Tag Archives: Galiza

Flores ventureiras III. A digital

Padrão

al12col1.gif digital, Digitalis Purpurea, que na Galiza tem nomes populares como estalote,dedaleira, bilitroque e outros, é umha planta que medra nos nossos arrós, nas beiras dos caminhos ou a carom dos valados.

Tem umhas flores parecidas aos dedos, de aí seu nome. Em Vimianço chamamos-lhe estalotes, porque, as podes fazer estalar como se for umha saqueta de papel. Quando eu era umha criança, era um passatempo muito comum no verão, entre os rapazes. Juntar estalotes e jogar a ver quem era capaz de estalar mais flores da sua vara. As miudinhas da ponta, ainda sem abrir, eram as mais custosas. Tamém gostava eu de mirar como as abelhas entravam dentro da flor para zugar o néctar e só se lhe via o cû movendo-se arriba e abaixo.

Mais adiante, já de grande, a digitália ajudou-me a paliar a minha insuficiência cardiaca durante muito tempo, em forma de comprimidos de digoxina, ja que a sua substância é a base de muitos remédios para as doenças do coração -arritmias,insuficiências-. Consumida em doses elevadas, é mortal.

Aqui vos deixo umhas imagens da digitália, que seguro que é umha velha conhecida de todos vós. Ainda que é umha planta europeia, que gosta dos climas temperados, da sombra, e dos chãos húmidos e ácidos. Adapta-se com facilidade, mas não é invasiva. Agora cultiva-se como flor de jardim e já se conseguiram mais colores.

Agora que o penso:..” gosta dos climas temperados, da sombra, e dos chãos húmidos e ácidos. Adapta-se com facilidade, mas não é invasiva.”

Semelha umha metáfora da própria Galiza. Ademais, fai funcionar o coração. Podia ser a planta emblemática do nosso pais.

85.gif

Anúncios

A morte na Costa da Morte

Padrão

aclearglitterTwistedly.gif Costa da Morte é umha faixa de terra e mar que vai desde as Ilhas Sisargas, aló em Malpica de Bergantinhos, até o cabo Fisterra, ainda que se pode considerar que até o concelho de Muros, aló por Caldebarcos, a costa segue sendo mortal.

Chama-se A Costa da Morte, pola quantidade de embarcações de maior ou menor envergadura que foram a pique em suas águas, bravas, traidoras e cheias de correntes. O último caso conhescido foi o Prestige, mas antes, jà houve muitos mais. Mesmo os corpos duns vizinhos da outra banda do Minho que emborcaram ao rio num auto-carro,numha riada, vieram transportados polas correntes ,parar à Costa da Morte e aparecião, os corpos e as suas pertenzas nas praias. Coitados! Que tristeça !

Bem. Mas, agora, imos falar de cousas mais curiosas das gentes da Costa da Morte. E, por pÔr um caso, do jeito que tem alguns de ver a própria morte, muito peculiar.

Hà dous casos que conheço, que são verdadeiramente dignos dum estudo antrpológico desses tão sisudos que fão, sobretudo, os alemãos.

O primeiro caso, é o dum casal de Malpica, idosos os dous e sem filhos nem parentes achegados.

Postos a pensar os dous velhos, chegaram à conclusão de que, quando morrer, nemhum lhe ia fazer funeral como deus manda e, depois de lhe dar muitas voltas, foram cara a cás do cura para lhe encarregar um bom funeral com cera, oito curas cantando, e todo o demais que se leva pola comarca.

O cura estivo de acordo, e velaí que se vão os dous velhos à igreja para asistir ao seu funeral em vida.

A igreja ficava cheia de gente que não cabia umha agulha, contando com os homens que sempre quedão na porta, parolando. A ver quem é o guapo que não vai ao funeral dum vizinho sabendo que o vai saber.

O outro caso, é o de duas irmãs da minha aldeia, solteiras e sem parentes que vivião juntas, mas umha delas, morreu.

Tinham mercado um nicho no cemitério da vila, con duas furnas; para cada em sua.

Mas, quando morre a primeira, a que queda pensa que, quando morra ela, quemm lhe vai levar flores, quen lhe vai pôr a lápida com seu nome e a data da morte, e ocorre-se-lhe que, para mais seguridade, o melhor e fazer ela o que não pode delegar em ninguem.

Então encarrega umha lápida bem chusquinha, faz gravar seu nome e a data do passamento. Esso sim, com o espaço do dia e do mês sem escrever e o ano com o 20… para que, quando por fim vaia embora aos campos de Josafat, o marmolista, só tenha que pôr os números que faltão. Cada dia dos defuntos, leva flores à sua lápida. Naturais, para ela; de plástico, para a irmã que, ao fim, se fica morta, tampouco se vai anojar.

Assim, cada ano.

