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Umha face ao passado. Outra ao futuro

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Assim é como se representa Jano, o deus das duas caras que da nome ao mes de Janeiro, o primeiro do ano para as culturas que tem suas raizes na tradição do Império Romano.

O ano novo celta, começava em Outono, com o mes do Shamain.

O primitivo ano dos romanos, começava em Martius, em honor a Marte, o atual mes de Março, e tinha 340 dias repartidos em dez meses.

Mais tarde engadirom-lhe dous mais- Janeiro e Fevereiro- e fui Julio Cesar, no 47 a.C. quem decide que o ano debe começar em janeiro-calendário Juliano- e não fui até o 1.582 que o papa Gregorio XIII reformou para o adaptar aos anos bisiestos-calendário Gregoriano- que é o que rege hoje.

Durante um tempo,ainda se seguiu a celebrar em diferentes datas,sobre tudo em Italia:Em Florência, o ano novo fui o 25 de Março até o 1.749. Em Venézia o 1 de Março e em Milã o 25 de ezembro até o 1.797.

Nas colónias británicas americanas, celebrába-se o 1 de Março, como na Inglaterra protestante, até 1.752. Nas possessões portuguesas, espanholas ou francesas, desde o 1.582, passou a ser o 1 de Janeiro, seguindo o calendário gregoriano.

Durante a Revolução francesa, fui reformado o calendário, tirando-lhe todas as connotações religiosas -prometo falar outro dia do tema com tempo-.

Quais erão as práticas dos romanos para receber o novo ano?

O poeta Ovidio, nos Fastos, explica-nos:

Janeiro é presidido polo deus Jano, o das duas faces. Tem umha nova, que mira ao futuro -ano novo- e outra velha, que mira ao passado-ano que rematou-. O deus Jano era um deus de iniciações e ritos iniciáticos, por esso ficava como porta iniciática do ano que estava por vir.

O dia do ano novo, os romanos convidavam a comer aos amigos, e agasalhavam-os com pólas de loureiro ou de oliveira do bosque sagrado de Strenia, a deusa da saude, como agoiro de boa fortuna e felicidade.-

Com o tempo, estes agasalhos são substituidos polos strenae-os nosos estreos, vaia- mais “modernos”: Jarras de mel de cerámica branca, com dátiles e figos, que se entregavam com esta frase: ” Para que passe o sabor amargo das cousas e o ano que começa, seja dóce”.

O próprio das calendas-primeiro dia de cada mes. Primeira lua nova- do ano, era trabalhar, porque, segundo palàvras de Jano, citadas por Ovidio:

“Consagrarei a todos aqueles que comecem o ano trabalhando, para que não tenham um ano de preguiça”.

Assim que, já sabedes, nem uvas nem farrapos de gaita. Trabalhar, lampantins, que só pensades em festas…!

Feliz nuite de fim de ano e feliz ano para tudos.

Contos Franceses. Jacques Perrault

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Jacques Perrault fui o primeiro em publicar contos de fadas para meninhos.

Nado en Paris no 1628, numha família da alta burguesia, publica seu primeiro trabalho sobre histórias de tradição oral no 1697.

No decorrer da sua vida, chegou a ser secretário da Académia Francesa e escribiu um feixe de obras.

Mas só perduran na memória popular os seus contos recolhidos e postos no papel “Histórias e Contos do passado” que se publicam por primeira vez com o sobre-nome de “Os contos da mãe Ganso” Polo desenho que aparecia na portada.

A tradição dos contos na França, vem, desde os Fabliaux medievais, marcada pola mitologia do inconsciente emocional, como em todos os contos populares do mundo. Esa mitologia abrangue animais, bosques escuros, estâncias proibidas, dóces raparigas inocentes, crianças abandonadas…

O ilustrador que vem hoje, não é contemporáneo de Perrault, mas um pouco posterior. Nasce em Estrasburgo no 1832 e, aos catorze anos, publica jà o primeiro album de litografías.

Seguramente o conherceredes polas ilustrações que faz para “El Quijote”, mas as dos contos de Perrault, não tem preço:

O ritual mágico de ler contos. Gustave Doré

A fonte das fadas

Lembrades o conto? A irmã boa vai por água à fonte e umha velha pede-lhe de beber…

Este maravilhoso “Chat Botté” que faz do seu amo um príncipe.

Pobre meninha soa cum lobo tão grande!

