Category Archives: Vimianço

O XIV Asalto Irmandinho de Vimianzo, já está aquí.

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2654904463_8fca58d99f_oComo cada ano, a “Asociación Axvalso” de Vimianzo, na Terra de Soneira, na Costa da Morte, prepara a festa conmemorativa do asalto à fortaleça dos Mososo, como há mais de quinhentos anos, figeram Os Irmandinhos, aquela gente do comum organizada para lutar polos seus direitos fronte aos abusos dos senhores feudais.

Se queredes mais informação do tema, no blogue http://asaltovimianzo.wordpress.com, toparedes toda a quepodades necessitar.

Os que moredes perto, animádevos. É umha verdadeira festa para não perder.

Esperamos-vos em Vimianço a tarde-noite do 4 de Julho.

Saudos irmandinhos.

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O verão e a festa

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ADntes de seguir com mais flores ventureiras-tenho umha moreia aguardando no iphoto- vou-vos contar como celebramos na minha vila as festas do verão.

Já vos contei, aos que não sodes galegos, que o verão na Galiza fica inçado de festas, porque o inverno é muito longo e crú.

Não vos posso explicar nada das verbenas, tómbolas e demais porque, como tenho fóbia aos ruidos, este ano não sai de noite. Mas porei-vos umhas imagens do jantar em família, do café à tardinha, na horta, a minha casinha engalanada com as bandeiras da Galiza e essas cousas.

Minha irmá, é muito familiar. Gosta de ter a família ao seu redor e, este ano, juntou 22 pessoas na sua casa. Cada um dos dous dias que durou a festa.

Para esso, tivo que valeirar o garagem, como fai cada ano, e assim todos coubemos bem.

Olhade a minha casinha-antes foi de minha avoa- que linda com suas bandeiras da Galiza nos balcões:

A luz é gris porque, o dia foi de orvalho. Nada que ver com o dia antes, de sol radiante. A Galiza é assim.

A mesa dos convidados, após ter jantado, mentras aguardam o café:


Complicidade entre mulheres:

Homens:

Mulheres e homens:

Parelhas:

Entre gerações:

Consigo mesmo:

Ao sol da tardinha. Com os amigos do segundo café:

Mais complicidades. Esta vez, entre amigos que nos visitam na sobremesa:

Algum achegado:


Tudo é mais formoso baixo a luz do sol:

Bom. Espero que gostasses das festas da minha vila, com família, amigos, vizinhos e sol-um dia. Outro de chuva-.

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A luz de Fevereiro

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Levava muito tempo sem viver o més de fevereiro em Vimianço e este ano, cada tarde, dou uns passeios polas quatro pistas da parcelária nas que trocaram, no seu tempo, as corredoiras, congostras, carreirinhos com arrós e caborcos cheios de pichos de água.

Ainda assim, é fermosíssima a luz que envolve o val, os tons diferentes de verdes, roxos, dourados, as primeiras flores que começam a sair , o Paço de Trasariz, com sua palmeira e as casas dos antigos caseteiros, as Torres de Martelo, os montes que nos arrodeião, como um círculo mágico…

Vou-vos deixar aquí algumhas imagens e um mp3 para que podás escutar quando as miredes.

Tarde de fevereiro

Semelha umha pintura inglesa. A cor das nuvens e os diferentes verdes da terra.

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Os vimbios de VIMIANÇO-terra de vimbios, o seu significado etimológico-acesos coma laradas

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A capela do Paço de Trasariz e as casas abandonadas dos antigos caseteiros.

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A palmeira, a varanda e umha das enormes cheminés de pedra.

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Aquí vem-se as duas cheminés

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Umha das árvores mais antigas e mais lindas: umha magnólia em plena floração

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Que dizer das suas delicadas e preciosas flores…
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Narciso,o amarelhe, contemplando-se a si mesmo

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O Imbolc, as candeias, o crego e a alcatifa

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Pode que este título semelhe longo demais, mas é como umha daquelas histórias cómicas de tempos atrás, ainda que, bem mirado, tampouco é tão cómica.

Vou ir ponto por ponto para não nos perder no trafego da história.

Imbolc, sabedes que era o festival da luz, na antiga mitologia celta, como já vos contei em fevereiro do ano passado. Bem, pois no Imbolc, celebrava-se o renascer da luz e prendiam-se candeias , para simboliçar o facto -como povos indoeuropeios, os celtas tinham o lume como algo sagrado-

Bem. Segunda parte: Quando o cristianismo chegou, não inventou nada, simplemente adaptou as festas pagãs e inventou-lhe umha história paralela, que é na que a gente de fé, acredita ainda hoje.

