Noitinha

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aclearglitterTwistedly.gifpós a hora do solpôr, vai vindo a escuridade, de vagar, mentras no ar queda ainda essa claridade que encheu todo o espaço diurno.

A Galiza, pola sua situação geográfica, fica mais perto do círculo polar ártico que do ecuador, e essa circunstáncia posicional no globo planetário, faz que certas cousas sejam dumha determinada maneira.

No ecuador, não há crepúsculo. O sol desaparece polo horizonte, e já é noite fecha.  Em vez disso, nos polos, norte e sul, os dias duram seis messes e as noites outro tanto. Tampouco no ecuador há diferença entre as horas de luz do verão e do inverno. Os dias e as noites sempre são iguais: doce horas.

Quanto mais perto dos círculos polares, os dias de verão tem mais horas de luz do que as noites porém, no inverno, sucede o contrário.

Longe da minha intenção dar lições de geografia desde esta janela aberta a todos vós, mas é certo que a nossa vida tem muito a ver com a terra, seus climas, suas rotações e traslações polo espaço. Ao fim, que somos? Filhos da mãe terra que nos alimenta, do pai sol que nos abastece de energia e namorados da lua que gravita sobre nós e nos atrai ou nos aparta, como umha rainha caprichosa. Que gravita sobre os fluidos do planeta e de nós mesmos, que com sua luz polarizada, marca as colheitas e as favorece, ou estraga a carne salgada ou as patacas de comer.

Pois agora, no mês de maio, perto já do solstício de verão, após o solpôr, o crepúsculo vólve-se noitinha. Umha escuridade que se vai espalhando, de vagarinho, ralentizada, na que o silêncio se faz mais profundo e o campo arrecende a erva, a névodas, a hortelã. Aló, na beira do rio, os pássaros seguem com seu trafego e, por acima da cabeça, passam os morcegos, voando umha e outra vez, num ir e vir silandeiro e apenas vissível.

Polo leste, vai saíndo a lúa cheia, a deusa que caminha majestuosa, espalhando sua luz  sobre o meu vale circular,  que se enche dum pó de prata que resplandece na erva, nas àrvores do rio, na aba do monte, como um fluido etéreo que muda completamente a aparência das cousas e tamém o nosso ánimo, que se volve mais instintivo, esquece-se da rutina do trabalho diário e percebe as sensações com mais intensidade: A noitinha é hora propícia para estar fóra, para a conversa, para o descanso e tamém para o amor.

Há tempo, esta hora mágica era a do lezer, das reuniões dos vizinhos para falarem do dia, dos jogos dos rapazes, dos moços que iam ver às moças para falarem com elas na porta, e dos passeios à fonte, onde alguns se perdiam  entre os carvalhos, ou os abeneiros, pra lhe render culto à deusa que fazia prender o lume nos corações e nas virilhas.

Umha cantiga popular da minha terra:

Ainda me acordo, neninha,

de aquela noite de verão.

Ti, olhavas as estrelas.

Eu, as ervinhas do chão.

Aproveitade as noitinhas, que não duram todo o ano.


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Solpôr

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d5upesde a minha janela, vi passar o dia de hoje redondo, cheio de luz, com o calor do sol quase perpendicular do solstício, derramando a sua dourada energía sobre os abeneiros da beira do rio, os salgueiros e os campos de erva e de milho recem nado, em fiadas verdes sobre o negro da terra. Olhei o pessegueiro, ateigado de pequeninhas améndoas de veludo verde onde há um mês estavam as rosadas flores.
O meu vale é mui formoso. Porque é redondo e amplo. Um orbe cheio de luz dourada e verde.
Há um pedazinho, baixei até a horta, pra regar as alfaces, os cabazinhos, pementos,chícharos e demais legumes que plantei há pouco tempo. Disfruto enormemente deste tempo de regar, arrincar ervas pra deixar limpa a terra arredor das plantinhas, e ver como, día a día, se vão percebendo mudanças em cada pequeno terreio no que fum parcelando meus cultivos, em cada eitinho onde assomam, como crianças inocentes e tenras.
Hoje, passou-me algo especial em tanto estava lá, na horta. Houvo um momento no que a luz se fixo de ouro puro, a brisa encalmou e o siléncio só era interrompido polos latidos dos cães, ao longe, e o rechouchiar dos pássaros, na beira do rio.