Ainda que, visto assim, não parece tão máu…

Claro que…Não fiedes…

Qué medo da o monte, de nuite! Só se mantem tranquilo o mais pequeno…

Mas…Por fim, chegam a umha casa amiga…

Amiga?…Ainda bem que alguém faz o troco…

Puxa, meninho!

Qué bem lhe asenta o sapatinho de cristal! Ela será nossa princessa!

Esta, não, meu amor. Não abras com esta chave…

Bom. Espero que o par Perrault-Doré for do vosso interese.

Aperta.

Os irmãos Grimm

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LMJ.gifakób e Wilhelm Grimm erão dous irmãos nados na vila de Hanau, no estado alemão de Hesse.

A época na que eles vivem, -de meados do século XVIII a meados do XIX-,é umha época convulsa para Alemanha e para Europa, em geral..

Tempos de revoluções, invasões napoleónicas e religiosidade puritanista.

Os dous irmãos, que começam sua andaina trabalhando numha biblioteca, tem umha vida agitada. Chegam a ser profesores na Universidade e investigam no eido da lingûística.

Mas, o trabalho polo que são reconhecidos em todo o mundo, é o de recolheita de narrações de tradição oral alemanas, que mais tarde se populariçam escritos para crianças e adultos de todo o mundo.

A principal fonte de relatos dos irmãos Grimm, fui umha mulher do seu entorno, de Hasel. Umha mulher da clase burguesa de procedéncia hugonote, que lhe referiu as histórias que logo foram recolhidas no libro ” Contos para a Infáncia e o Fogar”. Mais tarde fui ampliado e conhecido popularmente como “Contos de Fadas dos Irmãos Grimm”.

O ilustrador inglês Walter Crane: 1895-1915. Utiliza gravados, xilografias , desenhos…Era admirador de Durero, e chegou a dirigir varias institucións artísticas en Inglaterra. Socialista militante desde A Comuna de París chega a ser acuarelista, desenhador, pintor e escritor.

Ele faz estas ilustrações para as histórias com grande referente da fantasia medieval e burguesa recolhidas polos irmãos Grimm :

As histórias mais conhecidas: Branca de Neve, a Cinsenta, Hänsel e Gretel, João sem medo…

Quando saem à luz, suas histórias não são aceitadas . Não se ve em elas sua linguagem simbólica, mas seu significado literal e as autoridades estimam que são muito crueis. Não compreendem que a Madrasta de Branca de Neve seja castigada ao suplício medieval de dançar cuns sapatos de ferro candente, ou que a mãe de Hansel e Gretel deixe seus filhos no monte, abandonados.

Assim, tem de modificar as histórias originais e as adaptar aos critérios da época. Sobre tudo, emquanto ao contido sexual, que era importante.

Tampouco não podem incluir histórias francesas como “O gato com Botas”, polas más relações políticas com a França.

Com o tempo, as histórias recolhidas por Jakób e Wilheml, passam a ser património cultural de toda a humanidade.

Os mitos que guardam, seguem fazendo estremecer a meninhos e grandes.

Hoje vou trazer também um ilustrador nado em Suécia e emigrado aUS, onde trabalhou para a Disney, nos primeiros anos.

Chama-se Gustaf Tenggren e estes são seus desenhos:

Quem não conhece a esta senhora da maçá?

Ou a esta doncela que dorme numha caixa de cristal?

Assim, sonhando baixo a atenta mirada dos corvos, deixo-vos até a próxima.

Alice in Wonderland

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A história de Alice, preciosa rapariga que caeu numha tarde de verão por um burato e viajou por um mundo paralelo, guiada por um coelho branco enfeitado cumha grande cartola é, quando menos, inquietante.

Os diferentes ilustradores que trabalham nas primeiras edições, marcam cada um umha visão diferente.

Alice, segundo diferentes ilustradores:

A Alice de Arthur Rackham

Alice segundo Mabel Lucie Attwell

Segundo Sir John Tenniel

Os diferentes momentos da sua aventura vistos polos três desenhadores:

Sir John Tenniel, Mabel Lucie Atwell e Arthur Racham.

Três génios da ilustração para umha mesma história.

Amanhã, mais.

Peter Pã

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Peter Pã nos jardins de Kesington, é outro relato nascido baixo a luz do norte.

J.M. Barry, era um escocês que vivía en Londres. Um homem miudo, tímido e amigo de passeiar polos grandes jardins londrinos. Se lestes sua biografia ou vistes o filme protagonizado por J. Deep de seguro conhecedes a história.

Eu não quixera cansarvos con algo que já sabedes, ainda que, se alguém mo pide, encantada da vida de a contar.

Por que Peter Pã?