Concretamente a das candeias, que se celebra o dia 2 de fevereiro, seguida do São Brais o dia 3, era o dia de ir à misa, abençoar a cera que se tinha na casa para todo o ano:

Quando algumha pessoa jazia agonizante, punha-se-lhe na mão umha vela abençoada o dia de candeias. Quando tronava muito forte, acendia-se umha vela das desse dia, e assim era com as ocasões extraordinárias nas que havia que se proteger com o lume sagrado.

Também nos contavam a história de que, os meninhos que morreram sem baptiçar ficavam os pobrinhos no limbo, que era un sitio onde ficavam às escuras, agâs o dia de candeias, quando se acendião as velas abençoadas . Lembro as mães que perderam seus meninhos antes de os poder baptiçar levar suas candeias com toda a fé do mundo em que seus filhinhos ião ver umha luzinha acesa por umha vez.

Bem. Pois esso que digo, era quarenta ou quarenta e cinco anos atrás.
Mas há muita gente que ainda segue indo à igreja abençoar a cera. E agora vou-vos contar a parte do crego e a alcatifa.

Há uns meses que a Igreja disse que já não há limbo, que o Papa chegou à conclussão de que esse lugar não existe -manda caralho tanto tempo enganando às mães-

Pois, ainda assim, o dia de candeias, a gente dumha parróquia perto da minha, que comparte cura, foi à misa com suas velas e sua cera para que o cura lha abençoar. Quando rematou a misa, umha mulher, ao ver que ele ia embora, diz:

Senhor cura. E logo não vai abençoar a cera?

E seica o cura lhe diz que esso era umha trapalhada e que ele não abençoava nada.

Como queira que a mulher se anojou, o cura dizlhe:

Ponha-se-me fóra, que a igreja é minha.

Sua não é, porque você leva aquí quatro meses e nós levamos toda a vida. Eu venho abençoar as velas desde que era umha criança e, quando houve que amanhar a igreja, todos puxemos dinheiro. E, ademais- e agora vem o da alcatifa- Para que você saiba, essa alcatifa que está a pisar, merqueina eu para lha agasalhar à igreja.

Pois escuite, senhora, colha a alcatifa e punha-se-me fóra com ela.

Agarrou a alcatifa, turrou por ela, e mandou à mulher fóra com ela no mando.

Mentras tanto, o resto dos vizinhos, caladinhos com as suas velas na mão não dissem ren.

Na Galiza da minha infáncia, havia umha crença quase universal há tempo: Nunca te leves mal com o médico ou com o crego.

O médico, porque che pode dar um medicamento “contrário” e o cura, porque quando vaias morrer, não te enterra em sagrado.

Para alguns, semelha que ainda pervive

Já vedes que a história é e não é cómica.

Mas bem tragi-cómica.

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Mimosas

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Meu pai conhecia o nome de todos os pássaros, árvores e plantas do val de Vimianço.

Também conhecia os ovinhos e os ninhos de cada um, e, de pequena, desde a janela da cozinha, dicia-me:

-Mira, ali há um paifoco na póla da cerdeira.

-Vem, vem caladinha. Olha aquel pingaouro…

Eu ficava alucinada polo conhecemento que tinha meu pai dos pássaros. Um dia fum lhe levar o jantar ao monte na caldereta vermelha,porque andava a roçar no monte e, após de jantar, fomos beber à fonte do Congro e ali, agochado entre entre as silvas, havia um ninho de carriço.
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Amodinho, sem fazer ruido, achegueime e meu pai colleu-me para uparme.

Que lindo era…! Redondo como umha bolinha de musgo e ervinhas secas, cum buratinho para entrar aberto por um lado, como umha portinha…

A aquel monte chamavam-lhe A Pedra do Raposo, e agora ali andam a pôr petardos que fazem tremer o val enteiro para achandar o terreio para o polígono industrial. Os coelhos fogiram e andam polas hortas. Na de minha mãe hà umha parelha que lhe comerom todas as cenouras este verão. E os pãssaros andam em bandadas como nunca se viram.

Bem, pois meu pai, que jà não fica com nós, polo menos à nossa vista, que nunca se sabe, era o primeiro da casa en ver as mimosas.