Todo ficou parado, estantío. O tempo deixou de correr e o espaço encheu-se de luz e sombras alargadas estendidas sobre a erva.
Esse intre especial, que precede ao pôr do sol, que se percebe no campo, ou na beira do mar. Essa luz e esse silêncio mágico são umha das vivências mais preciosas para mim. É como traspassar a porta da realidade aparente e entrar no plano da verdade onde o interior e o exterior estão em total e perfecta comunhão. Quando vivía no Rif, essa era a hora do Al Magreb, a última pregária do día antes de vir a noite. Desde os minrahbs de todas as mesquitas da cidade, os almuecins chamabam ao rezo com sua cadéncia de alalá: Allauh Akbar!!!! Desde a minha açoteia, escutava ecoar os cantos e não tinha em conta o que diziam. Só a cadéncia, o canto, o siléncio no que boiavam as pregárias.

Há portas que se podem abrir e traspassar de muitos modos. E todos os caminhos, se vão ao coração, sempre chegam ao  destino.

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Tempo e eternidade

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LMQ.gifuando eu era umha meninha, ainda o estado espanhol vivía baixo a ditadura de Franco e a ditadura franquista foi sempre fortemente apoiada pola igreja católica e o catolicismo,uns dos maiores símbolos da ditadura.

Até tal ponto chegava o servilismo da igreja católica, que quando o ditador Franco participava num ato litúrgico, os oficiantes, o levavam baixo do pálio que está reservado ao Santíssimo Sacramento quando sai em procissão dentro da sua custódia dourada.

Se conto estas cousas, é para que compreendades que a minha infáncia foi totalmente colonizada polo catolicismo revelhido e lúgubre de aqueles anos e que o “catecismo” ou livro da doutrina da igreja era de obrigada aprendizagem em todas as escolas com as mesmas palávras com as que fora redatado polas autoridades da cúria eclesial, aínda que nós, meninhos galegos do rural, não percebiamos nada de todo aquel remexido de ideias tão abstratas e, ainda para mais, em espanhol, idioma que não era o nosso nem podiamos falar nem perceber na sua maior parte.

Bem. Pois entre toda aquela doutrina ininteligível, havia umha ideia que sempre me despertou curiosidade: Deus era eterno. Não tinha princípio nem fim. Existiu sempre e existir-á por toda a eternidade.

Aquela afirmação era completamente incompressível para mim.

Com o passo do tempo, de vagar, fui passando a vida e, com ela, as vivências, sentimentos, ideias e todo o que se foi acumulando na minha mala vital.

Agora, estou por ver que aquela afirmação de que a eternidade existía, era certa. Mas não só para aquele senhor de barba branca e um olho dentro dum triángulo equilátero que nos vigiava em todo momento. Para todos e para todo a eternidade é um estado onde o tempo não existe. Porque, tanto o pasado como o futuro, são em realidade, projecções do pensamento sem verdadeira existéncia. O passado e o futuro, como memória ou imaginação, estam no presente. Todas as vivéncias de momentos passados estam em nós, como presente.  E o futuro não existe mais que como umha tentativa de se projectar que tem lugar agora, no presente tamém.

Só existe presente. Presente que leva em sí todas as vivéncias, avatares e sensações vividas ou sonhadas.

Esse é o sentido da palávra eternidade.

Cada um de nós, cada areia, cada folha, cada latejo do macro ou micro cosmos, tem em sí mesmo  o presente que veu de longe e vai para não se sabe onde em cada momento.

Só existe este momento. Este momento no que escrevo estas palávras fruto de toda a minha história pessoal e tamém da do universo, com suas estrelas, galaxias e fontes de energia que me tem trazido até aquí. Tudo está presente agora, em mim.

