Category Archives: Rif

A gente

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Xa vos disse umha vez que o melhor do Rif, e de Marrocos, em geral, é a gente.

E há umha razão poderosa para que eu me emocione com a gente, ainda que só seja vendo à medida que o carro avanza e movendo-me no espaço-tempo, numha viagem a travês das paisagens da terra e da minha própria alma, num retorno ao paraiso perdido.

As pessoas que se criaram no rural dalego da minha geração, hão saber do que falo ao ver as imagens:

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As imagens são familiares para alguns de vós, como para mim?

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Estampas

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Pois aí vão mais estampas das pequenas cousads do Rif.

Estampas dumha terra especial, diferente, que não é mais que umha face da terra na que tudos vivimos. Umha face pola que sinto umha especial tenrura:

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Lembranças de Alhoceima

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Desde que volví do Rif, ainda não era quem de remexer nas imagens que trouxem de aló, na minha memória de CDrom.

Mas, hoje, fisse ideia de trazer as imagens que convocam as lembranças e, com esforço e muita tristura, fum reunindo imagens de aquelo que mais gosto:

Flores dos caminhos, ervas, pedras, àrvores…

Deixo-vos aquí a colheita, ou melhor dito, o rebusco.

Espero que saibades perceber o meu jeito de sentir, chorando por cousas tão pequeninhas.

Amanhã mais cousas do Rif.

Aperta 

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Umha Rifenha verdadeira

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Ainda que eu me considere rifenha de coração, agora já não sou a Rifenha de Vimianço. Agora em Vimianço, há duas rifenhas verdadeiras, umha da tribo Bakoia por seu pai e Takrait por parte de mãe.

Assim que, já vedes. Pedigree rifenho polas quatro esquinas.

Bom, pois esta rifenhinha de primeiro da ESO, gosta muito de fedelhar na rede e é muito amiga, assim que, quando ela goste, pode escrever entradas no escunchador, para que saibades mais cousas da sua vida aquí, em Vimianço, e também do Rif .

Este é seu primeiro post, e eu deixo-a sozinha, para que ela escreba o que queira e como queira.

Al Hoseima

Al Hoseima (en árabe الحسيمة, ‘Al-Hoseima’ que significa ‘lavanda’ e en español Alhucemas) é unha cidade e provincia de Marrocos.

Está situada na costa marroquina mediterránea, na parte oriental da baía e xunto ao penedo de Alhucemas.

  • Historia

A actual A Hoseima tivo a súa orixe nun asentamento insignificante no século XVII, pero non é unha verdadeira cidade ata despois do desembarco de Al Hoseima levado a cabo polas tropas españolas durante a guerra do Rif (1926). Con todo, daquela chamóuselle Villa Sanjurjo, polo xeneral Sanjurjo, un dos protagonistas dese desembarco.

Durante a II República pasou a denominarse Villa Alhucemas, aínda que logo o réxime franquista restituíu novamente o nome de Villa Sanjurjo, que xa se mantivo durante o resto do protectorado español, ata o ano 1956 en que Marrocos accedeu á independencia. A partir desa data pasou a chamarse Al-Hoseima, en árabe, segundo a denominación marroquí.

Como legado da cultura española, quedan na vila numerosos edificios construídos durante a época do xeneral Sanjurjo. Así, atópase nesta cidade o Colexio Español Melchor de Jovellanos, dirixido polo Estado español. Este conta cunha arquitectura similar a edificios do sur de España e foi en orixe un cuartel militar.

Na actualidade é unha cidade de vacacións de verán, frecuentada polo turismo, na súa maioría do norte de Europa, debido ás súas fermosas praias, en especial Praia Quemado, e á beleza da súa contorna, entre a cordilleira do Rif e as augas do Mediterráneo. Conta con instalacións turísticas destacadas, como o Club Med, o complexo Chafarinas ou o hotel Mohamed V.

Con todo, a cidade atópase afastada do nivel de desenvolvemento do resto do Marrocos turístico, cunha importante falta de infraestruturas e de promoción. Á marxe das estradas que chegan á cidade, no verán establécese un servizo marítimo que comunica a cidade con Málaga, nun treito de aproximadamente unhas 11 horas.

Al Hoseima e os seus arredores sufriron un importante sismo de 6,5 graos na escala Ritcher o 24 de Febreiro de 2004, que causou graves danos materiais e provocou a morte de cando menos 560 persoas.

  • Poboación:

Malia que se estima en 60.000 habitantes a súa poboación, non se pode saber con exactitude, pois existe un alto índice de poboación que vive no campo. A división de poboación na rexión de Al Hoseima é a seguinte: Al Hoseima 55.216, Imzurem 9.642, Bni Buaiach 13.128, Targuist 9.593, mais unha poboación rural que debe roldar os 297.000 habitantes (2005).

