhadas pola nossa geografía física e cultural, onde a gente, o día da romaría da santa, lava a cara e as mãos e deixa os paninhos da mão estendidos na silveira, para curar as verrugas ou o mal de olho.

Dum tempo para cá, as carvalheiras foram substituindo-se por outras plantações de àrvores importados de fóra: pinheiros primeiro e logo, eucaliptos, umha verdadeira praga para a terra, que se enche de mato que mais tarde, com a calor do verão, arde arrassando todo ao seu passo.

Embaixo dos carvalhos, medra a erva viçosa, a sombra húmida baixo as suas copas, assim as landras, ao cairem, vão germolando e criando novos carvalhinhos para o futuro.

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E olhade se a terra é teimuda que, na sua saudade polos seus filhos vegetais, não se rende e, a pouco que a deixem, polo meio dos eucaliptos australianos, agromam os carbalhinhos pequenos, retortos, pulando por sobreviver aos invasores. A terra tem memória da saudade, como dona Deolinda.

O carvalho do país, autotone da Galiza e norte de Portugal é o Quercus Robur, umha das quatro variedades de carvalhos européus.

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È uma árvore de grande porte, que atinge 30 a 40 metros de altura e que tem um tempo de vida entre 500 a 1000 anos. Esta espécie possui copa redonda e extensa em árvores adultas, e contorno oval piramidal em indivíduos jovens. O tronco do carvalho-vermelho é forte, direito e alto, a partir do qual partem ramos vigorosos ao acaso. O tronco possui também uma casca (ritidoma) lisa e acinzentada, quando nova, ou grossa, castanha e escamosa em árvores adultas.

Folhas e landras do carvalho-vermelho

As suas folhas são caducas, membranáceas e pequenas, com 5 a 18 cm de comprimento, sendo geralmente mais largas na parte superior. Com 3 a 7 pares de lóbulos redondos, possuem um pecíolo (pé da folha) com 2 – 12 mm de comprimento. Elas permanecem com um verde forte ao longo do Outono antes de se tornarem castanhas persistindo na árvore até ao Inverno.

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As flores do carvalho-vermelho florescem em Maio a partir dos 80 anos de idade.

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Flores masculinas-foto superior-

Flores femininas-foto inferior-

O carvalho-vermelho possui landras de maturação anual com 1,5 a 4 cm de comprimento. As landras a princípio têm um tom claro ficando castanhas à medida que amadurecem, e na sua fase verde são pardas e com riscas longitudinais escuras.”

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Características ecológicas

O carvalho roble é uma espécie bem adaptada aos climas temperados húmidos, que apresenta grande resistência ao frio. Esta espécie prefere os terrenos siliciosos, argilosos frescos e húmidos, ricos em nutrientes.

Distribução do carvalho em EUROPA

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No centro de Santiago de Compostela, a capital da Galiza, pervivem duas carvalheiras; Santa Susana e São Lourenço, por onde podes dar passeios polo bosque sem saires da cidade e mesmo fazer aquelarres, juntanças de bruxas e meigas que se reúnem no centro dum círculo de carvalhos, nas noites de lúa.

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O bieiteiro, ou sabugueiro

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Hoje imos falar dumha flor ventureira que me encanta. Tem un significado especial para mim e, sempre que a vejo, levo umha alegria, como se duma velha amiga se tratar.
O Sambucus nigra, conecido como bieiteiro ou tamém sabugueiro.

Aspecto.– Arbusto caducifólio, muito ramoso o que fai que tenha uma taça muito densa e arredondada, pode chegar aos 5 metros. A códia é muito gretada e de cor pardo escuro. Os galhos quando são jovens são verdes mas em breve se voltam de cor grisaceo. os galhos têm uma grande quantidade de medula esbranquiçada. As folhas são de cor verdosa e algo pelosas polo invés, têm a margem serrada.

Flores.- As flores são muito chamativas de uma cor branca intensa ou creme, são pequenas 4-5 milimetros de diametro mas colocadas em um grande número de inflorescencias terminais com todas as flores à mesma altura (cimos corimbiformes), são muito olorosas. Floresce na primavera

Fruto. – Globoso, carnudo, com uma cor preto intenso, tem de 3-5 sementes no seu interior. Os frutos amadurecem no final do verão.

