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As nêvodas ou nêvedas

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As nêvodas, tamém chamadas nêvedas, são umhas ervas muito olorosas que medram na porta de embaixo da minha casa, na que da ao vendaval e onde se toma o sol nos dias claros e entra o vento e bate a chuva nos de invernia.

As nêvodas, Calamintha Nepeta, foram muito importantes no passado da Galiza, porque com elas, aromatizavam-se os “bolos do pote”, que, cozidos no caldo, eram o compango habitual dos jantares dos labregos galegos da geração dos meus avós.

“Bolo do pote, comer a ganhote”

“Bolo do lar, comer a fartar”.

O recendo das nêvodas é muito semelhante ao das mentas, tanto da hortelã, como do poejo.

É umha planta de folhas pequenas e flores mais pequenas ainda, de cor azul.

Estas imagens, som da que tenho na porta. Após a chuva ou o rocio da noite, arrecende que da gosto.


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O fiuncho. A VII flor ventureira

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O Fiuncho

Foeniculum Vulgare

O fiuncho é uma planta que possui um cheiro anisado. Utilizava-se como planta medicinal na antiguidade.

Seu azeite essencial ajuda a lutar contra os parasitas do corpo. O fruto, rico em azeites essenciais, é utilizado em medicina.


Tem duas principais ações :

-Em nível intestinal : é antiespasmódico, é dizer ajuda nas dores de tipo cólicos do intestino e o estomago. Também ajuda ao controle da aerofagia e estimula a digestão.

– Em nível de vias respiratórias : é expectorante, ou seja que ajuda a evacuar as mucosidades dos brônquios graças às sua ação contra a inflamação.

-Ajuda à produção de leite nas mulheres que têm problemas de dar seio a seus filhos.

-Graças às sua ação contra a inflamação, permite de melhorar as conjuntivites, os tiriçois e inflamações das pálpebras. Para isso, prepara-se em chá e com um algodão (uma vez que o liquido esta morno) aplica-se sobre os olhos em compressas úmidas.

Até aquí os dados mais ou menos oficiais sobre o fiuncho.

Os que eu tenho experimentado, são aqueles que aprendí dos velhos de antes:

Era utilizado para os gases, sobre todo das crianças, mas também dos maiores. Também para as dores menstruais:”Toma anís, que é bom para a matriz” dizia minha avoa. Ela chamava-lhe anís ao fiuncho.

Também era utilizado para cozer as castanhas de ouriço: Umhas polinhas na água, dão-lhe um ponto de sabor.

E, sobre todo, é a planta aromática que serve de base a todas as plantas e aromas que juntava-mos -e ainda juntamos- polos campos para lavar a cara a manhã do solstício de verão. A manhã de São João, no hemisfério norte. O fiuncho, mesturado com outras flores: rosas silvestres, alecrim,malvas,rosas centifólias é a erva que enche o fondo da banheira que vai ficar ao sereno fora da casa, toda a noite, para depois se lavar pola manhã cedo.

São tradições de milénios, de quando o sol, a terra e a lua, eram símbolos da nossa pertença ao Cosmos, ao Universo. E a espécie humana tinha conciência de ser um micro-cosmos, reflexo e paradigma de algo mais grande, e, porém, mui nosso.

Tradições que a igreja e, mais teimudamente na Galiza, São Martinho Dumiense, tratou de erradicar, mas que faz falta muito mais do que umha vida, ainda que seja dum santo ou dum bispo, para borrar.