Desde a primeira explosão estelar que faz possível que eu exista, até as sucesivas explossões de sentimento frente ao mundo, aos olhos dum amado, ou o sorriso de tantos meninhos que tive a sorte de conhecer nos meus anos de mestra. Todas as terras que descobri, os amenceres que me encheram de emoções, os cantos das mesquitas do Magreb, os bairros de Barcelona onde vivi, os companheiras e companheiros com os que comparti a minha alegría, cansaço, afecto, as tristezas, as penas, os namoros, o medo. O amor.

Essa sensação de eternidade que não acredito que seja a mesma do “catecismo”, do senhor de barba branca que mora numha nubem a vigiar com seu olho as vidas alheias.

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A crise que vém de longe. Em rios de sangue e bágoas.

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“PRIMERO COGIERON A…

Primero cogieron a los comunistas,
y yo no dije nada porque yo no era un comunista.
Luego se llevaron a los judíos,
y no dije nada porque yo no era un judío.
Luego vinieron por los obreros,
y no dije nada porque no era ni obrero ni sindicalista.
Luego se metieron con los católicos,
y no dije nada porque yo era protestante.
Y cuando finalmente vinieron por mí
no quedaba nadie para protestar.”


Estes psico-sociópatas que movem o nosso mundo e que jogam com seres humanos ao pim pam pum, tem o poder que da o dinheiro. Mas,nós temos parte de culpa do que está a passar. Só nos centramos no nosso embigo e consumimos sem nos importar as condições de trabalho dos que fazem as parvadas que a miúdo compramos sem precisar de elas. Não temos conciéncia de clase. Só reagimos quando nos toca a nós. O comprar ou não comprar é o único poder do que imos dispôr de aquí em diante. Sejamos solidários no consumo. Já sei que é triste a cola do paro: Eu tenho três filhos que passam dos trinta e que não tem trabalho estável. Sei que para o ano, o subsídio que cobro não vai medrar. E muitas cousas mais. Mas tamém sei que em toda África, Ásia e América Latina, a gente passa fame, não tem sanidade pública, nem educação para os seus filhos, nem um entorno social no que poder viver, no sentido mais profundo da palávra.
Quando os bancos davam créditos, ou cartões de pago adiado, e dinheiro a eito, comprava telefones, PSP, computadoras, roupa, calçado, cousas para embelecer a minha casa, sem me preocupar polos meus irmãos trabalhadores que perdiam a vida e a dignidade para que eu pudesse ter essas parvoíces. Os senhores do dinheiro fregavam as mãos. Suas contas medravam cada vez mais e os seus ditadorzinhos mantinham à raia aos seus escravos para evitar quaiquer mostra de rebeldía. Quando saíam as novas na TV de guerras na Costa do Marfim ou no Congo, diziamos: Olha para aí, estes africanos, que selvagens. Lutam uns com outros como animais. Não queriamos saber a verdade: Que o combustível do nosso carro, ou o nosso telemóvel de última geração, estava fabricado com o sangue de operários na escravidão.
Pois agora, tocou-nos a nós. Um pouquinho. Nada comparável ao de eles. E, com toda a razão, nos reviramos e saímos às ruas. Mas…Onde quedou o internacionalismo solidário? As ideias dum mundo mais livre, igualitário e humano? Nas ONG com as que descarregamos as conciências? Nas tristes esmolas ou apropiações de crianças que desarraigamos dos seus paises e suas culturas para lhes fazer um favor? Porque no nosso pais não nos deixam ter um filho sem o parir?
Até que sintamos que cada mãe sou eu mesma, cada filho o nosso filho, -porque é filho dumha mãe, ainda que não tenha que comer e tenha de ficar fechado numha gaiola tecendo alfombras e tapices com seus dedinhos para que os operários podam ter casas de burgueses-, cada avó, o meu avó. Até que não mudemos isso, sempre será o mesmo. E não lhe botemos a culpa aos psicosociópartas que abusam de nós. Que, quando abussavam dos demais, nós mirávamos para o outro lado para não ver, com tal de poder ter essas estupideces que nos ofereciam.


