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Atlántico

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OclearglitterTwistedly.gif Atlántico é um ente orgánico, vivo, que rege a vida dos que moramos e vivimos na Costa da Morte.

Como uma proa ao mar, desde Fisterra até o Cabo Vilão, desde as Ilhas Sisargas à Ria de Muros, a Costa da Morte é o lugar de entrada das borrascas que vem com o vendaval, húmido e quente, arrastrando nuvens desde os mares do trópico de câncer, e tamém do anticiclone das Açores, que nos da estabilidade no verão, quando consegue ganhar a partida por uns dias aos ventos subtropicais. No inverno, o vento do norte, frio, traz as geadas de aló, do Polo Norte, ou as treboadas borrascosas e frias das Ilhas Británicas.
Assim é o Atlántico na Costa da Morte e assim somos seus moradores.
Vivemos ao capricho do Océano e o balanço de cousas que nos traz.
Quando vivi no Mediterraneo, esso não passava: A luz, as colores, o recendo do ar, tinham permanéncia no tempo. Tamém os estados de ánimo.
O Atlántico norte é diferente: Mudável, inconstante, volúvel. Umhas veces radiante e outras escuro. Uns momentos azul e outros gris.
Assim é tamém o nosso ánimo.
Muda como muda a luz do dia: Alegre e expansivo no verão, quando temos 16 ou 17 horas de luz, e escuro no inverno, resistindo nas tabernas e nos bares as longas noites do norte, con vinho, música, e conversa.
3 messes de verão desaforado e 9 de água e vendaval.
Estamos certamente um pouco tolos. Quem não o estaria nas nossas circunstáncias de monicreques oceánicos isolados e abandonados a si mesmos, só com o mar?
Mas, se algum dia vindes cá, asseguro-vos que a Costa da Morte não vos deixará indiferentes.

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A morte na Costa da Morte

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aclearglitterTwistedly.gif Costa da Morte é umha faixa de terra e mar que vai desde as Ilhas Sisargas, aló em Malpica de Bergantinhos, até o cabo Fisterra, ainda que se pode considerar que até o concelho de Muros, aló por Caldebarcos, a costa segue sendo mortal.

Chama-se A Costa da Morte, pola quantidade de embarcações de maior ou menor envergadura que foram a pique em suas águas, bravas, traidoras e cheias de correntes. O último caso conhescido foi o Prestige, mas antes, jà houve muitos mais. Mesmo os corpos duns vizinhos da outra banda do Minho que emborcaram ao rio num auto-carro,numha riada, vieram transportados polas correntes ,parar à Costa da Morte e aparecião, os corpos e as suas pertenzas nas praias. Coitados! Que tristeça !

Bem. Mas, agora, imos falar de cousas mais curiosas das gentes da Costa da Morte. E, por pÔr um caso, do jeito que tem alguns de ver a própria morte, muito peculiar.

Hà dous casos que conheço, que são verdadeiramente dignos dum estudo antrpológico desses tão sisudos que fão, sobretudo, os alemãos.

O primeiro caso, é o dum casal de Malpica, idosos os dous e sem filhos nem parentes achegados.

Postos a pensar os dous velhos, chegaram à conclusão de que, quando morrer, nemhum lhe ia fazer funeral como deus manda e, depois de lhe dar muitas voltas, foram cara a cás do cura para lhe encarregar um bom funeral com cera, oito curas cantando, e todo o demais que se leva pola comarca.

O cura estivo de acordo, e velaí que se vão os dous velhos à igreja para asistir ao seu funeral em vida.

A igreja ficava cheia de gente que não cabia umha agulha, contando com os homens que sempre quedão na porta, parolando. A ver quem é o guapo que não vai ao funeral dum vizinho sabendo que o vai saber.

O outro caso, é o de duas irmãs da minha aldeia, solteiras e sem parentes que vivião juntas, mas umha delas, morreu.

Tinham mercado um nicho no cemitério da vila, con duas furnas; para cada em sua.

Mas, quando morre a primeira, a que queda pensa que, quando morra ela, quemm lhe vai levar flores, quen lhe vai pôr a lápida com seu nome e a data da morte, e ocorre-se-lhe que, para mais seguridade, o melhor e fazer ela o que não pode delegar em ninguem.

Então encarrega umha lápida bem chusquinha, faz gravar seu nome e a data do passamento. Esso sim, com o espaço do dia e do mês sem escrever e o ano com o 20… para que, quando por fim vaia embora aos campos de Josafat, o marmolista, só tenha que pôr os números que faltão. Cada dia dos defuntos, leva flores à sua lápida. Naturais, para ela; de plástico, para a irmã que, ao fim, se fica morta, tampouco se vai anojar.

Assim, cada ano.

O povo, que na Costa da Morte é muito retranqueiro, jà anda a dizer que o da lápida está muito bem, mas que, se passa do 2.100 não lhe vai servir o rótulo.

Em fim. Que assim somos os deste recuncho da Galiza. ilhados durante muito tempo, afeitos a viver sós e a fazer o que nos pete.

Umha aperta. Para os desta banda do rio , para os da outra, e para tudos os que leiam.

Bom dia.




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