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Rogativas

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Há tempo, na Galiza, quando levava muito tempo sem chover, a gente saia com os santos em processão, pregando e cantando ladainhas, para pedir a chuva.

Seica todas as culturas do mundo, fão estes rito processionais ou mesmo danças para acabar com o tempo seco e pregar aos deuses da chuva que enviem a água, líquido vital do que a terra e nós mesmos somos feitos nun setenta por cento aproximado.

Hoje, as mesquitas aqui, na cidade, cantarão todo o dia cuns cantos diferentes aos de cada dia.

Perguntei-lhe aos raparigos grandinhos do colégio, e dim-me que é para pregar a deus que mande chuva.

Hà meses que não chove, nem faz frio, e não neva nas montanhas de Ketama, e os cultivos não vão para arriba:

As amendoeiras apenas agromão as flores, o trigo fica raquítico e os demais cultivos dos que subsiste a gente dos campos, não evoluem como deberão para chegar a bom porto com a colheita.

De certo que, para as pessoas é umha delícia esta luz e esta temperatura.

Mas eu espero que chova, ou que chegue a neve aos cumios do Tickrit, para que a vida possa seguir, polo menos, coma até o de agora, se não melhora, que não se ve muita possibilidade.

De volta

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Por fim, depois de um dia enteiro de viagem, com maletas extraviadas incluidas, o Suso e mais eu, estamos outravolta no Rif.

Hoje jà fui dia de trabalho, e os meninhos vinhão também ao dereito da sua festa do Aíd. Todos contarom e logo debuxarom os anhos com seus cornos e os matachins com seus cuitelos na mão. Outros debuxabam-os pendurados, na açoteia, pingando sangue.

Algûm veu muito elegante, habilhado com o traje das festas, em color branca marfilenha, com pasamanerias de seda e babuchas brancas .

O certo é que a viagem fui fatigossa e que ainda tenho sono e cansaço.

Mas fico leda de volver ao meu quarto, com o computador, o canto da mesquita, o meu vizinho das barbas e seus electrodomésticos no passeio, a actividade constante na rua, o sol e as amendoeiras que já começão a se carregar e estrelas brancas de coração rosado…

Feliz aninovo. Aïd Mubarak

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Hoje coincidem duas festas importantes para os meus vizinhos. Os de aquí, e os de alá.

O ano velho, com suas uvas, o cava, os vinhos por Vimianço antes de cear…

E a outra festa dos meus vizinhos rifenhos, que hoje celebram seu Aïd el Kbir, ou Pascua Grande, a festa mais importante do mundo muçulmano.

Hoje, cada família muçulmana sacrifica um anho.

Depois da oraçom da manhà, as terraças enchem-se de anhos, as famílias e os vizinhos visitam-se, comem juntos, bebem chà com pastelinhos de améndoas e pola tarde, saem ao passeio com sua roupa estreada de novo.

Os paralelismos entre as duas festas som muito significativos:

Nesta banda, hà quem vai cear angulas a seiscentos euros o quilo, cava de trinta euros a garrafa, camaroes, percebes e todo o demais.

Também os hà que imos ter umha ceia mais normalinha.

Antes de vir, falando com os meninhos da áula, havia quem ia sacrificar tres, quatro, e até oito anhos, um por cada parelha. Outros, iam se juntar com os avós e mercavam um anho para a família.

Em ambas duas bandas hà diferença entre a fartura e o derroche, entre a festa e o consumo desaforado. Normalmente vai asociado à capacidade económica de cada quem, salvo raras e honrosas excepçoes. Também hà quem é prudente e quem se empenha ainda que quede aforcado polas débedas.

Aforcado ficou Sadam Hussein, precisamente o dia da meirande festa muçulmana. E eu pergunto-me se pagou a pena o triste e hipócrita espectáculo. Que se queria conseguir com matar a um homem ao estilo do mais estúpido linchamento?

Nom entro a julgar a Sadam, porque nom tenho dados nem inmformaçom fiavel para o fazer. Mas nom me senti nada bem quando vi por tv ao homem com a corda ao pescoço e logo no chao, morto, envolveito na saba.

Hoje remata um ano e começa outro. Mas só som números num almanaque. Realmente, a humanidade semelha nom rematar nem começar nunca umha nova etapa: A de sermos de verdade humanos. Mentras tanto, tanto tem que corram os dias no calendário. A falta de empatia e humanidade seguem a se repetir até o infinito na nossa pequena e global aldeia. Seguimos a rifar, a luitar, a matar-nos uns aos outros coma estúpidos e anti-naturais depredadores.

A pesar de todo, também hà gente evoluida que prefire a vida antes do que a morte.

A todos eles, desejo-lhes um justo, pacífico e feliz tempo futuro. A ver se algúm dia somos mais e podemos inaugurar um tempo novo, sem explotaçom, medo dos demais, e linchamentos inútiles.

Apertas.

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