A foto é tirada de nomasmentiras.worpress.com

O carvalho

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“O carvalho da portela

tem a folha revirada

que lha revirou o vento

numha manhã de geada”


“Carvalheira de São Justo

carvalheira derramada.

Naquela carvalheirinha

perdim a minha navalha”

São cantigas populares galegas de há muito tempo.

A senhora Deolinda, que naceu em Portugal e emigrou ao Brasil com seis anos, é profesora de botánica e, ainda que no Brasil há àrvores fermosas e de muito interesse, ela tem sua saudade ligada às àrvores da sua infáncia.

Ela pediu-me que trrouxesse por aquí um carvalho e vou tentar ser seus olhos polas carvalheiras deste velho país da sua infáncia.

A Galiza é terra de carvalhos e carvalheiras. São àrvores sagradas, vencelhadas aos rituais e à religião pagã, prévia ao cristianismo.

Como as religiões se superpõem umhas às outras, como as capas dumha cebola, não é estranho, na Galiza, ver um carvalho centenário diante dumha igreja, ou dumha ermida de culto popular.

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Carvalho de Cereixo, no meu concelho. Calcula-se que pode ter arredor dos 500 anos e está ao pé da igreja e o camposanto da parróquia

O carvalho, no noroeste da peninsula Ibérica, é a àrvore autótone por exceléncia. As carvalheiras forom os primeiros lugares de culto aos deuses pagãos, o mesmo que as fontes, erão das deusas femininas. Fontes milagreiras que aínda quedam, espalhadas pola nossa geografía física e cultural, onde a gente, o día da romaría da santa, lava a cara e as mãos e deixa os paninhos da mão estendidos na silveira, para curar as verrugas ou o mal de olho.

Dum tempo para cá, as carvalheiras foram substituindo-se por outras plantações de àrvores importados de fóra: pinheiros primeiro e logo, eucaliptos, umha verdadeira praga para a terra, que se enche de mato que mais tarde, com a calor do verão, arde arrassando todo ao seu passo.

Embaixo dos carvalhos, medra a erva viçosa, a sombra húmida baixo as suas copas, assim as landras, ao cairem, vão germolando e criando novos carvalhinhos para o futuro.

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E olhade se a terra é teimuda que, na sua saudade polos seus filhos vegetais, não se rende e, a pouco que a deixem, polo meio dos eucaliptos australianos, agromam os carbalhinhos pequenos, retortos, pulando por sobreviver aos invasores. A terra tem memória da saudade, como dona Deolinda.

O carvalho do país, autotone da Galiza e norte de Portugal é o Quercus Robur, umha das quatro variedades de carvalhos européus.

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È uma árvore de grande porte, que atinge 30 a 40 metros de altura e que tem um tempo de vida entre 500 a 1000 anos. Esta espécie possui copa redonda e extensa em árvores adultas, e contorno oval piramidal em indivíduos jovens. O tronco do carvalho-vermelho é forte, direito e alto, a partir do qual partem ramos vigorosos ao acaso. O tronco possui também uma casca (ritidoma) lisa e acinzentada, quando nova, ou grossa, castanha e escamosa em árvores adultas.

Folhas e landras do carvalho-vermelho

As suas folhas são caducas, membranáceas e pequenas, com 5 a 18 cm de comprimento, sendo geralmente mais largas na parte superior. Com 3 a 7 pares de lóbulos redondos, possuem um pecíolo (pé da folha) com 2 – 12 mm de comprimento. Elas permanecem com um verde forte ao longo do Outono antes de se tornarem castanhas persistindo na árvore até ao Inverno.

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As flores do carvalho-vermelho florescem em Maio a partir dos 80 anos de idade.

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Flores masculinas-foto superior-

Flores femininas-foto inferior-

O carvalho-vermelho possui landras de maturação anual com 1,5 a 4 cm de comprimento. As landras a princípio têm um tom claro ficando castanhas à medida que amadurecem, e na sua fase verde são pardas e com riscas longitudinais escuras.”

