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Umha erva nossa

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herbadenamorar v3xbou seguir a falar de ervas, das ervas ventureiras que deixei sem rematar.

Há umha erva que é especialmente significativa para mim. Umha erva que me traz lembranças de areia e sal, de vento atlântico e tardes de sol de verão, à beira do mar.

Ela é umha erva endémica do Noroeste da península, até o límite do rio Douro, justo dentro do território da antiga Gallaecia romana, ou Suevia germânica, antes de que esse território se partisse em dous para sempre politicamente, que não cultural nem morfologicamente, porque essas cousas não as decidem os homens nem os seus vai e vem.

Esta erva medra na beiramar, na areia ou mesmo nas rochas, em qualquer pequena fenda onde possa estender suas raíces.

Estas, as raízes, são muito mais grandes do que a parte visível da planta, que se aperta num mulido para se proteger fronte ao vento litoral. As flores, pequenas e delicadas, vão da cor rosa à branca e sobranceiam ao resto da planta, sostidas por duras mas flexíveis caules que se movem quando venta, cum tremor de forte fragilidade.

O seu nome científico é Armeria Pubigera e popularmente conhece-se na Galiza como erva emprenhadeira, ou erva de namorar.

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É umha erva com muito contido simbólico e mágico. Dim que, se pôs um raminho no peto do ser amado, sem que se decate,e melhor na noite de São João, ha de ficar para sempre rendido de amor por ti.

Também se di que, se se pom umha flor branca desta erva a carom dumha pessoa durmida, esta há-se namorar da primeira  pessoa que veja ao despertar.

Ainda que medra em todo o litoral até o Douro, o lugar onde mais abunda e onde tem mais significado mágico associado é o Satuário do Santo André de Teixido, aló pola Serra da Capelada, onde os rochedos mais altos da Europa continental, caem a prumo sobre a escuma do mar e onde as almas dos mortos viajam baixo a forma de animalinhos: rás, sapos, pesoias, escâncers… porque a Santo  André de Teixido vai de morto o que não fui de vivo.

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E o que não vai de vivo umha vez, de morto vai três. Quem sabe se esse sapinho que cruça o caminho dando saltinhos, não será a alma do avó, ou da avoa, que baixam polo caminho cara o santuário…

Da minha vila saía, há alguns anos, um  autobus cara o Santo André cada mês.

Havia quem reservava e pagava o asento do autobus do seu defuntinho , ou da finada de sua mãe…

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As nêvodas ou nêvedas

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As nêvodas, tamém chamadas nêvedas, são umhas ervas muito olorosas que medram na porta de embaixo da minha casa, na que da ao vendaval e onde se toma o sol nos dias claros e entra o vento e bate a chuva nos de invernia.

As nêvodas, Calamintha Nepeta, foram muito importantes no passado da Galiza, porque com elas, aromatizavam-se os “bolos do pote”, que, cozidos no caldo, eram o compango habitual dos jantares dos labregos galegos da geração dos meus avós.

“Bolo do pote, comer a ganhote”

“Bolo do lar, comer a fartar”.

O recendo das nêvodas é muito semelhante ao das mentas, tanto da hortelã, como do poejo.

É umha planta de folhas pequenas e flores mais pequenas ainda, de cor azul.

Estas imagens, som da que tenho na porta. Após a chuva ou o rocio da noite, arrecende que da gosto.


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O ciclo do tempo

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Fazemos umha parada nas ervas ventureiras-ainda me faltam algumas que tenho perto de mim, a carão da porta da casa-, para lembrar outra vez às duas rifenhas que seguem a viver na sua casinha de Vimianço e que se preparam já para o Ramadam deste ano.

Este ano, o mes muçulmano de Ramadam, começa, aquí em Vimianço-depende da lua, já sabedes- o dia 2 de Setembro, e dura até o 1 de Outubro.

A hora de romper o jejum o primeiro dia vem sendo às 9 e 9 minutos da tardinha e, cada dia, com o minguar das horas de sol, vai mudando uns minutos.

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Nos messes de verão, as horas de jejum e de não beber são mais e fai-se um pouco mais dificil de levar.

Mas as tradições são importantes para as duas rifenhas-mãe e filha- mália serem novas e mui implicadas com os costumes europeus. Assim que, como aqui em Vimianço não há mesquita nem almuecim , eu disse-lhe a rapaza que, se queria, pedia um alto-falante e berrava-lhe desde a minha janela do sobrado: Allah uakbar! quando chegasse a hora, mas acredito em que não fai falta. Elas levam o tema com muito agarimo e saudade pola sua terra e não precisam de avissos.

Na entrada do Ramadam do ano passado, já vos expliquei como o celebram.

