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É NECESSÁRIO

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É nenessário sair….É necessário estar fraco…É necessário…

Há que…Há que… Há que…

A vida é um cúmulo de “E necessário” e “há que”, ou, como dizem os franceses “Il faut”, que dizem uns aos outros, crendo-se na possessão da verdade absoluta, sem ser quem de compreender a realidade interior dos demais.

É esso o que mais desestabiliza a umha pessoa que fica a padecer umha neurose ou transtorno bipolar, como é meu caso.

Como falar é de graça, todo o mundo fala, e diz o que é necessário, o que eu deberia fazer, o remédio seguro para os meus males:

È nessário saír, é necessário se animar, é necessário caminhar, é necessário…. E assim até o cansaço, até o esgotamento mental que acaba coma as poucas forças que umha tem para tomar a decissão de dizer: Sim. Hoje vou-me habilhar e sair dar um passeio.

Façam favor. Se algumha vez topam com umha pessoa que, coma mim, fique tratando de agardar a que passe o temporal, não lhe digam: É necessário.

Porem, podem dizer: Tés gana de sair dar umha voltinha? Gostarias de irmos juntos caminhar umha miga?

Esto é muito importante. As obrigas são, precisamente, o que acaba de esmagar às pobres e castigadas neuronas dum maniaco-depressivo. Nunca se pode saber o que pode fazer quando a pressão é grande demais para poder aturar.

Apertas. Tenham bom dia. Se querem. Vocês são donos de fazer e viver o seu dia como quixer.

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Deixem voar libre à borboleta.

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Viagem

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flower80_1.gifDclearglitterTwistedly.gifigo viagem porque, para mim, nestes momentos, ir à Corunha supõe umha viagem trans-oceánica.

Tinha de ir por força, para ver ao meu doutor, que me receitou o depakine para estabiliçar o ánimo, mas como tenho um problema cardiaco, o sódio do medicamento fazia-me encharcar de água e inchar até não poder colher alento.

O meu doutor é muito bom psiquiatra. O único, dos que tive, com o que posso falar sem me sentir unmha doente numha consulta.

Ademais, disse que, a minha cabecinha, fóra do que é o trastorno bipolar, funciona muito bem e esso sempre se agradece quando se é umha pessoa que, coma mim, sempre tive o anceio de aprender, pescudar, saber, compreender o que passava em mim mesma e ao meu redor.

Bom. Pois o caso é que foi minha única irmã quem me levou e, quando chegamos, ela foi embora fazer uns recados e eu quedei na consulta.

Na salinha de espera havia um calor abafante, das calefacções e, à minha beira um moço que roia nos pelexos das pontas dos dedos, porque já não tinha unlhas para rilar.

Quando rematei, chamei a minha irmã para que fosse vindo e, mentras, caminhei um chisco polo passeio da beira da rua.

Estava fermosa A Corunha com aquela luz tão branca- luz do Atlãntico, como a de Lisboa, ou Rabat- Essa luz que faz que todo brilhe coma se tivessem espalhado pó de prata no ar.

Também olhei para as vitrinas das tendas : Quantas cousas lindas para servirem de engado ao consumo…!

O certo é que, tudo esto, fazia-o cumha sensação de desorientação, assim como se não souber muito bem cara on de ia.

Quando pensei que podia chegar minha irmã, arrimei-me ao borde do passeio olhando cara onde ela tinha de vir.

De súpeto, passa umha senhora cum cancinho branco e, sem mais nem mais, berra-me no ouvido:

“-Hay que mirar hacia delante!”

Foder! Entrou-me umha ansiedade e pensei: Já savia eu que não podia ficar cá. Não deberia. A ver se vem dumha vez minha irmã.

Nestas andava, quando, de súpeto, um carro para à minha altura a começa a tocar na buzina .

Ui! Pensei eu! Seguro que fico a pisar algumha parte do passeio que não é a debida. E movim-me, e dei a volta…

E o carro seguia a dar buzinazos.

Por um intre, vi umha imagem familiar.

Ai! Mi madrinha! que alegria!

Erão meus vizinhos de Vimianço que, por açar, passavam por alí.

Foi como ver dous humanos num planeta extra-galáctico.

Quando veu minha irmã. já apurei a lhe contar tudo, dou-nos riso, e volvemos para a casa, falando e rindo.

Pensaredes…

Por que nos conta estas parvoíces?

Pois para que compreendades melhor o que é umha neurose depressiva bi-polar.

Eu andei sozinha polas medinas de Fés de Marrakech, Trabalhei no bairro da Mina, em Barcelona, viajei com menihos de todas as escolas nas que trabalhei, mesmo semanas enteiras, sem ter nunca um problema, mas que o cansaço, e penso volver ter algum dia a mesma dispossição de ánimo.

Mas…já vedes. Agora não sou quem de caminhar segura de mim por um passeio de cinquenta metros nas ruas das Corunha, onde morei quatorze anos da minha vida.

Tudo são ameaças. Perigos desconhecidos.


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