Peter, en honor ao meninho que conhece no jardim, e acava sendo amigo, e Pã, em honor ao deus dos bosques tocador da siringa, com a que faz dançar às ninfas e ondinas nas nuites de lúa:

Arthur Rackham fui seu primeiro ilustrador, e também aquí se deixa sentir a luz atlántica e essa fantasia de bosques, jardins, e pequenos seres que vivem nas flores, na beira do rio, ou nas raizes das árvores mais velhas.

convivindo com esoutro mundo paralelo de gente grande, único vissível aos olhos da gente normal.

Hoje, os desenhos que triunfam, são os de Disney, porque são o mais claro exemplo da economía ilustratória:Dizem o máximo com o mínimo de traços. Para umha sociedade que tem pouco vagar, são o melhor. Mas eu sou dum tempo no que as tardes de inverno erão longas e frias, e gosto da contemplação de toda a beleça que a luz do norte guarda para o que saiba e queira ver.

Ademais de Rackham, o libro com a história do meninho que não quer medrar, é ilustrada por outros artistas.

Mabel Lucy Atwell , nada em Londres no 1879, é umha ilustradora de linhas mais simples, figuras mais limpas, mais planas, mas também ilustrou um Peter Pã bem fermoso:

De seguro se percebe a diferência

Este Natal, se ides agasalhar aos meninhos cum libro, reparade nas ilustrações. Hà verdadeiras obras de arte.

Amanhã, mais.

   

Andersen

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H.C. Andersen nasce em Dinamarca, iluminado polas luces do Atlántico, que pintam tudo dumha pátina de saudade e poesía tanto no gris e escuro inverno, como no luminoso verão, cheio de flores e andorinhas.

Suas histórias tem um aquele de tenrura e tristeça, de fantasía que repara nas cousas mais pequenas para lhe dar vida própria e trata por um igual a umha princessa que a umha pobre e triste vendedora de mixtos cheia de frio.

As ilustrações que Arthur Rackam faz para seus contos são tão tenras e delicadas como seus relatos. Cheias de ilusão, fantasia e terura, polos seres que tem de desenvolver a sua vida num entorno cheio de neve, escarcha e vento.

Pobrinho do que não tenha um abrigo para se arrimar!

Também aparecem animais, esses tótems que simboliçam nosso mundo instintivo e podem devorar-nos ou, pola contra, ajudar-nos a encontrar o caminho:

Espero que gostedes do par Andersen- Rackham.

Amanhã, mais.

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A luz do Norte

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Todos os que vivimos na costa Atlántica de Europa, ao norte de Lisboa, sabemos qual é a luz que nos acompanha e nos envolve a maior parte do ano.

Ou como as nossas árvores mudam com cada tempo:

Nossos animalinhos adurminhados nas tardes de chuva:

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Por eso não é de estranhar que, se criamos ou contemplamos imagens fabuladas a partir da nossa realidade, nos sintamos fascinados e acabemos vendo nosso mundo como um lugar mágico onde comvivem seres e situações extraordinárias.

Era o que me passava a mim de pequena-e ainda hoje, pero esto é um segredo- e o contributo dos ilustradores de contos, era fundamental. Abriam as portas ao nosso mundo interior, para que puidessem aparecer as maravilhas , como no burato no que caeu Alice. Assim, quando passavamos à beira do rio, com as vacas, a mágia fazia brilhar a água e, de entre os fieitos, saía o sapo que tinha a Pulgarcita captiva aló, no fundo escuro das raizes dos abeneiros…

Um ilustrador do que gosto muitíssimo, é o británico Arthur Rackham, que, no decorrer dos últimos anos do século XIX e começos do XX, ilustrou as obras dos mais conhecidos autores de literatura “infantil”.

Ele ilustrou a primeira edição de Alice in Wonderwold, do Peter Pan in Kesington Garden de J.M. Barry, ou dos contos de Andersen e Grimm.

Quando conhecí, jà era adulta, mas jà vos digo que eu sigo a crer em todos os seres que vivem ocultos entre a erva da beira do rio, nas branhas da Gandra ou entre o musgo dos valados. Mesmo penso que as pinguinhas do resio são abalórios de diamante do manto da rainha Mab…

Mas…não falemos mais de mim, que hoje vou ao psiquiatra e ao psicólogo, e centremo-nos em Arthur Rackham.

Amanhã, contarei-vos algo dos seus trabalhos mais significativos. Hoje deixo-vos estas imagens, para pensar…



Luz do Atlántico norte


Amanhã, mais.