Habitat e aplicações. – Quer solos frescos, sendo abundante ao lado de ríos ou em ribeiras. Cultiva-se como ornamental polas suas lindas e aromáticas flores. Os frutos utilizam-se para fazer sobremesas. As flores secaa introduzem-se entre a roupa de cama para evitar ataques de insetos. Os frutos quando são verdes são tóxicas e quando estão maduras são comestíveis mas devem de se tirar as sementes que são tóxicas. Suas flores em cozimento são diuréticas. Para combater o moquillo dos cachorros põe-se-lhes um colar de contas de bieiteiro, as contas devem ser 9 ou 11 para que surta efeito (este remédio é muito amplamente utilizado).

“O homem leva utilizando as propriedades do bieiteiro desde a idade da pedra, e ainda hoje é uma planta muito freqüente nas proximidades de zonas habitadas. Tanto suas flores como seus frutos são comestíveis e medicinais.
O bieiteiro como comestível

Os frutos e as flores de bieiteiro são comestíveis. Os primeiros podem-se preparar em sucos, marmeladas, geléias, molhos, sopas, etc. Devem de consumirse sempre maduros, pois quando verdes são tóxicos. Também as sementes, ainda bem maduras, são indigestas, por isso convem não abusar do fruto em cru. Ao cozinhá-lo volta-se inócuo.

Na obra de Manuel Durruti “Frutos silvestres comestíveis e venenosos” Ed. Everest amostra-se-nos a seguinte receita de sopa de bieiteiro.

Ingredientes: 800 gr. de frutos de bieiteiro, açúcar, 3 maçãs e farinha.

As bagas de bieiteiro cozem-se na menor água possível. Uma vez cozidos engade-se água até obter o sabor desejado. Filtra-se, se engade-se-lhe açúcar e ferve-se em fogo brando removendo. botam-se-lhe as maçãs em anaquinhos. Deixa-se uns minutos até que a maçã esteja entrecozida. Retira-se do lume e bota-se-lhe removendo a farinha até obter a consistência desejada.

As flores de bieiteiro podem-se empanar. Na obra “Plantas medicinais, bagas e verduras silvestres de Grau/Jung/Münker ed. Blume temos a seguinte receita:

” Prepara-e uma massa de sonhos com farinha, ovos, manteiga quente, água, um pouco de mel e um beliscão de sal, fazendo com que não resulte muito espessa. Nela mergulham-se as inflorescencias de bieiteiro colhendo-as pola caule, que não se terá cortado. A seguir fritem-se em azeite até que estejam douradas e servem-se quentes, acompanhadas de compota. Para a massa, tomam-se 3 ovos para 125 gr. de farinha. Os gourmets acrescentam à massa 2 ou 3 colheradas sopeiras de vinho.”


O bieiteiro como bebida

Com as bagas de bieiteiro podem-se preparar sucos simplesmente prensando os frutos com um pano limpo. Também se podem preparar licores. Manuel Durriti ensina-nos como fazer licor de bieiteiro.
Ingredientes: 1,5 Kg. de bagas de bieiteiro, ¾ de litro de canha ou conhaque ou outro licor, 750gr de açúcar, 4 cravos de especiaria, 1 pauzinho de canela.
Põem-se as bagas em uma garrafa de pescoço largo e cobrem-se com a canha, tampa-se e deixa-se repousar 6 semanas. Coa-se e prensam-se os frutos para obter todo o suco, ao qual se lhe engade, numha pota, o açúcar, os cravos e a canela. Ferve-se em fogo brando durante 15 minutos. Enchem-se as garrafas e deixa-se repousar umas semanas antes de tomá-lo.

As flores de bieiteiro também se têm empregado para fazer licores e aromatizar vinhos.


O bieiteiro como medicinal

O bieiteiro é um dos melhores sudoríficos (estimula a transpiração) e depurativos (purifica o sangue contribuindo para eliminar os resíduos). Além disso também apresenta propriedades diuréticas (colabora no processo de depuração do sangue ao eliminar as toxinas) e antiinflamatórias (reduz as inflamações).

Emprega-se habitualmente em forma de chá para tratar resfriados, gripes, esfriamentos, catarros e também se pode tomar como medida preventiva destas afecções.

Em forma de compressa emprega-se para tratar afecções da pele, como eczemas e outras dermatoses também há autores que a recomendam para aliviar as hemorróidas e para as queimaduras leves. Para a conjuntivites, além de empregar compressas também podemos realizar lavados de olhos com o chá das flores. Por último, há quem recomenda os cigarros feitos com folhas secas de bieiteiro para deixar de fumar.