Às vezes parece-nos que os costumes ou as tradições são umha parvoíce. Eu penso que são, mas quando são forçadas. Porém, se se fam com agarimo e coração, sem supôr um distanciamento dos demais, mas umha satisfação para o espírito, são umha benção. E umha fonte de variedade cultural tão apaixoante para o que gosta de conhecer.

Ramadam Mubarak a todos os muçulmanos e muçulmanas se é que algum ou algumha entra no blogue.

رهذان  هبارگ

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O verão e a festa

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ADntes de seguir com mais flores ventureiras-tenho umha moreia aguardando no iphoto- vou-vos contar como celebramos na minha vila as festas do verão.

Já vos contei, aos que não sodes galegos, que o verão na Galiza fica inçado de festas, porque o inverno é muito longo e crú.

Não vos posso explicar nada das verbenas, tómbolas e demais porque, como tenho fóbia aos ruidos, este ano não sai de noite. Mas porei-vos umhas imagens do jantar em família, do café à tardinha, na horta, a minha casinha engalanada com as bandeiras da Galiza e essas cousas.

Minha irmá, é muito familiar. Gosta de ter a família ao seu redor e, este ano, juntou 22 pessoas na sua casa. Cada um dos dous dias que durou a festa.

Para esso, tivo que valeirar o garagem, como fai cada ano, e assim todos coubemos bem.

Olhade a minha casinha-antes foi de minha avoa- que linda com suas bandeiras da Galiza nos balcões:

A luz é gris porque, o dia foi de orvalho. Nada que ver com o dia antes, de sol radiante. A Galiza é assim.

A mesa dos convidados, após ter jantado, mentras aguardam o café:


Complicidade entre mulheres:

Homens:

Mulheres e homens:

Parelhas:

Entre gerações:

Consigo mesmo:

Ao sol da tardinha. Com os amigos do segundo café:

Mais complicidades. Esta vez, entre amigos que nos visitam na sobremesa:

Algum achegado:


Tudo é mais formoso baixo a luz do sol:

Bom. Espero que gostasses das festas da minha vila, com família, amigos, vizinhos e sol-um dia. Outro de chuva-.

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Flores ventureiras V. A Malva

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al12col1.gif malva, ou malva silvestris, é umha planta que medra em todos os valados, beiras dos caminhos e campos baldios da Galiza. Sua imagem é inconfundível e todos os meninhos e meninhas do rural galego de arredor de cinquenta anos, temos comido algumha vez os “queijinhos”,os frutos da malva redondos, com as sementes bem postinhas arredor, como queijos diminutos. Era por aquel tempo no que tamém comíamos “pisotes” de amoras maduras com umha culher de folha de milho e logo lambíamos a pedra- a de base, e a de pisar-para não perder o suco das amoras que ficava metido entre os interstícios da pedra de grão, que já se sabe que a amalgama de seixo, feldspato e mica, não sempre era uniforme e o suco morado escorria por entre os desníveis.
Quando íamos com as vacas, sempre sabíamos quais eram as pedras dos “pisotes”, polas manchas avinhadas que mostravam. Tamém calculávamos com bastante bom critério a data em que o “pissote” fora feito e degustado.
Bom, pois tudo isto, foi porque as malvas evocaram as minhas lembranças infantís e para garantir que não têm toxicidade. Os frutos, garantido pola minha pessoa.

Segundo as informações da minha avoa, os banhos de assento com água de malvas -a água de ferver as flores da malva- eram muito bons para o pruído das partes assentadas.
Tamém para lavativas de limpeza e desinfecção do intestino.
A malva é umha planta que contêm muita mucilagem, essa substância gomosa que se encontra nos vegetais, e na malva dumha maneira especial muito abondosa.
Agora vou com o que dim os entendidos. Isto não posso o garantir, mas é informação que, em tudo caso, se deve de contrastar e consultar com que saiba por ter estudado o tema:

PROPRIEDADES MEDICINAIS DA MALVA
Emolientes: sempre que tenhamos grãos ou furúnculos, chagas, ulcera ou qualquer tipo de lesão na pele, as propriedades o mucílago contido nesta planta servirá para os ablandar. ( Cataplasma da planta mole machucada sobre a parte da pele afetada) (Também nos eczemas é muito conveniente aplicar uma compressa fria com a decocción de umha mancheia de folhas secas e flores por litro de água)

Cuidado dos olhos: Com o chá da planta seca pode-se realizar um colírio natural que sera muito útil em caso de ressecamento ocular.