Cada ano, por este tempo, aló na Esquipa, ou no monte das Pasantes, alviscam-se as laradas acesas das mimosas, primeiro abrochando, apenas, e, nuns dia, a explosão do amarelo, como umha larada.

Meu pai, olhava pola janela da cozinha-antes não havia salas de estar, nem salinhas. A vida da familia, polo dia, era na cozinha-e dicia:

-Jà falta pouco para a primavera, que jà abrolharom as mimosas aló na Esquipa.

A Esquipa, A Toxa, As Pasantes, a Valinha e Brives e A Gandra, são os primeiros lugares que ilumina o sol quando sai, e os primeiros em escurecer ao solpôr. Os lugares onde da o sol ao sair, sempre são os primeiros onde as flores abrem, onde os frutos são melhores, onde medram mais rápido as plantas…Eso também o aprendi de meu pai.

Bom, pois este dia, quando sai da casa para ir dar um borde, olhei aló na Esquipa as mimosas começando a abrolhar, amarelas coma muxicas de lume.

E lembrei a meu pai.

E pensei: Aginha chegará a primavera.

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São Vicenzo

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Onte e mais hoje, são os dias da festa do santo, patrão da parróquia de Vimianço.

Segundo minha tia Estrelinha, são Vicenzo era umha caste de cura -diácono, que é menos graduação-que, por não arrenegar da sua fe cristiã, botarom-o a asar numha grelha coma um churrasco.

Eu lembro-o de quando ia à igreja alto, vestido cumha túnica vermelha de orla dourada sobreposta a umha vestidura branca, umha palma na mão dereita, um libro na esquerda e um corvo no hombreiro.

Sei que a palma simboliça o martírio, o libro, a sua adicação à leitura dos textos sagrados, e o corvo, segundo a lenda, é quem defende seus restos dos avoitres quando Daciano manda espedaçar seu corpo e o botar fóra dos muros da cidade de Valencia, para pasto das feras.

Antes havia outro são Vicenzinho mais pequeno e mais barroco, mas, quando tirarom abaixo a igreja primitiva para fazer outra há uns corenta e cinco anos, desapareceu o retábulo dourado, as capelinhas dos santos e o santinho quedava algo pequeno para semelhante igreja grande que havia agora. Assim que, as “senhoritas” do Paço de Trasariz

Trasariz.jpgencarregarom um novo num obradoiro de Compostela, para agasalhar com ele ao novo templo. Foi sendo eu umha meninha de quatro anos, e lembro a viagem que fixemos para trazer o novo São Vicenzo para a vila. Um São Vicenzo alto, de olhada grande e séria, subido a umha peana de pedra no alto, perto da bóveda, presidindo-o tudo desde aquel posto solitário. Só o negro corvo o acompanha, a carom do seu ouvido.

Onte tivemos festa das casas, repenique de sinos, e misa. O tema de conversa nas tabernas, era o por que de não haver foguetes. Não sei em que quedou a cousa das razões da ausencia de foguetes. Mas esta festa, coma muitas, celebra-se em dous tempos:

Primeiro: A festa das casas: Jantar, reunirse a família e fechar o comércio e os centros de trabalho.

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Segundo: Verbena de tirolirolá que, como vem sendo habitual, celebra-se o sábado, para que a gente possa ir bailar, beber e troular. E durmir para o outro dia.

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É a primeira vez que se faz assim polo São Vicenzo . São cousas dos tempos que correm.

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Imagens do Rexoubeo do mes passado

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Na Taberna O Petouco, de Vimianço:

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Segundo a minha filha, esta montagem saiu-me algo punki, mas agora não a vou mudar.

Veredes. É que continuo sem sair da casa. Hoje volvi ao psiquiatra e disse que troque o Litio por outro medicamento, que seica o litio não me vem bem, por mor de que me faz eliminar muito potásio e não é bom. Mesmo explicou o meu anojo rebotado, ainda que não muito vissível, dos últimos tempos, pola falta de potásio que tem repercussões no hipotálamo.

Assim que, já sabedes. A música punki é por mor do Li que faz que tenha pouco K. com o conseguinte rebotamento.

Pero…Gosto de como queda esta música, que nem sequer conheço, com as imagens da gente do meu povo. Algo rebotado, últimamente polas subidas abusivas de impostos.

Força!!!!