As partes de utilidade medicinal do bieiteiro são as flores, os frutos, as folhas, e o segundo córtex, mesmo que na atualidade se acostumam empregar só as flores.
O chá de flores prepara-se com duas colherzinhas arrasadas de flores frescas ou secas em ¼ litro de água fervendo. Deixa-se repousar uns minutos e toma-se três vezes por dia.

O chá das folhas tem propriedades parecidas, mas seu cheiro não é muito agradável. Prepara-se de forma similar, com duas colherzinhas arrasadas de folhas.

As flores recolhem-se de maio a julho, estendem-se em um lugar abrigado para que se desprendam das caules e deixam-se secar. As folhas recolhem-se de jovens e secam-se ao ar.


Cultivo do bieiteiro

O bieiteiro cultivou-se em jardins durante muito tempo. Mesmo que o cheiro de suas folhas não é agradável, entre finais de primavera e princípios de verão cobre-se de bonitas flores brancas. Em um jardim natural oferece refúgio e alimento a muitas aves.

O bieiteiro é um arbusto ou árvore perene de até 10 m. De altura se se lhe deixa. Prefere zonas ensolaradas ou parcialmente sombreadas, solos frescos e com certa umidade.
Outros usos e curiosidades

Como dissemos, o homem valeu-se do bieiteiro desde a idade da pedra, como alimento, medicina, em ritos religiosos e mágicos, como planta de jardim, para fabricar assobios valiéndose da sua madeira oca, etc.

As folhas queimadas empregaram-se como inseticida e o chá das folhas empregou-se como repulsivo de mosquitos e, borrifada sobre as plantas, para protegê-las de pulgões e eirugas.

A madeira de bieiteiro é frágil e leve, não é um bom combustível.
Descrição e características

O bieiteiro é um arbusto ou árvore entre 2 e 10 metros de alto. Suas folhas são dentadas e desprendem um cheiro pouco agradável. As flores dispõem-se em falsa umbela com 5 pétalas, 5 sépalos e 5 estames com anteras amarelas. As bagas são verdes primeiro e pretas quando amadurecem. O talo é oco e frágil, com uma medula branca.”

Pois, até aquí, o que dim os expertos sobre este arbusto de alto porte que é o bieiteiro.
Eu podo vos dizer que é umha planta que adoro. Na casa de minha mãe, houve um bieiteiro muito tempo que dava sombra no verão para nos sentar embaixo a parolar, mas, como por este tempo, deixava cair suas bagas avinhadas, minha mãe decidiu que era mui porco e que lixava muito e cortou-no. Cada vez que vou à sua casa, ainda o lembro. Agora tenho um na beira do “meu rio” e vários que vejo desde a janela. Polo São João, na minha vila, é tradição espetar polinhas de bieiteiro nos furacos das paredes, para proteger as casas dos maus olhos.
Tamém era mui utilizado polos rapazes de algum dia, que não tinhamos muitos brinquedos, para fazermos zarabatanas vaziando o miolo das polinhas pequenas e metendo na ponta os frutos verdes, soprávamos com força e assim davamos-lhe num olho ou onde quadrasse aos que passavam por diante.

Hans Christian Andersen, do que já falamos aquí há tempo, escreveu um conto sobre o bieiteiro do que gosto muito.
Intitula-se “Mãe bieiteiro”, ainda que eu-cousas das ditaduras-lim por primeira vez em espanhol como “Madre Sauco”.
È umha preciosa história que fala das lembranças…

Oscar Klever é o ilustrador.

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As nêvodas ou nêvedas

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As nêvodas, tamém chamadas nêvedas, são umhas ervas muito olorosas que medram na porta de embaixo da minha casa, na que da ao vendaval e onde se toma o sol nos dias claros e entra o vento e bate a chuva nos de invernia.

As nêvodas, Calamintha Nepeta, foram muito importantes no passado da Galiza, porque com elas, aromatizavam-se os “bolos do pote”, que, cozidos no caldo, eram o compango habitual dos jantares dos labregos galegos da geração dos meus avós.

“Bolo do pote, comer a ganhote”

“Bolo do lar, comer a fartar”.

O recendo das nêvodas é muito semelhante ao das mentas, tanto da hortelã, como do poejo.