Anticatarral,béquica, pectoral, garganta : . Rica em mucílagos, resulta ideal, pelas suas propriedades emolientes, para suavizar as mucosas do aparelho respiratório. Utiliza-se nas afecções dos processos respiratórios como tosse, especialmente de natureza seca, catarros, dor no peito, afonia, rouquidão, sibilancia, etc. . ( Chá durante 5 minutos de uma colherada de flores com duas folhas de eucalipto. Um par de xícaras a dia ) ( Em uso externo realizar gargarismos com esta preparação) ( gargarismos com a decocción das flores e folhas secas para a dor de garganta)

. (Chá durante 10 minutos de duas colheradas de folhas secas por xícara de água – dor no peito. Para aumentar seu valor protetor pode-se tomar com mel.)

Prisão de ventre: ( Decocción durante 20 minutos de 30 gr. de flores e folhas secas por litro de água. Tomar 3 xícaras por dia)

Inflamações da boca: ( Enxágües com a decocción durante 10 minutos de uma colherzinha de flores por xícara de água.)

PROPRIEDADES ALIMENTÍCIAS DA MALVA

A malva também pode consumirse como alimento. Conhece-se desde tempos históricos, pois já foi muito utilizada pelos Gregos e os Romanos, que a consumiam abundantemente misturada com outras verduras. A parte dos valores medicinais vistos anteriormente, é uma planta muito rica em vitaminas A, B, C, e E.

PROPRIEDADES COSMÉTICAS DA MALVA
Pelas suas propriedades emolientes, é muito utilizada em cosmética.

Tônicos faciais: Podem-se elaborar compressas para colocá-las sobre o rosto com a decocción de um punhado de folhas secas por litro de água. O líquido que resulta de ferver umha mancheia de flores também constitui um bom tônico facial.

Colheita e conservação: A primavera é a melhor estação para colher as flores antes que se tenham aberto. As folhas devem apanhar-se quando a planta se encontre bem florescida na primavera ou verão. Guardá-las em um recipiente seco e hermético.

Bem. Pois espero que gostasses da malva. Umha flor humilde, mas muito beneficiosa, polo que se ve.
Outro dia, mais.

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Atlántico

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OclearglitterTwistedly.gif Atlántico é um ente orgánico, vivo, que rege a vida dos que moramos e vivimos na Costa da Morte.

Como uma proa ao mar, desde Fisterra até o Cabo Vilão, desde as Ilhas Sisargas à Ria de Muros, a Costa da Morte é o lugar de entrada das borrascas que vem com o vendaval, húmido e quente, arrastrando nuvens desde os mares do trópico de câncer, e tamém do anticiclone das Açores, que nos da estabilidade no verão, quando consegue ganhar a partida por uns dias aos ventos subtropicais. No inverno, o vento do norte, frio, traz as geadas de aló, do Polo Norte, ou as treboadas borrascosas e frias das Ilhas Británicas.
Assim é o Atlántico na Costa da Morte e assim somos seus moradores.
Vivemos ao capricho do Océano e o balanço de cousas que nos traz.
Quando vivi no Mediterraneo, esso não passava: A luz, as colores, o recendo do ar, tinham permanéncia no tempo. Tamém os estados de ánimo.
O Atlántico norte é diferente: Mudável, inconstante, volúvel. Umhas veces radiante e outras escuro. Uns momentos azul e outros gris.
Assim é tamém o nosso ánimo.
Muda como muda a luz do dia: Alegre e expansivo no verão, quando temos 16 ou 17 horas de luz, e escuro no inverno, resistindo nas tabernas e nos bares as longas noites do norte, con vinho, música, e conversa.
3 messes de verão desaforado e 9 de água e vendaval.
Estamos certamente um pouco tolos. Quem não o estaria nas nossas circunstáncias de monicreques oceánicos isolados e abandonados a si mesmos, só com o mar?
Mas, se algum dia vindes cá, asseguro-vos que a Costa da Morte não vos deixará indiferentes.

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Solstício de verão

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al12col5.gifstá aí o solstíco de verão, a noite do lume, das sardinhas assadas e da juntanza dos vizinhos de cada bairro, lugar ou aldeia, para celebrar a noite mais curta do ano.
Eu, este ano, fico esgotada de viver. Os últimos dias nem sequer tive gana de escrever no escunchador, mas, hoje, após de varios meses sem sair, pediu-me o corpo sair da casa e ir dar um paseinho polo meu val.
Tudo ficava tão diferente, desde a última vez que sai, aló polo mes de março, que tirei fotos de todo o que vi, porque tudo era unha explosão de verde, de vida, de flores nos valados, de agromar de milheiras, de abeneiros com traxe novo, de luz…
Para que o vejades tudo, aviei um video que espero que vos transmita a luz, as cores e os recendos do meu val.

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