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Características ecológicas

O carvalho roble é uma espécie bem adaptada aos climas temperados húmidos, que apresenta grande resistência ao frio. Esta espécie prefere os terrenos siliciosos, argilosos frescos e húmidos, ricos em nutrientes.

Distribução do carvalho em EUROPA

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No centro de Santiago de Compostela, a capital da Galiza, pervivem duas carvalheiras; Santa Susana e São Lourenço, por onde podes dar passeios polo bosque sem saires da cidade e mesmo fazer aquelarres, juntanças de bruxas e meigas que se reúnem no centro dum círculo de carvalhos, nas noites de lúa.

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O XIV Asalto Irmandinho de Vimianzo, já está aquí.

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2654904463_8fca58d99f_oComo cada ano, a “Asociación Axvalso” de Vimianzo, na Terra de Soneira, na Costa da Morte, prepara a festa conmemorativa do asalto à fortaleça dos Mososo, como há mais de quinhentos anos, figeram Os Irmandinhos, aquela gente do comum organizada para lutar polos seus direitos fronte aos abusos dos senhores feudais.

Se queredes mais informação do tema, no blogue http://asaltovimianzo.wordpress.com, toparedes toda a quepodades necessitar.

Os que moredes perto, animádevos. É umha verdadeira festa para não perder.

Esperamos-vos em Vimianço a tarde-noite do 4 de Julho.

Saudos irmandinhos.

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Saindo do poço

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al12col1.gifpós mais de dous anos sem saír, sem reagir, sem ter folgos para fazer vida normal, agora, de vagarinho, vou reguperando a minha capacidade de acção, a minha vontade, o meu gosto por me comunicar com o mundo.

Mas não é um processo fácil, que siga umha linha estabelecida.

O que tem a bi-polaridade é que umha fica sempre drogada polas suas próprias drogas interiores, que tomam o control e, então, pode ter umha sobredose de adrenalina, serotoninas, endorfinas, com as consequências de ansiedade, descontrol ou felicidade ou, pola contra, ficar com a síndroma de abstinência por dous anos, como esta última vez. Um vive, básicamente, vivido polas suas neuronas, que são quem marcam os seus estados anímicos, a sua capacidade de disfrutar, a sua possibilidade de comunicação com os demais. Mantem, se segue o tratamento e trabalhou com um bom terapeuta, a capacidade de auto-observação, mas não pode fazer nada por mudar a situação. Só esperar. Esperar com esperança de volver a sentir a calor do verão na pele da alma.

Logo, tem que se afazer a ver-se a sim mesmo ilusionando-se como umha criança com quaisquer cousinha, expressando a sua ledícia de viver em quaisquer lugar e hora, falando e actuando de jeito natural, sem barreiras nem filtros racionais, só com o sentimento, ou emocionando-se até as lágrimas com umha flor, umha pessoa que sofre, um bosque de àrvores frondosas, um cachorrinho.

Também há que se afazer a sentir vagas de adrenalina que nos afogam ante quaisquer pequeno problema concreto-fóbias-, a sensação de que, por momentos, a cabeça é umha massa de pão sem levedecer, sem forma nem estrutura, que não responde aos nossos requerimentos.

A bipolaridade é, a fim de contas, umha neurose maníaco-depressiva, que vai da depressão à manía e da manía à depressão sem que o nosso raciocínio possa exercer control nemhum sobre o processo.

Agora que estou de volta, que estou no caminho de saída do poço da mina dos tesouros, a ver se passo mais por eiquí, para compartir convosco mais cousas.

Quero agradecer de coração os agarimosos e positivos comentários que deixastes nos meus posts. Falam de vós e da vossa capacidade de valorar as cousas dos demais. Esso só o podem fazer as pessoas valiosas. Um só pode ver nos demais o que ele tem.

Vou-vos deixar umha canção que tem alguns anos, na que me vejo reflectida a miúdo.

Umha aperta-abraço- para todos e encantada de volver.


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