É umha planta de folhas pequenas e flores mais pequenas ainda, de cor azul.

Estas imagens, som da que tenho na porta. Após a chuva ou o rocio da noite, arrecende que da gosto.


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O fiuncho. A VII flor ventureira

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O Fiuncho

Foeniculum Vulgare

O fiuncho é uma planta que possui um cheiro anisado. Utilizava-se como planta medicinal na antiguidade.

Seu azeite essencial ajuda a lutar contra os parasitas do corpo. O fruto, rico em azeites essenciais, é utilizado em medicina.


Tem duas principais ações :

-Em nível intestinal : é antiespasmódico, é dizer ajuda nas dores de tipo cólicos do intestino e o estomago. Também ajuda ao controle da aerofagia e estimula a digestão.

– Em nível de vias respiratórias : é expectorante, ou seja que ajuda a evacuar as mucosidades dos brônquios graças às sua ação contra a inflamação.

-Ajuda à produção de leite nas mulheres que têm problemas de dar seio a seus filhos.

-Graças às sua ação contra a inflamação, permite de melhorar as conjuntivites, os tiriçois e inflamações das pálpebras. Para isso, prepara-se em chá e com um algodão (uma vez que o liquido esta morno) aplica-se sobre os olhos em compressas úmidas.

Até aquí os dados mais ou menos oficiais sobre o fiuncho.

Os que eu tenho experimentado, são aqueles que aprendí dos velhos de antes:

Era utilizado para os gases, sobre todo das crianças, mas também dos maiores. Também para as dores menstruais:”Toma anís, que é bom para a matriz” dizia minha avoa. Ela chamava-lhe anís ao fiuncho.

Também era utilizado para cozer as castanhas de ouriço: Umhas polinhas na água, dão-lhe um ponto de sabor.

E, sobre todo, é a planta aromática que serve de base a todas as plantas e aromas que juntava-mos -e ainda juntamos- polos campos para lavar a cara a manhã do solstício de verão. A manhã de São João, no hemisfério norte. O fiuncho, mesturado com outras flores: rosas silvestres, alecrim,malvas,rosas centifólias é a erva que enche o fondo da banheira que vai ficar ao sereno fora da casa, toda a noite, para depois se lavar pola manhã cedo.

São tradições de milénios, de quando o sol, a terra e a lua, eram símbolos da nossa pertença ao Cosmos, ao Universo. E a espécie humana tinha conciência de ser um micro-cosmos, reflexo e paradigma de algo mais grande, e, porém, mui nosso.

Tradições que a igreja e, mais teimudamente na Galiza, São Martinho Dumiense, tratou de erradicar, mas que faz falta muito mais do que umha vida, ainda que seja dum santo ou dum bispo, para borrar.

Umha flor ventureira que veu de longe.

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n0myem mais nem menos que das pradeiras da provincia do Cabo, aló na África do Sul.

Não sei em que tempo chegou esta planta a Galiza, mas eu lembro-a de toda a vida com suas flores de viva color pola beira dos rios e com suas folhas, cubria-se o chão nas procissões do dia de Corpus, quando se ía de cruzeiro em cruzeiro cheios de flores, por toda a vila, entre cânticos e bafaradas de incenso.

Agora, se digo a verdade, já não sei se se segue a fazer aquilo ou não, porque, para mim, há tempo que, por mor do clero, os rituais perderam sua mágia, polo vácuo significado que me transmitem as igrejas, em geral, querendo valeirar de contido os ritos pagãos da Terra, a vida e a morte nos que se asentam.

Bem. Pois,esta planta, que eu sempre chamei espadana, e, coma mim, os meus vizinhos, tem um nome difícil de atopar. Tive que pesquisar bastante para o conseguir.

Seu nome é Crocósmia, por mor do recendo a açafrão-crocus sativus- que tem suas flores estruchadas.

Não sei que tenha poderes curativos, mas é utilizada em jardins e recreia minha vista quando passeio à beira do rio.

Deixo-vos umhas imagens do “meu” rio. Digo meu, porque passa embaixo da minha casa.

Espero que gostedes:



E, para rematar, vou-vos mostrar como loce a crocósmia num jardim:

Um jardim de tipo inglês onde medra a carom de outras plantas sillvestres ou semi-silvestres que harmonizam com ela.

Contemplar a beleza tamém tem um grande poder de cura. Não é?

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