O povo, que na Costa da Morte é muito retranqueiro, jà anda a dizer que o da lápida está muito bem, mas que, se passa do 2.100 não lhe vai servir o rótulo.

Em fim. Que assim somos os deste recuncho da Galiza. ilhados durante muito tempo, afeitos a viver sós e a fazer o que nos pete.

Umha aperta. Para os desta banda do rio , para os da outra, e para tudos os que leiam.

Bom dia.




Animation41

O pote da bogada

Padrão

6a00e398aced50000300e398ad41240005-500pi.jpg

Já vos disse que, desde que voltei a Vimianço, cada día vou rercuperando palàvras, expressões, cousas que formavam parte da minha lingua de a cotio e que agora já não escuito nunca.

Umha delas, era esta que dizia minha mãe, ou quaisquer das mulheres que vem pola casa:

-Ferve o caldo?

-Ferve como o pote da bogada.

Era umha expressão para dizer que fervia ao máximo.

Também se utilizava outra expressão:

-Ferve a arroiões .

Os arroios quando baixa a água da chuva polo monte abaixo, borbolham e até podem formar cachão, na força da sua baixada. Assim se formam os arroiões.

Esta palàvra vinha no dicionário português e no Estraviz. E custou-me um pouquinho dar com ela, porque eu não sabia a etimologia nem a escrita exacta.

Mais doado foi dar com o pote da bogada, que ouvi tantas vezes sem saber de onde vinha, fui rastrejando cara atrás, como aquele jornalista do Cidadão Kane , até atopar o meu Rosebud, e velaí o que topei:

Bogada: Água fervida com cinza, que se bota à roupa ao lavá-la, para branqueá-la. (2) A mesma roupa branqueada.

O pote ao lume com a água para lhe pôr na banheira às sabas brancas de lenço ensaboadas, lavadas antes no rio, fervendo para lhe tirar o “moreno” da terra e do suor. O pote da bogada branqueava com o calor da água fervendo e a cinza. Mesmo o caruncho encarnado das camisolas suadas saia com a bogada. O caruncho negro, não saia. A bogada ficava toda a noite e, amanhã, a roupa ia ao clareio, após de a pasar pola água do rio para lhe tirar a cinza e volver a a ensaboar. Por último, recolhia-se do clareio e passava-se pola água para lhe tirar o sabão e estender no aramio, limpa como as calandras, ou as chirumas, recendendo a sabão e a ar.

Fascina-me toda a artesania do lavado da roupa. Quando eu era umha meninha, era travalho das mulheres e minha mãe e mais eu, passávamos muitas tardes no rio, lavando no lavadoiro de pedra, ajeonlhadas na “banqueta” de madeira. As tardes de rio, no verão, erão as mais fermosas, para mim.

No inverno, tínhamos que parar aos poucos, para quentar as mãos debaixo dos braços, porque, com o frio da água ficávamos sem “siras”, que é como se di em Vimianço quando os dedos, polo frio, não respondem e não podem agarrar.

No Priberam português não vinha reconhecida a palàvra bogada, mas sim no do senhor Estraviz, que recolheu com mimo tantas palàvras para nos devolver a realidade perdida.

Se não atopar as palàvras da minha infáncia, não poderia acreditar em a ter vivido.

Pensaria que a tinha sonhado, como tantas outras cousas…

As palàvras enchem de realidade minhas lembranças.

E aleda-me re-encontrar velhas amigas esquecidas.

pb_estendal.jpg

anil0058.gif

Em bulina

Padrão

animeer_10

Já vos disse que, desde que cheguei outra vez a Vimianço para quedar, sinto que volvo à infáncia e, umha das cousas que lembro com maior amor da minha infáncia, são as palàvras.

Palàvras aquelas cheias de vida, de matices, de sensações , de sentimentos, de presencias que vem de muito longe no tempo…

Desde que não vivo na minha vila, essas palàvras familiares foram exiladas no território comanche da minha memória, por não ter com quem as utilizar.

Mas, às vezes, vem vindo, sem serem convocadas, e xordem, aboiando no mar da mente, como estrelas que se iluminam no firmamento, cintilando com força.

Hoje amanhã, espertei e havia um ir e vir de luzes a travês do vidro da porta do meu cuarto. Acediam e apagavam como numha discoteca. Agora acesa, agora escuro. Assim varias vezes.

Medio durmida, xurdiu umha palàvra na minha mente adurminhada.

“Quem será o que anda de bulina a estas horas?”

Quanto tempo havia que não tinha essa palàvra presente nos meus pensamentos..!

Hoje ergui-me contenta. Recuperei A bulina para o meu vocabulário.

Pouco a pouco, espero ir arrejuntando todas as palàvras exiladas.

A travês delas, espero recuperar a minha infáncia, esse paraiso perdido no momento em que, por primeira vez e por exigências do guião, tive que mudar ao “castellano”.

84-261-3337-1img2.jpg

Patitas%20de%20colores

De liverdades, democrácias, críticas, auto-críticas, poesía e demais.

Padrão

Como jà saberedes, acabo de aterrar na Galiza após de algúns anos fóra. Desconheço, quase totalmente, qual é o panorama em quanto a poetas e demais literatos que por cà se movem.

Por eso não posso falar da senhorita Yolanda Castaño, que a maioría da gente conhesce por saír na Galega.

O que não posso compreender é que umha pessoa que se diz poeta se anoje por umha cantiga de escárnio e mal-dizer gráfica referida à sua atitude fronte a um facto. Neste caso, seica referido a Isaac díaz Pardo que, por idade, trajectória vital e sinceridade, merece, quando menos, a minha admiração e respeito.

A mesma admiração e o mesmo respeito que me merecem os Aduaneiros sem Fronteiras, verdadeiros trobadores gráficos de quanto acontece no pais com o que esto conleva de espertar conciéncias e provocar reacções a través do humor.

Certamente, desconheço os poemas de Yolanda, porque ela não era ninguém ainda quando eu fui embora. Mas, visto o visto, penso que não vou ter gana de os ler numha boa tempada.

Seguramente outras pessoas mais informadas jà comentariam estas cousas em centos de blogues.

Eu só queria dar minha opinião.

Foi um dia Lopo jograr
a casa duü infançon cantar,
e mandou-lhe ele por don dar
três couces na garganta,
e foi-lhe escasso, a meu cuidar,
segundo como el canta

Escasso foi o infançon
en seus couces partir’ enton,
ca non deu a Lopo enton
mais de três na garganta,
e mais merece o jograron,
segundo como el canta.

Martin Soarez

Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv’en [o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, se Deus me perdon,
pois avedes [a] tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

Joan Garcia de Guilhade

Umha surpresa matinal

Padrão

Comunicado

Sendo requiridos por Dom Pablo Carvajal de la Torre, representante legal de Dona Yolanda Castaño Pereira, a retirar do nosso site o desenho gráfico “Tu Quoque Iolanda?” e os comentários a ele adjuntos, sob ameaça de demanda judicial por delitos de injúrias com publicidade, e nom querendo ferir a delicada sensibilidade da nossa insigne poetisa, Aduaneiros sem Fronteiras, questionando-nos até que ponto tem sentido continuar a fazer humor gráfico neste país e a desenvolver umha autocrítica da razom galega, vimos de decidir fechar o nosso site por enquanto o nosso legítimo direito à liberdade de expressom nom se veja a salvo de coacçons judiciárias fora de lugar.

alfandega@aduaneirossemfronteiras.org

StatCounter - Free Web Tracker and Counter

Manifesto

Padrão

MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE COA PLATAFORMA DE VECIÑOS DO CRUCEIRO DE MEÁ

rede_galega_de_bitacoras

Quen asinamos máis abaixo solidarizámonos coa Plataforma de Veciños do Cruceiro de Meá (Mugardos), pechados no Casa do Concello de Mugardos desde o mes de xullo, porque cremos que calquera veciño, calquera cidadán ou habitante, deste país ou de calquera outro, ten o dereito a que non lle estraguen a súa paisaxe e seu o contorno, e a non vivir a súa vida baixo a ameaza silenciosa dun perigo terríbel.

Quen asinamos este manifesto acreditamos que a xustiza e as leis que nos damos teñen que servir para defender os principios de igualdade e de liberdade, e non para protexer os intereses dos máis poderosos e xustificar as decisións que estes toman á marxe de toda legalidade e amparándose nos recantos máis escuros da sociedade e da humanidade.

Quen asinamos estas liñas acreditamos nun modelo de desenvolvemento sustentábel e autocentrado, que non repita os erros que se cometeron no pasado ao localizar empresas en sitios inaxeitados, e ao promover industrias de enclave que dun ou doutro xeito acaban por explotar e esgotar os recursos naturais que tamén son patrimonio de alguén, nosos ou doutros pobos.

Quen asinamos aquí sabemos que a existencia de REGANOSA en Punta Promontoiro trouxo tamén consigo a miseria e a baixeza morais de quen quixo ou precisou poñerse do lado dos poderosos, así como a tristura de ver enfrontados a veciños con veciños e a familias con familias, e que non hai forma máis implacábel de acabar cunha comunidade que destrozala dividíndoa desta maneira.

Quen asinamos temos a esperanza de que se traslade esta instalación fóra da Ría de Ferrol, na súa localización primixénea e ideal do Porto Exterior, e estamos convencidos de que aconteza o que aconteza coa nosa causa, moitas outras persoas están atendendo e entendendo, compartindo, ensinando e aprendendo desta loita que ante todo é xusta e fraternal.